Por Luis Nassif, via jornal GGN
As próximas eleições presidenciais se farão em um vácuo inédito de ideias econômicas e políticas.
Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso foram eleitos com a bandeira da liberalização econômica. Lula foi eleito com a bandeira social. Dilma Rousseff foi eleita com a bandeira do desenvolvimentismo, após a bem sucedida estratégia de enfrentar a crise mundial com crescimento.
No plano das ideias econômicas, há uma luta histórica entre liberalismo e desenvolvimentismo, o primeiro defendendo a ampla liberação dos fluxos de capital e da atividade econômica; o segundo propondo o ativismo do governo para definir políticas de desenvolvimento.
Nenhum grande país se desenvolveu sem estratégias claras de políticas públicas, visando dotar a economia interna de competitividade para enfrentar a concorrência internacional.
Quando não se tem, copia-se sem adaptações, como foi o caso do liberalismo superficial do governo FHC.
Tais estratégias passam por políticas macroeconômicas visando criar um ambiente saudável e por práticas protecionistas para os chamados setores infantes, até que se desenvolvam e tenham condições de competir.
A grande crítica que se faz é quanto ao risco do intervencionismo ser utilizado de forma voluntarista, sem uma visão estratégica de desenvolvimento, sem regras claras que impeçam o uso discricionário das ferramentas de estímulo.
A maneira de evitar o voluntarismo é o envolvimento da sociedade, o estímulo a um debate amplo que introjete as bandeiras em todos os setores do país, na burocracia pública, nos empresários, nos trabalhadores, na academia.
O governo Dilma não conseguiu fugir da sina do voluntarismo latino-americano, embora em nível menos drástico do que o que ocorre hoje em dia na Argentina ou na Venezuela.
O estímulo ao setor automobilístico, sem nenhuma exigência de contrapartida, a distribuição de desonerações da folha, sem nenhum critério de seleção de setores, os campeões nacionais do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), em setores de baixo atrativo tecnológico, a maneira como tentou reduzir as tarifas de energia e de combustíveis, tudo decidido de forma autocrática, sem ouvir ninguém, acabou reforçando os críticos do desenvolvimentismo, sem despertar o entusiasmo dos desenvolvimentistas.
Na outra ponta – dos candidatos de oposição – o panorama não é mais alentador.
O candidato do PSDB Aécio Neves busca apontar o futuro recorrendo ao passado: o governo inerte de Fernando Henrique Cardoso. O candidato do PSB, Eduardo Campos, acena com a independência do Banco Central e a liberalização dos fluxos financeiros, em um momento em que todos os países do mundo esmeram-se em definir estratégias cambiais e monetárias para enfrentar os novos tempos.
Quando se compara a posição dos três candidatos com os modelos de intervenção que balizaram o desenvolvimento de grandes potências – da Inglaterra e Estados Unidos à China de hoje – constata-se que dificilmente o Brasil cumprirá a vocação de se tornar uma potência.
Não é questão de ideologia: é de falta de preparo institucional do país e dos candidatos.
