A austeridade grega causou mais de 500 suicídios entre os homens

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Manifestantes, funcionários do setor público, se chocam com a polícia durante um ato contra a austeridade em frente aos Ministério das Finanças. Athenas 28/02/2014 (Reuters/Reprodução)

Via RT

Os cortes orçamentários na Grécia causaram mais de 500 suicídios entre os homens desde o início da implementação de acordo com novo estudo divulgado. A pesquisa encontrou correlação positiva entre a austeridade e os índices de suicídio, enquanto a ligação com outros fatores não foi provada.

O estudo possui 30 páginas e é intitulado “The Impact of Fiscal Austerity on Suicide: On The Empirics of a Modern Greek Tragedy” foi publicado na Social Science and Medicine Journal, e é assinado por Nikolaos Antonakakis e Alan Collins da Universidade de Portsmouth.

Os índices de suicídio na Grécia (e outros países europeus) tiveram um notável aumento após a recessão global de 2008 e da crise de soberania da dívida europeia de 2009,” assinala a introdução do estudo.

O decréscimo de 1% dos gastos governamentais resultou numa subida de 0,43% nos suicídios entre os homens de acordo com este estudo. Entre 2009 e 2010 ocorreram 551 mortes “de responsabilidade única da austeridade fiscal,” constatou a publicação.

Índices de suicídio por grupos de idade e gênero na Grécia, 1968-2009 (OMS/Reprodução)

 

Isto representa quase uma pessoa por dia. Considerando que em 2010 ocorreram em torno de dois suicídios por dia na Grécia, há uma subida de 50% causada pela austeridade,” disse Nikolaos Antonakakis ao The Guardian.

Antonakakis, que é grego, disse que foi motivado a examinar a ligação entre austeridade e índices de suicídio após assistir reportagens jornalísticas e ouvir histórias de conhecidos sobre amigos que suicidaram.
Enquanto estudos que atentam na ligação entre saúde e o impacto do encolhimento da atividade econômica já foram realizados, ainda não haviam sido realizados estudos ligando a austeridade à saúde precária e ao suicídio.

Nosso experimento encontrou indícios que sugerem que a austeridade fiscal, os altos níveis de desemprego, o encolhimento da atividade econômica e índices de fertilidade reduzida levaram a acréscimos significativos nos índices de suicídio de maneira geral na Grécia, enquanto o aumento do consumo de álcool e do índice de divórcios não demonstraram qualquer influência significante nos índices de suicídio,” discorreu o estudo.
Antonakakis e Collins consideram em expandir este trabalho examinando os efeitos da austeridade econômica em outros países da zona do euro que foram muito impactados pela crise. Este trabalho pode ser realizado na Espanha, Portugal, Itália e Irlanda.

Estas constatações têm fortes implicações aos políticos e as agências de saúde,” disse Antonakakis. “Nós falamos muito sobre o efeito multiplicados da austeridade, sobre o que ele faz com o PIB. Mas e quanto a saúde?” questionou.

O estudo identificou também diferenças de gênero e idade, homens de idade entre 45 à 89 anos são os mais expostos aos efeitos por conta do corte de salários e pensões. Não houve ligação direta entre o suicídio feminino e a austeridade.

A especificação de gênero e idade que encontramos pode ajudar agências de saúde na hora de considerar seus objetivos,” disse Antonakakis.

Tradução: Rennan Martins

 

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