
Reuters / Barry Huang / Reprodução
Via RT
Por volta de 2018 a China será o maior cliente da Rússia em recursos energéticos, com um enorme montante em troca entre os países. Por isso, é conveniente a Rússia que esta se beneficie do China’s Union Pay System (Sistema Unificado de Pagamentos Chinês, numa tradução livre), Andrew Leungm um especialista chinês, conversou com a RT.
Visa e MasterCard acumularam 85% do mercado global de transações em 2013. Quais são as implicações disso para o resto do mundo?
Andrew Leung: Se olharmos para as transações em dinheiro, reparamos que estas são dominadas por empresas e governos ocidentais. Isto, é claro, se dá porque o dólar americano permanece supremo em termos de credibilidade. Nesta análise, devemos considerar também que os maiores bancos e bolsas de valores se encontram nas economias ocidentais. Este quadro tem mudado nos últimos tempos por conta da China estar se tornando o maior comerciante do mundo e o renminbi começa a prevalecer sobre o euro como a moeda mais corrente. Em termos de transações, de remessas de valores e uso de cartões de crédito, o Sistema Unificado de Pagamentos Chinês é hoje o terceiro maior do mercado. De fato, esta fatia do mercado é só uma pequena fração em comparação com Visa e MasterCard, mas com 7,7%, já representa o dobro do montante da Aerican Express. Em termos de transação por valores é hoje o segundo do mundo. É um sistema solidamente estabelecido. Sabemos que a Rússia está tentando iniciar um sistema de pagamentos doméstico, porém, por conta do pequeno volume que representaria e da baixa representatividade de sua economia no quadro mundial frente a China, poucas pessoas na Rússia creem ser este empreendimento viável. Pelas razões expostas, está aberta a oportunidade de uma parceria entre a Rússia e a China, ou ao menos da adesão da Rússia ao sistema de pagamentos chinês.
Os BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) tem considerado a criação de um sistema independente feito por suas próprias instituições financeiras a fim de enfraquecer a supremacia do dólar. Isto é possível em sua opinião?
AL: Penso que é possível, ainda mais se considerarmos o quadro pós crise ucraniana. Neste momento, enquanto a crise se desenrola não há dúvida de que no futuro muitos países europeus serão dependentes dos recursos energéticos russos, ao mesmo tempo, é óbvio que os EUA pretendem exportar gás de xisto à Europa. Parece que o governo russo já está a parte desta situação, ainda mais considerando que o primeiro protocolo do novo presidente chinês (Xi), foi dirigido à Moscou. Os dois países, Rússia e China, já assinaram um acordo que triplica a energia exportada da Rússia aos chineses. No futuro, em 2018, a China será o maior consumidor da energia russa em todo o mundo. Esta relação comercial já é imensa e por isso requer um sistema de pagamentos. Analisando estas transações e sua tendência futura, faz sentido o uso do sistema chinês de pagamentos.
Há uma clara vantagem no uso de um único sistema de pagamentos internacional por conta da facilidade e rapidez com que flui o dinheiro. O sistema chinês encontra-se isolado?
AL: É claro que a China usa diversos sistemas, como o Swift por exemplo, no caso de pagamentos internacionais, e o sistema europeu para liquidações na Europa. A China é o maior comerciante do mundo, portanto é inevitável sua penetração na economia global, no mercado financeiro e nos sistemas de pagamento. Porém, estamos desenvolvendo nosso próprio sistema de pagamentos, que é o Union Pay.
Qual é a vantagem de possuir um sistema de pagamentos nacional? Isso não desestimula investimentos estrangeiros?
AL: Se estamos falando de investimentos no sistema, mais que em investimentos no país, então é claro que o Union Pay é hoje o segundo maior em volume e terceiro em fatia do mercado no mundo, mesmo estando muito atrás de Visa e MasterCard. O mundo, por sua vez, tem se tornado mais multipolar, diferentes regiões e blocos de comércio se desenvolvem, exemplo disso é a UnAsia, ASEAN+3, ASEAN+1, também temos os parceiros do Transatlântico e Transpacífico, a China tem desenvolvido blocos de transações regionais por conta própria, por isto creio ser conveniente a essas diversas regiões que tenham seus próprios sistemas de pagamento. Este é um desenrolar natural num mundo multipolar que emerge.
Tradução: Rennan Martins
