Terceira Guerra Mundial: A Guerra Monetária

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Lideranças sul americanas reunidas em evento do Mercosul

Por César Fonseca, via Independencia Sul americana

Faz-se necessário e urgente novo sistema monetário que contenha no mínimo seis moedas – uma norte-americana, uma europeia, uma asiática, uma sul-americana, uma árabe e uma africana -, expressando o poder do G-20, assim como o Banco dos Brics, como nova caixa de conversão monetária, para que o mundo não fique à mercê da moeda americana sobredesvalorizada que eterniza a dominação internacional, sem dispor de garantia real. Dessas moedas, a que teria mais força, naturalmente, seria a sul-americana, porque a sua âncora são garantias reais das quais toda a manufatura global depende. Basta decisão política. Até quando vai continuar o subdesenvolvimento mental sul-americano?

O discurso conservador de que a moeda é mero instrumento neutro para intermediar relações de troca é pura conversa fiada, mera propaganda ideológica neoliberal. Ele esconde o verdadeiro conteúdo dela, ou seja, o de ser uma arma de guerra, especialmente, no contexto da financeirização econômica global, onde o dólar atua como reserva mundial.

Sua utilização como arma de guerra está a pleno vapor, nesses dias de crise mundial, para manter a supremacia americana na cena capitalista global.

A Rússia que se cuide.

Se o Banco Central dos Estados Unidos continuar praticando juro zero ou negativo e mantendo oferta de dólar em escala considerável, sem pagar juro aos detentores de títulos do tesouro americano, a Rússia e seu império de guerra não aguentam.

O mesmo rola em relação aos demais países emergentes na periferia capitalista. O euro tentou ser uma alternativa ao dólar, mas a crise de 2007-2008 desestruturou a Europa.

Ao lado da unidade monetária, não aconteceu a união fiscal.

Cada país ficou com a sua independência em matéria de política fiscal. Não sendo possível, até agora, realizar a união monetária e fiscal europeia, o destino do euro é uma incógnita, mesmo com o Banco Central Europeu se dispondo a repetir o que faz o Banco Central americano, ou seja, jogar o quanto for necessário de moeda na circulação, desvalorizando-a, a fim de manter as forças produtivas em ação. O excesso monetário europeu e o americano tem lá suas diferenças qualitativas, dadas pelo fato de que os Estados Unidos é uma federação centralizada monetária e fiscal. A Europa, não.

Assim, a força do dólar, num embate com o euro, tende a levar, como está levando, a melhor. O problema dos americanos é o excesso de dívida.

Ele limita a ação da potência, porque o mercado financeiro coloca sempre as barbas de molho, quando o excesso de endividamento fragiliza a moeda.

Desse modo, aquela força de Tio Sam, de velhos carnavais, já era, enquanto a dos europeus ainda não se consolidou.

Esse poder imperial relativo dos americanos e europeus está ameaçado pela avanço da deflação, que destrói não apenas o capital, mas, igualmente, o trabalho, jogando a economia, no ambiente do excesso monetário, na eutanásia do rentista.

Tanto os americanos como os europeus passaram a depender do grau de paciência e capacidade de suportar os abusos monetários dos emergentes.

Estes diante das expansões monetárias americana e europeia são obrigados a aguentarem o tranco da sobrevalorização de suas moedas.

Os bancos centrais dos emergentes, diante da avalanche de moeda americana e europeia, são obrigados a enxugarem a base monetária global, puxando para cima, brutalmente, os juros, porque nem Europa nem Estados Unidos, dados os excessos de endividamento público, aguentam exercitar essa tarefa. E porque também não cobrar juros sobre os papéis que emitem virou nova arma dos países ricos – o Japão está nessa, também -, para manterem suas moedas desvalorizadas, a fim destruir os mercados dos concorrentes, dos emergentes.

Até quando estes suportarão isso?

O G-20, como se viu na reunião do FMI, semana passada, intensifica pressão em favor de mudança na política da instituição, para que sejam abertos canais para fixação de nova política monetária global.

O problema é que quem manda no FMI são os Estados Unidos.

Porém, se o dólar, crescentemente, desvalorizado, vai perdendo credibilidade, mantida a política monetária expansionista, acompanhada de juro zero ou negativo, a tendência será a multiplicação de trocas comerciais ao largo da moeda americana.

Os chineses já ampliam o comércio com a Ásia, utilizando, sua moeda, o yuan.

Da mesma forma, a Rússia quer intensificar suas trocas comerciais com a China, utilizando rublo em troca de yuan.

Se for criado o Banco dos BRICs, para promover conversão de moedas dos seus sócios(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), a fim de produzir outra unidade monetária, por meio da qual sejam estabelecidas trocas comerciais, a coisa pode balançar para o lado do dólar, se sua desvalorização inflacionária no ambiente dos emergentes continuar se intensificando.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco. A presidente do Banco Central americano, Janet Yellen, deixou claro que não está no horizonte de curtíssimo prazo dos Estados Unidos subir juro, por enquanto. Ora, isso significa que quem , como os chineses, possui reservas trilionárias em dólar e em títulos americanos, que deixam de render, vai ser, cada vez mais, tentado a desovar esse papel que perde valor. O Brasil, por exemplo, tem quase 400 bilhões de dólares em títulos americanos que estão perdendo valor, quanto mais os americanos sustentam sua expansão monetária, dando beiço ao não pagar juro. Enquanto Tio Sam vai desbastando, fortemente, seu endividamento via juro zero ou negativo. Em contrapartida, os concorrentes de Tio Sam vão se endividando para enxugar o excesso monetário americano.

Até quando, antes que os prejudicados caiam na real – se já não caíram – para criarem, conjuntamente, sua própria moeda, ancorada em riquezas reais?

Cheio de ouro, ferro, petróleo, minérios de toda a natureza, terras férteis, capazes de produzir até três safras anuais e diversidade energética, ou seja, riqueza real, por que o Brasil não encabeçaria, junto com a Argentina e Venezuela, riquíssimos, também, em alimentos e petróleo, a criação da moeda sul-americana, em vez de ficar se empobrecendo, no rastro do dólar sobredesvalorizado?

A China parece que já farejou as intenções reais de Tio Sam de, de repente, dar um rabo de arraia geral.

Por isso, vez ou outra, uma autoridade chinesa balança o mercado financeiro global, dizendo que os chineses podem desovar uma quantia forte de dólar que detêm, em busca de ativos mais seguros, deixando os americanos em polvorosa. Por que o Brasil não faria a mesma coisa?

Ficar achando que Tio Sam utiliza sua moeda, apenas, como instrumento de troca, quando já agride todo o mundo com ela, é acreditar em papai noel.

A moeda sul-americana já está passando da hora de nascer.

Ela seria o antídoto sul-americano contra a destruição que o dólar desvalorizado está provocando nas forças produtivas do continente.

O que está faltando é liderança política sul-americana, para defender a América do Sul, por meio de um discurso único contra o golpe monetário que o FED está praticando, impunemente.

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