O dólar podre, a União Europeia e o jogo do poder

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Por Adriano Benayon

Os juros altos no Brasil e em outros países sugados – inclusive através de suas dívidas públicas, alimentadas pela composição de juros e juros sobre juros – não repele, mas, ao contrário, atrai o dólar fajuto, que realiza também, além da receita de juros, ganhos de capital, quando as moedas dos países vitimados se valorizam, com a entrada desses dólares.

Mais uma: o Banco Central Europeu (BCE) não emite euros com a mesma liberdade que o FED emite dólares, uma das travas que a oligarquia angloamericana implantou na União Europeia, quando a permitiu, no Tratado de Maastricht, juntamente com a limitação dos déficits públicos dos países-membros e a proibição de o BCE emprestar aos tesouros dos países-membros (só empresta a bancos, até parece o Brasil, em conformidade com o entreguista art. 164 da Constituição).

É para isso que estão convidando a já dilacerada Ucrânia. Como disse o jornalista Pepe Escobar, a perspectiva que a UE oferece a ela é transformá-la em algo que faria a Grécia parecer o jardim da Cinderela.

Como você aprecia as referências históricas, lembremo-nos do grande estadista, General De Gaulle, o que exigiu o pagamento em ouro dos dólares acumulados nos superávits comerciais com os EUA e que levou Nixon a dar grande calote, em 1971, (termo que os poodles liberaloides só empregam quando a dívida é de países periféricos, vítimas do conto de vigário da “comunidade financeira internacional”).

De Gaulle, que não misturava ideologia com política externa, fez profética advertência, por cuja não-observância a França e o restante da Europa estão pagando caro: a entrada do Reino Unido na Comunidade equivaleria à do cavalo de Troia em Troia.

O diretório anglo-americano que tutela a própria Alemanha, vista incorretamente, por muitos, como potência independente, impôs as condições de Maastricht como preço para autorizar a reunificação alemã, após a queda do muro de Berlim. Assim, uniu o útil ao agradável: acabar com o comunismo no Leste da Europa e cobrar da Europa por isso.

Realmente, estamos num momento decisivo, em que se testa a entrada da multipolaridade com a possibilidade de Rússia, China, Irã, Índia e países da Ásia Central fazerem acordo monetário para valer que dispense o dólar.

A China, em vez de chorar com a desvalorização de suas reservas de mais de um trilhão de dólares, poderia ir aproveitando, como provavelmente já venha fazendo em escala crescente, para comprar mais ativos no exterior.

Não dá para esperar que o Brasil faça o mesmo com suas reservas, sequer para nacionalizar patrimônios locais desnacionalizados, porque não existe poder sem armas e sem infra-estrutura e estrutura para produzi-las autonomamente a curto prazo.

 

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