Por Bob Fernandes, em seu facebook
Para reafirmar que Dilma é sua candidata à presidência, e que ele não será candidato, Lula deu uma entrevista… Entrevista de um candidato.
Lula disse “não ter com ir a um cartório registrar que não é candidato”. Claro que Lula tem como ir a um cartório, tem um perto da casa dele, e registrar que não é candidato.
Lula ainda não foi ao cartório por saber que na política, assim como na vida, quase nunca um “não”, ou um “sim”, são garantias absolutas do “para todo o sempre”.
Lula, mesmo que sem querer, falou e respondeu… como candidato. Isso porque, e quando, candidatos não falam sobre o que realmente deveriam estar falando, e respondendo.
Aécio Neves começa a se soltar, a atacar, mas, nos temas macro quem ainda vem pontuando no PSDB é Fernando Henrique Cardoso.
Eduardo Campos avança, mas sem deixar de reverenciar… Lula. Campos sabe o que seria sua candidatura, ao menos hoje, se tivesse que enfrentar o ex-presidente.
Lula cobrou suas próprias criaturas: o governo Dilma e o PT. Isso quando afirmou: “Poderíamos estar melhor na economia, e Dilma vai ter que dizer na campanha como melhorar…”.
Cobrou o governo, o PT e a Petrobras a saírem do canto do ringue e partirem pra briga. Lula respondeu ao que deveriam responder os que estão, ou são, governo.
Lula cobrou a oposição por não aceitar CPIs contra si. Isso é um fato. O PSDB não fez CPI alguma pra valer na era FHC.
O escândalo do metrô está aí. É um escândalo de meio bilhão. E não há CPI em São Paulo. Por que o PSDB não quer CPI, como o governo Dilma também não quer.
Pelo que se consegue saber, Lula não quer mesmo ser candidato à presidência. Mas, por tudo que se sabe sobre Lula, só uma pessoa sabe o que Lula quer mesmo: o próprio Lula.
Lula pode e deve ter tido a melhor das intenções: a de reafirmar seu apoio à candidatura Dilma. Mas ele sabe que não há como controlar reações e interpretações ao seu gesto.
O gesto, o ímpeto que salta aos olhos e ouvidos, marca a ação de alguém que mal se aguenta em seu canto. Mesmo que a intenção de fato seja outra.
A propósito de ímpeto e gestos, disse ele:
-Cansei de ouvir dizerem que aquilo (o chamado “mensalão”) foi a maior corrupção da história….E aí aparece uma sonegação de impostos maior do que tudo que se falava…
O ímpeto se nota na frase com um sujeito, um grupo, nem tão oculto assim…
Indústria da comunicação, violência, economia, Petrobras… Sobre temas decisivos para o futuro do país, até agora candidato algum foi além dos slogans.
Slogans impostos pela marquetagem, com seus tempos e truques próprios. Diante de tanto silêncio, slogans e marquetagem, o discurso de Lula soa como… de um candidato.
Mesmo que Lula não queira, anuncie não querer e reafirme o apoio à candidatura Dilma.
