Diálogos Desenvolvimentistas: O tabuleiro geopolítico e o embate de classes

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Edição por Rennan Martins

O artigo “Estamos entrando em um novo mundo? Fukuyama errou!”, que é uma tradução do original em espanhol do La Jornada, rendeu uma rica discussão por parte de nossos colaboradores.

Com os últimos acontecimentos que acirraram as relações entre as potências, parece que uma reconfiguração do tabuleiro geopolítico mundial está a ocorrer. Suscitou-se então o debate de velhas questões entre nossos colaboradores.

Tratando da polêmica questão do que interessa a sociedade e do que interessa aos que dominam, Adriano Benayon, doutor em economia e ex-diplomata, e Helio Silveira, economista e ex vice-presidente da AFBNDES nos oferecem boas reflexões em torno da problemática do emprego, das crises capitalistas e do papel dos empresários e trabalhadores nestas.

Confira:

 Adriano Benayon – Concordo. É um artigo bastante informativo, que assinala fatos recentes, demonstrativos do que sempre deveu estar claro: que a estória de “fim da História”, do tal Francis Fukuyama, jamais mereceu crédito por parte de quem tem noções de História. Se tiver tempo, vou procurar algo que publiquei, logo que se começou a propagar a tal estória.

Sempre esteve claro, para os menos mal informados, que a grande voga de Fukuyama foi uma dessas que a maioria dos meios acadêmicos e a grande mídia fomentam, no quadro de sua prestação de serviços à oligarquia cuja meta é o poder mundial totalitário.

É mais um dos inúmeros casos de famas criadas a respeito de personagens acadêmicas medíocres, promovidas por cumprirem à risca o que diz o ditado alemão:

Dessen Brot ich esse, wessen Lied ich singe. (Eu canto a canção de quem me dá o pão).

Hélio Silveira – Ótimo artigo, que ao iniciar com a citação ao Fukuyama, faz uma interessante exposição dos acordos que estão ocorrendo no âmbito asiático e permitirão a possibilidade de equilibrar uma situação geopolítica que hoje se encontra unipolar.

A mídia ocidental no episódio Ucrânia e referendo da Crimeia desaprovando a reunificação à Rússia não cita nenhuma referência ao posicionamento chinês frente ao episódio. No artigo está colocado a informação que faltava: o apoio econômico chinês à Rússia!

Quanto a citação ao Fukuyama que Adriano colocou, sempre haverá um intelectual “contratado” pelos hegemônicos, relembro uma citação de Kalecky em seu brilhante texto político de 1944 –  ”Os Aspectos Políticos do Pleno Emprego“.

No texto ele faz menção aos profissionais “contratados” para defenderem o “status quo” conservador, no caso ele faz uma previsão de como seria o futuro (ou seja, hoje) econômico das democracias capitalistas onde os conservadores (a plutocracia financista) contratariam um profissional para condenar a ação anticíclica do Estados nas recessões/depressões, vejam a seguinte citação no trecho abaixo: “Nessa situação é provável a formação de um poderoso bloco de grandes empresários e rentistas, que encontraria mais de um economista para declarar que a situação é claramente enferma”

“Essa situação é talvez sintomática do futuro regime econômico das democracias capitalistas. Na depressão, ou pela pressão popular ou mesmo sem ela, o investimento público financiado por empréstimo será adotado para evitar o desemprego em larga escala. Mas se forem feitas tentativas de aplicar esse método a fim de manter o alto nível de emprego alcançado na subsequente prosperidade, é provável que haverá uma forte oposição por parte dos “líderes empresariais”. Como já foi assinalado, um pleno emprego duradouro não é absolutamente do gosto deles. Os trabalhadores estariam “fora de mão” e os “capitães da indústria” estariam ansiosos por “ensinar-lhes uma lição”. Ademais, o aumento de preços na fase de prosperidade é desvantajoso para os pequenos e médios rentistas e os tornaria “aborrecidos”. Nessa situação é provável a formação de um poderoso bloco de grandes empresários e rentistas, que encontraria mais de um economista para declarar que a situação é claramente enferma. A pressão de todas essas forças, e em particular das grandes empresas, muito provavelmente induziria o Governo a retomar à política ortodoxa de corte do déficit orçamentário. Seguir-se-ia uma recessão, na qual a política governamental de despesa voltaria a seu sentido próprio.”

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