As nações ricas devem pagar sua dívida ecológica

15 Flares Twitter 0 Facebook 15 Filament.io 15 Flares ×

Por Dipti Bhatnagar, via NYT

Os países industrializados desenvolveram suas economias e população emitindo mais do que a porção justa dos gases de efeito estufa. Agora, tendo grande responsabilidade no problema criado, devem contribuir com mais recursos para lidar com ele.

Os países ricos acumularam uma “dívida climática” e possuem responsabilidade histórica em quita-la. Isso se traduz em financiamento público e transferência de tecnologia aos países em desenvolvimento a fim de que possam se adaptar as mudanças climáticas, e também impulsionando a economia de maneira a depender cada vez menos da emissão do carbono sem abrir mão da urgente necessidade de desenvolvimento. Este “financiamento climático” é uma questão de justiça e ajudará num clima mais seguro, numa vida mais segura e em energia renovável e limpa para todos.

Infelizmente, as nações desenvolvidas se recusam a assumir caminhos claros para cumprir com o compromisso assumido em 2009 de investir US$100 bilhões por ano para o financiamento do clima, o que aconteceria a partir de 2020. Pouco tem se esforçado em fornecer novos fundos nos últimos anos, deixando os países em desenvolvimento com recursos insuficientes, enquanto milhões de pessoas ainda aguardam o acesso à energia.

Os povos em desenvolvimento não podem ser forçados a lidar com a crise climática sem a contribuição dos desenvolvidos que são os que mais contribuíram para as mudanças climáticas historicamente.

Grande parte dos desenvolvidos tentam evitar suas responsabilidades na expectativa de que a maioria do dinheiro virá de alguma forma da iniciativa privada. O financiamento climático, porém, incluído aí o Green Climate Fund, deve ter origem pública. Os recursos de assistência humanitária ou ajuda financeira não podem ter seu destino desviado.

Diversos meios inovadores de levantar recursos estão disponíveis, podemos por exemplo redirecionar subsídios que hoje são cedidos a indústria dos combustíveis fósseis, que em 2011 alcançou US$500 bilhões, pode-se também taxar transações financeiras de várias formas. Estes impostos sozinhos poderiam fornecer centenas de bilhões de dólares por ano mediante minúsculos impostos nas transações financeiras globais, que teriam impacto insignificante na vida das pessoas comuns.

Enquanto os governos dos países ricos permanecem vergonhosamente em inércia frente a crise do clima, um movimento global de “justiça climática” cresce, maior e mais forte a cada dia, unindo pessoas de locais desenvolvidos e em desenvolvimento: comunidades e ativistas tem resistido aos combustíveis fósseis, diminuindo a escala das construções, descentralizando o poder das decisões comunitárias, transformando nosso sistema alimentício e requerendo ações ambiciosas dos governos.

Com toda esta organização inspiradora que tenho testemunhado, estou otimista de que podemos realizar as mudanças positivas que necessitamos com urgência.

Dipti Bhatnagar é coordenadora do clima, justiça e energia no Friends of the Earth International e Justiça Ambiental, sediado em Moçambique.

Tradução: Rennan Martins

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>