
Fusão dos logos das duas agências que juntas, espionam todo o mundo (Appcity/Reprodução)
Por Rennan Martins
Novos documentos vazados pelo ex-analista da NSA Edward Snowden nos reafirmam a dimensão orwelliana da espionagem promovida pelos Estados Unidos e também demonstram parceria com a GCHQ, o serviço de inteligência inglesa. Mais de 100 líderes de Estado foram vigiados e no mínimo 10 países estão sujeitos a espionagem, entre eles o Brasil.
No último dia 29 a agência de notícias alemã Spiegel publicou artigo no qual faz uma série de novas revelações. Com elas, é possível termos certeza de que a vigilância não possui somente fins ligados a segurança, a dimensão econômica e tecnológica também é acompanhada de perto, as trapaças se acumulam.
Comecemos então pela espionagem política, a que mais causa repercussão. Os documentos vazados indicam uma lista de 122 líderes de países vigiados na época, com ênfase em Angela Merkel, primeira ministra da Alemanha, até mesmo seu celular foi interceptado.
A lista, que é ordenada alfabeticamente, inicia com Abdullah Badawi, ex-chanceler da Malásia, prossegue com o presidente da Palestina Abu Mazin, com os líderes do Peru, Somalia, Guatemala, Colômbia e Belarus.
Angela Merkel está presente entre Amadou Toumani Toure, ex-presidente do Mali, e Bashar Al-Assad, atual líder do executivo da Síria.
Na 122º posição verificamos Yulia Tymoshenko, primeiro ministro ucraniano entre fevereiro e setembro de 2005 e de dezembro de 2007 à março de 2010. A publicação só divulga 12 nomes da lista. Isto corrobora com os indícios de interferência dos EUA na atual crise que a Ucrânia vivencia.
É importante neste ponto ressaltar o caráter indiferenciado da vigilância, tanto nações consideradas parceiras quanto as mais distantes são alvo das interceptações, temos confirmação de 122 líderes de países. A ONU reconhece 192 países no mundo.
Quanto as permissões oficiais a vigilância, a NSA as submete a FISA, um tribunal especial destinado a examinar as demandas da agência. O documento abaixo exibe a permissão emitida por esta corte a espionar a Alemanha, pura e simplesmente. Há dúvidas quanto a extensão e caráter da permissão, a União Americana das Liberdades Civis considera que esta autorização é irrestrita.

Documento da FISA que permite a NSA espionar a Alemanha (Spiegel/Reprodução)
Diante de todo este quadro, o oficial da Promotoria Pública Federal da Alemanha, Harald Range, ainda não se convenceu da necessidade de instaurar processo contra os EUA, em entrevista concedida ao diário Die Tageszeitung, considerou que está é “uma questão extremamente complicada”.
Quanto a espionagem econômica, é sabido agora que as empresas alemãs Stellar, Cetel e IABG tiveram suas comunicações interceptadas pela GCHQ e compartilhadas com a NSA. A espionagem abrangeu diversos funcionários das empresas, em especial seus engenheiros, e também os principais parceiros destas, e visava inclusive tomar conhecimento de novas tecnologias que essas desenvolvessem.
A IABTG é uma companhia que trabalha com o setor de defesa do país há muitos anos, o que indica que até mesmo os militares foram bisbilhotados indiretamente.
Com ainda muitas coisas a serem descobertas em torno deste esquema, o certo é que ninguém está livre da vigilância anglo-americana, nos resta agora trabalharmos pra que as nações atingidas reajam de forma enérgica a essa devassa. Orwell estava certo.
(Com informações de Spiegel e RT)
