Glenn Ford, 30 anos preso injustamente: O judiciário racista dos EUA

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Glenn Ford, na saída da Penitenciária Estadual de Louisiana (11/03/2014)

Por Rennan Martins, com CorreioBraziliense e Anarcomiguxos

O judiciário norte americano libertou ontem Glenn Ford, um cidadão negro que passou 30 anos no corredor da morte, após serem obtidas provas de que ele não foi o autor do homicídio do joalheiro Isadore Rozeman, ocorrido em 5 de novembro de 1983, a vítima era seu patrão na época. Durante todo esse tempo Ford negou incansavelmente o envolvimento no crime.

Um representante da Anistia Internacional, Thenjiwe Tameika, declarou ontem ao CNN que ”Glenn Ford é a prova viva do quão imperfeito é realmente nosso sistema de justiça”. Relevante no contexto deste caso é o fato do júri formado na época ter sido integrado somente por pessoas brancas. Atualmente com 64 anos de idade, disse a imprensa na saída da penitenciária estadual de Louisiana que “Meus filhos, quando parti, eram bebês. Agora são homens com filhos”.

A legislação do estado prevê indenização de 25.000 dólares para cada ano de prisão indevida, com um teto de 250.000 dólares, mais a quantia de 80.000 dólares por perda de “oportunidades de vida”. A quantia total, por 30 anos de prisão injusta, seria então de 330.000 dólares.

Este caso é emblemático no tocante as acusações que alegam ser o sistema judiciário norte americano racista. Hoje, a “maior democracia do mundo” possui mais afro-americanos na prisão do que escravos no século XIX, 70% dos moradores de rua são negros e, a maioria absoluta da população carcerária é desta etnia.

Parece que há mais democracia pra uns que pra outros.

A comunidade do facebook “Anarcomiguxos” traduziu parcialmente artigo publicado no Global Research o qual replico oportunamente a fim de enriquecimento do debate. Segue o texto:

EUA têm mais negros na prisão hoje do que escravos no século XIX

Esses presos negros, ao lado dos latinos, trabalham por quase nada para gerar lucros para os donos das prisões privadas dos EUA. Para os magnatas os quais investiram na indústria prisional, foi como encontrar um pote de ouro. Eles não têm de se preocupar com greves ou pagar seguro-desemprego, férias ou horas extras. Todos os seus trabalhadores trabalham em tempo integral, nunca chegam atrasados ou estão ausentes por causa de problemas familiares. Além disso, se eles não gostam do pagamento de 25 centavos por hora e se recusam a trabalhar, são presos em celas de isolamento.

Os números mostram que os Estados Unidos possuem mais presos do que qualquer outro país: meio milhão a mais do que a China, que tem uma população cinco vezes maior. As estatísticas revelam que os Estados Unidos detém 25% da população carcerária do mundo, mas apenas 5% da população mundial.

De acordo com sociólogos e especialistas em estudos das camadas populares na América do Norte, os índices sociais – que incluem emprego, saúde e educação – entre os afrodescendentes norte-americanos são os piores em 25 anos. Por exemplo, um homem negro que não concluiu os estudos tem mais chances de ir para prisão do que conseguir uma vaga no mercado de trabalho. Uma criança negra tem hoje menos chances de ser criada pelos seus pais que um filho de escravos no século XIX. E o dado mais assombroso: há mais negros na prisão atualmente do que escravos nos EUA em 1850, de acordo com estudo da socióloga da Universidade de Ohio, Michelle Alexander.

“Negar a cidadania aos negros norte-americanos foi a marca da construção dos EUA. Centenas de anos mais tarde, ainda não temos uma democracia igualitária. Os argumentos e racionalizações que foram pregadas em apoio da exclusão racial e da discriminação em suas várias formas mudaram e evoluíram, mas o resultado se manteve praticamente o mesmo da época da escravidão”, argumenta Alexander em seu livro The New Jim Crow.
Os EUA têm mais características que lembram uma senzala aos afrodescendentes que qualquer outro país do mundo.

A professora da Universidade de Washington e autora do livro “Invisible Men: Mass Incarceration and the Myth of Black Progress”, Becky Pettit,argumenta que os progressos sociais alcançados pelos negros nas últimas décadas são muito pequenos quando comparados à sociedade norte-americana como um todo. É a “estagnação social” que acaba trazendo as comparações com a época da escravidão.

“Quando Obama assumiu a Presidência, alguns jornalistas falaram em “sociedade pós-racial” com a ascensão do primeiro presidente negro. Veja bem, eles falaram na ocasião do sucesso profissional do presidente como exemplo que existem hoje mais afrodescendentes nas universidades e em melhores condições sociais. No entanto, esqueceram de dizer que a maioria esmagadora da população carcerária dos EUA é negra. Quando se realizam pesquisas sobre o aumento do número de jovens negros em melhores condições de vida se esquece que mais que dobrou o número de presos e mortos diariamente. Esses não entram na conta dos centros de pesquisas governamentais, promovendo o “mito do progresso entre nos negros”, argumenta.

Segundo Becky Pettit, não há desde o começo da década de 1990 aumento no índice de negros que conseguem concluir o ensino médio. Além disso, o padrão de vida também despencou. Além do aumento da pobreza, serviços básicos como alimentação, saúde, gasolina (utilidade considerada fundamental para os norte-americanos) e transportes público estão em preços inacessíveis para muitos negros de baixa renda. Mais de 70% dos moradores de rua são afrodescendentes.

Michelle Alexander, por sua vez, critica o sistema judiciário do país e a truculência que envia em massa às prisões os negros. “Em 2013, vimos o fechamento de centenas de escolas de ensino fundamental em bairros majoritariamente negros. Onde essas crianças vão estudar? É um círculo vicioso que promove a pobreza, distribui leis que criminalizam a pobreza e levam as comunidades de cor para prisão”, critica em entrevista ao jornal LA Progressive.

 

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