Por Rennan Martins
O primeiro mês do ano de 2014 iniciou com boas notícias quando o assunto é a inflação. Depois de fechar dezembro do ano passado em 0,92%, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) desacelerou de forma notória, registrando 0,55% de alta, é o menor resultado para este mês desde 2009.
Considerando todo o quadro econômico nacional e a grande atenção dada as subidas de preço pela grande mídia, resolvemos conversar com Bruno Galvão, doutor em economia pela UFRJ, funcionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e membro da Associação Desenvolvimentista Brasileira objetivando avaliar a política econômica governista e também obter novas sugestões para a situação.
Bruno disse que o governo se rendeu a oposição ortodoxa, que a imprensa tradicional “tem exagerado de modo absurdo” quando fala da inflação e crê que a retomada do crescimento depende de uma nova política fiscal e institucional.
Confira:
Desde abril do ano passado a taxa básica de juros subiu de 7,25% à 10,5%. Como você interpreta essa guinada? Existe um perigo de inflação tão eminente?
A maior característica da política econômica atual é a incapacidade de atingir suas metas e a ausência de qualquer estratégia de longo prazo. Por isso, o governo tem ficado a reboque dos acontecimentos e da pressão da imprensa e de economistas ortodoxos.
Parece claro que ele não sabe por onde seguir para manter taxas de crescimento do PIB razoáveis, para diminuir o déficit em conta corrente, para reduzir a inflação e para atingir sua meta de superávit primário. Medidas pontuais para atingir um objetivo piora os outros. Por exemplo, segurar o preço da gasolina diminui o superávit das contas públicas; a desvalorização cambial, necessária para desacelerar o crescimento do déficit externo, aumenta a inflação.
A guinada na taxa de juros dá impressão de rendição do governo: como o jogo está perdido, é melhor ceder para a imprensa/oposição. Deve-se lembrar que a coragem em reduzir a taxa Selic tinha sido um dos pontos fortes do governo Dilma. O Banco Central reduziu os juros em 2011, quando a taxa de inflação acumulada nos 12 meses estava em 7%. Nessa situação, o Meirelles teria provavelmente aumentado a taxa de juros. Então, eu interpreto isto como uma rendição do governo. É importante lembrar que a inflação está dentro do intervalo estabelecido pela meta e o PIB vem crescendo muito pouco.
Qual o papel da grande mídia em termos de influência sobre a taxa?
A mídia tem exagerado de modo absurdo a questão da inflação no Brasil. Durante o segundo mandato do governo FHC, a inflação superou por muito o teto da meta em 2001 e em 2002 e não houve qualquer gritaria. Como a própria presidente da Associação Nacional de Jornais admitiu, hoje a grande mídia é o principal braço da oposição. Falo isso sem querer absolver o governo, pois quem manda no Banco Central é a presidente da República, como se deve ser.
Quanto a influência do preço do dólar, que preço seria o ideal para alcançarmos um equilíbrio nas contas?
O dólar é o principal determinante da inflação, pois o dólar eleva quase automaticamente os preços dos produtos comercializáveis com o exterior. Os bens que importamos necessariamente ficarão mais caros. E, mesmo os bens que exportamos tendem a subir de preço.
Por exemplo, se depois de uma grande desvalorização, o produtor conseguir vender o litro do óleo de soja a 5 reais no exterior, porque ele venderia no mercado interno a 4 reais? A questão é que temos que manter uma taxa de câmbio bem mais desvalorizada que a atual para conseguirmos a combinação de crescimento econômico moderado e saldo em conta corrente sustentável. Mas, tudo o mais constante, esse nível de dólar faria com que a inflação superasse o teto da meta, o que não é nenhum absurdo.
Em vários países, tidos como responsáveis como o Chile e o Reino Unido, recentemente permitiram que a inflação fosse significativamente acima do permitido pela meta de inflação. E, nada de ruim aconteceu a esses países. Mas, o principal é que o governo deveria usar instrumentos fiscais e institucionais para combater a inflação, permitindo assim, combinar taxas de câmbio desvalorizadas e inflação moderada, sem arrocho salarial em concomitante..
Quais os efeitos dessa subida sobre a dívida pública?
Há três efeitos principais. Primeiramente, há um impacto direto sobre o custo da dívida pós fixada. Depois, o aumento da taxa de juros eleva o custo das próximas emissões das dívidas prefixadas e indexadas a inflação. Nesse período, por exemplo, o título público NTNB-principal que vence em 2035 caiu praticamente pela metade de valor. O impacto disso sobre as contas públicas é brutal, pois para conseguir a mesma quantidade de recursos, o governo terá que emitir o dobro de dívida.
Por último, temos os efeitos indiretos do aumento da taxa de juros sobre a redução do crescimento econômico (e, portanto, sobre a arrecadação de impostos) e sobre o dólar. Temos que lembrar que as reservas brasileiras são de mais de US$ 370 bilhões. Dessa forma, cada desvalorização de R$0,10 por dólar aumenta o valor das reservas internacionais, em moeda nacional, em quase R$ 40 bilhões.
Que outras medidas poderiam ser aplicadas para segurar a inflação sem recorrermos ao aumento dos juros?
Como falei acima, acho que necessitamos de uma combinação de política fiscal e institucional. O governo brasileiro terá um ganho financeiro direto de R$ 300 bilhões com uma desvalorização de um real por dólar.
Utilizando esse dinheiro para compensar os aumento dos preços dos bens comercializáveis, conseguiríamos aumentar muito nossa competitividade, evitando arrocho salarial. O que proponho é o governo subsidiar o consumo popular, como transporte público e cesta básica, e retirar uma diversidade de impostos indiretos sobre bens de consumo popular e de tarifas públicas de tal forma que o preço da cesta de consumo dos trabalhadores praticamente não se altere depois da desvalorização.
O impacto disso sobre a dívida pública líquida seria positivo, pois o déficit primário advindo dessa política seria compensado pela valorização das reservas internacionais. E, no médio prazo, a redução da taxa de juros e o maior crescimento econômico iria refletir em menor relação dívida pública sobre o PIB.
Além disso, acho que deve-se atacar questões institucionais, em particular, o lucro das empresas de serviço público. Por exemplo, com a privatização as distribuidoras de energia tornaram-se distribuidoras de lucro. Por exemplo até pouco tempo atrás, a Eletropaulo distribuía anualmente 50% do seu patrimônio líquido em forma de dividendos. Isso não existe em qualquer lugar civilizado. O preço da energia do Brasil, que tem um custo muito baixo por ser gerado de hidrelétricas já amortizadas, é um dos mais alto do mundo, por causa do super lucro, causado pela privatização.
Existem muitos outros exemplos disso, como as empresas de ônibus, que todo mundo sabe que tem lucros criminosos. Há também os cartéis de cimento, bebidas e outros. Se o Conselho Administrativo de defesa econômica funcionasse direito, era possível o Brasil conviver com taxas de câmbio mais competitivas sem prejuízo aos trabalhadores.


A inflação e as estratégias econômicas: Entrevista com Bruno Galvão | Blog dos Desenvolvimentistas replica bags
Take pleasure in, Enjoy, Enjoy those yjhwexfe. Many people a fabulous which means great located on. They travel with everything coming from tight pants or skirts in order to legging to positively gowns. They don’t for the reason that additional since old-fashioned added yjhwexfe. I probably would state they are around typically the very short and therefore huge yjhwexfe, uppr the middle of cellule. Then again made for small jean. Wonderful manner necessity relating to the end up time of year.
|Jordan 6 Carmine|White Carmine 6s|Jordan Retro 6|Carmine 6s For Sale} bmi {http://www.lirulaw.com/en/yorer.asp