Arquivos anuais: 2013

Malan é a ponte entre oposição e mídia global

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Já foi identificado, em Brasília, o personagem que conecta interesses oposicionistas a publicações internacionais, como a revista The Economist e o jornal Financial Times; trata-se do ex-ministro da Fazenda, Pedro Malan, atual membro do conselho de administração do Itaú Unibanco, que desfruta de prestígio junto aos meios financeiros internacionais; periódicos ingleses têm feito críticas constantes à condução da economia por Guido Mantega e, neste fim de semana, a Economist passou a defender a eleição de Aécio Neves

No Brasil 247 

Os aparatos de inteligência em Brasília – e, que fique bem claro, não têm qualquer relação com a Abin – já identificaram o nome do personagem que mais tem trabalhado para conectar os interesses da oposição ao governo federal a grandes publicações internacionais. Trata-se do economista Pedro Sampaio Malan, que foi ministro da Fazenda nos oito anos do governo FHC (1995-2002) e hoje faz parte do conselho de Administração do Itaú Unibanco.

O exemplo mais recente dessa costura está publicado neste fim de semana, na revista britânica The Economist. Trata-se de uma reportagem sobre o processo político no Brasil, em que a publicação defende a “receita mineira” e o nome de Aécio Neves para o Palácio do Planalto. Malan é um dos principais conselheiros econômicos de Aécio, assim como o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.

Antes dessa reportagem, a mesma Economist que havia feito uma capa sobre a decolagem do Brasil, no início do governo Dilma, já havia dado outras demonstrações de uma guinada em sua política editorial. Recentemente, a revista pediu, com todas as letras, a demissão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, como única medida capaz de garantir a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

A Economist foi também seguida pelo jornal inglês Financial Times, que, além de pedir a cabeça de Mantega, também abriu espaço para que o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, reclamasse da política econômica no Brasil e de supostas mudanças constantes nas regras do jogo.

Ministro da Fazenda num momento em que o Brasil tinha poucas reservas internacionais e foi três vezes ao Fundo Monetário Internacional, Malan conquistou muito prestígio junto aos círculos financeiros internacionais. A aproximação com o Unibanco se deu quando o banco dos Moreira Salles obteve autorização para incorporar a chamada parte boa do extinto Nacional. E quanto o Unibanco se fundiu com o Itaú, Malan foi guindado ao conselho de administração.

Discreto, o ex-ministro da Fazenda pouco fala com a imprensa, mas suas movimentações internacionais já dispararam o alarme em Brasília. Já sabe, por exemplo, que a agenda da oposição rumo ao Planalto passa por questões como a suposta estagflação (crescimento baixo e inflação alta), o desempenho da Petrobras e a estratégia do BNDES de fomentar “campeões nacionais”.

Novos ataques virão. Com a assinatura de Malan.

Mídia, ditadura e regulação: quem é quem

Por Saul Leblon no Blog das Frases

Trinta e seis anos após ter sido atribuída a um ataque cardíaco, a morte do ex-presidente João Goulart voltou mais uma vez ao noticiário associada à palavra ‘assassinato’.

As suspeitas, antigas, devem ser esclarecidas, de uma vez por todas, com a realização da autópsia, que o regime militar que o derrubou, nunca permitiu.

A ditadura só autorizou o sepultamento do ex-presidente, em São Borja, a 40 metros do túmulo de Getúlio Vargas, com féretro blindado.

Ainda assim, na última hora, o então ministro do Exército, Sylvio Frota, da extrema direita militar, tentou anular a autorização expedida pela cúpula do governo Geisel.

O caixão lacrado, conduzido em carro a alta velocidade, cruzou a fronteira de Uruguaiana a 120 km por hora, vindo de Mercedes, na Argentina, onde ficava a estância dos Goulart.

Ladeava-o um aparato militar com ordens expressas de não permitir manifestações populares.

Inútil.

Quando chegou a São Borja, a população em peso estava nas ruas e cercou o cortejo; o caixão foi conduzido à catedral e daí cruzou a cidade em marcha solene até o cemitério.

‘Jango, Jango, Jango!’ Gritos guardados no fundo do peito desafiaram a tensão de um enterro vigiado por tropas vindas de vários pontos do Estado.

Independente do resultado da autópsia que venha a ser feita, a verdade é que Jango já havia sido assassinado uma primeira vez 12 anos e oito meses antes de sua morte.

A autópsia deste caso tampouco foi devidamente esclarecida à sociedade.

Os que derrubaram seu governo escreveram o laudo da história com a caneta dos vencedores.

Continuam escrevendo-a, graças ao monopólio das comunicações, hoje mais forte do que aquele que detinham há 49 anos, quando deram o golpe.

Confiantes nesse poder de convencimento, invertem os termos da equação. Hoje, são eles os democratas a denunciar os ‘grilhões dos regimes autoritários’, embutidos nos projetos de regulação da mídia.

Se em 1964 dispunham dos intelectuais americanófilos do IBAD para legitimar a sua arenga, em sua nova roupagem requisitam talentos delivery de extração mais difusa.

À promissora vaga de ‘intelectual de estimação dos salões conservadores’, concorrem currículos, para citar um caso, cujo atestado de excelência inclui o desfrutável título de ex- petista e esquerda arrependida.

Boa parte das sombras que pairam sobre os acontecimentos que envolvem a ditadura brasileira deve-se a essa ambiguidade de raiz.

A história, ressalve-se, não é feita em preto e branco.

O cardeal Bergoglio que o diga. Diretores de jornais que apoiaram o golpe, em diferentes momentos estenderam a mão a perseguidos pelo regime militar.

Importa, todavia, avaliar o papel das instituições.

A mídia, enquanto instituição, foi – é – parte interessada no assalto ao poder que interrompeu um governo democrático, suspendeu as liberdades e garantias individuais, prendeu, matou, torturou e censurou a própria liberdade de expressão.

Foi dela a iniciativa de convocar o medo e a mentira e alimentar o linchamento de reputações.

O conjunto foi decisivo para levar uma parte da classe média a apoiar a ação golpista.

E mesmo assim, apenas uma parte.

O acervo do Ibope, catalogado pelo Arquivo Edgard Leuenroth, da Unicamp, reúne pesquisas de opinião pública feitas às vésperas do golpe.

Os dados, cuidadosamente ocultados então, assumem seu real significado cotejados com a atuação do parato midiático, ontem e hoje.

As enquetes levadas às ruas entre os dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos que bradavam em sua defesa, mostram que:

a) 69% dos entrevistados avaliavam o governo Jango como ótimo (15%), bom (30%) e regular (24%). Apenas 15% o consideravam ruim ou péssimo, fazendo eco dos jornais.

b) 49,8% cogitavam votar em Jango, caso ele se candidatasse à reeleição, em 1965 (seu mandato expirava em janeiro de 1966); 41,8% rejeitavam essa opção.

c) 59% apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente na famosa sexta-feira, 13 de março. 

Em um comício que reuniu 150 mil pessoas na Central do Brasil (o país tinha 72 milhões de habitantes) Jango assinou, então, decretos que expropriavam as terras nas margens das rodovias para fins de reforma agrária, bem como nacionalizavam refinarias de petróleo.

As pesquisas sigilosas do Ibope formam apenas o arremate estatístico de um jornalismo que ocultou elementos da equação política, convocou, exortou, manipulou, incentivou e apoiou a derrubada violenta do Presidente da República, em 31 de março de 1964.

Não se deduza disso que a democracia brasileira espelhava a placidez de um lago suíço.

Num certo sentido, vivia-se, como agora, o esgotamento de um ciclo e o difícil parto do seguinte.

As reformas de base – a agrária, a urbana, a fiscal, a educacional — visavam destravar potencialidades e recursos de um sistema econômico exaurido.

O impulso industrializante de Vargas, dos anos 30 a meados dos anos 50, e o do consumo , fomentado por Juscelino, mostravam claros sinais de esgotamento.

Trincas marmorizavam todo tecido social e produtivo.

À vulnerabilidade externa decorrente da frágil capacidade exportadora, sobrepunha-se uma seca de crédito junto ao sistema financeiro internacional.

O déficit público era ascendente; idem, a espiral preços /salários; o PIB anêmico e a inflação de 25% no trimestre pré-golpe completavam a encruzilhada de uma sociedade em transe.

O conjunto tinha como arremate a guerra fria, exacerbada na América Latina pela vitória da revolução cubana, que desde 1959 irradiava uma agenda alternativa de desenvolvimento.

O efeito na vida cotidiana era enervante. Como o seria no Chile, nove anos depois; como o é hoje, em certa medida, na Venezuela do ex-presidente Chávez.

O mercado negro de produtos essenciais testava a paciência dos consumidores. Óleo, trigo, açúcar, carne faltavam ciclicamente nos grandes centros urbanos.

Fruto, em parte, de uma escassez provocada pela sabotagem empresarial.

As reformas progressistas de Jango estavam longe de caracterizar o alvorecer comunista alardeado pelos jornais. Tratava-se de superar entraves e privilégios de uma máquina capitalista entrevada em suas próprias contradições.

Jango pretendia associar a isso um salto de cidadania e justiça social, ampliando o acesso à educação e aos direitos no campo.

O que importa reter, como traço de atualidade inescapável, é o comportamento extremado do aparato midiático diante desse projeto.

Convocada a democracia a discutir o passo seguinte da história brasileira, os centuriões da legalidade optaram pelo golpe.

Deram ao escrutínio popular um atestado de incapacidade para formar os grandes consenso, indispensáveis à emergência de um novo ciclo de desenvolvimento.

Jango foi assassinado aí, pela primeira vez.E de forma explícita.

Se o fizeram, de novo, em setembro de 1976, cabe averiguar de uma vez por todas.

Mas, sobretudo, parece claro que o tema das relações entre mídia e ditadura não pode mais se restringir aos bastidores das comissões da verdade. Assim como o binômio ‘mídia e regulação’ não deveria ser tratado pelo governo como matéria de barganha, em busca de indulgência junto a um poder que, em última instância, deseja-lhe a mesma sorte de Jango.

O governo tem obrigação de se perguntar se zela pela democracia arduamente reconquistada quando tergiversa, se acanha e se omite diante dos contrapesos previstos na Constituição para impedir que o monopólio asfixie a verdadeira liberdade de expressão.

Não há revanchismo nessa agenda.

Pauta-a a necessidade de dotar a democracia das salvaguardas de memória, pluralidade e participação social, que a preservem de uma recaída da intolerância, como a de 1964, que subtraiu à sociedade a prerrogativa de decidir o seu próprio destino.

Os que derrubaram Jango festejaram seu feito em editoriais gordurosos de cinismo.

O de “O Globo, veiculado pela família Marinho, dois dias depois do golpe, expõe um ponto de vista que consagra um método.

A julgar pela experiência recente, não se pode dizer que caiu em desuso.

Leia abaixo, o editorial de “O Globo” de 02 de abril de 1964:

Ressurge a Democracia

‘ Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.

Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.

Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.

Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.

Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.

As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, “são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI.”

No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.

Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.

Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.

A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.

Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor.”

Ninho tucano está cada vez mais alvoroçado

politicos Ninho tucano está cada vez mais alvoroçado

 

Por Ricardo Kotscho no Balaio do Kotscho

As últimas notícias que chegam do cada vez mais alvoroçado ninho tucano dão conta de um encontro secreto de Eduardo Campos, governador de Pernambuco e possível candidato presidencial do PSB, com o ex-governador paulista José Serra, desafeto histórico do senador mineiro Aécio Neves no PSDB.

Não se trata da única novidade que deve deixar Aécio mais preocupado ainda com o PSDB paulista. O governador Geraldo Alckmin, que também teve dois encontros reservados com Campos, mais preocupado com a própria reeleição, decidiu abrir novos espaços para o aliado PSB, por sua vez em busca de um palanque forte em São Paulo.

Alckmin e Serra estão se movimentando para devolver a Aécio o que ele fez quando os dois se candidataram à Presidência da República e ficaram sem o apoio do então governador mineiro. O nome mais popular que se dá a isso é vingança.

Já se fala até numa improvável chapa Eduardo Campos- José Serra. É difícil imaginar Serra, duas vezes candidato derrotado a presidente da República, em 2002 e 2010, ser vice de alguém, mas é fato que ele não esconde mais seu desntentamento com os rumos do PSDB e no partido se fala abertamente na sua saída.

Para onde? O ex-governador paulista anda de conversas com o presidente do PPS, Roberto Freire, que ele fez deputado federal por São Paulo, depois de abrigá-lo em dois conselhos municipais quando foi prefeito da capital.

Desaparecido do noticiário, Freire ressurgiu nas últimas semanas como grande articulador político nacional ao se aproximar de Eduardo Campos e sinalizar apoio à sua candidatura. Os dois são pernambucanos e críticos da hegemonia PT-PMDB.

Aécio também esteve reunido com Alckmin e Serra, esta semana em São Paulo, mas a divisão dos tucanos teima em ficar do mesmo tamanho. O virtual candidato do PSDB até ofereceu cargos no comando do partido, que ele deve presidir a partir de maio, mas Serra continua fazendo beiço e só pensa em se vingar do senador mineiro.

É neste clima de animosidade explícita que os tucanos vêem Eduardo Campos avançar cada vez mais em seus redutos no empresariado e nos partidos de oposição, enquanto a presidente Dilma Rousseff, já lançada por Lula à reeleição, bate recordes de popularidade, em especial no Nordeste.

Repete-se, desta forma, a cristianização das candidaturas do PSDB nas últimas três eleições presidenciais. A única certeza que resta para Aécio em São Paulo é o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que lançou o nome dele ainda no ano passado, depois de ser mantido à distância das campanhas tucanas.

Pelo que conheço dele, se Aécio Neves perceber que a sina tucana pode se repetir nas eleições de 2014, ele vai agradecer a lembrança do seu nome, mas dirá que prefere se candidatar novamente a governador de Minas Gerais, um vôo mais seguro.

E aí fica a dúvida: caso isso aconteça mesmo, quem o substituirá nas eleições presidenciais? Alckmin ou Serra de novo?

Pastor diz que não renuncia à Comissão de Direitos Humanos de “maneira alguma”

Na Carta Capital

Marco Feliciano (PSC-SP) e Antônia Lúcia (PSC-AC), presidente e vice da Comissão de Direitos Humanos, durante a sessão de quinta-feira 7. Foto: Alexandra Martins / Câmara dos Deputados

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) voltou a afirmar nesta quinta-feira 21 que manterá o comando da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Em entrevista à Rádio Estadão, ele disse que não renuncia “de maneira alguma”.

Na quarta-feira 20, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Casa, pediu à liderança do PSC para que o deputado deixasse o posto, após um protesto contra o pastor em uma audiência pública da Comissão.

Acusado de racismo e homofobia por declarações feitas em redes sociais, entre as quais chama os africanos de “amaldiçoados”, Feliciano declarou à rádio que defende mais de “50 milhões de evangélicos diretamente, além de um “sem número de pessoas que têm a mesma visão que eu.”

Desde que assumiu o cargo, o deputado têm sido contestado por grupos ligados a movimentos sociais e por diversos protestos realizados em todo o País.

Em meio a esse impasse, Henrique Alves prometeu nesta quinta-feira resolver o caso até dia 26. “Posso assegurar que esta Casa vai tomar uma decisão a curtíssimo prazo, porque a Comissão de Direitos Humanos, pela sua importância, não pode ficar neste impasse. Agora, passou a ser também responsabilidade do presidente da Câmara.”

Segundo ele, a permanência de Feliciano criou um clima de radicalização inaceitável. “Esta Casa tem de primar pelo equilíbrio, pela serenidade, pela objetividade, pelo trabalho parlamentar. E do jeito que está tornou-se insustentável”, afirmou.

Na noite de quarta-feira 20, Feliciano chegou a se reunir com André Moura, líder do PSC, após os protestos na Comissão. Moura, no entanto, afirmou não ter sugerido o afastamento do pastor. “Na verdade, há um apelo de toda a bancada para que ele faça uma avaliação daquilo que a sociedade está colocando, da voz que vem das ruas. Não podemos pautar nosso mandato, nem nossas decisões somente pelo que ocorre dentro do Parlamento”, disse ontem.

Moura ainda falou que o partido está preocupado, porque as manifestações, tanto contrárias quanto de apoio ao deputado, estão impedindo os trabalhos do colegiado. “Ele está eleito como presidente e só cabe a ele uma decisão. Ele se comprometeu a refletir sobre o assunto e a bancada está confiante de que tomará a melhor decisão.”

Com informações Agência Câmara.

Roberto Amaral/Ex-ministro de Ciência e Tecnologia

Por Rogério Lessa no Monitor Mercantil

Na globalização, C&T são uma questão de segurança nacional

Botequim

Em entrevista exclusiva ao MM, o ex-ministro de Ciência e Tecnologia Roberto Amaral classifica as duas áreas como questão de segurança nacional. Além de defender um pacto social em torno de um projeto de desenvolvimento nacional, Amaral recomenda que aproveitemos a crise, “quando tradicionalmente os países desenvolvidos se esquecem do Hemisfério Sul”, para avançar nas relações Sul-Sul e construir mercados alternativos, que nosso estágio de desenvolvimento tecnológico pode atender.

Qual seria a saída para emergentes que exportam cada vez mais produtos primários e geram empregos de baixa qualidade?

O Brasil tem uma deficiência histórica, que vem dos anos 50, particularmente dos Anos Dourados de JK. Nosso projeto de desenvolvimento estava fundado na importação de tecnologia e no investimento das multinacionais. Essa tecnologia, que era simbolizada pela indústria automobilística, era de quinta categoria. Chegamos aos anos 90 assim. A única frase correta de Fernando Collor foi afirmar que nossa indústria automobilística produzia carroças.

O exemplo vale para a indústria nacional como um todo?

Sim. Nos anos 70, época do famoso “milagre” da ditadura, esteve aqui uma delegação da Coréia do Sul, que queria conhecer o tal milagre. Na época estávamos à frente da China, da Índia e da própria Coréia. Ao final, um emissário coreano afirmou que não fora bem-entendido: “Não estamos interessados em ter uma linha de produção, mas de produzir nossos veículos.”

Hoje a Coréia nos ultrapassou. Por quê?

Por que optamos pelo projeto neoliberal, enquanto a China preferiu o planejamento. Ficamos para trás em todos os indicadores. Aqueles países adotaram a participação do Estado no desenvolvimento econômico. Aqui o projeto neoliberal chegou ao extremo no governo dos dois Fernandos (Collor e Cardoso). Tínhamos um tripé estatal-multinacional-indústria nacional privada. A estatal foi desmontada, enquanto nossa indústria não investe em inovação. Acha mais barato e seguro alugar royalties do que investir em tecnologia. Por sua vez, as multinacionais só investem em tecnologia em suas matrizes.

Quem no Brasil ainda investe em ciência e tecnologia?

O Estado. Mas os dois Fernandos desorganizaram o sistema das estatais. Hoje, o pouco que temos de investimento ainda é promovido pela universidade pública – a universidade privada, quando investe, é com recursos da Capes e CNPq – Finep e agências estaduais, como Faperj e Fapesp. O capital nacional não investe. Temos um buraco que cresce a cada minuto. O mundo de hoje é dividido entre conhecimento e ignorância. O mundo digital e o mundo analógico. Os países ricos são os que detêm o conhecimento.

Os países são pobres quando não produzem conhecimento…

Ciência e tecnologia atualmente é uma questão de segurança nacional, bem como o investimento em pesquisa. Todo e qualquer país tem uma marca. Perfumes franceses, vinho, indústria norte-americana, azeite grego, moda italiana. Qual a marca brasileira? Somos o maior produtor de grãos de café do mundo e o maior exportador é a Alemanha. Temos café abundante e não fomos capazes de inventar uma máquina de fazer café.

Qual a sua opinião sobre a Embrapa?

É motivo de orgulho para o país. Mas não agrega tecnologia industrial. Mas se foi possível fazer a Embrapa, por que não é possível repetir a experiência em outros setores? Por que estamos há 35 anos paralisados com o programa espacial? Por que esperamos 35 anos para fazer Angra III. Estamos sem estratégia, sem projeto nacional. Algumas pessoas pensam que é publicar um texto no Diário Oficial. Mas é reunir a sociedade brasileira em função de alguns objetivos.

Quais são os principais objetivos nacionais?

Em torno de melhor distribuição de renda, oferta de empregos qualificados, elevação do nível educacional, poderíamos reunir a sociedade. A questão estratégica é eleger o fundamental. Temos uma crise de energia. Estamos demorando 20 anos para fazer uma hidrelétrica, mesmo sendo, ao lado de EUA e Rússia, o país de maior potencial, por questões ambientais falsas. Insegurança econômica e técnica extraordinária. Estamos, em pleno Século XXI, dependendo de São Pedro. Isso é dramático. E, no entanto, todos querem ter ar-condicionado em casa, janelas de alumínio, usufruir do progresso, como se não dependesse de energia. Não há possibilidade de desenvolvimento sem energia boa, barata e confiável. Não há precedente no mundo.

O que é mais relevante em uma estratégia?

Em torno dela não pode haver óbices. Sem energia não há educação, desenvolvimento, comércio, qualidade de vida. É fundamental também ter autonomia na área espacial. Não é lançar foguetes para cair na Califórnia, mas satélites para ter o controle de seu próprio território. Se não controlarmos nosso território, teremos de alugar satélites norte-americanos, indianos ou chineses para controlar espaço aéreo, quadro metereológico, o desmatamento da Amazônia. Muito menos as fronteiras. Estamos dependendo do Oceano Atlântico para várias coisas. É considerado outra Amazônia. Temos o pré-sal. Como defender nosso litoral sem submarinos de propulsão nuclear? Um submarino convencional fica horas submerso, enquanto o nuclear ficar meses. Precisamos eleger objetivos fundamentais e nos concentrar neles.

Qual a viabilidade política de um plano de desenvolvimento hoje?

Considero os oito anos de governo de Lula extraordinários, por vários motivos. Avanço da economia, das populações mais pobres, o mais efetivo programa de distribuição de renda que conhecemos. No entanto, faço uma crítica: fomos tímidos na reforma política e no debate político. Devolveremos o Estado recebido do neoliberalismo sem modificá-lo. Esse Estado é antipovo, enquanto poderia ser fundamental para os pobres. A burguesia pode pagar plano de saúde e escola particular. Esse é o grande desafio dos dois últimos anos de Dilma Rousseff na presidência e o grande desafio dos partidos de esquerda.

Há exemplos de países que se concentram mais na estratégia sem, porém, ter êxito no desenvolvimento. Seria um problema mundial?

Os EUA declararam em diversos documentos serem contra o desenvolvimento aeroespacial no Brasil. Quando formos fazer acordo com a Ucrânia, foi exigido, por incrível que pareça, a anuência dos EUA, que autorizaram, mas frisando que o Brasil não precisa de um programa espacial. Devemos discutir nossa posição, e não a deles.

Em vista disto não seria necessária nova estratégia dos países periféricos?

Até na Europa, com apoio dos EUA, os banqueiros conseguiram destruir a União Européia, impondo a recessão. Talvez o futuro da Europa seja ser um museu a céu aberto. Alguns países, como a Alemanha, se manterão na ponta, mas, em geral, optaram por diminuir o consumo interno para gerar excedentes exportáveis. Na globalização todos querem isto, inclusive Brasil e EUA. Aí está o impasse. Uma segunda questão relevante é o déficit orçamentário norte-americano. No momento ele é financiado principalmente por China e Alemanha. Esta última já anunciou que vai reduzir suas reservas em dólar.

A China segue crescendo acima de 7%, enquanto estamos tentando desenvolver o Mercosul, que é muito importante, pois o bloco é nosso principal importador, não EUA ou China. Devemos priorizar as relações Sul-Sul. Dificilmente vamos competir com EUA, Japão ou Alemanha exportando tecnologia. Mas nossa tecnologia está no nível das necessidades de importação de América do Sul, Latina e Sul da África. Se conseguirmos construir um grande mercado no Hemisfério Sul, teremos um consumidor alternativo.

Como vê os movimentos que estão surgindo pela paz e pelo desenvolvimento do Brasil?

A guerra é um determinismo do capitalismo e a paz é anti-econômica. Na crise, os países desenvolvidos só têm uma alternativa para produção e consumo: a guerra. Pouco podemos fazer contra isso. Os EUA desde a II Guerra não tiveram um dia sem guerra. E guerra imperialista, não é guerra de defesa. É guerra para conquistar riquezas. O fim da União Soviética foi muito ruim para a humanidade. Até então, tínhamos dois players. A força de um limitava a força do outro. Agora temos um imperialismo de rédeas soltas. Temos de evitar que chegue ao Hemisfério Sul e aproveitar que, nas crises, eles se esquecem de nós e, tradicionalmente, temos aproveitado para aprofundar o desenvolvimento.

 

Polícia de Choque cerca Museu do Índio no Rio

Por Vladimir Platonow na Agência Brasil

Rio de Janeiro – Policiais do Batalhão de Choque cercam desde a madrugada o prédio do antigo Museu do Índio, ao lado do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã. O imóvel deverá ser desocupado ainda hoje (22), por ordem da Justiça Federal, a pedido do governo do estado do Rio de Janeiro, que deseja reformar o local para receber o Museu Olímpico.

Cerca de 50 policiais chegaram por volta das 3h e isolaram o prédio, impedindo a entrada de manifestantes e de jornalistas. Os policiais militares usaram bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar as pessoas que estão do lado de fora.

Um grupo de manifestantes sentou-se no meio da Avenida Radial Oeste, uma das principais da cidade, que liga a zona norte ao centro. O clima é tenso no local, à espera do oficial de Justiça que deverá trazer a ordem de imissão de posse.

Do lado de dentro do museu, índios que ocupam o prédio desde 2006 seguram arcos e flechas e prometem resistir e permanecer no local. Entre os indígenas, há mulheres, idosos e crianças.

Construído no século 19, o prédio abrigou o Serviço de Proteção ao Índio, comandado pelo marechal Candido Rondon, e depois foi transformado em Museu do Índio, tendo entre seus diretores o antropólogo Darcy Ribeiro. Os indígenas desejam que o local abrigue um centro cultural.

O governo do Rio se comprometeu a construir, até o final de 2014, um centro de referência indígena no terreno onde atualmente está a estrutura desativada do Presídio Evaristo de Moraes, conhecido como Galpão da Quinta, no parque da Quinta da Boa Vista. Outra alternativa seria construir o centro em Jacarepaguá, na zona oeste, em uma área verde onde funcionou a colônia de hansenianos de Curupaiti.

As duas possibilidades foram apresentadas ontem (21) a representantes dos índios que ocupam o prédio do antigo museu. Os líderes indígenas rejeitaram a proposta de construir o centro cultural em outro local.

Edição: Juliana Andrade

Campos teve encontro secreto com José Serra

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Revelação foi feita pela jornalista Eliane Cantanhêde, que tem bom trânsito no ninho tucano; ela especula até que José Serra poderá vir a ser vice de Eduardo Campos, numa chapa capaz de fortalecer o governador pernambucano em São Paulo; aproximação ocorre justamente no momento em que o ex-governador paulista cogita deixar o PSDB e tem convite para entrar no PPS, que já hipotecou seu apoio a Campos

No Brasil 247

 

247 - A jornalista Eliane Cantanhêde, uma das mais próximas do PSDB, fez uma revelação de alto impacto político em sua coluna desta quinta-feira, na Folha de S. Paulo. Segundo ela, o governador pernambucano Eduardo Campos teve um encontro secreto com o ex-governador paulista José Serra, dias atrás. Diz ela ainda que um poderá ser vice do outro e a aproximação ocorre justamente no momento em que José Serra cogita deixar o PSDB, insatisfeito com a entrega de todo poder ao senador mineiro Aécio Neves. Serra tem convite de Roberto Freire, presidente do PPS, para se mudar de mala e cuia. Leia abaixo:

Campos e Serra

BRASÍLIA - Um dado relevante da pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade da presidente é o período de campo (minado para a oposição): os eleitores foram ouvidos de 8 a 11 de março, ou seja, exatamente em cima do Dia da Mulher e do pronunciamento em que Dilma anunciou, em tom de campanha, pela TV, o fim de impostos da cesta básica. Deve ter sido coincidência…

E um resultado muitíssimo relevante é que a popularidade dela subiu fora da margem de erro e bateu em 85% no Nordeste, região muito populosa, que rendeu votações decisivas para Lula e Dilma e é fundamental para a candidatura Eduardo Campos. Com 85% de Dilma, ele tem pouca margem para trabalhar. E, sem o Nordeste, pode ir tirando o cavalinho da chuva.

Enquanto Campos tenta se viabilizar e Aécio debate tecnicamente o esfarelamento da Petrobras, a agenda de Dilma é concreta e simbólica, ao mesmo tempo: foto e sorrisos com Francisco, o papa “dos pobres”; redução na conta de luz e no preço do prato que vai à mesa dos brasileiros todo santo dia; pesquisas que demonstram força e sossegam aliados afoitos; ministérios para os partidos; muitas viagens ao Nordeste.

Essa estratégia, aliada à imagem de mulher firme, mantém a presidente como favorita. Não evita, porém, a ameaça do segundo turno, que é sempre uma pedreira -e custa caro.

A ameaça é bastante real, com Aécio prometendo grande votação em Minas, Campos abrindo uma cunha no Nordeste, Marina acolhendo os “sonháticos” e Gabeira embalando o voto “cult”, sem falar que Chico Alencar (PSOL) pode criar uma opção para o que resta da esquerda pura.

Ah! Por falar nisso, José Serra e Eduardo Campos se encontraram sigilosamente em São Paulo. E não foi para falar de flores. Já tem gente até sonhando com uma chapa geográfica e sinuosa: Campos e Serra.Em política, nada é impossível.