Arquivo mensais:maio 2013

1º de Maio: Mobilizações para a Lei da Mídia acontecem em todo o país

As orientações de como proceder ao coletar assinaturas junto à população nas ruas, assim como todos os documentos necessários, estão no endereçowww.paraexpressaraliberdade.org.br

Do FNDC

Trabalhadores de todo o país se mobilizarão nesta quarta-feira, 1/5, para divulgar nas ruas do Brasil o Projeto de Lei da Mídia Democrática, uma proposta de regulamentação do setor das Comunicações no país. Os atos serão o ponto de partida para a coleta das assinaturas necessárias para que o documento ingresse no Congresso Nacional como vontade da população e para que o tema seja apropriado pelo conjunto da sociedade.

O projeto de lei trata da regulamentação das Comunicações Eletrônicas no país (rádio e televisão), setor atualmente regido pelo Código Brasileiro das Telecomunicações, datado de 1962, e a regulamentação dos artigos de comunicação da Constituição Brasileira, como os que tratam da defesa de conteúdo nacional, diversidade regional e a produção independente (conheça o projeto aqui).

Oficialmente, estão agendadas ações casadas com atos de centrais sindicais e movimentos sociais nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Brasília e Aracaju, entre outras (veja agenda abaixo). Em todos os locais serão disponibilizados o kit de coleta, com o Projeto de Lei e formulário para as assinaturas. Para colaborar na divulgação, a campanha Para Expressar a Liberdade (que organiza a ação) sugere que as pessoas vinculem textos e fotos dos eventos dos quais participaram às hashtags da campanha (veja abaixo).

As orientações de como proceder ao coletar assinaturas junto à população nas ruas, assim como todos os documentos necessários, estão no endereçohttp://www.paraexpressaraliberdade.org.br/index.php/2013-04-30-15-58-11. Qualquer cidadão pode colaborar na busca das assinaturas.

Tuitaço nesta quarta

Nesta terça-feira (30), o tuitaço organizado pelas entidades que participam da campanha “Para Expressar a Liberdade” alcançou os trendingtopics do Twitter, chegando até o segundo lugar das palavras mais usadas, com a hashtag #querofalartb. A proposta do movimento é que amanhã o tema da democratização seja o mais falado nas redes, para isso, pede-se que os internautas expressem o direito à comunicação por meio das hashtags #querofalartb, #leidamidiademocratica e #paraexpressaraliberdade.

Agenda

Veja a agenda de algumas atividades de coleta de assinaturas para este 1º de maio, Dia do Trabalhador:

SERGIPE
Em Aracaju, acontecem três atos públicos puxados por centrais sindicais e partidos. Em todos os atos são montadas “banquinhas” de coleta de assinaturas:
Às 8h, nos Arcos da Orla
Às 8h, no Sol Nascente
Às 9h, no Santa Maria

SÃO PAULO
Os integrantes da seção paulista da campanha, junto à CUT-ABC, estarão presentes em lugares como o Paço Municipal, em São Bernardo, dialogando com manifestantes e com a população em geral

BRASÍLIA
Em Brasília, estão previstos o lançamento do Projeto de Lei no acampamento Hugo Chavez, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) a partir das 10h, e panfletagens durante a tarde nas proximidades da torre da TV

BELO HORIZONTE
Panfletagem e coleta de assinaturas na celebração da CUT na Praça da Cemig – Cidade Industrial – Contagem/MG

RIO DE JANEIRO
No Rio de Janeiro, a celebração dos trabalhadores foi antecipada pelas centrais sindicais para o dia 30 e a Frente Ampla pela Liberdade de Expressão do Rio de Janeiro (Fale-Rio) se mobilizou para estar presente e iniciar a divulgação do Projeto de Lei em lugares como a Cinelândia e o Beco do Lume (já houve pré-lançamento no dia 26 na praça XV).

Vincule suas fotos e textos dos eventos com as hashtags #querofalartb #leidamidiademocratica para ampliar o alcance da divulgação do movimento!

Comissão pede financiamento do BNDES para mídia independente

Marcelo Pellegrini na Carta Capital

Está em discussão na Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados uma proposta para a criação de um fundo de financiamento público e linhas de crédito especiais para as pequenas empresas do setor de mídia no Brasil –blogs inclusive.

Fundo para pequenas empresas de mídia asseguraria a pluralidade de opinião e a diversidade cultural, segundo a deputada Feghali. Foto: Sirsnapsalot/Flickr

Fundo para pequenas empresas de mídia asseguraria a pluralidade de opinião e a diversidade cultural, segundo a deputada Feghali. Foto: Sirsnapsalot/Flickr

Uma audiência pública na Câmara debaterá, na terça-feira 7, a viabilidade da proposta. Participarão do debate Luciene Fernandes Gorgulho, chefe do Departamento de Cultura, Entretenimento e Turismo do BNDES, Nelson Breve, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e Paulo Miranda, presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM). “Nossa intenção é sair com algum plano concreto de financiamento do BNDES”, afirma a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), presidente da Comissão de Cultura.

“(A ideia) é viabilizar a chamada mídia livre no Brasil. Notamos que há uma grande dificuldade dos blogs, rádios comunitárias e até mesmo da TV Pública em ter a sustentação financeira necessária para se manter no ar com qualidade, em um nível competitivo, e com possibilidade para se estruturar”, diz a parlamentar. “É impossível se imaginar a pluralidade da informação sem esses veículos e entendemos que é o momento dos bancos públicos financiarem a democracia da comunicação no País”, acrescenta.

A proposta em discussão na Comissão surge em um momento que a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) concentra 70% do dinheiro de publicidade do governo federal em apenas 10 veículos de comunicação. Só para citar um exemplo, desde o início do governo Dilma Rousseff, 50 milhões de reais – de um total de 161 milhões repassados a emissoras de tevê, rádios, jornais, revistas e sites - foram direcionados apenas à TV Globo. Hoje, 72% da publicidade dna internet é também direcionada a grandes grupos.

Isso, na visão da deputada Feghali, prejudica a divulgação das culturas locais brasileiras e a pluralidade da informação e de opiniões. “Hoje, na Comissão de Cultura, eu não vejo como podemos garantir a pluralidade da diversidade cultural brasileira se essa mídia (blogs, rádios comunitárias e tevês públicas) não existir ou não puder funcionar e divulgar aquilo que a cultura brasileira produz”.

Para ela, o financiamento de pequenas empresas de mídia é apenas o primeiro passo e deve ser seguido por outras ações, como um financiamento mais bem distribuído entre os veículos de comunicação. “Vamos montar parcerias com as outras comissões e órgãos que lidam com o tema e puxar esse debate”, disse.

Em sua edição número 742, CartaCapital abordou a falta de vontade política do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, em revisar a regulamentação de mídia brasileira e torná-la mais plural e democrática. Sob esse contexto, surgem diversas medidas e demandas sociais para contornar a concentração de mídia no País. Entre eles, está o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) para a democratização das comunicações no Brasil (leia aqui), que começará a colher assinaturas a partir de 1º de maio. O documento precisa de no mínimo 1,3 milhão de assinaturas para ingressar no Congresso Nacional.

“Eu acho que o governo deveria ter uma atitude mais ofensiva em relação à regulação da mídia por tudo o que representa, inclusive no que diz respeito ao avanço democrático no Brasil”, opinia a parlamentar. “Isso é um tema estratégico para a consolidação da democracia e na medida que o governo não faz, já surge um PLIP colhendo assinaturas”.

“Agora, vamos ter que aliar parlamento e sociedade para tomarmos iniciativas sobre o tema”, conclui.

Os desafios da Venezuela pós-Chávez

Por Ariane Mondo na Carta Capital

Como será a Venezuela após a morte de Hugo Chávez? Foi a pergunta levantada na terça-feira 30 em evento realizado no Rio de Janeiro pelo Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento em parceira com a CartaCapital. O debate “A Venezuela Pós-Chávez” reuniu especialistas para falar sobre as dimensões política, econômica e social da integração do país vizinho à América Latina. Após uma série de exposições, um ponto ficou claro na avaliação dos analistas: é importante manter o legado deixado pelo líder bolivariano, sobretudo na área social, mas com um distanciamento crítico suficiente para evitar a polarização do debate.

Foto: Francisco Batista/ Presidência/ AFP

Foto: Francisco Batista/ Presidência/ AFP

Segundo Javier Vadell, professor do departamento de relações internacionais da PUC-MG, ochavismo provocou um processo emancipatório sem volta na Venezuela, principalmente nas áreas da saúde, educação e inclusão social. “Os direitos sociais chegaram para ficar.”

Em sua opinião, sem a figura de Chávez, perdeu-se uma liderança na América do Sul e possivelmente um polo alternativo de poder na região. Ele lembrou que o líder venezuelano foi um duro crítico da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), assim como de outros tratados comerciais propostos pelos EUA na região. Ao mesmo tempo, Chávez teve papel fundamental na consolidação de instituições de integração regional, como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) e a Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). Hoje, afirmou, as relações de países como os Estados Unidos e a China na região, por exemplo, são uma incógnita.

Em sua fala, o professor Mark Weisbrot, do Centro para Pesquisas Econômicas e de Políticas Públicas (Center for Economic and Policy Research – CEPR), mencionou que há pouco tempo a Venezuela pediu cerca de 36 milhões de dólares emprestados à China e vem pagando a dívida a juros baixos. De acordo com Weisbrot, os chineses veem a Venezuela como um parceiro estratégico para a região. O economista norte-americano relativizou as críticas direcionadas pela imprensa ao governo venezuelano. Lembrou que, nos últimos anos, a pobreza extrema do país foi reduzida em quase 70% e que a economia teve uma boa performance, apesar de oscilações. Lembrou que, ao longo de 2012, a economia venezuelana cresceu cerca de 5,5%, taxa superior a muitos países latinos e europeus. No entanto, disse ele, há problemas estruturais a serem resolvidos nos próximos anos, como a desvalorização da moeda local, a crescente evasão de divisas e o aumento na taxa de importação, principalmente de itens básicos de consumo e alimentos.

Como desafios para o novo presidente Nicolás Maduro, o economista citou a manutenção do crescimento econômico, a estabilidade da taxa de câmbio e da inflação – que, em 2012, chegou a 20%. Weisbrot afirmou que as medidas a serem tomadas nos próximos dois anos serão fundamentais para evitar uma possível recessão.

Outro problema venezuelano apontado no debate foi a dependência em relação ao petróleo, responsável por 90% das exportações do país. Ainda que a Petróleos de Venezuela (PDVSA) seja uma das gigantes mundiais do setor, os especialistas defenderam que o país deverá diversificar sua economia e suas exportações.

O economista e professor da PUC-SP Carlos Eduardo Carvalho usou, em sua exposição, o termo “rentismo petroleiro” para explicar dependência do país. “É um conceito criado por alguns economistas dizendo que a dificuldade econômica venezuelana vem de ter um estilo de desenvolvimento baseado nos recursos naturais, considerando o petróleo como uma renda da terra, uma renda não produzida. Este modelo rentista inviabiliza que se crie uma estrutura produtiva na economia venezuelana, que se baseie em critérios de mercado, de produtividade, e que, portanto, consiga se sustentar.”

Dimensão Social. Desde o início do governo Chávez, os avanços sociais da Venezuela foram reconhecidos por organismos internacionais e até pela oposição. Nas últimas eleições, realizadas em outubro de 2012 e abril de 2013, o candidato Henrique Capriles evitou críticas às políticas sociais introduzidas pelo governo Chávez. Para o professor da UFRGS, Aragon Érico Dasso Junior, o opositor enfrentaria desgastes se propusesse mudanças nessa área.

Na Venezuela de Hugo Chávez, iniciativas chamadas de “Misiones” focaram áreas prioritárias de desenvolvimento social. As Missões, voltadas para a melhoria de áreas como educação, saúde, aposentadoria, moradia e alimentação, são consideradas um principais legados de Chávez. No entanto, Aragon acredita que, apesar da consolidação dos projetos sociais, há um desgaste natural dos modelos adotados. Como desafios futuros, o professor citou quatro pontos cruciais: a reforma da institucionalidade social (“É importante que o país profissionalize a sua Administração Pública, sobretudo no que se refere aos sistemas de informação, planejamento e avaliação”); a consolidação de uma “cultura de direitos” ( “o êxito da revolução bolivariana necessita que a população veja esses direitos como uma conquista e não como uma dádiva do governo”); o protagonismo das políticas sociais no debate público nacional (“apesar da clara prioridade do gasto público social, que absorve mais da metade do gasto público total, as políticas sociais têm um potencial de crescimento na transição da agenda das políticas públicas da sociedade venezuelana para a agenda das políticas públicas do governo venezuelano”); e o aprofundamento das missões sociais (“Isso deve ser feito a partir de um plano nacional de qualificação dos serviços públicos, sob o controle dos trabalhadores e dos movimentos sociais, acompanhado da nacionalização e socialização dos meios de produção”).

Aragon afirmou ser natural pensar em estatização dentro de um contexto de aprofundamento das Missões a partir da lógica bolivariana. “O caminho lógico é aprofundar a revolução bolivariana e não ceder ao capitalismo.”

Em sua fala, o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Sánchez Arveláiz, comentou o resultado das eleições de abril. Para ele, o opositor Henrique Capriles seguiu uma estratégia iniciada no pleito anterior: cooptar pessoas apoiadoras do chavismo, dizendo que, se eleito, iria incrementar os programas federais. Isso em um momento em que os chavistas demonstravam fragilidade diante da morte de seu líder.

Maximilien lembrou que a constituição bolivariana foi aprovada pela população venezuelana e que hoje em dia, há mais espaço para participação popular – este, segundo ele, um grande legado da era Chávez a ser mantido por Nicolás Maduro.

Para o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, alto-representante do Mercosul entre 2011 e 2012, se o presidente recém-eleito aprofundar os programas sociais desenvolvidos no governo anterior, terá condições de seguir na estratégia iniciada por Hugo Chávez. Caso contrário, se tiver de se aproximar de uma política de centro, vai se distanciar dos movimentos sociais, pilares dos 14 anos de governo Chávez.