Arquivo mensais:março 2013

Lula: “Tem horas que temos que ter a humildade de apoiar os outros”

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Frase de ex-presidente, dita em seminário petista no Ceará, visa dois alvos: o próprio PT-RJ, que insiste na candidatura do senador Lindberg as custas da aliança nacional com o PMDB, e ao PSB, que sinaliza possível rompimento com Dilma para lançar Eduardo Campos à presidência em 2014; ”O PT pode até ganhar a eleição sozinho, mas precisa de aliados para governar”, disse Lula

No Brasil 247

 O ex-presidente Lula chegou ao Ceará com a intenção de dar uma aula de “humildade” ao Estado. Depois de trocar afagos com o governador carioca Sérgio Cabral (PMDB) num momento em que o PT-RJ trava uma guerra para legitimar a candidatura do senador Lindbergh ao governo do Estado, ele tenta convencer um PSB mais arredio do que nunca a desistir de lançar Eduardo Campos à Presidência em 2014.

“O PT pode até ganhar a eleição sozinho, mas precisa de aliados para governar. Tem hora em que precisamos do apoio dos aliados, e tem horas que temos que ter a humildade de apoiar os outros”, disse o ex-presidente em Fortaleza, primeira parada de um roteiro elaborado pelo partido para estreitar as relações com a base visando a reeleição de Dilma.

No Rio, PMDB e PT estão em guerra desde o início da semana, quando os peemedebistas ameaçaram abandonar a campanha de reeleição de Dilma Rousseff caso Lindbergh mantenha a candidatura. Para segurar o PMDB, Lula optou em desfilar ao lado de Cabral e do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), indicado para a sucessão, no mesmo dia em que o senador petista iniciou sua campanha com a “Caravana da Cidadania”, inspirada em iniciativa de Lula na década de 90.

Enquanto isso em Recife, numa reunião de emergência do PSB, realizada ontem, o governador pernambucano Eduardo Campos, que preside o partido, foi pressionado por correligionários a entregar os cargos da legenda no governo Dilma, formalizando a saída da base aliada. Hoje, o PSB tem dois ministros: Fernando Bezerra Coelho, indicado por Campos para a Integração Nacional, e Leônidas Cristino, levado pelos irmãos Gomes, do Ceará, à Secretaria Nacional dos Portos.

A ala que defende a candidatura de Campos está cada vez mais incomodada com a movimentação do PT e do ex-presidente Lula visando um racha no partido com a aproximação com os irmãos Gomes.
Para convencer o PSB, Lula chegou a usar a « humuldade » ao fazer referência indireta ao mensalão.

“Nós somos seres humanos. Alguns de nós podem cometer irregularidades. E quando cometer, tem que ser julgado, como todos têm que ser julgados. Errou, tem que ser punido, mas nós não vamos permitir que ninguém jogue em cima de nós a pecha que eles carregaram a vida inteira no jeito de fazer política”, disse o petista, referindo-se aos adversários.

Alípio Freire: Por que resistimos ao golpe de 64 e à ditadura civil-militar

Cena de ’1964: Um Golpe Contra o Brasil’, que tem primeira exibição pública neste sábado, em São Paulo. Foto: Divulgação

Produzido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e pela TVT, filme vai expor participação de industriais, latifundiários e dos EUA no movimento que levou à ditadura

Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual

São Paulo – O permanente processo de reconstrução da história brasileira contemporânea ganhará mais um tijolo no próximo sábado (2), quando estreia o documentário 1964: Um golpe contra o Brasil. Dirigido pelo jornalista, escritor e artista plástico Alípio Freire, o filme pretende lançar olhares militantes – alguns novos, outros nem tanto – sobre o contexto político, econômico, social e internacional que levou à conspiração cívico-militar contra o presidente João Goulart e aos 21 anos de ditadura que vieram depois.

Em aproximadamente 120 minutos, com testemunhos e muita pesquisa, Alípio Freire tentará dar conta de cinco anos da história brasileira que compreendem os antecedentes imediatos e as primeiras consequências do golpe: o filme começa em 1960, com a eleição do presidente Jânio Quadros, e vai até agosto de 1964, com a nomeação do general Castello Branco como chefe do governo.

Alípio levou cerca de um ano para filmar e montar essa narrativa. Produzido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política, contou com o apoio da TVT e de uma verba de R$ 80 mil da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, liberada por uma emenda parlamentar do deputado Adriano Diogo (PT), que preside a Comissão Estadual da Verdade Rubens Paiva na Assembleia Legislativa.

O diretor de 1964: Um golpe contra o Brasil atendeu à reportagem da RBA pelo telefone, enquanto realizava os últimos retoques no filme. Segundo Alípio, a principal motivação do documentário é explicar aos jovens brasileiros as origens do golpe a partir do olhar da geração de resistiu à ditadura.

“O golpe voltará à tona no ano que vem porque cumprirá 50 anos”, lembra. “É importante que prestemos informações sobre o que foi o golpe, qual eram os projetos em jogo, qual foi a participação dos Estados Unidos, dos industriais brasileiros, dos latifundiários, enfim, da direita brasileira articulada com os interesses internacionais. Esse assunto não costuma ser tratado no país.”

Na entrevista, Alípio Freire dá mais detalhes sobre o documentário, comenta os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade e revela sua esperança de que os criminosos da ditadura respondam pelo que fizeram.

Por que mais um documentário sobre o golpe militar?

Entendemos que as ações que até agora foram tomadas para elucidar os episódios que levaram ao golpe militar são fragmentadas, e a maioria das versões que conhecemos foi divulgada por fontes oficiais ou que ajudaram na articulação do golpe, como os veículos da grande mídia brasileira. Nosso olhar é um olhar de esquerda, de gente que resistiu ao golpe. Quem tem menos de 50 anos, ou seja, todos os que nasceram depois de 1964, poderá agora conhecer nosso olhar sobre essa história e entender porque resistimos ao golpe e ao regime que foi implantado logo depois.

Temos uma Comissão Nacional da Verdade funcionando, a Comissão da Anistia que já tem alguns anos de trabalho. Nesse contexto, o filme se torna ainda mais importante. Os que fomos perseguidos pela ditadura, e sobretudo os que foram assassinados e desaparecidos, vemos que a instalação dessas comissões oficiais como um grande e merecido gesto de solidariedade por todas as atrocidades que aconteceram. No entanto, é preciso que toda a população possa contar também as nossa versão e nossas informações dos fatos. Devem saber quem foram os personagens dessa história, pra que não seja enrolada e compre gato por lebre.

Quando você vê jovens querendo recriar a Arena, partido que deu ares de legalidade institucional à ditadura, isso é assustador. Se estão querendo refundá-lo, tenho certeza de que é por falta de informação. Por isso, precisamos contar. Porém, o que esses jovem vão fazer com essas informações, já não é mais nossa responsabilidade. Mas é preciso que possam ao menos refletir.

Quais as grandes qualidades do filme?

O documentário consegue esclarecer alguns pontos obscuros da nossa história, como por exemplo, quais eram os objetivos que levaram à renúncia do presidente Jânio Quadros e como se deu essa renúncia. Outro exemplo: por que João Goulart se retirou pra Montevidéu, no Uruguai? Não somos os primeiros a tentar esclarecer estes e outros episódios, mas essa é parte das nossas intenções com o filme e com o resgate da memória política.

Entrevistamos cerca de 20 pessoas, como Almino Affonso, que era ministro de Trabalho do Jango, a cientista política Maria Victoria Benevides, Aldo Arantes, presidente da União Nacional dos Estudantes em 1961, e João Pedro Stedile, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Vocês trazem alguma grande novidade sobre a época?

Há algumas revelações que são novidade, por exemplo, com relação à estratégia dos aliados do presidente Jango; a participação direta da Casa Branca no golpe, além da CIA, do Departamento de Estado e do Departamento de Defesa; a retomada dos fundadores e financiadores do Ipes-Ibad; as relações com a Aliança para o Progresso, Peace Corps e outros programas de ajuda solidária de Washington para a América Latina e Brasil.

Como avalia o trabalho da Comissão Nacional da Verdade até agora?

A simples instalação da CNV é uma grande vitória de todos que vêm lutando e resistindo desde a instalação da ditadura civil-militar, em 1964, até agora. É a primeira vez que o Estado brasileiro institui um organismo para investigar os crimes da elite brasileira. O fato de ter dois anos de duração não quer dizer nada. Em outros países também foi assim, e os trabalhos foram prorrogados. Espero que a CNV cumpra seu papel.

Ela tem se movimentado bem nessa direção. Não tem o papel de punir, mas, uma vez que está líquida e certa a participação de determinadas pessoas nos crimes, você pode entrar na justiça e levá-las aos tribunais para que sejam denunciadas, processadas e, no caso de confirmação dos crimes, punidas nos termos da lei, em processos legais, públicos e com todo direito à defesa. Acho que avançamos bastante. Ainda não chegamos lá, mas chegamos bastante.

PS do Viomundo:  O documentário 1964 – Um golpe contra o Brasil será lançado no Memorial da Resistência de São Paulo: Largo General Osório 66, próximo ao Metrô Luz. O jornalista Danilo César avisa: após a exibição do filme haverá debate com Alípio Freire.

Segundo IBGE, economia cresce 0,9% em 2012 sobre 2011

Por Alessandra Saraiva e Diogo Martins no Valor Econômico

O Produto Interno Bruto (PIB), indicador que mede a riqueza produzida pelo país, mostrou expansão da economia de 0,9% em 2012, sobre 2011, de acordo com o resultado das Contas Nacionais divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2011, a economia registrou expansão de 2,7%.

O resultado fechado de 2012 ficou em linha com a estimativa média de 0,9% apurada junto a dez consultorias e instituições financeiras consultadas pelo Valor Data. As projeções variaram de 0,8% a 1%.

 

O PIB de 2012 também veio abaixo do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, e que mostrou crescimento de 1,64% sobre 2011.

No quarto trimestre, o  PIB teve expansão de 0,6%, na comparação com o terceiro trimestre, feitos os ajustes sazonais.

A divulgação do crescimento fraco da economia acontece no dia em que parte da equipe econômica do governo está em Londres, onde participa de evento, organizado pelo Valor, em que o objetivo é apresentar os projetos de infraestrutura a serem realizados no Brasil  para atrair investidores estrangeiros.

“Nossa maior deficiência é a área de infraestrutura e investimento é o grande compromisso do país. Ninguém vai perder dinheiro se investir no Brasil”,afirmou a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman.

 

Oferta

No lado da oferta, a indústria teve retração de 0,8% em 2012, na comparação com o ano anterior, resultado idêntico à média de -0,8% apurada pelo Valor Data.

O setor de serviços encerrou o ano com crescimento de 1,7%. A média apurada pelo Valor Data era de 1,6%.

Já a agropecuária teve contração de 2,3% no ano passado, resultado pior que a média de -0,7% apurada pelo Valor Data.

 

Consumo avança

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 3,1% em 2012.

A demanda do governo aumentou 3,2% e a formação bruta de capital fixo (FBCF – que representa o investimento em máquinas e equipamentos e na construção civil) caiu 4% no ano.

Por fim, a taxa de investimento atingiu 18,1% do PIB em 2012.

Analistas consultados pelo Valor Data estimaram alta de 3% para o consumo das famílias, avanço de 3,2% no consumo do governo, e queda de 4,2% na formação bruta de capital fixo.

 

Setor externo

No setor externo, as exportações cresceram 0,5%, segundo o IBGE, enquanto as importações aumentaram 0,2% em 2012.

A média apurada pelo Valor Data foi de queda de 0,2% para as exportações e recuo de 0,1% no ano passado.

 

O deputado das trevas quer ser líder das minorias

Por Matheus Pichonelli na Carta Capital

O deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), que já classificou os africanos como “descendentes amaldiçoados de Noé”, avisa: “Nunca me passou pela cabeça presidir a Comissão de Direitos Humanos, mas agora com tanto ataque, deu até vontade (sic)”.

O deputado Marco Feliciano, possível líder das minorias da Câmara. Foto: Gustavo Lima / Agência Câmara

A vontade manifestada no Twitter pelo deputado, escritor, cantor e apresentador de tevê é resultado de uma avalanche de críticas sofridas desde que o seu Partido Social Cristão foi escolhido para comandar a comissão responsável pela defesa das minorias na Câmara. A bancada do partido tem hoje 16 deputados. Feliciano, declaradamente contrário a bandeiras como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, é o favorito para assumir a liderança do grupo.

A escolha do PSC para a comissão causou arrepios nos grupos de defesa dos direitos humanos. As críticas são lideradas até aqui pelo deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), defensor da bandeira gay no Congresso que viu a escolha como uma forma de “barrar a extensão da cidadania plena às minorias”. “O PT ter aberto mão da CDHM é sintoma de um pendor do partido para o conservadorismo e a manutenção de poder que é irreversível”, escreveu.

A ojeriza parece justificada. Em setembro, Wyllys manifestou repúdio, em artigo publicado no site Brasil 247, a um discurso feito pelo deputado/pastor em um congresso evangélico no qual se referia à Aids como “câncer gay”. O deputado do PSOL classificou a fala como “um alarde da desonestidade intelectual e injúria contra os homossexuais”. E apresentou números, baseados em estudos da ONU, para mostrar que a associação entre a doença e a orientação sexual tinha base na ignorância, mas não na realidade.

A resposta de Feliciano, hoje cotado para representar as minorias acusadas por ele de espalhar as doenças sexualmente transmissíveis, foi uma pérola. Em seu site, ele escreveu, com o apuro digno de uma criança de doze anos, que, dentro da igreja, tinha assegurada pela Constituição a total liberdade de manifestação. Sentado nessa total liberdade, insistiu: “A própria ciência revela o predomínio de infecção por esta doença em pessoas manifestamente homossexuais, tanto é verdade que quando se doa sangue na entrevista se for declinada a condição de homossexual essa doação é recusada”.

Número que é bom, nada. (Obviamente, não faltou ao deputado a menção de que não tinha “nada contra” os homossexuais. Explicou, dessa maneira, que a Bíblia ensina a amar o pecador e não o pecado).

Após ter seu nome citado como possível líder das minorias na Câmara, o deputado declarou ao site do jornal O Estado de S.Paulo, na quinta-feira 28, que a comissão se tornou um espaço de defesa de “privilégios” de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. “Se tem alguém que entende o que é direito das minorias e que já sofreu na pele o preconceito e a perseguição é o PSC, o cristianismo foi a religião que mais sofreu até hoje na Terra”. Pouco depois, voltou ao Twitter para dizer: “Fui obrigado a dar Block’s em alguns arruaceiros. Turminha desbocada viu? Faça algo q contrarie os GLBTs e esteja pronto pra ser massacrado”.

O deputado talvez entenda de perseguição, mas parece não ter ideia do que seja privilégio. No mundo ideal, sua incitação ao ódio seria bem acomodada em outro grupo: a Comissão das Trevas e Valores Medievais.

Governo autoriza mais álcool na gasolina

 

Para desviar o foco do PIB, governo autoriza mais álcool na gasolina

A partir da 0h desta sexta-feira as bombas de combustíveis serão abastecidas com 25% de álcool anidro, por cada litro de gasolina

Deco Bancillon no Correio Braziliense

O governo publicou no Diário Oficial desta sexta-feira (1º/3), uma medida que tenta tirar o foco do baixo resultado que o Produto Interno Bruto (PIB) terá no noticiário econômico do dia. De acordo com portaria publicada, o governo autorizou a ampliação do percentual de álcool anidro na mistura da gasolina. A partir da 0h de hoje, as bombas de combustíveis serão abastecidas com 25% de álcool anidro, por cada litro de gasolina.

A medida foi assinada pelo ministro da Agricultura e Pecuária, Mendes Ribeiro. Especulava-se no mercado e no próprio governo que a elevação de 20% para 25% de álcool no derivado do petróleo somente seria aprovada pelo governo em abril, uma vez que ainda há pouco etanol disponível no mercado para dar conta desta maior demanda pelo álcool nas bombas. Entretanto, após publicar a medida nesta sexta-feira, o governo avalia que conseguirá desviar o foco das possíveis críticas que receberá caso o resultado do PIB venha de fato abaixo de 1%, como preveem os analistas no mercado financeiro e até mesmo técnicos da equipe econômica.