Arquivo mensais:março 2013

A Igreja Católica à espera da “fumata bianca”

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Acossados pela imprensa, os hierarcas da igreja proferem frases pomposas. Será um papa norte-americano, africano, latino-americano, asiático ou europeu? “Ah…Deus entende todos os idiomas”, disse com sabedoria teológica Carlos Amigo Vallejo, arcebispo de Sevilha. A cultura do segredo que sempre caracterizou o Vaticano – só rompida com a divulgação dos documentos secretos do papa – incrementa os rumores e as especulações. O artigo é de Eduardo Febbro, direto da Cidade do Vaticano.

Eduardo Febbro, da Cidade do Vaticano, na Carta Maior

Cidade do Vaticano - Roma amanhece com os olhos postos na perspectiva da “fumata bianca”, a fumaça produzida com produtos especiais que anunciará à cidade e ao mundo os resultados do voto destinado a indicar quem substituirá o renunciante Bento XVI. A chaminé de cobre por onde sairá a fumaça dos papeis queimados com os votos dos cardeais pode ser visto da Praça São Pedro e a partir desta terça-feira dali sairá a primeira emissão de fumaça cuja cor traduz a decisão dos cardeais reunidos na Capela Sistina: preta se o papa não for eleito após as primeiras votações, branca se o próximo papa já tiver a identidade conhecida.

Por enquanto, as apostas estão abertas segundo preferências e rumores totalmente opostos. Alguns apontam para um papa do terceiro mundo. Outros, em troca, para a indicação de um italiano. Desde o sábado passado, os 115 cardeais eleitores e outros com idade superior a 80 anos, que não farão parte do conclave, vem tentando definir o perfil do futuro pontífice. Trata-se de uma espécie de homem milagroso que, por um lado, deve restabelecer a legitimidade de uma igreja atingida pelos escândalos financeiros e sexuais e intrincados complôs internos; por outro, deve ser capaz de responder a um desafio de ordem infinitamente superior: um papa que responda ao declínio do catolicismo no Ocidente, que alente a fé nas regiões do mundo onde cresce.

A essa já complexa questão de geopolítica se soma uma lista decisiva de assuntos pendentes que vão desde a posição da igreja ante às questões sociais, sua postura diante dos avanços da ciência, a bioética por exemplo, até as respostas às demandas de um mundo desarmado pelo lobo global do liberalismo.

Acossados pela imprensa, os hierarcas da igreja proferem frases de grande altura. Será um papa norte-americano, africano, latino-americano, asiático ou europeu? “Ah…Deus entende todos os idiomas”, disse com sabedoria teológica Carlos Amigo Vallejo, arcebispo emérito de Sevilha. A cultura do segredo que sempre caracterizou o Vaticano – só rompida com a divulgação dos documentos secretos do papa, os vatileaks – incrementa os rumores e as especulações. Há quem diga que tudo já está preparado, que o papa será do terceiro mundo. Outros, em troca, argumentam com igual convicção a versão contrária: o futuro papa será um italiano respaldado por um secretário de Estado do terceiro mundo.

Neste posto-chave os vaticanistas escrevem o nome do cardeal argentino Leonardo Sandri, que acumula várias funções importantes na estratégia atual da igreja. Em 2007, Bento XVI o nomeou prefeito da Congregação para as igrejas orientais. Também é membro do Conselho Pontifical para a promoção da unidade dos cristãos. No mesmo ano, passou a integral o Conselho pontifical para o diálogo inter-religioso. No ano seguinte, Sandri ingressou na Congregação para a evangelização dos povos.

Deste conjunto de nomes e rumores emergem duas figuras em torno das quais há absoluto consenso. Cabe dizer que esse consenso é, na verdade, outra especulação respaldada por várias vozes: trata-se do cardeal italiano Angelo Scola, arcebispo de Milão, e do brasileiro Pedro Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo. O primeiro teria o apoio da ala reformista, enquanto o segundo seria respaldado pelos conservadores.

Da galeria de nomes possíveis situados atrás destes dois favoritos desapareceram os africanos, mas restaram muitos nomes como alternativas: Marc Ouellet (Canadá), Sean O’Malley (Estados Unidos), Peter Erdo (Hungria), Christoph Schönborn (Áustria), Luis Antonio Tagle (Filipinas) e o próprio Sandri, cujo perfil faz dele um “papável” em caso de desacordo. Os mistérios do Conclave são espessos e todos lembram a inesperada eleição de João Paulo I, em 1978, e sua célebre frase: “Que Deus os perdoe pelo que fizeram”. João Paulo I morreu apenas um mês depois de ter sido eleito papa. O Conclave seguinte escolheu um não favorito: Karol Wojtyla, que ganhou após oito sessões de votação.

Desta vez, porém, são tantas as coisas que Deus tem que perdoar aos homens que integram a igreja, que as polêmicas e os pactos exóticos na hora do voto parecem excluídos. Uma eleição rápida e contundente é uma pela da restauração da igreja. Federico Lombardi, porta-voz do Vaticano, falou sem rodeios de uma eleição cujo resultado deveria refletir uma “maioria esmagadora”. Será preciso muito mais do que isso para tapar o enorme túnel escuro deixado pela revelação das calamidades internas da cúria e do Vaticano. A “fumata bianca” é apenas uma luz passageira em um bosque repleto de olhos que espreitam entre os galhos.

Tradução: Marco Aurélio Weissheimer

 

Homofobia: surge caminho para afastar pastor Feliciano

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Após multiplicação de protestos contra presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, parlamentares reúnem-se hoje para pedir anulação da escolha

Por Mário Coelho, no Congresso em Foco

Deputados ligados a direitos humanos na Câmara planejam o contra-ataque contra a eleição do deputado Pastor Marco Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDH). A intenção do grupo, formado basicamente por parlamentares do PT, PCdoB e PSB, é contestar tecnicamente as sessões que resultaram na escolha de Feliciano para comandar o colegiado.

Formalmente, foi convocada uma reunião para hoje (12), às 11h, para discutir a criação de uma frente parlamentar de direitos humanos na Câmara. No entanto, a pauta de discussões será praticamente monotemática. O grupo vai debater formas de anular a escolha de Feliciano para presidir a comissão. Desde a semana passada a CDH tem gerado noticiário negativo para a Casa com a indicação e consequente eleição do deputado.

Os parlamentares pretendem contestar, em requerimento ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), a eleição de Feliciano por dois motivos. O primeiro é a quebra da proporcionalidade partidária. Originalmente, o PSC não teria assento na CDH além da presidência e da vice. No entanto, como PMDB, PP e PSDB cederam suas posições, o partido possui cinco integrantes titulares e três suplentes.

A outra questão é quanto à convocação feita por Henrique Alves na quarta-feira (6). Mais cedo, o então presidente da CDH, Domingos Dutra (PT-MA), havia suspendido a sessão por falta de acordo. O peemedebista, então, convocou reunião para o dia seguinte, às 9h. Fez isso da tribuna, sem um ato formal da Presidência. E também proibiu a presença de manifestantes. “Esta questão da proporcionalidade é muito grave”, ressaltou a ex-vice-presidenta da CDH, Erika Kokay (PT-DF).

No Twitter, em 2011, ele chamou negros de “descendentes amaldiçoados de Noé”. Contra homossexuais, chegou a dizer que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos levam (sic) ao ódio, ao crime, à rejeição. Amamos os homossexuais, mas abominamos suas práticas promíscuas”. Também chamou a Aids de “doença gay”. Ele rejeita a acusação de ser racista e homofóbico e diz a resistência ao seu nome é fruto de perseguição religiosa e de “cristofobia“.

Em discurso na Câmara, ele defendeu a limitação de divórcios a um por pessoa, pois, na avaliação dele, “uma família destruída hoje projeta sequelas por toda uma geração”. O deputado diz que a resistência ao seu nome é fruto de perseguição religiosa e de “cristofobia“. No sábado, surgiu uma nova denúncia: o jornal Correio Braziliense informou que ele usou o mandato parlamentar em benefício de suas empresas e das atividades de sua igreja.

Além disso, ele é réu por estelionato em uma ação penal e investigado em um inquérito por discriminação no Supremo Tribunal Federal (STF). Na sexta-feira (8), em Natal (RN), Henrique Alves afirmou que, se surgirem “fatos novos”, a Câmara poderia discutir a questão da CDH. “Mas, claro, sempre respeitando o direito de cada parlamentar e de cada partido”, afirmou.

 

Noam Chomsky: Quem é o dono do mundo?

(Foto de Andrew Rusk)

Para Noam Chomsky,  ”parte do sistema doutrinário nos Estados Unidos é formado pela pretensão de que todos somos uma família feliz, que não há divisões de classes, e que todos estamos trabalhando juntos em harmonia. Mas isso é radicalmente falso”

Por David Barsamian, tradução de Katarina Peixoto na Carta Maior

Uma vez que ultrapassamos o marco dos Estados nacionais como entidades unificadas sem divisões internas, podemos ver que há uma mudança do poder mundial, mas a direção dessa mudança é da força de trabalho para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras mundiais. A análise é do pensador norte-americano Noam Chomsky, que conversa nesta entrevista com David Barsamian, do ‘Alternative Radio’

David Barsamian – O novo imperialismo estadunidense parece ser substancialmente diferente da variedade mais antiga, uma vez que os Estados Unidos são uma potência econômica em declínio e, portanto, estão vendo minguar seu poder e influência política.

Noam Chomsky – Eu penso que deveríamos assumir certa reserva ao falar sobre o declínio estadunidense. Foi na Segunda Guerra Mundial que os Estados Unidos realmente se converteram em uma potência mundial. O país já era a maior economia do mundo muito tempo antes da guerra, mas era uma potência regional de certa forma. Controlava o Hemisfério Ocidental e havia feito algumas incursões no Pacífico. Mas os britânicos eram a potência mundial.

A Segunda Guerra Mundial mudou isso. Os Estados Unidos se converteram na potência mundial dominante. O país tinha a metade da riqueza do mundo. As outras sociedades industriais estavam debilitadas ou destruídas, enquanto os EUA estavam em uma posição de incrível segurança. Controlavam o hemisfério, tanto do lado do Atlântico como do Pacífico, com uma enorme força militar.

Esse poder sofreu um declínio, sem dúvida. Europa e Japão se recuperaram e ocorreu um processo de descolonização. Por volta de 1970, os EUA acumulavam cerca de 25% da riqueza do mundo; aproximadamente como era esse quadro, digamos, nos anos 20. Seguia sendo a potência mundial avassaladora, mas não como havia sido em 1950. Desde 1970, essa condição está bastante estável, ainda que tenham ocorrido mudanças obviamente.

Na última década, pela primeira vez em 500 anos, desde as conquistas espanhola e portuguesa, a América Latina começou a enfrentar alguns de seus problemas. Iniciou um processo de integração. Os países estavam muito separados uns dos outros. Cada um tinha uma relação própria na direção do Ocidente, primeiro Europa e depois Estados Unidos. Essa integração é importante. Significa que não é tão fácil dominar os países um a um. As nações latino-americanas podem se unificar para se defender contra uma força exterior.

O outro acontecimento, que é mais importante e muito mais difícil, é que os países da América Latina estão começando individualmente a enfrentar seus enormes problemas internos. Com seus recursos, a América Latina deve ser um continente rico, particularmente a América do Sul.

A América Latina tem uma enorme quantidade de riqueza, mas está muito concentrada nas mãos de uma pequena elite, de perfil europeizado e branca em sua maioria, existindo ao lado de uma enorme pobreza e miséria. Há algumas tentativas de começar a fazer frente a esse quadro, o que é importante – outra forma de integração – e a América Latina está, de algum modo, se afastando do controle estadunidense.

DB – Fala-se muito da mudança de poder mundial: a Índia e a China vão se converter nas novas grandes potências, as potências mais ricas?

NC – De novo aqui, devemos guardar reserva. Por exemplo, muitos observadores comentam sobre a dívida estadunidense e o fato de que, grande parte dela, está nas mãos da China. Há alguns anos o Japão detinha a maior parte da dívida estadunidense, mas foi superado pela China. Além disso, todo o marco para a discussão sobre o declínio dos Estados Unidos é enganoso. Ele nos leva a falar sobre um mundo de estados concebidos como entidades unificadas e coerentes.

Na teoria das relações internacionais, há o que se chama de escola “realista”, que diz que vivemos em um mundo de estados anárquico e que os estados buscam seu “interesse nacional”. Isso é, em grande parte, uma mitologia. Há alguns interesses comuns como a sobrevivência. Mas, na maioria das vezes, as pessoas têm interesses muito diferentes no interior de uma nação. Os interesses do diretor executivo da General Eletric e do funcionário que limpa o chão de sua empresa não são os mesmos.

Parte do sistema doutrinário nos Estados Unidos é formado pela pretensão de que todos somos uma família feliz, que não há divisões de classes, e que todos estamos trabalhando juntos em harmonia. Mas isso é radicalmente falso.

No século XVIII, Adam Smith disse que as pessoas que dominam a sociedade fazem as políticas: os “mercadores e manufatureiros”. O poder hoje está nas mãos das instituições financeiras e das multinacionais. Estas instituições têm um interesse especial no desenvolvimento chinês. De modo que, digamos, o diretor executivo da Walmart, da Dell ou da Hewlett-Packard, sente-se perfeitamente contente de ter uma mão de obra muito barata na China trabalhando sob condições horríveis e com poucas restrições ambientais. Enquanto na China houver o que se chama de crescimento econômico tudo está bem.

Na verdade, há um pouco de mito neste tema do crescimento econômico do país. A China é, em grande medida, uma planta de montagem. É um exportador importante, ainda que o déficit comercial estadunidense com a China tenha aumentado, o déficit comercial com Japão, Taiwan e Coreia diminuiu. O motivo é o desenvolvimento de um sistema de produção regional.

Os países mais avançados da região – Japão, Cingapura, Coreia do Sul e Taiwan – enviam tecnologia avançada, partes e componentes para a China, que usa sua força de trabalho barata para montar produtos e enviá-los para fora do país. E as corporações estadunidenses fazem a mesma coisa. Enviam partes e componentes para a China, onde elas são montadas e exportadas. É isso o que se chama de “exportações chinesas”, mas são exportações regionais em muitos casos e, em outros, é realmente um caso no qual os Estados Unidos estão exportando para si mesmos.

Uma vez que ultrapassamos o marco dos Estados nacionais como entidades unificadas sem divisões internas, podemos ver que há uma mudança do poder mundial, mas a direção dessa mudança é da força de trabalho mundial para os donos do mundo: o capital transnacional, as instituições financeiras mundiais.

(*) Noam Chomsky é professor emérito de linguística e filosofia no Instituto Tecnológico de Massachusetts, em Cambridge (EUA). Seu último livro é “Power Systems: Conversations on Global Democratic Uprisings and the New Challenges to U.S. Empire. Conversations with David Barsamian”. 
Fonte: Futuro MX, via Rebelión

 

Traição e coerência: lições do avô ao neto

Por Saul Leblon no Blog das Frases

Imediatamente após o golpe 1964, os militares tentaram cooptar grandes nomes da política brasileira, cuja credibilidade pudesse mitigar a violência cometida contra a democracia.

Ao então governador de Pernambuco, Miguel Arraes, avô do atual ocupante do cargo, Eduardo Campos, foi dada a opção seca: aderir ou ser preso.

Cercado no Palácio das Princesas, o sertanejo Miguel Arraes honrou a fibra que lhe dera fama. ‘Não vou trair a vontade dos que me elegeram’, mandou dizer aos emissários do Exército. Foi preso imediatamente.

Sobral Pinto, famoso jurista da época, conseguiu-lhe um habeas corpus.

Em 1965, Arraes exilou-se na Argélia. Em 1967 foi condenado à revelia a 23 anos de prisão. Voltou ao país com a abertura, em 1979.

A coerência que o transformara em legenda, impulsionou a retomada da carreira política. Arraes elegeu-se governador mais duas vezes em Pernabuco, em 1986 e 2002.

Outro exemplo de retidão foi paraibano de Pombal, Celso Furtado. Decano dos economistas brasileiros, Furtado dirigia a Sudene, em Recife.

No dia do golpe, esvaziava gavetas quando sua sala foi invadida por um grupo de oficiais de alta patente. A exemplo de Arraes, foi chantageado pelos que buscavam aliados vistosos.

Sua resposta não foi menos enfática: ‘Sou um servidor da República, não me peçam para trair minha pátria’, disparou sobre seus interlocutores.

Cassado, Furtado exilou-se na França. O governador Eduardo Campos conhece essas histórias, conviveu com seus personagens.

O governador tem recebido emissários frequentes das mesmas forças e interesses que em 1964 acossaram seu avô e condenaram reservas morais da Nação, a exemplo de Furtado.

O governador deve em boa parte a sua carreira aos que souberam dizer não aos emissários da traição e do golpismo. A ver.

Pai dos BRICS aposta que Brasil cresce 5% por ano

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Economista Jim O´Neill, responsável por notar, há mais de dez anos, o potencial de Brasil, Rússia, Índia e China, diz que o Brasil é o seu preferido do grupo e que esses países serão o motor do crescimento global nesta década; ou seja: o otimismo em relação ao Brasil é maior lá fora do que aqui, onde analistas e a imprensa atacam um “crescimento pífio” da economia, enquanto indicadores apontam a retomada da atividade econômica

Por Brasil 247 

Tudo indica, a partir de uma entrevista do economista Jim O´Neill ao jornal americano Wall Street Journal, que o otimismo em relação ao crescimento do Brasil é maior lá fora do que aqui. Responsável por perceber o potencial dos países Brasil, Rússia, Índia e China e por dar a eles o apelido de “BRICs”, O´Neill aposta que o Brasil crescerá 5% nesta década. “Estou supondo que o Brasil vai crescer 5% e a Rússia, 4%”, avalia.

Na conversa publicada nesta segunda-feira pelo Valor Econômico, o presidente do conselho da Goldman Sachs Asset Management diz ainda que os países do BRIC serão, cada vez mais, “o verdadeiro motor do PIB global”. Ele prevê que, em 2015, o PIB agregado do grupo “provavelmente” será maior que o dos Estados Unidos e que o PIB mundial entre 2011 e 2020 será maior do que em cada uma das três últimas décadas “graças aos BRIC”.

Em relação à zona do euro, o famoso economista afirma desconfiar que “a Europa vai voltar a ser maçante”, o que realmente é, no fundo, a região, diz ele. “O potencial de crescimento da Europa é de cerca de 1,5% a 2% nesta década. Sim, a crise na zona do euro é dramática, mas acabaremos por resolvê-la de uma forma ou de outra. A grande pergunta é: Quando? Essa é a pergunta de um trilhão de euros”.

Do grupo, em sua avaliação, a Índia é a que possui o maior potencial de crescimento nesta década, “sem dúvida”, e a Rússia está para trás. Apesar de dizer que não quer ser conhecido pelo “Sr. Sigla”, o economista revela sua mais nova criação: o MIST (“neblina”, em inglês), que engloba México, Indonésia, Coréia do Sul e Turquia. Segundo ele, esses países devem ser vistos distintamente de outros países emergentes. São “gente grande” e se sairão muito bem nesta década, mas não tanto quanto os BRIC, segundo ele.

Questionado sobre qual país do grupo mais gosta de visitar, Jim O´Neill respondeu: “O Brasil, sem dúvida. Porque eles gostam de futebol e eu também. Em 2012, não fui à Índia, mas fui ao Brasil, à Rússia e à China. Eu costumava ir à China com mais frequência”.

Enquanto isso, no Brasil, o cenário é de pessimismo

O crescimento de 0,9% em 2012 deu o que falar por parte de economistas, imprensa e principalmente partidos da oposição ao governo. O número foi definido como “crescimento pífio” e “pibinho”, enquanto medidas tomadas pelo governo a fim de estimular o consumo, o crescimento da economia e a queda da inflação também sofrem ataques. Ao falar sobre os dados do IBGE, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendeu que 2012 “foi um ano de melhorias nas condições de vida dos brasileiros”.

Ainda segundo Mantega, ações do governo federal como redução de tarifas (da energia elétrica, por exemplo) e desoneração de impostos (como está por vir a da cesta básica) são estruturadas e vão começar a surtir efeito em pouco tempo. Indicadores apontam que haverá uma retomada da atividade econômica e que o pior momento ficou para trás. Há um mês, a OCDE divulgou dados que indicam que a economia brasileira estaria dando sinais claros de que voltará a crescer nos próximos meses.

Pelo Brasil, um desejo comum: “Fora, Feliciano”

Em todo o país, protestos marcaram o sábado. Grupos evangélicos também pediram renúncia do deputado

Por Igor Carvalho na Revista Fórum

Durante o sábado, dez capitais brasileiras, além de outras cinco cidades, tiveram suas ruas ocupadas por protestos contra o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Manifestações foram feitas até mesmo fora do Brasil.

Em São Paulo, a maior movimentação. Milhares de ativistas foram da Consolação até a Praça Roosevelt caminhando. A organização do evento e a Polícia Militar divergiram sobre a quantidade de pessoas, os primeiros dizem que o total pode ter chegado a 20 mil. Para a PM, o número não passou de 1.200.

Houveram protestos fora do país, como em Londres (Foto: Divulgação)

Na Cinelândia, no Rio de Janeiro, mais de 500 pessoas caminharam até a Avenida Rio Branco. Os ativistas cantaram “Apesar de você”, de Chico Buarque. Outros 200 militantes se reuniram na praça do Papa em Vitória, no Espírito Santo, e seguiram até a Assembleia Legislativa.

Em Curitiba, o ato de repúdio reuniu cem pessoas, que percorreram a Rua XV de Novembro, na região central. Em Brasília, com forte adesão das religiões de matrizes africanas, o protesto partiu da rodoviária do Plano Piloto e os manifestantes chegaram a fechar a Eixo Monumental. No mesmo local, houve protestos contra Renan Calheiros, presidente do Senado.

Porto Alegre, Uberlândia, Belo Horizonte e Fortaleza também foram palco de protestos contra o pastor Feliciano. Fora do país, em Londres e Buenos Aires, também houve manifestações. Em Salvador, haverá protesto nesse domingo (10).

Evangélicos também protestam contra Feliciano

Ao menos dois abaixo-assinados correm na internet contra o pastor Marco Feliciano. Um deles já reuniu mais de 100 mil assinaturas. O outro é organizado por evangélicos. A Rede Fale, que representa mais de 39 grupos religiosos, lançou uma lista pedindo que seus seguidores assinem o documento em repúdio à eleição de Feliciano para a CDHM.

Uma das organizadoras do ato no Rio de Janeiro era a evangélica Beatriz Pimentel, que anunciava aos manifestantes: “Sou cristã e Feliciano não representa boa parte dos evangélicos.”

Eleição

O deputado do PSC foi eleito com onze votos na Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Contra si, um discurso que movimentos sociais consideram “racista”e “homofóbico”, além de dois processos no Superior Tribunal Federal (STF): uma acusação de homofobia e uma ação penal por estelionato. A última acusação parte de uma organização gaúcha, que o acusa de ter recebido R$ 13 mil para celebrar cultos nos quais não apareceu.