Arquivo mensais:fevereiro 2013

Poder do PMDB vai dar mais trabalho a Dilma

No Blog do Ricardo Kotscho

asdasdsada

Uma coisa é certa e o governo pode se preparar: com seu poder inflado, ao assumir o controle do Congresso Nacional, o PMDB vai dar mais trabalho à presidente Dilma Rousseff.

O problema não são nem os novos presidentes eleitos para o Senado e a Câmara, mas os eleitores deles, quer dizer, a maioria dos parlamentares que garantiu as vitórias de Renan Calheiros e Henrique Alves, como todo mundo já esperava desde o ano passado.

Com certeza eles vão cobrar a independência do Legislativo e outras benfeitorias para os parlamentares que os dois prometeram durante a campanha para se eleger. Se os novos presidentes cumprirem suas promessas, não vai ser fácil a vida dos articuladores políticos do governo Dilma. Dona Ideli que se prepare.

Henrique Alves, o novo presidente da Câmara, mais conhecido por “Henriquinho”, já deu o primeiro sinal de encrenca à vista: prometeu criar, ainda antes do Carnaval, uma comissão para discutir e votar a proposta de orçamento impositivo para as emendas parlamentares.

É tudo o que eles querem. No atual orçamento da União, as emendas dos parlamentares são apenas autorizativas, ou seja, o governo pode ou não liberar as verbas no momento em que bem entender.

Se a proposta de Alves for aprovada, acaba a eterna negociação de todos os anos dos parlamentafres com o governo para a liberação das verbas das emendas toda vez que há uma votação importante na Câmara. A grana federal teria que ser automaticamente liberada para onde o parlamentar quiser mandar.

De outro lado, o governo federal perderia uma importante moeda de troca com os deputados para conseguir a aprovação dos seus projetos e medidas provisórias.

É exatamente aí que reside o poder dos parlamentares junto a suas bases locais, que se elegem e reelegem seguidamente graças a estas emendas, como é o caso do decano Henrique Alves, que já acumula uns dez mandatos.

Como ninguém é de ferro, duvido que o novo presidente da Câmara consiga instalar esta comissão do orçamento impositivo ainda antes do Carnaval. Mas, depois da Quarta-Feira de Cinzas, certamente viveremos fortes emoções nas relações entre Executivo e Legislativo, ainda mais com o notório Eduardo Cunha na liderança do PMDB.

Podem falar o que quiserem do PMDB, mas trata-se de um partido de profissionais. Enquanto a oposição mais uma vez se apequena votando nos candidatos oficiais, para garantir um carguinho na Mesa, e o governo cede para garantir a chamada governabilidade, o velho PMDB cresce e mostra suas garras para o embate decisivo de 2014.

Há vinte anos o PMDB não lança candidato próprio a presidente da República, nem precisa. Eles não querem o Palácio do Planalto. Só querem o poder.

Chuvas de verão

3a1_chuvas_de_verapso_23 a 1 entrevista Ministro da Integração Nacional a respeito dos transtornos causados pela chuva

Desmoronamentos, enchentes e alagamentos causados pelas chuvas de verão se repetem ano após ano em cidades brasileiras. O 3 a 1 desta semana discute as causas e as consequências das chuvas e o que é preciso ser feito para que as tragédias não mais se repitam.

O programa entrevista o Ministro da Integração NacionalFernando Bezerra, que responde a perguntas dos jornalistas Luiz Carlos Azedo eCarolina Gonçalves, repórter da Agência Brasil, e do engenheiro e professor da Universidade de BrasíliaDikran Berberian.

De acordo com o Ministro, o governo tem investido mais em prevenção de desastres naturais. Ele defende mudanças na legislação que flexibilizem as exigências para obras de emergência.

O 3 a 1 ouve a opinião da arquiteta e urbanista Raquel Rolnik, relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU para o Direito à Moradia Adequada. A arquiteta defende a necessidade de planejamento urbano e ocupação do solo. Para ela, o Estado tem a obrigação de ajudar os desabrigados, ou seja, fornecer moradia adequada, educação, transporte e oportunidades de emprego.

“Não há hipótese para o PT em 2014 que não Dilma”

Em entrevista exclusiva ao 247, o governador de Sergipe, Marcelo Déda, do PT, garante que não há dúvidas no partido em relação a quem se candidatará em 2014. “Na política brasileira, a relação entre sucessor e sucedido é marcada pela crise, mas, com Lula e Dilma, é diferente”. Ele também aposta que Eduardo Campos, do PSB, não se arriscará em 2014. “Ele faz parte do nosso projeto”. Déda aproveitou para mandar recados à oposição. “É muito preocupante quando, em vez de procurar a tribuna, um opositor procura o juiz”. Entrevista marca o início do Sergipe 247; confira

images-cms-image-000302848

Por Valter Lima, do Sergipe 247, e Leonardo Attuch

 Uma semana atrás, na pequena cidade de Indiaroba, em Sergipe, o governador Marcelo Déda, do Partido dos Trabalhadores, praticamente lançou a presidente Dilma Rousseff à reeleição num discurso pontuado com citações a Camões. Déda lembrou da figura do Velho do Restelo, que previa que as navegações portuguesas rumo às Índias não dariam certo, fazendo uma comparação com os que contestam a nova política para o setor energético. Hoje, ele é um dos integrantes do PT mais próximos ao ex-presidente Lula e também à presidente Dilma. E garante que não há dúvidas sobre a sucessão em 2014. “Do ponto de vista das condições objetivas, e também subjetivas, não dá outra hipótese para o PT que não Dilma”, disse ele. Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista exclusiva concedida ao 247, que, nesta quarta-feira, lança oficialmente o Sergipe 247, mais um braço da nossa rede:

247 – Há uma semana, o senhor participou de um evento que foi praticamente um lançamento da candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição em 2014. No PT, essa questão está resolvida ou ainda há a possibilidade de que o ex-presidente Lula volte?

Marcelo Déda - Do ponto de vista das condições objetivas, e também subjetivas, não dá outra hipótese para o PT que não Dilma. Só que há algo que deixa nossos opositores muitos confusos. A matriz da relação política no Brasil entre sucessor e sucedido é a crise.  Entre Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso houve crise. Um brigando publicamente com o outro, disputando o DNA do Plano Real. Nos governos e nas prefeituras é a mesma coisa. Mas Dilma e Lula são diferentes. A matriz da relação é a lealdade e nós, brasileiros, não estávamos acostumados com isso. Outro aspecto novo é a relação de permanente diálogo, o que deveria ser encarado com naturalidade, mas ainda surpreende muita gente. Essa relação, em vez de se transformar em foco de crise, virou um ativo político.

247 – Mas há quem enxergue uma tutela do ex-presidente Lula sobre a presidente Dilma e também em outros casos, como na prefeitura de São Paulo.

Déda - Seria uma prova de demência que um prefeito, um governador ou um presidente da República tendo nos quadros do seu partido uma liderança política, e popular, como o ex-presidente Lula, que tem um legado tão grande, deixasse de conversar por vaidade ou por medo de que isso fosse percebido como tutela. Em relação à presidenta Dilma, a cada dia que passa, mais eu me surpreendo com seus valores e com sua qualidade. Dialogar com um antecessor é um fenômeno que, por exemplo, a democracia reserva com muito carinho. Eles são uma reserva de experiência, sobretudo em momentos de crise. É um diálogo rico. Hoje, vivemos uma crise internacional, que tem como foco a Europa, e o ex-presidente Lula enfrentou algo semelhante em 2008 e 2009, que teve como foco os Estados Unidos. O diálogo entre os dois serve ao Brasil. Além disso, do ponto de vista político, Dilma é PT, Lula é PT e foi Lula quem lançou Dilma.

247 – Mas isso confunde os adversários, que não sabem se atacam ele ou ela.

Déda - É que o óbvio sempre confunde. No Brasil, a exceção é que era a regra. Por exemplo: Itamar ter eleito Fernando Henrique e Fernando Henrique ter tomado de seu governo o grande feito que foi o Plano Real. Dilma não contesta a herança de Lula. Ao contrário, ela valoriza essa herança e a aprofunda, construindo sua agenda própria de mudanças, com novas políticas, como na energia, nos juros e em vários outros campos. Dilma reafirma que o legado de Lula é parte de sua experiência governamental, mas tem inova não apenas com outras políticas públicas, mas também com seu estilo e com sua capacidade de ser leal ao PT, ao ex-presidente e à sua coligação, sem abrir mão da sua singularidade.

247 – É que lealdade, na política, não é algo comum.

Déda - Sim. Aliás, se você notar grande parte dos editoriais da mídia ao longo do ano passado, há um desapontamento com o não rompimento e com a reafirmação permanente dessa lealdade.

247 – Com Dilma e Lula trabalhando juntos, Eduardo Campos terá espaço para se lançar candidato pelo PSB?

Déda - O movimento que Eduardo Campos e o PSB têm feito é um movimento previsível em qualquer cena política. É como aquele sujeito que passou o ano inteiro na academia levantando ferro. Aí chega o verão. Ele não vai sair para a praia com uma camisa de manga comprida. Ele vai exibir os músculos para mostrar o resultado do seu esforço. O PSB cresceu e, em consequência disso, Eduardo se fortaleceu. É natural e legítimo que eles exibam os músculos e digam à presidenta Dilma, ao PT e aos aliados que querem ter mais influência. Eduardo tentar ser candidato é legítimo. O PSB lançou Ciro e isso não impediu que a aliança do PSB com o PT fosse uma das mais consolidadas no nosso bloco. Mas será que o momento do Eduardo é 2014? Não sei.

247 – E o PMDB? As vitórias de Renan Calheiros e Henrique Alves foram boas para o projeto Dilma ou o PT fortaleceu em excesso um aliado que tem a reputação de cobrar caro demais pelo apoio?

Déda - O peso do PMDB é menos decorrente das eleições dos últimos dias do que da singularidade da política brasileira, que reservou um papel de centro móvel para o PMDB. O que há de novo no peso que o PMDB exerce no equilíbrio político brasileiro? Nada. Desde o governo Itamar, eles têm um papel indispensável na construção da governabilidade desse nosso presidencialismo de coalizão, porque abriram mão da ambição de poder, entendida como desejo de eleger um presidente da República, que é inerente a qualquer partido político. É indispensável para qualquer presidente, seja ele Fernando Henrique, Lula ou Dilma que se sente para discutir com o PMDB a construção de uma maioria no Congresso.

247 – Mas não ficaram fortes demais?

Déda - Há problemas? Há. Eu, por exemplo, não sou simpático a uma situação em que um mesmo partido controle as duas casas no Congresso. O ideal seria a possibilidade de se permitir um funcionamento mais plural do Congresso e da própria base do governo. Mas essa é a realidade e qual seria a opção? Colocar o PMDB na ilegalidade? Fechar o Congresso?

247 – Na sua opinião, a indignação de alguns meios de comunicação com as escolhas de Renan e Henrique é sincera?

Déda - Eu diria que é uma indignação de alfaiate, cortada sob medida. Nunca vi essa indignação, por exemplo, quando Renan foi ministro da Justiça de Fernando Henrique. Quando fui parlamentar, vi situações similares. Não é necessário concordar com os estilos políticos do Renan e do Henrique, mas é preciso compreender que se consolidou uma maioria no Congresso e essa maioria produziu aquele resultado. A alternativa a isso é dramática. É caminhar num sentido de dispensar o Congresso Nacional. A democracia brasileira não é a mais perfeita do mundo, tem suas contradições, graves contradições, mas ela, com seu singular presidencialismo de coalizão, garantiu 25 anos de estabilidade, com institucionalidade plena e liberdade de imprensa. Com todos os defeitos que Câmara e Senado possam ter, essas duas casas foram o esteio da democracia. E isso não é pouco não.

247 – Há uma tentativa de desmoralizar o Congresso?

Déda - O que mais incomoda a oposição e parte da mídia no Brasil é que Lula recusou o destino e o figurino do caudilho. É isso que afasta o Brasil do chavismo, por maiores que sejam os avanços que Chávez promoveu na Venezuela. Lula é um líder singular no Brasil e no mundo. Um dos grandes insights de sindicalista, que Lula traz até hoje, de um homem destinado a transformar um país, é que ele não pode estar nem dois passos à frente do povo nem dois passos atrás dele. Tem que estar numa velocidade tal que sua ação influencie, mas não maniete e não paralise. Lula entendeu a necessidade de construir um partido e de consolidar uma organização partidária com democracia interna. Depois compreendeu, mais adiante, a necessidade de construir alianças. E entendeu que os limites do PT não eram suficientes para governar a nação brasileira. Um único elemento que tornaria sua volta possível, que a meu ver está distante, seria um fator de conjuntura. Uma mudança na realidade política tal que Dilma não tivesse condições objetivas de ser candidata. Mas Dilma, que já é a cara da gestão, tem demonstrado uma enorme capacidade política de conduzir o governo e de manter-se como a melhor candidata para o Lula, para o PT, para o PMDB, para o Gilberto Kassab e mesmo para o Eduardo Campos.

247 – Até para o Eduardo Campos?

Déda - Sim e digo isso com todas as letras. Eduardo terá mais futuro na política brasileira, quanto maior o sucesso desse projeto que Lula e Dilma têm liderado. Por isso que eu não vejo Eduardo construindo uma aliança com outras forças. O nordestino usa uma expressão que Luiz Gonzaga eternizou que é o matulão. Uma mala amarrada de cordão. Quando o nordestino migrava, ele tinha pouco a levar do ponto de vista material e tudo cabia no matulão – as roupas, o dinheirinho e os retratos dos parentes mais queridos. Deixar o matulão era inviabilizar a volta. Eduardo é parte do nosso projeto e é também nordestino como eu. E não vai deixar o matulão que construiu com Lula e Dilma. Mas isso é uma avaliação. Não é uma sentença. Ele é um homem corajoso e presidência, como dizia o velho Tancredo Neves, é destino.

247 – O governador Jaques Wagner, da Bahia, já disse que ele poderá ser o candidato da coalizão em 2018.

Déda - Eu compartilho dessa posição. E a forma que nós, do Partido dos Trabalhadores, temos que pensar em 2018 deve ser muito mais generosa do que simplesmente se manter no poder pelo maior espaço de tempo. Eduardo, certamente, é uma das hipóteses. O que não pode acontecer é o PT exigir fidelidade eterna do PSB nem o PSB pedir que o PT descarte, de imediato, uma alternativa própria em 2018. A construção do projeto se dá ao longo da caminhada.

247 – O PSDB ainda é, na sua visão, uma alternativa de poder para o Brasil?

Déda - O PSDB teve um papel histórico importante que foi a construção da estabilidade, com o Plano Real. Mas, depois disso, eles se colocaram num beco tão estreito, que não representam nem mais a burguesia industrial. Falam apenas com o mundo das finanças. Seria bom para o País que tivéssemos um PSDB que colaborasse mais com o debate público. Eles se perderam na agenda neoliberal. Tanto é que são capazes de combater a redução das tarifas de energia, que é um elemento essencial de redução do Custo Brasil.

247 – Como o senhor avalia o quadro atual de judicialização da política?

Déda - O que mais me preocupa no Brasil de hoje é ver um opositor deixar de procurar a tribuna e procurar um juiz. O grande mal da judicialização da política brasileira é que seus defensores fortalecem um pensamento atávico no Brasil: o de que a política e os políticos são dispensáveis. Ao conduzir todas as suas demandas para o Judiciário e para o Ministério Público, a oposição brasileira e grande parte da mídia promovem um movimento que ameaça a democracia.

247 – Golpismo?

Déda - Eu sou muito cauteloso em identificar nos movimentos da política brasileira uma vocação golpista. Agora, que me assusta a forma como políticos tentam, pela via da judicialização, reduzir a referência política do Partido dos Trabalhadores ou a imagem do presidente Lula, assusta. É um movimento que, ao fim e ao cabo, transformará nossa oposição em refém, cada vez mais, das suas próprias paranoias. Primeiro, a imprensa substituiu a oposição. Agora, o Judiciário e o Ministério Público cumprem esse papel. E esse não é um bom movimento.

Confira aqui os trechos em que o governador Marcelo Déda fala sobre a disputa política sergipana.

MST pede emergência para 90 mil famílias em extrema pobreza

assentamento-e1360069067142

Foto Joka Madruga/MST

CARTA DA DIREÇÃO NACIONAL DO MST À PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF

Arapongas/Paraná, 4 de fevereiro de 2013

Excelentíssima presidenta Dilma Rousseff,

A sua visita ao assentamento Dorcelina Folador, no município de Arapongas, na região de Londrina (PR), para a inauguração da agroindústria da Cooperativa de Comercialização e Reforma Agrária União Camponesa (Copran), é um reconhecimento da necessidade, importância e potencial da Reforma Agrária.

Os trabalhadores rurais estão fazendo muito pelo nosso país e podem fazer muito mais. Estamos muito longe do nosso potencial, que demanda uma ação forte, ampla e eficiente do Estado.

Em primeiro lugar, o governo precisa retomar a política de criação de assentamentos e fazer a Reforma Agrária. Muito pouco tem sido feito para democratizar a terra.

Em segundo lugar, os programas do governo para as famílias assentadas são conquistas importantes, no entanto, são muito burocráticos, não têm recursos suficientes tanto para cumprir seus fins como para a universalização.

Abaixo, apresentamos alguns pontos fundamentais para desenvolver o meio rural e combater a pobreza, fazendo a Reforma Agrária, agregando valor à produção dos assentados e gerando renda para melhorar a qualidade de vida do trabalhador rural.

1 – Um programa emergencial para assentar todas as famílias que vivem acampadas, em situação de extrema pobreza, com a desapropriação imediata de latifúndios em todo o país. Só o nosso movimento organiza 90 mil famílias acampadas.

2 – Garantir assistência técnica pública, programas de pesquisa e tecnologia para agropecuária. Precisamos de uma empresa estatal de máquinas para a agricultura camponesa.

3 – Política de crédito específica para as famílias assentadas, associada à produção agrícola diversificada e em bases agroecológicas e sem agrotóxicos e transgênicos, para promover uma agricultura sustentável. O Pronaf não atende as necessidades dos trabalhadores assentados.

4 – Desenvolver políticas públicas para a cooperação agrícola, como mutirões, formas tradicionais de organização comunitária, associações e cooperativas, para aumentar a escala da produção.

5 – Garantir a implementação de agroindústrias na forma cooperativa, sob controle dos agricultores e dos trabalhadores, para beneficiar os alimentos, agregar valor à produção e gerar renda, garantindo a oportunidades de trabalho para a juventude no meio rural.

6 – Universalizar as políticas públicas de compra da produção de alimentos, de qualidade e saudáveis para atender a demanda dos municípios próximos dos assentamentos e as compras governamentais, para escolas e hospitais, fortalecendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e os programas PNAE e PAA.

7 – Universalizar o acesso à educação escolar de qualidade em todos os níveis, da creche à universidade e ensino técnico, com a construção e manutenção de escolas públicas e gratuitas, para aumentar o nível educacional dos assentados. Promover mutirão para erradicar o analfabetismo da população adulta.

8 – Garantir a implementação do programa Minha Casa Minha Vida Rural, conforme sua determinação em abril de 2001 e até hoje não normatizada, para viabilizar a construção de moradias adequadas à cultura do meio rural.

9 – Assentar as famílias sem-terra nos perímetros irrigados na região Nordeste, que serão beneficiadas com terra e acesso a água. Garantir abastecimento permanente de água potável nas comunidades rurais.

10 – Fortalecer e universalizar o programa nacional para o desenvolvimento de técnicas de produção com base na agroecologia. Implementar um amplo programa de reflorestamento, para todas as áreas de Reforma Agrária, sob coordenação das mulheres, para recuperar as áreas degradadas e fontes de água destruídas pelo latifúndio.

DIREÇÃO NACIONAL DO MST

Renan é presidente do Senado. Mudou o que mesmo???

Por Walter Takemoto na Caros Amigos

renan-calheiros

Nas redes sociais tem uma campanha “de indignação” pela eleição do Renan Calheiros ao cargo de presidente do Senado, cargo que já ocupou antes por sinal. Ressaltam todos o “histórico” de acusações de corrupção e outros delitos cometidos pelo dito senador. Sem dúvida que em um país mais civilizado ele nem mesmo teria conseguido se candidatar, muito menos se eleger.

O que me deixa intrigado, para não dizer abestalhado, é o que me parece ser uma certa ingenuidade das pessoas ou então um certo adesismo sem crítica a qualquer campanha que surge nas redes sociais que pareça “moralizante” da política institucional.

E digo isso pelos seguintes “sintomas”:

- Renan Calheiros foi eleito em substituição ao Sarney, senador com graves acusações de corrupção e desmandos cometidos em suas “propriedades”, Maranhão e Amapá, que comanda com sua ‘famiglia’ utilizando métodos que fazem o falecido ACM parecer coroinha, e que eu me lembre ninguém fez campanha para impedir o coronel de dois estados ocupar a presidência do Senado por várias vezes;

- Sarney e Calheiros são dois políticos que dão apoio e fazem qualquer manobra ou ato pouco recomendável para garantir que os interesses do palácio do planalto (diga-se presidente Dilma e seus partidos da base) sejam atendidos, inclusive todos os dois foram eleitos com o apoio decisivo da presidente;

- Alguns dirão que o PSB e o PDT se rebelaram. É mesmo cara-pálida? Em primeiro lugar que a própria senadora Lidice da Mata declarou que a intenção dos senadores do PSB era ocupar uma das presidências das comissões do Senado, mas que a forma do PMDB conduzir as negociações inviabilizaram um acordo, ou seja, o problema não era ético mas de cargo;

- o senador Simon, que alguns dizem ser o representante da ética, é um senador de qual partido mesmo? PMDB cara-pálida! Pergunto: se o PMDB é composto por gente como Sarney, Renan, entre outros afundados na lama até o pescoço, o que é que ele faz nesse partido?

- E o PDT do Paulinho da Força Sindical? Que foi do João Henrique? Que apoia o PSDB em São Paulo? Que está com quem dá mais cargo? Esse é o representante da ética na política?

Interesses

A questão central, no meu entender, é que seja no Senado ou na Câmara, os senadores e deputados (a grande maioria para não dizer todos) vivem e fazem política a partir dos seus interesses e de seus grupos ou partidos, da manutenção de seus cargos e de seus feudos eleitorais, pouco se importando com os interesses e as lutas do povo.A questão da ética na política passa por derrubar o Renan? E quem vai ser o presidente? E a farra dos cargos com salários que ofendem qualquer trabalhador que vive da sua força de trabalho para sobreviver? E a festa com as emendas parlamentares, grande parte com cartas marcadas? E as ajudas de custo e outros benefícios que são pagos aos parlamentares e que jogam seus rendimentos nas alturas? E o compromisso desses parlamentares e seus partidos com as questões que são centrais para a grande maioria dos brasileiros, como a educação e a saúde pública, a reforma agrária, as políticas de inclusão e respeito aos direitos das mulheres como a descriminalização do aborto, ou dos homossexuais, de criminalização da homofobia, entre outros temas fundamentais quando falamos de direitos sociais e ética nas relações entre os indivíduos?

‘Democracia’

Esse sistema representativo, que dizem ser a democracia, interessa aos poderosos, à elite, aos próprios parlamentares que se transformam em casta e fazem da condição de “políticos” uma profissão, mas que não representa nada de democracia, de direitos e igualdade para a grande maioria da população.

É se iludir, e iludir o povo, dizer que tirar esse ou aquele parlamentar irá representar uma mudança política no Congresso. Mudança verdadeira, que possa representar uma outra concepção de democracia, justiça social e ética no fazer política, se dará no dia em que o povo tiver condições efetivas de determinar os rumos do país, de impor soberanamente sua vontade, de exercer diretamente o poder, sem intermediários, atravessadores e enganadores.

Enquanto isso, sai Sarney e entra Calheiros, sai Maia e entra Alves, a festa continua sendo deles, e nós nem mesmo somos chamados para figurantes dessa festa podre.

Brasil vai ampliar campanha de combate à violência e ao tráfico de mulheres

por Renata Giraldi na Agência Brasil

1282410990trafico

Brasília – O Brasil prepara o anúncio de ampliação de uma campanha internacional contra a violência e o tráfico de mulheres. A ideia é anunciar a iniciativa no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março. A proposta é que a ação interministerial seja firmada por meio de parcerias com autoridades de dez países na América do Norte, Europa, Ásia e no Oriente Médio. A escolha dos países foi definida a partir de denúncias que indicam maior incidência de casos.

A diretora do Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior, a diplomata Maria Luiza Ribeiro Lopes da Silva, disse à Agência Brasil que o objetivo é promover ações que vão além do combate ao tráfico e à violência contra as mulheres, como garantir apoio às necessidades das brasileiras que estão fora do país.

“Queremos expandir o nosso trabalho para todos os países em que há mulheres em situação de risco. Além do tráfico de pessoas, queremos garantir o apoio às mulheres e impedir que os casos de violência continuem”, ressaltou Luiza Lopes.

A diplomata disse que o trabalho da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 Internacional promoveu uma mudança de comportamento das vítimas de violência e tráfico no exterior. Segundo ela, com profissionalismo e paciência, as atendentes conquistam a confiança das mulheres que, em geral, sentem medo de denunciar.

“É um trabalho de formiguinha mesmo. É ouvir com paciência, tempo e muita dedicação para conquistar a confiança das pessoas que ligam para denunciar. Não é fácil contar o que ocorre. É um trabalho de conquista”, destacou Luiza Lopes. “O governo está firme e dedicado para mostrar que há alternativas para essas mulheres que se encontram em situação de risco.”

A diplomata ressaltou que devido ao trabalho da Central de Atendimento à Mulher foi possível desbaratar várias redes de tráfico de mulheres no exterior. Em 2012, o  serviço recebeu 80 ligações com denúncias. Do total, 26 telefonemas relataram violência física contra brasileiras no exterior – em 66% houve alerta sobre o risco de morte e em 19% sobre o de espancamento.

No dia 1º deste mês, a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Eleonora Menicucci, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, informaram que duas quadrilhas que traficavam brasileiras para serem exploradas sexualmente no exterior foram desbaratadas nos últimos sete meses em decorrência de duas operações da Polícia Federal.

No total, as operações levaram ao resgate de 40 vítimas do tráfico internacional de mulheres, entre brasileiras e estrangeiras, que eram exploradas sexualmente na Espanha. Nesse país, as brasileiras vítimas de violência devem ligar para o número 900 990 055, fazer a opção 1 e, em seguida, informar à atendente (em português) o número (61) 3799-0180.

Em Portugal, devem ligar para 800 800 550, também fazer a opção 1 e informar o número (61) 3799-0180. Na Itália, podem ligar para o 800 172 211, fazer a opção 1 e, depois, informar o número (61) 3799-0180.

O Ligue 180 Internacional foi criado em novembro de 2011. Para o Brasil, o serviço funciona desde 2005 e registra mais de 3 milhões de atendimentos em todo o território brasileiro, segundo a secretaria.

Edição: Graça Adjuto

Novas tecnologias levam turbinas eólicas para o alto mar

turbina-eólicaNa Carta Capital

Construir um moinho de vento no meio do oceano é uma tarefa complicada e exige tempo e dinheiro. A torre tem de estar bem ancorada no fundo do mar, para garantir sua estabilidade e suportar as variações extremas dos ventos e das ondas. Sendo assim, os projetos só se tornam viáveis em profundidades inferiores a 50 metros.

No entanto, uma nova geração de turbinas eólicas não apresenta essas dificuldades. Montadas sobre pontões ligados ao fundo do mar por longos cabos de aço, as turbinas eólicas flutuantes são a grande novidade no mundo da energia renovável. Os primeiros protótipos já estão sendo testados, porém, alguns problemas ainda persistem.

Foto: C. G. P. Grey/Flickr

Especialistas buscam soluções para instalar turbinas eólicas flutuantes, hoje limitadas apenas às águas rasas. Dois protótipos já estão em teste. Foto: C. G. P. Grey/Flickr

 

Desde 2009, o protótipo de turbina de energia eólica mais avançada do mundo se encontra no Mar do Norte, na costa da Noruega. A turbina gigante é chamada de Hywind e tem o formato de uma enorme garrafa flutuante. No topo da torre, sobressaem as pás que formam o rotor. O “corpo” da garrafa se aprofunda no mar e é preenchido com cimento pesado, o que dá a turbina a estabilidade para se manter na posição vertical, mesmo com o mau tempo.

Mas essa não é a única maneira de se produzir uma turbina eólica flutuante. Partindo do mesmo princípio que a Hywind, a alternativa é a ilha flutuante. O protótipo Wildfloat está em funcionamento desde 2011 no litoral português. Trata-se de uma turbina montada sobre uma grande base triangular, em que cada uma das três pontas têm pontões flutuantes independentes.

A companhia sueca Hexicon planeja desenvolver um pontão com meio quilômetro de comprimento, capaz de suportar 24 turbinas. Seria um completo parque gerador de energia eólica flutuante.

Ancoradas com segurança

Para o sistema ter a estabilidade necessária, os pontões têm que ser amarrados a enormes blocos de concreto no fundo do oceano. As empresas envolvidas no desenvolvimento dos projetos acreditam que o sistema pode funcionam em águas com até 700 metros de profundidade.

Frank Sander, engenheiro da Universidade de Stuttgart, acredita que a nova tecnologia tem um grande potencial. “Diversos países têm regiões costeiras bastante íngremes”, disse o engenheiro à DW. “Turbinas eólicas flutuantes seriam a única chance de aproveitarem o vento do oceano.”

Outra vantagem dos parques flutuantes é o custo. As pás do rotor podem ser montadas em terra firme, antes da instalação da torre. Isso evita o caro trabalho de construção feito em alto mar.

Mas há também desvantagens. Como um navio, as turbinas flutuantes balançam com as ondas. A princípio a solução desse problema é simples: deixar o dispositivo mais pesado, menos suscetível as ondas. Mas isso exige uma quantidade muito grande de material, disse Sander. “Com o preço atual do aço, sairia muito caro.”

Engenheiros estão trabalhando em soluções para reduzir o custo extra de material. Uma das ideias é o sistema inteligente que bombeia água de um tanque para o outro, estabilizando a turbina. Outra estratégia é regular a tensão dos cabos para estabilizar a estrutura quando o mar estiver agitado.

Balanço constante

Não importa quantos truques os engenheiros usem, nunca será possível estabilizar as turbinas flutuantes ao ponto de ficarem completamente fixas. Elas vão sempre balançar.

“Na ondulação do mar, as instalações podem inclinar até 15 graus”, explica Andreas Heege, diretor da LMS Samtech, empresa com base em Barcelona que produz software para turbinas eólicas. Ele acrescenta que as hélices das turbinas eólicas no mercado não são feitas para funcionar nessas condições.

Expostas a movimentos constantes, as turbinas eólicas flutuantes têm um desgaste muito maior do que as instalações em terra firme. O balanço também interfere na geração de energia. Quando a bobina é atingida pelo vento e existe uma variação de intensidade no momento seguinte, ela balança para o lado oposto. “O resultado é uma geração irregular de energia que tem que ser equilibrada com o ajuste cuidadoso das hélices”, explica Heege.

Uma coisa é clara: simplesmente montar uma turbina eólica comum sobre um pontão no mar não vai dar certo. Os engenheiros precisão desenvolver novos rotores, adequados a essas condições.

As duas tecnologias estão sendo testadas, mas ainda é cedo para saber quem vai ganhar essa competição. Ambos os protótipos tiveram bons resultados, disse Frank Sandner. “Ainda não se tornou aparente qual conceito é superior.”

Em ambos os casos, a questão mais importante é a viabilidade comercial. Qual das duas turbinas pode produzir energia de maneira mais eficiente e confiável e com o menor custo. Os especialistas calculam que as estruturas terão que ser produzidas de maneira mais enxuta, utilizando menos material – o que, por outro lado, compromete a estabilidade.

Para Heege, a questão é justamente achar o ponto de equilíbrio. “A fim de criarmos algo economicamente viável, teremos que ir além do possível.”