Quem traiu quem?

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Para o PMDB, 80% dos petistas traíram o deputado Henrique Alves (PMDB-RN) ao apoiarem a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara na segunda-feira. Eleito no primeiro turno, porém, Alves, que defendeu com veemência, como candidato, a prerrogativa da Casa na cassação de mandatos, mudou o discurso dois dias depois ao afirmar que a chance de não cumprir uma decisão do Supremo é “zero”. Afinal, quem traiu quem?

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Por Brasil 247 

Apesar de fortes aliados, o PT e o PMDB têm agora um assunto mal resolvido na relação. Para os peemedebistas, 80% dos petistas traíram o deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) na eleição para presidente da Câmara ao votarem no candidato do PSB, Júlio Delgado (MG). Por outro lado, os petistas viram nesta quarta-feira 6 que provavelmente perderam um aliado na defesa de que a prerrogativa para a cassação de mandatos parlamentares pertence à Casa, após uma visita de Alves ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. O deputado afirmou que a chance de a Câmara não cumprir uma determinação do STF é “zero”.

O recém-eleito presidente da Câmara mudou seu discurso em praticamente dois dias. Enquanto candidato, defendeu o que o PT queria ouvir: que o julgamento do chamado “mensalão”, que condenou líderes do PT, terminaria na Casa. “Essa é a lógica da Câmara, não é? Vai ser finalizado aqui”, declarou, em seu discurso de posse. Sua fala chegou a ser interpretada até mesmo como uma afronta contra a corte suprema: “Os outros Poderes, com todo o respeito… mas o Poder que representa o povo brasileiro, na sua mais sincera legitimidade, queiram ou não queiram, é esta Casa aqui, é o Legislativo, é Parlamento brasileiro”.

Como que num passe de mágica, no entanto, Alves manifestou um tom completamente conciliador ao Judiciário depois da visita a Barbosa. “É imenso o respeito entre o Legislativo e o Judiciário e vice-versa… Então cada um sabe sua responsabilidade”, declarou. Quanto à possibilidade de não cumprir a determinação do tribunal, o que seguiria a linha de seu antecessor, o petista Marco Maia (RS), afirmou: “Não há a menor possibilidade, o risco mínimo de confronto entre o Legislativo e o Judiciário é zero. Zero. Quem pensar diferente, é a frase popular: tire o cavalinho da chuva”.

Já era previsto, no ambiente político, que Alves adotaria um discurso mais moderado do que o de Maia, procurando, no lugar de conflitos, apaziguar os ânimos. Mas a mudança no discurso mostrou que a intenção vai além disso. E essa pode ser, na verdade, apenas a primeira de uma série de traições do peemedebista. Afinal, se pedirem a Alves que escolha entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, o deputado provavelmente ficaria ao lado do tucano, de quem é amigo pessoal, da mesma forma que seu pai, Aluizio Alves, foi companheiro de Tancredo Neves.

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