Dilma resiste a pressão do PT e evita regular mídia

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Por João Domingos n’O Estado de S. Paulo

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Mesmo após pressão do PT, a presidente Dilma Rousseff pretende manter na gaveta o projeto que cria mecanismos de controle dos meios de comunicação. Segundo auxiliares, ela não se sensibilizou com a insistência do presidente do partido. Rui Falcão, e do ex-ministro Franklin Martins. Ex-ministro Franklin Martins, que tratou de tema sob Lula, reuniu-se com presidente; Planalto deixa proposta na gaveta Mesmo pressionada por setores do PT e pelo ex-ministro da Comunicação Social do governo Lu­la Franklin Martins, a presidente Dilma Rousseff pretende man­ter na gaveta a proposta que cria mecanismos para o controle dos meios de comunicação, informa­ram auxiliares do governo.

Segundo eles, Dilma não está sensibilizada com o esforço fei­to pelo presidente do PT, Rui Fal­cão, e por uma ala do partido co­mandada pelo ex-ministro José Dirceu, que insiste na regulação da mídia. Na quarta-feira, duran­te reunião com deputados do PT, em Brasília, Falcão atacou a mídia e acusou setores do Minis­tério Público Federal de atuação política, dizendo que eles fazem a “real oposição” ao governo. O PT promete insistir no tema da regulação ao longo do ano. As palavras do presidente do PT foram ditas um dia depois de a Procuradoria-Geral da Repúbli­ca confirmar que encaminhará à primeira instância as acusações do publicitário Marcos Valério contra o ex-presidente Lula. No depoimento ao procurador-geral Roberto Gurgel, em se­tembro, Valério chegou a dizer que o esquema do mensalão pa­gou despesas pessoais de Lula.

A decisão da presidente de não mexer no projeto de contro­le da mídia ocorre também um dia depois de receber a visita do ex-ministro Franklin Martins, autor da proposta, entregue du­rante o final do governo de Lula. Franklin não quis dar detalhes da conversa com a presidente. “O assunto de uma audiência é exclusivo da presidente Dilma, de quem sou amigo e com quem converso sempre, quase todos os meses”, disse ele ao Estado. Prioridades do PT. No final do ano, logo depois de ter sido con­denado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção e formação de quadrilha no pro­cesso do mensalão, José Dirceu disse que neste ano o PT tem três prioridades: regular os meios de comunicação, fazer a reforma política e provar que o mensalão foi uma farsa. Dirceu e Rui Falcão acusaram os meios de comunicação de terem “pressio­nado” o Supremo a condenar os réus do mensalão. O presidente do PPS, deputa­do Roberto Freire (SP), afirmou que Falcão age como “pau man­dado” de Dirceu quando ataca a imprensa. “Se não existisse a imprensa para dar a conhecer à so­ciedade as malfeitorias do gover­no lulopetista, eles (os petistas) já teriam implantado um regime antidemocrático no qual só vale­riam suas opiniões e ideias.”

O documento do 4º Congres­so do PT, realizado em 2011, “convoca o partido e a sociedade a lutar pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, en­frente questões como o controle de meios por monopólios, a pro­priedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificul­dade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do as­sunto, a importância de um se­tor público de comunicação e das rádios e TVs comunitárias”. Em 2004, Lula enviou ao Con­gresso projeto que criava o Con­selho Federal de Jornalismo (CFJ). O conselho teria poderes, segundo a proposta, para “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão e a ativida­de de jornalismo. Diante da re­percussão negativa, o governo re­tirou o projeto de pauta.

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