Arquivo mensais:janeiro 2013

Megaprojeto privado cria rota exportadora no norte

MEGAINVESTIMENTO ABRE NOVA ROTA PARA SOJA
Por Gerson Freitas Jr. no Valor Econômico

Empresas privadas lançaram um megaprojeto para criação de um novo corredor logístico, capaz de escoar até 20 milhões de toneladas de grãos do Mato Grosso pela Região Norte. O plano se tornou viável com o avanço das obras de pavimentação da BR-163 e vai exigir investimentos de R$ 3 bilhões na construção de estações de transbordo, armazéns, terminais portuários, empurradores e barcaças.

O plano abre uma nova rota para a exportação de soja e milho colhidos no Médio-Norte do Estado, nos municípios de Sinop, Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, cortados pela BR-163. Hoje, praticamente toda a safra na região é escoada a custos elevados pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), a mais de 2 mil quilômetros de distância.

Com a aproximação das obras de pavimentação da BR-163 de Itaituba (PA), empresas privadas começam a tirar do papel os planos para a criação de um novo sistema logístico, capaz de escoar até 20 milhões de toneladas de grãos de Mato Grosso pelos portos da Bacia Amazônica. Ao todo, os investimentos na construção de estações de transbordo, armazéns, terminais portuários, empurradores e embarcações devem consumir mais de R$ 3 bilhões até o fim da década.

O corredor abre uma nova rota para a exportação da soja e do milho colhidos no entorno dos municípios de Sinop, Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio do Verde, cortados pela BR-163. Hoje, mais de 70% da safra mato-grossense é escoada pelos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), a mais de 2 mil quilômetros da origem. Alguns caminhões vão ainda mais longe, até São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS).

Boa parte dos recursos privados deve ser investida no município paraense de Itaituba, especificamente no distrito de Miritituba, localizado à margem direita do Rio Tapajós e próximo ao entroncamento entre as rodovias BR-163 e BR-230, a cerca de 900 quilômetros desse cinturão agrícola. O objetivo é transformar o município em uma espécie de “hub”, capaz de receber a produção do Médio-Norte de Mato Grosso e distribuí-la em comboios de barcaças para os portos exportadores de Santarém (PA), Vila Rica (PA) e Santana (AP). A expectativa é que os primeiros carregamentos de Mato Grosso passem por esse corredor a partir da safra 2014/15.

Pelo menos oito empresas já adquiram terrenos em Miritituba para a construção de estações de transbordo à margem do Tapajós, um rio naturalmente navegável para barcaças. Destas, ao menos quatro – as tradings americanas Bunge e Cargill e as operadoras logísticas Hidrovias do Brasil e Cianport – possuem projetos em estágio final de licenciamento ambiental e com obras a iniciar ainda em 2013.

Segundo o vice-presidente da Associação dos Terminais Privados do Rio Tapajós (ATAP), Geraldo Affonso, as quatro companhias devem investir, ao todo, R$ 600 milhões apenas em Miritituba e outros R$ 1,4 bilhão na construção dos comboios de barcaças e em aumento de capacidade em seus terminais nos portos exportadores. “Os investimentos já conhecidos somam R$ 2 bilhões, mas o valor será muito maior”, afirma.

Composta por oito empresas, a ATAP foi criada em novembro do ano passado com o objetivo de representar os interesses das empresas com planos de investimento no novo sistema. Além das quatro empresas citadas, fazem parte da associação Brick Logística, Chibatão Navegações, Reicon e Unirios.

A Cargill, que há 10 anos opera um terminal graneleiro no Porto de Santarém (PA), é uma das maiores interessadas no projeto. Segundo o gerente de portos da companhia, Clythio Buggenhout, a múlti pretende investir cerca de R$ 200 milhões para receber a produção em Miritituba e transportá-la, pelo Tapajós, até o porto. Com isso, a empresa quer triplicar o volume de soja exportado por Santarém, das atuais 1,9 milhão de toneladas para 4 milhões por ano.

“Miritituba é um entreposto óbvio de interligação rodo-hidroviária, é um curinga. De lá podemos ir a qualquer porto grande da Região Norte. O projeto abre uma matriz de alternativas logísticas”, afirma Buggenhout. “Estamos falando de investimentos totais de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões nesse eixo”.

O executivo afirma ainda que o investimento vai mitigar o “impacto socioambiental” que a chegada de milhares de caminhões carregados com soja teria sobre Santarém após a conclusão da BR-163 – cada comboio de barcaças pode transportar até 30 mil toneladas de grãos, substituindo mais de 800 caminhões. Hoje, a soja exportada do terminal da Cargill em Santarém é transportada de caminhão até Porto Velho (RO), de onde segue por barcaça até Santarém.

Comboios de barcaças que vão operar nos rios da bacia amazônica para os portos de Vila do Conde e Santana podem transportar até 30 mil toneladas de grãos, substituindo mais de 800 caminhões

A Bunge não comenta seus investimentos na região, mas o Valor apurou que a companhia deve aportar cerca de R$ 500 milhões na construção de uma estação de transbordo em Miritituba e de um terminal portuário no porto de Vila do Conde, no município paraense de Barcarena. Segundo as fontes ouvidas pelo jornal, a empresa pretende construir uma capacidade para movimentar até 5 milhões de toneladas pelo novo corredor. Só o investimento em barcaças para operar o trecho deve demandar outros R$ 300 milhões.

A Hidrovias do Brasil, empresa controlada pelo fundo P2 Brasil – criado pelos grupos Pátria Investimentos e Promon – teria planos de investir um montante semelhante ao da Bunge em seu eixo, também ligando Miritituba a Vila do Conde.

O presidente da Hidrovias do Brasil, Bruno Serapião, não confirma os valores, mas afirma que o sistema operado pela companhia terá capacidade para movimentar 4,4 milhões de toneladas de grãos. “Pretendemos iniciar a construção dos dois terminais [Miritituba e Vila do Conde] ainda no primeiro semestre e entrar em operação na safra 2015/16″, afirma.

Segundo ele, a companhia deve escoar até 1,5 milhão de toneladas no primeiro ano de operação e atingir a capacidade total na temporada 2020/21. O executivo revela ainda que a companhia deve contratar a construção de pelo menos sete comboios de barcaças, com capacidade individual para transportar até 700 mil toneladas anuais.

Serapião afirma que a Hidrovias do Brasil vai construir e operar o sistema, mas não descarta a entrada de um sócio. “Há interesse de empresas no mercado em desenvolver parcerias e estamos estudando essa possibilidade”.

Para ele, a entrada em operação do novo eixo logístico deverá resultar em uma “queda significativa” nos custos de frete, mas ainda é cedo para fazer projeções. “Trata-se de um sistema novo e ainda precisamos saber qual será a base tributária desses investimentos, o que é determinante para o cálculo do preço final”.

Já a Cianport, uma joint venture entre as mato-grossenses Fiagril Participações e Agrosoja (ver matéria ao lado), prevê investir entre R$ 350 milhões e R$ 380 milhões na construção de estruturas de recebimento e embarque em Miritituba e no Porto de Santana, no Amapá. O objetivo é transportar até 3 milhões de toneladas pelo corredor. Na primeira fase, com implantação entre 2014 e 2018, a empresa deve movimentar 1,8 milhão de toneladas. A empresa captou um empréstimo de R$ 73 milhões do fundo da marinha mercante, operado pelo BNDES.

O secretário de Desenvolvimento do Pará, Sydney Rosa, diz que mais de 15 empresas podem se instalar em Miritituba nos próximos anos. “Precisamos garantir um processo ordenado, pois crescerão as demandas sociais na região”, afirma.

Entrevista com Jose ‘Pepe’ Mujica – 3/3

No Blog do Luis Nassif
Acompanhe a segunda e terceira entrevistas com o Presidente do Uruguai, José “Pepe” Mujica, realizadas em 2013 e 2012, em que fala tanto da América Latina, do Mercosul, da China, do consumismo contemporâneo, da ecologia, da prevalência do mercado, do conflito em Gaza, mas também do amor à vida, do temor da morte, da liberdade, dos estóicos, do amor, da solidão, da relação com sua esposa, a senadora Lucía Topolansky.
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Lula descarta disputa de 2014, dizem assessores


Assessores diretos de Lula afirmam que Dilma será candidata à reeleição

Por Fernando Gallo no O Estado de S. Paulo

Três auxiliares próximos do ex-presidente Lula garantiram ontem que ele não será candidato em 2014, mas apoiará a reeleição da presidente Dilma. Ele também descarta concorrer ao governo de São Paulo. Em reunião com ministros de Dilma, ex-ministros de seu governo e intelectuais na capital paulista, Lula disse que quer “ser ex-presidente sem se meter no exercício de quem exerce a Presidência”. A movimentação do político nas últimas semanas suscitou dúvidas sobre uma possível candidatura em 2014. Ele deu orientações ao prefeito Fernando Haddad, tem encontro marcado com Dilma e anunciou que vai percorrer o País

Auxiliares próximos de Luiz Inácio Lula da Silva afirmaram ontem publicamente que o ex-presidente não será candidato ao Planalto em 2014 e apoiará a reeleição de Dilma Rousseíf. Se­gundo eles, o líder petista tam­bém descarta concorrer ao go­verno paulista. Em encontro realizado com ministros de Dil­ma e ex-ministros de seu gover­no, além de intelectuais, Lula disse que quer “ser ex-presiden­te sem se meter no exercício de quem exerce a Presidência”.

Nas últimas semanas, o petista – que no ano passado recebeu o diagnóstico de cura do câncer que o acometeu – começou a se movi­mentar mais politicamente. Na se­mana passada, reuniu-se com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, e seu secretariado para dar orientações. Também combi­nou de se encontrar com Dilma.

A movimentação de Lula, alia­da ao anúncio feito pelo ex-presi­dente no final do ano passado de que voltaria a percorrer o Brasil em 2013, suscitou dúvidas no meio político quanto à sua dispo­sição de se manter distante da dis­puta eleitoral de 2014. A isso se soma a tese repetida por petistas, desde que Lula deixou o cargo, de que o ex-presidente voltaria caso a crise econômica atingisse o País e fizesse despencar a popularida­de de Dilma, sua afilhada política.

“Nossa candidata”. ”A nossa candidata em 2014 se chama Dil­ma Rousseíf. Essa é a nossa candi­data em 2014″, afirmou o presi­dente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, que participou da reu­nião promovida pela entidade em São Paulo. “Vamos trabalhar para a sua reeleição para que a gente continue fazendo esse governo extraordinário, que tem dificulda­de, mas pode fazer muita coisa ainda pelo Brasil”, completou.

Luiz Dulci, que chefiou a Secretaria-Geral da Presidência duran­te o governo Lula e hoje também pilota o Instituto, fez coro a Oka­motto. “Sou auxiliar, mas não sou porta-voz e muito menos porta-sentimentos, mas o presiden­te Lula já se manifestou claramen­te sobre isso dizendo que a candi­data dele é a presidente Dilma Rousseíf”, disse Dulci, responsá­vel por escrever discursos de Lu­la no primeiro mandato. “Claro que cada comentarista tem liber­dade pra supor o que quiser, mas a manifestação do presidente foi clara, de que a candidata dele é a presidente Dilma.”

Auxiliar há 32 anos do ex-presi­dente e ex-ministro dos Direitos Humano, Paulo Vanucchi – outro integrante do Instituto Lula – foi além. Segundo ele, Lula não quer ser candidato nem em 2018, quan­do Dilma não poderá se reeleger. “Ele não é candidato em 2014 está fora de questão. Não tem isso, esva­ziem essa pauta. Se os editores apertarem vocês, peçam para os editores saírem da redação e andarem um pouco mais. Não vou discutir nem 2014. Voufalar de 18. O Lula não quer ser presidente em 2018″.

Vanucchi afirmou que uma candidatura em 2018 seria possí­vel apenas em uma situação ex­trema. “A chance maior do Lula é não ser mais candidato a presidente da República, é trabalhar para não ser mais. Não digo que não será em hipótese alguma em 2018 porque se houver um acirra­mento das contradições, se hou­ver crise nacional e ele despon­tar como um polo de consenso para reaglutinar as forças do País, aí ele se dispõe”, afirmou.

Ele afirmou ainda que chegou a tentar conversar com o ex-pre­sidente sobre a possibilidade de ele ser candidato ao governo de São Paulo logo após uma entre­vista em que o marqueteiro petis­ta, João Santana, defendeu a te­se. Segundo Vanucchi, Lula re­chaçou de pronto a ideia. “Ele não quer, também não é candida­to a governador”, garantiu. “Ele proibiu qualquer de nós a tocar no assunto de novo. Eu calei a minha boca. Ele disse: “proíbo vo­cês, tá fora de cogitação, não tá nos meus planos”. Nem quis dar argumentos.”

Lula não deu entrevistas on­tem. Aos intelectuais, tratou de assuntos da América Latina. Na abertura, porém, falou sobre sua atual situação política. “É um de­safio extraordinário aprender a ser ex-presidente da República”, disse. “Eu tinha um pacto comi­go mesmo de que era preciso mostrar que era possível ser um ex-presidente sem se meter no exercício de quem estava exer­cendo a Presidência”, prosseguiu Lula. “Mesmo quando essa pessoa que está exercendo a Pre­sidência seja uma ex-ministra minha, uma companheira da mais extraordinária confiança”, concluiu, referindo-se a Dilma.

O ministro Celso Amorim, da Defesa, e o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Gar­cia, auxiliares de Lula que perma­neceram no governo de sua suces­sora, participaram do encontro.

ONGs em excesso na Amazônia podem causar desperdício de dinheiro

Por Thiago Foresti na Carta Capital

Há quase tantas ONGs na Amazônia quanto permite a biodiversidade da maior floresta do planeta. Segundo o ­IBGE, são 27,9 mil fundações privadas e associações sem fins lucrativos em atuação no bioma. Juntas, empregam por volta de 110 mil funcionários. Tanta gente empenhada em proteger a floresta, seus animais e habitantes leva a supor que os brasileiros e o restante dos habitantes da Terra podem dormir sossegados. Não é bem assim.

O charme de apoiar ações socioambientais na Amazônia levou centenas de organismos financeiros e fundos internacionais a despejar bilhões de dólares na região nas últimas décadas, mas boa parte desses recursos tem sido aplicada sem planejamento. As consequências? Desperdício de dinheiro em projetos de resultados duvidosos e informações perdidas no espaço.

Sozinhas, muitas instituições não conseguem dinheiro ou disseminar as informações e iniciativas. Foto: Vanderlei Almeida/AFP

Sozinhas, muitas instituições não conseguem dinheiro ou disseminar as informações e iniciativas. Foto: Vanderlei Almeida/AFP

A oferta de dólares (e euros) alimenta a proliferação de organizações. Há desde pequenas estruturas, mal-ajambradas e sem projetos consistentes, até as chamadas King ONGs, com capacidade de geração de caixa de fazer inveja a grandes empresas comerciais. De um lado ou de outro, são poucas, porém, aquelas que conseguem realmente disseminar suas ações e modificar o ambiente no qual atuam. “Podemos contar nos dedos quem produz informação qualificada e consegue difundir isso”, diz Marcia Soares, gestora de informação do Fundo Vale.

Para complicar, assuntos polêmicos dividem a opinião de quem trabalha com o tema ambiental na Amazônia. O principal deles é o REDD+, um mecanismo que pretende levar nações desenvolvidas a pagar pela manutenção da floresta em pé e que coloca, de um lado, ONGs que são contra a “mercantilização da natureza” e, do outro, as que acreditam numa “solução econômica” para a floresta.

“É um debate acalorado, com visões bem diferenciadas, mas serão as experiências concretas de REDD+ que vão fazer a discussão e as compreensões avançarem. O consenso num tema como esse nem é desejável”, diz Sergio Guimarães, coordenador da Articulación Regional da Amazonía (ARA), rede de 51 organizações formada pelos países sul-americanos alcançados pela floresta.

A ARA é um exemplo de rede formada para unir o trabalho de entidades. Criada com o apoio da Fundação Avina em 2007, a rede promove ações voltadas ao desenvolvimento sustentável e à conservação da floresta. Em 2011, lançou um relatório inédito sobre a Amazônia e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, um conjunto de oito metas traçadas pelas Nações Unidas. Guimarães acredita que só o trabalho em rede pode suprir o desafio ideológico e financeiro. “É fundamental se unir em redes, graças à dimensão do problema. Não existe organização ou instituição que, sozinha, possa fazer frente aos desafios amazônicos. Daí a necessidade de se trabalhar em conjunto.”

Outra rede mais antiga, de atuação exclusiva no Brasil, é o Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), formado em 1992. A organização conta com oito coletivos regionais nos nove estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal. São mais de 600 entidades representativas de agricultores, seringueiros, indígenas, quilombolas, pescadores, ribeirinhos e entidades ambientalistas. Com experiência de mais de 20 anos de trabalho na Amazônia, Rubens Gomes, presidente do GTA, diz que o bioma apresenta algumas peculiaridades que devem ser levadas em conta na hora de se analisar o cenário em que as ONGs estão inseridas.

 

Amazõnico. As distâncias e as múltiplas demandas humanas e ambientais dificultam o trabalho. Foto: Kevin Schafer/ Minden Pictures/ LatinStock

Amazõnico. As distâncias e as múltiplas demandas humanas e ambientais dificultam o trabalho. Foto: Kevin Schafer/ Minden Pictures/ LatinStock

 

“As distâncias são muito grandes. Não é como nos grandes centros onde você pega um carro e dirige até uma localidade. Tem lugar aqui que você só chega de barco. Avião é muito puxado, sai mais caro ir de um estado para outro na Amazônia do que pegar um avião de São Paulo à Europa. Isso sem falar nas telecomunicações, celular, telefone e internet, que são um luxo na maioria das comunidades onde atuamos.”

Se, por um lado, as organizações sem fins lucrativos têm dificuldade de se organizar em conjunto para minimizar os impactos ambientais na floresta, as organizações com fins lucrativos avançam cada vez mais sobre a floresta. Enquanto os financiamentos para ONGs estão na casa de dezenas de milhões, obras de infraestrutura superam facilmente centenas de bilhões. Só as 15 hidrelétricas previstas para a região têm um custo estimado de 190 bilhões de reais.

Por enquanto, a nova tendência de trabalho em rede ainda precisa de tempo para se consolidar. Sozinhas, muitas das ONGs têm dificuldades para conseguir financiamento e tocar projetos de grande porte. Prova disso é o problema crônico de liberação de verbas do Fundo Amazônia.

“Nosso gráfico aponta que existe grande concentração no centro, com pontas soltas e informação de difícil circulação”, diz Luiz Bouabci, coordenador do projeto Cartografia da Pan-Amazônia, estudo que mapeou o potencial de sinergia e colaboração no bioma. “Queríamos entender como essas organizações interagem e colaboram dentro desse ambiente e notamos que existe certa cooperação entre elas, mas é uma colaboração mais de interesse do que de confiança.”

O estudo aponta a existência de um excesso de gatekeepers, que na linguagem do estudo de redes são os pontos (pessoas) que conectam outros pontos, mas que controlam o fluxo de informação entre as partes. Ao mesmo tempo faltam hubs, que são os pontos de conexão múltiplos e que contribuem para um alto grau de confiabilidade da rede. “Uma rede altamente colaborativa é sempre repleta de hubs, eles são indispensáveis para a troca de informações”, diz Bouabci.

Atentos ao problema, fundos e financiadores têm procurado investir na consolidação de “redes de organizações”. Para Marcia Soares, do Fundo Vale, investir e participar de redes é uma nova tendência. “Não vamos deixar de financiar e apoiar organizações com trabalho de campo, mas, por outro lado, fortalecer essas redes é fundamental para potencializar e dar escala ao resultado. Senão, acabamos apoiando ações que ficam somente no nível ‘piloto’, ou que servem como experiências locais, sem que haja transferência de informação.”

Soares acredita que o principal produto das redes é a disseminação de conhecimento. “Quando a gente faz uma análise isolada de uma organização A, B ou C, ou de seus projetos, de certa forma não estamos olhando para o contexto. As redes são um ótimo canal de distribuição de boas experiências e disseminação de informação, elas ajudam a dar escala para aquilo que dá certo e criam um ambiente de confiança entre as organizações.”

OIT alerta sobre crescimento do desemprego no Brasil

Desemprego deve voltar a crescer no Brasil, alerta OIT
Jamil Chade, correspondente de O Estado de S.Paulo

desemprego

GENEBRA – Nos próximos dois anos, o Brasil terá mais 500 mil pessoas sem trabalho e a tendência de queda da taxa de desemprego dos últimos anos será invertida. O alerta é da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que publicou nesta segunda-feira, 21, novas estimativas sobre o desemprego no mundo e revelou que, depois de atingir os países ricos nos últimos anos, será a vez de os emergentes serem contaminados pela crise nos próximos cinco anos.

Para a entidade com sede em Genebra, os anos de blindagem dos mercados emergentes em relação à crise acabaram, pelo menos em relação aos empregos. A taxa de desemprego no Brasil foi de 6,3% no fim de 2012, segundo os dados da OIT. Subirá para 6,5% em 2013 e, em 2014, atingirá 6,6%, a maior desde 2009 e acima da média mundial. Ao final de 2012, o País somava 6,5 milhões de desempregados. Neste ano, chegará a 6,9 milhões. Já em 2014, vai superar a marca de 7 milhões de brasileiros.

Tanto em números absolutos quanto em porcentual, os dados de 2014 ainda são inferiores a 2007. Mas esses anos marcariam, segundo os dados, uma virada. Os números da OIT sobre o Brasil são acompanhados por uma avaliação detalhada da situação latino-americana. A constatação é clara: as economias da região já não crescerão de forma suficiente para absorver a mão de obra até 2017.

Segundo a entidade, enquanto os países ricos sofreram com a crise, países latino-americanos mantiveram a expansão das economias graças aos preços de commodities e políticas anticíclicas que tiveram sucesso.

Agora, a OIT alerta que a região vai “sofrer com a desaceleração do comércio global e a queda nos preços de commodities”. As projeções da entidade indicam que a região crescerá menos que a média mundial nos próximos cinco anos e isso terá um impacto no mercado de trabalho.

Depois de quatro anos de queda, a taxa de desemprego na América Latina vai voltar a subir nos próximos cinco anos, passando dos atuais 6,6% em 2012 para 6,7% em 2013 e chegando a 6,8% entre 2014 e 2017. Em uma década, a região terá mais 3 milhões de desempregados que em 2007, com 21,6 milhões no total.

A OIT aponta que a volatilidade de fluxos de capital para a América Latina afetou as economias da região já em 2012. A queda do desemprego que se via desde 2009, portanto, perdeu força.

Ao contrário dos primeiros anos da crise, quando o desemprego foi concentrado nos países ricos, a pressão começa a ser sentida nos mercados emergentes. Em 2012, 75% das demissões já ocorreram em países em desenvolvimento, principalmente na Ásia e América Latina. “Subestimamos o impacto da crise nos países emergentes”, declarou Guy Ryder, diretor da OIT.

Enquanto a taxa de desemprego cairá 8,7% em 2013 para 8% em 2017 nos países ricos, as economias emergentes terão uma elevação de suas taxas, principalmente no Sudeste Asiático, no Sul da Ásia e na América Latina. A taxa média do desemprego no mundo, que era de 5,4% em 2007, chegou a 5,9% em 2012 e irá a 6% em 2013. Esse nível não deve cair até pelo menos 2017.

Produtividade. Mas o aumento do desemprego não é o único desafio para o Brasil. Para a OIT, o maior obstáculo ao desenvolvimento e redução da pobreza hoje na América Latina é a baixa produtividade. Se as atuais taxas na região forem mantidas até 2017, o continente terá índice de produtividade inferior à média mundial. “O ponto fraco é a produtividade”, diz José Manuel Salazar, da OIT.

Em 2012, cada trabalhador da região produzia o equivalente a US$ 22 mil por ano, pouco acima da média internacional. No caso do Brasil, a produtividade é ainda mais baixa, de apenas US$ 20,9 mil por ano. Em 2013, deve subir para US$ 21,4 mil e, em 2014, chegará à média latino-americana, de US$ 22 mil. Mas a OIT insiste que, mesmo assim, a região vem perdendo terreno. Há cinco anos, foi superada pelo Leste Europeu e, em breve, será superada pela Ásia.

 

Kotscho: Por que Lula apoia Dilma e não será candidato

No Blog do Ricardo Kotscho

lula e dilma sp Por que Lula apoia Dilma e não será candidato

Na falta de um candidato competitivo da oposição até agora, setores da mídia resolveram lançar dois candidatos do PT, Dilma e Lula, em mais uma tentativa de jogar um contra o outro.

Estão perdendo seu tempo. Dilma é a candidata de Lula à reeleição desde a sua vitória em outubro de 2010, quando já começavam as especulações na imprensa sobre a sua possível volta em 2014.

Numa das últimas conversas que tivemos no Palácio da Alvorada, logo após a vitória de Dilma, o então presidente Lula apresentou dois bons argumentos para justificar sua decisão de não mais disputar eleições.

“Em primeiro lugar, quem me garante que seria eleito? Em segundo lugar, se eleito, quem me garante que teria condições de fazer um bom governo e sairia com a mesma aprovação popular de agora?”.

Podem chamar Lula de tudo, menos de burro. Nenhum outro presidente da República deixou o cargo com mais de 80% de aprovação depois de eleger para sucedê-lo sua ministra Dilma Rousseff, que nunca havia disputado uma eleição. Para que arriscar, se já havia passado para a História?

A alta aprovação popular de Dilma e de seu governo até agora é também uma vitória de Lula e nada indica que ele tenha mudado de posição após a nossa conversa no Alvorada.

Mil vezes ele já desmentiu a intenção de se candidatar, mas não adianta. Qualquer movimentação de Lula é apontada como tentativa de voltar em 2014.

Ainda nesta segunda-feira, este foi o tema mais tratado pelos jornalistas com os principais assessores do ex-presidente no Instituto Lula. Todos negaram que Lula tenha intenção de se candidatar na próxima eleição presidencial.

“Na disputa federal, Lula vai gastar toda sua energia para a manutenção da aliança entre PT, PMDB e PSB”, disse o ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos e diretor do Instituto Lula, Paulo Vanucchi. Segundo o ex-ministro, Lula também não pretende disputar a eleição de 2018 e não se opõe a apoiar uma candidatura de aliados do PT.

Na mesma linha, o diretor-presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também negou que Lula tenha qualquer plano de se candidatar novamente.

“A nossa candidata em 2014 chama-se Dilma Rousseff. Vamos trabalhar pela sua eleição, para que a gente continue neste governo extraordinário que, apesar das dificuldades, pode fazer muita coisa pelo Brasil.

O fato de Lula descartar qualquer candidatura, não quer dizer que ele tenha se aposentado da política.

Ao contrário, como um dos principais líderes políticos do país, Lula continua em plena atividade, como mostrou ainda hoje ao abrir o seminário sobre os rumos da América Latina promovido pelo seu instituto com a participação de membros do governo e autoridades convidadas de outros países da região.

Da mesma forma como não deixou de participar de debates e reuniões políticas aqui e no exterior, empenhando-se para valer na última campanha municipal, apesar do duro tratamento contra um câncer na laringe, Lula voltará a percorrer o país a partir de fevereiro para discutir com segmentos e grupos sociais as mudanças que ocorreram nos dez anos de governos petistas.

O que Lula quer é defender em contato direto com a população o legado do seu governo, duramente atacado pela mídia desde o julgamento do mensalão e com as revelações da Operação Porto Seguro.

Assim ele se prepara para ser, em 2014, o maior cabo eleitoral da candidatura de Dilma à reeleição. O resto é poesia ou má-fé.

Há 152 anos, nascia o brasileiro que inventou o rádio

Por Miguel Baia Bargas, no Blog Limpinho e Cheiroso

Aniversário de nascimento de Roberto Landell de Moura, um dos mais novos Heróis da Pátria, será na segunda-feira, dia 21.

Via Jornalistas&Cia

Radio_Landell_Moura01Na segunda-feira, dia 21, transcorre o 152º aniversário de nascimento de Roberto Landell de Moura, o padre-cientista brasileiro que inventou o rádio e foi um dos precursores da televisão e que, em 2012, após decreto sancionado pela presidente Dilma Rousseff, transformou-se no mais novo Herói da Pátria, com seu nome sendo incluído no Livro de Aço depositado no Panteão Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Landell de Moura fez as primeiras transmissões públicas da voz pelo ar, sem fio, no final do século 19, entre a Avenida Paulista e o alto do bairro de Santana, na capital de São Paulo, em evento documentado pela imprensa e presenciado por autoridades brasileiras e estrangeiras.

Nascido em Porto Alegre em 21 de janeiro de 1861, Landell ordenou-se padre, completando seus estudos de teologia, física e química na Itália. Seus experimentos no campo das transmissões de voz começaram nos tempos de adolescência e evoluíram com os estudos, as pesquisas e as diversas experiências que fez ao longo da vida. Contava com pouco mais de 30 anos de idade quando realizou as experiências na Avenida Paulista.

As proezas que conquistou na área da ciência, Landell não alcançou nos campos comercial e empresarial, embora tivesse se esforçado muito para viabilizar seus inventos, patenteados no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto por aqui colhia fracassos em todas as tentativas de viabilizar economicamente seus inventos, Guglielmo Marconi brilhava como cientista e empresário, a ponto de, inventor do telégrafo sem fio, ser também confundido como inventor do rádio, inclusive no Brasil, onde comprovadamente a experiência de Landell de Moura foi pioneira, como aponta a documentação existente no Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande Sul.

Há três anos, Landell vem tendo a sua memória resgatada, fruto do esforço do Movimento Landell de Moura, que propugna seu reconhecimento oficial pela História do Brasil e a inclusão de sua saga no currículo obrigatório do Ensino Fundamental. Entre as conquistas valiosas para a preservação e recuperação de sua memória estão a inclusão de seu nome no Livro dos Heróis da Pátria, projeto que teve as participações dos senadores Sérgio Zambiasi e Ana Amélia Lemos, antes da sanção da presidente Dilma Rousseff; a emissão de um selo dos Correios alusivo ao sesquicentenário de seu nascimento, em 21 de janeiro de 2011; a concessão do título de Cidadão Paulistano post mortem pela Câmara Municipal de São Paulo; e a inauguração de placa em um dos locais das experiências, o pátio do Colégio Santana, em homenagem a seu pioneirismo nas telecomunicações, doada pelo então vereador paulistano Eliseu Gabriel, também autor da proposição do título de cidadania. A parte disso, multiplicaram-se pelo País, particularmente no Sul, onde ele nasceu, eventos sobre sua história e seus feitos.

Um abaixo-assinado com milhares de assinaturas foi entregue no final de 2011 ao então ministro da Educação, Fernando Haddad, pleiteando que o Conselho Federal de Educação inclua a saga do padre-cientista no currículo obrigatório do Ensino Fundamental. O assunto continua pendente e agora os organizadores do movimento, com o apoio da senadora Ana Amélia, vão retomar o pleito junto ao atual ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Hamilton Almeida, Eduardo Ribeiro, Zeza Loureiro e Wilson Baroncelli

Movimento Landell de Moura