Arquivo mensais:janeiro 2013

Uma Carta de São Pedro

Roberto Pereira D´Araujo (*)

Caro povo do Brasil:

 Meu nome é Pedro. Vocês certamente me conhecem, pois fui um dos apóstolos de Jesus e o primeiro Papa. Dizem que sou santo, mas, eu mesmo não tinha certeza disso. Recentemente, meus colegas, alguns mais santos do que eu, andam dizendo que eu mereço o “posto” pela paciência infinita que tenho ao aturar as acusações das autoridades do setor elétrico brasileiro sobre falta de chuva. Aliás, nem sei por que recebi essa responsabilidade e não entendo essas rezas dirigidas para que eu faça chover ou parar de chover aqui e acolá. Não tenho esse controle fino que eles imaginam. A minha área de atuação é probabilística.

Vocês já são bem grandinhos para saber que esse seu pedaço de planeta fica numa área tropical, onde o clima é bastante imprevisível. Apesar dessas incertezas, vocês têm riquezas naturais que muitas outras áreas da Terra não dispõem. Se, com tudo o que tem ai, vocês não conseguem construir um sistema que gere a eletricidade que vocês precisam de forma confiável e barata, então devem estar fazendo tudo errado.

Aliás, andei conversando com um grupo de famosos cuja opinião vocês devem considerar. Os doutores Ampére, Hertz, Faraday, Maxwell, Edson e outros opinaram sobre o caso. Todos foram unânimes em dizer que ficaram preocupados como vocês complicaram e encareceram um sistema relativamente simples. Afinal, essa é uma tecnologia do início do seu século passado. Já Benjamim Franklin não entendeu possíveis risadas dirigidas aos raios que ele tanto estudou. Ele acha que o assunto é sério.

Mas, voltando ao tema dessa carta, parem de me culpar por possíveis racionamentos que vocês mesmo provocam! Afinal, um lugarzinho chamado Noruega tem a eletricidade produzida 100% por rios e, além de ser bem mais barata, não passa a penúria que vocês se impõem, de vez em quando. Eu nem precisaria me resguardar das acusações, mas, como sou santo, vou apresentar uns dados para que vocês se convençam da minha inocência.

As chuvas, que vocês candidamente acham que eu controlo, alimentam os rios e fornecem a energia natural para que as usinas produzam os kWh que vocês necessitam. Portanto, é bom cuidarem das matas ciliares e darem mais importância ao aquecimento global, porque essa energia será fortemente afetada. O que pode ocorrer é uma maior freqüência de secas e enchentes, péssima situação para seu sistema.

Em média, com suas usinas de 2012, eu geralmente entrego por volta de 500 TWh na soma das 4 regiões. Nada mal se comparado ao consumo de 513 TWh de vocês. Afinal, vocês têm outras fontes de energia.

Em 2012, ao contrário do que as autoridades do seu governo dizem, por motivos que não posso controlar, só entreguei 436 TWh, 13% abaixo da média. Pelas rezas que recebo, até parece uma grande desgraça, mas valores nesse entorno já ocorreram em mais de 10% dos anos que constam nos seus registros.

Se vocês estão arquivando os dados, podem verificar que, em 5% dos anos, a energia natural esteve 30% abaixo da média! Isso sim é que é problema! Portanto, não aceito reclamações sobre 2012! Se eu, mesmo sendo santo, não posso saber o que virá em 2013, não entendo como é que autoridades garantem que não haverá problemas. Se até consultores de confiança do seu governo afirmam que o risco de racionamento não é nulo, é bom tomar cuidado com as promessas.

Para os que ainda acham que sou o culpado, saibam que apenas 36% do histórico da energia dos rios ficaram abaixo da média, ou seja, 64% estão na média ou acima! A distribuição é assimétrica. E mais: de cada cinco anos, um tem água igual ou maior que 20% da media!  Quando isso ocorre, acho que nem posso dizer que fui eu, pois, pelo menos energeticamente, é uma dádiva de Deus. A pergunta que tenho é: Quem está se aproveitando dessas “dádivas”? Como é que vocês democratizam essa energia extra?

Mas, continuando minha defesa, como foram as minhas últimas “entregas” em relação à média? Antes dos 87% de 2012 que vocês tanto reclamam, vejam: 2011 (119%), 2010 (média), 2009 (117%), 2008 (97%), 2007 (104%), 2006 (94%), 2005 (108%), 2004 (108%). Ora, não venham me dizer que não conseguiram “guardar” alguma água que sobra de um ano para o outro, porque, daqui de cima estou vendo que os reservatórios não estão enchendo completamente. Portanto, algum espaço para guardar água ainda resta.

Eu nem deveria me intrometer para assessorar, mas, como sou santo, talvez vocês estejam sendo perdulários com a água estocada. A geração das hidráulicas (pouco mais de 70% das usinas), sempre muito alta, está muito estranha.

 

Ano

% de Geração Hidráulica

Ano

% de Geração Hidráulica

2002

91%

2008

87%

2003

92%

2009

90%

2004

92%

2010

89%

2005

92%

2011

92%

2006

92%

2012

86%

2007

93%

Quem gera a maior parte da energia são as hidráulicas? Claro! Elas são mais baratas, e parte dessa energia é a substituição das térmicas que ficam como seguro. Mas, como é feita essa “transferência”? Quem pode “comprar” energia na “safra”? Como a tarifa é tão alta se a quase totalidade dos kWh vem da água? Nem santo entende esse modelo!

Há alguns anjos que estão por aqui desde o início dos tempos. Eles me contaram que, durante a criação do mundo, alertaram ao criador que esse pedaço da Terra que iria se chamar Brasil “largaria” com uma enorme vantagem depois da descoberta do eletromagnetismo.

- Senhor, a abundância hídrica e a diversidade hidrológica irão trazer uma enorme vantagem a esse povo. É uma injustiça com as outras nações que surgirão.

Ao que o Criador, com um sorriso enigmático, retrucou:

- É….mas, vocês vão ver os modelos que eles vão adotar lá….

Queiram-me bem

Simão, mais conhecido como S. Pedro

(*) Engenheiro Eletricista, Diretor do ILUMINA (Instituto do Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico)

Brasil: 37º em ranking de qualidade de vida

Brasil está apenas na 37ª posição em ranking de qualidade de vida

Apesar dos avanços econômicos dos últimos anos, o país não consegue obter uma classificação melhor

Por Rosana Hessel no Correio Braziliense

Esgoto a céu aberto na Cidade Estrutural: metade dos brasileiros não tem saneamento (Adauto Cruz/CB/D.A Press. )Nos últimos anos, o Brasil ganhou o status de potência econômica mundial. Em 2012, com um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 2,42 trilhões, ocupou a posição de sétima maior economia do mundo, depois de ter figurado momentaneamente, no ano anterior, em sexto lugar, à frente do Reino Unido. O país tem avançado também em outros aspectos, como melhoria de renda das classes mais baixas. Tudo isso, no entanto, ainda não foi suficiente colocar o país na linha de frente das nações em que a população desfruta de boa qualidade de vida. Nesse campo, estamos muito atrasados e em situação pior da existente em países muito mais pobres ou que atravessam crises gravíssimas, como a Grécia.

Ao longo desta semana, em uma série de reportagens, o Correio mostrou a vida difícil dos brasileiros que vivem na periferia dos grandes centros ou em locais distantes do interior, abandonados pelo poder público. Nessas regiões, faltam serviços essenciais, como fornecimento de água, saneamento básico, hospitais, salas de aula, bancos, correios e até luz elétrica. Esse retrato dramático das carências nacionais, que ainda sujeita mais da metade dos brasileiros a viver sem coleta de esgotos, por exemplo, se reflete em estatísticas e estudos que procuram avaliar não apenas o PIB, mas a efetiva qualidade de vida da população.

Uma pesquisa da consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU), divulgada no fim do ano passado, é um exemplo de quanto ainda precisamos evoluir. No levantamento, apesar de ter uma das 10 maiores economias do planeta, o país não é um dos 10 melhores lugares do mundo para se nascer — ocupa a 37ª posição de um ranking liderado pela Suíça, com a Nigéria em 80º e último lugar. A Argentina ficou no 40° posto, mas à frente do Brasil estão Chile (23º), República Tcheca (28º), Costa Rica (30°), Polônia (33º) e Grécia (34º). O estudo leva em conta variáveis como renda, taxa de criminalidade, igualdade entre homens e mulheres, qualidade da vida familiar e comunitária, expectativa de vida, liberdade política e transparência e eficiência do governo.

“O Brasil ainda é muito desigual de origem e, tendo em vista que só há pouco começamos a combater a pobreza, isso nos deixa atrás desses países citados”, avaliou o professor de relações internacionais da Universidade Católica de Brasília Creomar de Souza. “Acredito que temos melhorado, mas a questão primordial é a baixa velocidade das mudanças”, completou. Esse ritmo lento é o que explica por que o país, apesar dos ganhos registrados nas últimas décadas, perdeu terreno no ranking dos que oferecem boa qualidade de vida. Em termos simplificados, outras nações se desenvolveram mais rápido.

Perdendo terreno
Em 1988, levantamento semelhante da EIU trazia o Brasil na 30º colocação e os Estados Unidos na liderança. A Grécia estava em 27º, a Argentina, em 21º, e o Chile nem aparecia na lista. O economista responsável pela pesquisa atual, Laza Kekic, não se sentiu à vontade para comparar os dois estudos. “As metodologias são diferentes, por isso eles não são comparáveis”, afirmou.

Especialistas ouvidos pelo Correio, no entanto, explicam que, para entender a perda de posição brasileira, basta olhar para duas referências fundamentais quando o assunto é nível de vida: o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), e o Índice de Percepção da Corrupção (CPI, na sigla em inglês), da Transparência Internacional (TI). Neles, o Brasil aparece na 84º e na 69ª colocações, respectivamente. “O avanço da renda do brasileiro não é suficiente para garantir a ele boa qualidade de vida”, disse Otto Nogami, professor de Economia do Insper. “Ainda há muito a ser melhorado em áreas como transporte urbano, saúde e educação.”

O IDH é elaborado com base em dados sobre o nível educacional da população, renda per capita e expectativa de vida ao nascer. O país avançou nesses três itens, mas não tanto quanto necessário. A expectativa de vida chegou a 73,4 anos, a renda per capita mais que dobrou entre 1988 e 2012, alcançando a US$ 12,02 mil, mas a educação ficou para trás. “O aumento da renda do brasileiro foi focado no consumo, e o salto de classe social não sofreu ganhos qualitativos. Priorizou-se a cultura do ter, e não se agregaram valores que só se obtêm com educação em um nível mais elevado. É com ela que conseguiremos dar um salto mais expressivo nesses outros rankings”, afirmou a psicóloga e diretora executiva do CPM Research, Oriana Monarca White.

Na década de 1970, a Coreia do Sul — que tem população um pouco maior do que do estado de São Paulo e dimensões semelhantes às de Santa Catarina — tinha um PIB inferior ao do Brasil. Mas priorizou a educação e iniciou uma arrancada que a levou a ostentar, hoje, a 15ª colocação do IDH. Dos 49,7 milhões de habitantes, 99% são alfabetizados e têm acesso ao que há de mais moderno em matéria de tecnologia. Em termos de qualidade do sistema educacional, o Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking de 40 países em outro estudo encomendado pela EIU. A Coreia do Sul foi a vice-líder, atrás da Finlândia.

Violência

Na avaliação de Oriana, a valorização do consumo pode ter ajudado a estimular a economia nos últimos anos, mas gerou animosidade entre os que têm menos ou poucos bens. Isso explicaria, em parte, o aumento da violência nos grandes centros urbanos e o uso de drogas, por exemplo. Ela cita também o aumento na percepção de corrupção na esfera pública, devido, especialmente, ao maior acesso à informação. No geral, países mais corruptos são os que têm piores indicadores sociais, já que recursos públicos que poderiam ser empregados em programas para beneficiar toda a população são desviados em nome de grupos que se aproveitam das fragilidades no controle das finanças do governo.

O diretor do escritório brasileiro da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão da Organização das Nações Unidas (ONU), Carlos Mussi, pondera que é difícil comparar os dois estudos da EIU, mas reconhece que a desigualdade ainda é evidente no Brasil, apesar de o país ser admirado pelos nossos vizinhos latino-americanos mais pobres. “A qualidade de vida para a maior parte da população melhorou em termos de emprego e renda, mas o desafio, em geral, é a qualidade dos serviços públicos e da infraestrutura do país. Eles não acompanharam o crescimento”, pontuou.

Nogami, do Insper, também ressalta as diferenças entre os dois estudos da EIU e lembra que a pesquisa, além de considerar fatores empíricos, a exemplo de indicadores econômicos, políticos e sociais, também leva em conta elementos subjetivos. “Não podemos interpretar tudo o que mostra o estudo, mas uma leitura superficial aponta o abismo social que ainda existe no Brasil e a necessidade de melhorar a infraestrutura, especialmente em relação à saúde pública e ao saneamento básico”, ressaltou. Para Creomar Souza, é preciso ainda “definir um modelo educacional consistente, que prepare as futuras gerações para os desafios de uma economia global cada vez mais complexa”. Além disso, pondera, “os serviços públicos precisam estar focados no atendimento ao público e não no conforto do servidor”.

>» Reformas
necessárias

Os especialistas observam que além de melhorar a educação e a infraestrutura, é preciso realizar as reformas estratégicas, como a tributária. “Uma empresa quebra aqui de tanto imposto que tem de pagar”, critica Oriana White, da CPM Research. Otto Nogami, do Insper, adverte que o país subiu no ranking econômico não apenas devido ao próprio crescimento, mas porque outras economias encolheram. “Quando a Europa sair da crise, o Brasil, se ficar parado, pode não se sustentar entre as 10 maiores economias”, comenta.

Ícone da arte negra no Brasil, cineasta Zózimo Bulbul morre aos 75 anos

Confira entrevista do cineasta Zózimo Bulbul, ícone da arte negra no Brasil

O ator e diretor carioca, lutava contra um câncer desde 2012 e morreu ontem, aos 75 anos, no Rio de Janeiro

Por Felipe Moraes e Yale Gontijo no Correio Braziliense

Zózimo Bulbul, em As filhas do vento: ícone da arte negra no Brasil  (Rio Filme/Divulgação)

Zózimo Bulbul, em As filhas do vento: ícone da arte negra no Brasil

Estandarte da cultura negra e ícone do cinema brasileiro, Zózimo Bulbul morreu ontem, aos 75 anos, no Rio de Janeiro. O ator e diretor carioca batalhava contra um câncer no intestino desde junho do ano passado. Ele faleceu em sua casa, no bairro do Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro, em decorrência de uma parada cardíaca. Em mais de 40 anos de carreira, Bulbul solidificou uma trajetória engajada com problemáticas raciais, denúncias sociais e obras que documentam a experiência dos negros no Brasil.

Bulbul foi o primeiro ator negro a protagonizar uma novela na tevê brasileira. Em Vidas em conflito, transmitida pela extinta TV Excelsior em 1969, fez par romântico com Leila Diniz. A partir dos anos 1960, o realizador de Abolição (1988, crônica sobre os 100 anos da assinatura da Lei Áurea), e do curta-metragem Alma no olho (1973, um registro da imigração do negro para as Américas e a escravidão) ocupou posição de destaque não apenas em produções cinematográficas. Como curador, presidiu o Centro Afro Carioca de Cinema e dirigiu as seis edições do Encontro de Cinema Negro Brasil, África & Caribe.

O carioca atuou em filmes de grandes diretores, como As filhas do vento (2004), de Joel Zito Araújo, O veneno da madrugada (2006), de Ruy Guerra, Ganga Zumba (1963), de Cacá Diegues, além da antologia 5x favela — Agora por nós mesmos (2010), produzida por Diegues. Uma de suas últimarecentes participações foi no documentário Go Brazil go!, em que foi entrevistado pelo diretor norte-americano Spike Lee, numa narrativa sobre questões raciais e o crescimento do país nos últimos anos. O filme deve ser lançado em 2014.

Em entrevista ao Correio, concedida em 2011 para reportagem sobre a Semana da Consciência Negra, Bulbul mostrou-se pessimista em relação às questões de raça no cinema. “Não mudou nada no cinema negro. Mudou para pior. Nos anos 1960, nós éramos muito mais respeitados, tinha um monte de preto atuando. Nós precisamos nos colocar, não vou ficar esperando uma outra princesa Isabel. Eu ligo a televisão e não tem preto no jornal, na televisão, só nas manchetes. O cinema é uma arte elitista, racista no modo de produção. Sempre foi.”

Veja entrevista com Zózimo Bulbul:

 

 

 

 

ONG denuncia monopólio da mídia no Brasil

na Carta Capital

Foto: Sirsnapsalot/Flickr

PARIS (AFP) – A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou nesta quinta-feira 24 o monopólio midiático no Brasil, que parece “pouco modificado, 30 anos após a ditadura militar (1964-1985)”.

A ONG definiu o Brasil como o “país dos 30 Bersluconi”, em referência ao magnata italiano da mídia e ex-primeiro ministro italiano.

Uma investigação da RSF, realizada em novembro e revelada nesta quinta-feira, mostra que fora uma dezena de grupos que dividem o monopólio da informação principalmente no eixo Rio-São Paulo, o País “conta com múltiplos meios de comunicação regionais, fragilizados pela extrema dependência em relação aos grandes centros de poder nos estados”.

“Uma tutela que afeta diretamente a independência” da imprensa, além de ser um “vetor de insegurança”, ressalta a organização. A ONG lembra que 11 jornalistas e blogueiros foram assassinados no Brasil em 2012, o que coloca o país na quinta posição entre as nações com mais registros de mortes na área. Dois outros foram forçados ao exílio por questões de segurança.

No ano passado, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) colocou o Brasil na lista dos países mais perigosos para o exercício da profissão na América Latina, onde 19 assassinatos de jornalistas foram denunciados, seis deles no Brasil.

Devido a este cenário, a organização considerou o Brasil como uma espécie de “país dos 30 Bersluconi”.

“O Brasil apresenta um nível de concentração de mídia que contrasta totalmente com o potencial de seu território e a extrema diversidade de sua sociedade civil”, explica a ONG de defesa da liberdade de imprensa.

“O colosso parece ter permanecido impávido no que diz respeito ao pluralismo, um quarto de século depois da volta da democracia”, assinala a RSF.

Segundo a ONG, um dos problemas endêmicos do setor da informação no Brasil é a figura do magnata da imprensa, que “está na origem da grande dependência da mídia em relação aos centros de poder”.

“Dez principais grupos econômicos, de origem familiar, continuam repartindo o mercado da comunicação de massas”, lamenta a RSF.

Sempre segundo a RSF, a este sistema se acrescenta a censura na internet e denúncias que levaram ao fechamento de blogs durante as eleições municipais de 2012.

Nesse sentido, citou o caso do diretor do Google Brasil, que ficou preso brevemente por não retirar do YouTube um vídeo que teoricamente atacava um candidato a prefeito.

A organização faz referência a Fábio José Silva Coelho, que foi preso pela Polícia Federal em setembro passado a pedido do candidato a prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal.

Para reequilibrar o cenário da mídia brasileira, a Repórteres Sem Fronteiras recomenda reformar a legislação sobre a propriedade de grandes grupos e seu financiamento com publicidade oficial, assim como a melhoria da atribuição de frequências audiovisuais para favorecer os meios de comunicação e um novo sistema de sanções que não inclua o fechamento de mídias ou páginas, entre outras medidas.

Leia mais em AFP Movel.

Tesouro arcará com R$8,5 bi para garantir corte na conta de luz

Por Eduardo Rodrigues no Estado de São Paulo

O Tesouro Nacional vai ter de arcar com uma despesa de R$ 8,5 bilhões apenas em 2013 pa­ra garantir a redução da conta de luz anunciada pela presidente Dilma Rousseff. Esse gasto será necessário porque três das mais importantes em­presas do setor elétrico – Cesp, Cemig e Copei – não aceitaram a proposta de reno­vação antecipada das concessões com redução no preço da energia produzida.

O governo contava com a ener­gia mais barata desses empreen­dimentos para baixar o custo da eletricidade em uma média de 20% para todos os consumido­res. Se essas três concessioná­rias tivessem aderido ao pacote, a União teria de aportar apenas R$ 3,3 bilhões à Conta de Desen­volvimento Energético (CDE) – encargo que incide sobre as con­tas e subsidia programas como o Luz para Todos.

Sem a adesão de todas as con­cessionárias, o governo teve de ampliar o número de encargos e subsídios que passarão a ser co­bertos pela CDE – cuja cobrança foi reduzida em 75% em setem­bro. Uma série de gastos para fomentar programas, que iam des­de iluminação pública à irriga­ção de lavouras, eram cobrados nas contas de luz. A partir de ago­ra, caberá ao Tesouro financiar esses programas. Apenas neste ano, o gasto adicional será de R$ 4,5 bilhões.

Itaipu. Para fazer frente a essas despesas, o Tesouro vai anteci­par receitas que receberia da usi­na de Itaipu, vender esses crédi­tos e aplicar os recursos na CDE. Todos os anos, a usina paga R$ 4 bilhões ao governo pela dívida contraída para sua construção.

Em 2014, o gasto do Tesouro com esses programas deve ser ainda maior, mas o valor não foi informado pelo Ministério de Minas e Energia, nem pelo Minis­tério da Fazenda. O presidente da Empresa de Pesquisa Energé­tica (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que a transferên­cia desse gasto da conta de luz para o Tesouro corrige uma dis­torção e devolve competitivida­de à indústria.

“O Brasil subsidiava esses pro­gramas sociais por meio da tari­fa, algo que não acontece em ou­tros países”, afirmou Tolmasquim:”São políticas relevantes, mas que não devem sair da tarifa e, sim, do Orçamento. Neste mo­mento, fazemos essa correção.”

O ministro de Minas e Ener­gia, Edison Lobão, afirmou que o sistema elétrico brasileiro é ro­busto, forte e regulado e, por is­so, foi possível reduzir o valor da energia. “É uma das mais importantes e arrojadas iniciativas do governo para impulsionar o cres­cimento, um fato histórico pelo ineditismo e amplo alcance.”

A energia faturada desde on­tem já está pelo menos 18% me­nor para consumidores residen­ciais e até 32% inferior para a indústria. A tarifa de energia dos paulistanos, que recebem ener­gia da AES Eletropaulo, por exemplo, cairá 18,25%.

Dilma faz discurso de candidata na TV

No Blog do Ricardo Kotscho

dilma Pedro Ladeira kotscho Dilma faz discurso de candidata na TV

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que Dilma vai lutar pela reeleição em 2014, o pronunciamento-discurso de quarta-feira à noite em rede nacional de rádio e televisão deixou claro que a presidente já está em campanha para ficar mais quatro anos no governo.

Com o gancho do anúncio da antecipação e ampliação do corte nas contas de luz, que já vale a partir de hoje, Dilma reforçou seu pronunciamento de 7 de setembro e aproveitou para atacar os “do contra”, ou seja, os Estados governados por tucanos que não aderiram à redução das tarifas de energia.

Dilma subiu o tom ao falar dos “pessimistas” e das conquistas do seu governo: “Neste novo Brasil, aqueles que são sempre do contra estão ficando para trás. Hoje podemos  ver como erraram feio os que não acreditaram que era possível crescer e distribuir renda”.

É exatamente este o eixo central do discurso pela reeleição, como ela antecipou no final do seu pronunciamento: “O Brasil está cada vez maior e imune a ser atingido por previsões alarmistas. Nos últimos anos, o time vencedor tem sido dos que têm fé e apostam no Brasil”.

Em resposta aos que estavam prevendo apagões e racionamento em razão da queda do nível dos reservatórios, Dilma não só garantiu que isto não vai acontecer como anunciou que dobrará a produção de energia no país nos próximos 15 anos.

“Nosso País avança em meio a um mundo de dificuldades. Os juros caíram, o emprego aumentou, os brasileiros estão sabendo consumir e poupar”, afirmou Dilma num discurso otimista, afirmativo e alto astral.

Durante o dia, ela já havia mostrado seu bom humor numa ^cerimônia no Itamaraty, dando uma rara gargalhada ao lado do chanceler Antonio Patriota.

“Viu agora por que ela estava gargalhando?”, respondeu-me, logo após o pronunciamento de Dilma na TV, um assessor próximo dela a quem eu havia perguntado à tarde o motivo do sorrisão presidencial estampado quarta-feira na capa do R7.

Agora só faltam se apresentar os candidatos da oposição.

Integração sul-americana e longa duração

INTEGRAÇÃO E LONGA DURAÇÃO

Botequim

 

O Botequim Desenvolvimentista de hoje traz um artigo do Presidente da Cátedra UNESCO-UNU sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável, Theotonio dos Santos, analisando a história da América latina desde sua colonização até os interesses brasileiros de promover a integração sul-americana.

 

no Blog do Theotonio dos Santos*
Neste artigo procuramos demonstrar uma tese central: a integração sul-americana – que se converteu num objetivo central da atual política externa brasileira – é mais que uma questão econômica, ela é um fenômeno de longa duração, expressão de um destino histórico. O continente americano, antes da chegada truculenta de Cristóvão Colombo, abrigava uma população de cinqüenta a setenta milhões de habitantes que estavam relativamente integrados, sobretudo través das conquistas Astecas no sul da América do Norte e do avanço do império Inca na região Andina. Sabemos hoje também que a região amazônica integrava cerca de cinco milhões de habitantes e havia uma alta comunicação destes impérios no seu interior, entre eles e entre os povos que não estavam incorporados a eles.

A violenta colonização espanhola e portuguesa ( além das incursões de outros centros imperiais europeus ) buscou administrar esta vastíssima região articulada demográfica, econômica, social e culturalmente sob uma direção única, ao mesmo tempo que buscou reorientar suas economias para o mercado mundial em expansão nos séculos XV ao XVIII sob a égide do capitalismo comercial-manufatureiro. Nas regiões de menor densidade de populações naturais, assistimos o fenômeno do comércio de escravos, trazidos da África em condições infra-humanas.
A luta pela libertação das Américas rompeu esta dimensão continental. As colônias inglesas conseguiram sua libertação já no século XVIII, inspiradas numa ideologia liberal e republicana que vai revolucionar o mundo no final do século, através da Revolução Francesa e sua expansão por toda Europa e pelas suas colônias, particularmente no Caribe. A onda democrática por ela deflagrada chegou à América espanhola e portuguesa sob a forma da invasão napoleônica que deflagrou a gesta independentista que cumpre agora 200 anos. Apesar de iniciar-se nos cabildos das colônias espanholas, ela percorreu toda a região numa concepção unitária da qual Bolívar foi o intérprete máximo. No Brasil com a vinda da corte Portuguesa em 1808 foi mantida a unidade em torno do príncipe português que declarou a independência.

Não devemos esquecer as várias rebeliões indígenas como a tentativa de Tupac Amaru de reconstruir o império Inca ou as revoltas afro-americanas sob a forma de quilombos cujo mais representativo foi o de Zumbi dos Palmares. Não faltaram também brotos rebeldes contra a colonização ou mesmo propostas independentistas lideradas por uma já poderosa oligarquia local ( Tiradentes ).

A América Latina surgiu unida, mas deixou-se dividir pelos interesses das oligarquias exportadoras locais, da expansão britânica sobre o comércio da região e em função dos interesses dos Estados Unidos recém formados. O conjunto dessas forças vai fortalecer as articulações regionais voltadas para o comércio e apoiadas no liberalismo econômico.

A região se dividiu assim entre duas grandes doutrinas. De um lado, o bolivarismo buscou preservar a unidade continental na busca da formação de uma grande nação, pelo menos Sul-americana. Do outro lado, a doutrina Monroe buscou afastar a presença britânica e européia em geral sob a consigna de “ a América para os americanos ”.
De um lado, Bolívar foi derrotado, mas o bolivarismo continuou a desenvolver-se como expressão desta história secular e multidimensional ( hoje em dia as descobertas arqueológicas da cidade sagrada de Caral nos remetem a uma civilização altamente desenvolvida há cinco mil anos, cuja continuidade é realmente impressionante ao ser cultivada, ainda que secretamente, pelos seus descendentes indígenas atuais ).

Do outro lado, os Estados Unidos não puderam ser fiéis à sua pretensão pan-americana. Cumprindo a previsão de Bolívar, segundo a qual os Estados Unidos estavam destinados a confrontar a América Latina, invadiu o México na metade do século XIX e se apropriou de metade de seu território; realizou várias intervenções militares na América Central e no Caribe ( a participação dos Estados Unidos na guerra de independência de Porto Rico e Cuba deu origem à incorporação de Porto Rico como uma colônia e, ao fracassar a ocupação de Cuba, ao estabelecimento da base militar de Guantánamo, a maior de suas milhares de bases militares espalhadas pelo mundo ).

O mesmo papel desempenhou a construção do canal do Panamá que separou esta região da Colômbia e tantas outras intervenções brutais na região que foram se deslocando inclusive para a América do Sul na medida que as ambições imperialistas de Estados Unidos foram se ampliando. Foi assim como os Estados Unidos teve que renunciar na prática à sua doutrina panamericana tornando-se aquele monstro que Marti, Hostos, Mella e Sandino e tantos outros pensadores latino americanos identificaram.

Nossas oligarquias exportadoras ou aquelas ligadas ao capital internacional percebem os Estados Unidos como um aliado quase incondicional mas os povos da região se sentem muito mais identificados com a visão bolivariana. Assim também se sentiram os novos empresários, sobretudo industriais, voltados para o mercado interno da região. Continuam atuando assim forças regionais que aspiram uma maior integração da mesma. Foram elas que, em 1947, se uniram em torno da idéia de formar nas Nações Unidas uma Comissão Econômica da América Latina ( CEPAL ), contra a qual se colocou inutilmente o governo norte-americano. A CEPAL não somente serviu de base para mobilizações diplomáticas mas converteu-se no centro de um pensamento alternativo que se diferenciava teórica e doutrinariamente da Organização dos Estados Americanos ( OEA ), do FMI e do Banco Mundial. Foi sob sua inspiração que se criou a ALALC em 1960. Iniciativa que os Estados Unidos responderam com a criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento ( BID ), com a Aliança para o Progresso, a USAID e outras iniciativas diplomáticas e de segurança (anti insurreição)

A partir deste momento podemos contar uma história muito interessante da resistência mais ou menos radical latino-americana. Vários estudos nos contam boa parte desta história ao levantar de maneira didática os antecedentes e as perspectivas de um esforço integracionista regional que avança a passos largos apesar da tentativa sistemática de um pensamento dependente e subordinado insistir em ignorar todos estes passos que formam uma interessantíssima acumulação de experiências que ganhou uma intensidade extremamente rica nestes últimos anos, conseqüência em parte da degradação da hegemonia dos Estados Unidos sobre a economia mundial. É assim que assistimos, inclusive, uma presença constante de outras regiões antes totalmente ausentes de nossa história como a China que vem se convertendo no principal parceiro comercial e mesmo de investimentos de quase todos países da região.

A crescente incorporação do Brasil nesta frente latino americana, tão desprezada historicamente pela nossa oligarquia, é um fator decisivo para viabilizar este projeto histórico. Toda a região espera do Brasil que ele assuma uma liderança histórica a favor da integração regional. Uma parte significativa da população brasileira já aderiu a esta idéia e o governo Lula conseguiu substanciar esta meta histórica ao criar a Unasul, ao apoiar o Banco do Sul e ao tomar posições políticas sempre favoráveis aos interesses regionais.

O governo Dilma vem dando continuidade a estas mudanças buscando dar-lhe maior eficiência e eficácia. A constituição brasileira já havia consagrado a nossa definição estratégica por uma relação privilegiada com a América Latina, seguida da África. Caminhamos assim para uma política de Estado a favor da integração regional assim como fortalecemos nossa decisão histórica de exercer um papel unificador das duas bandas do Atlântico Sul.

O Ministério do Exterior do Brasil vem buscando definir com maior precisão o que chama de prioridades de nossa política de integração. Ele define a relação com a Argentina e, consequentemente, com o MERCOSUL como prioridade A. Em seguida, como prioridade B, coloca a integração da América do Sul, que tem na UNASUL sua expressão máxima em pleno processo de institucionalização. Assim também deveria priorizar o Banco do Sul mas vem sofrendo a oposição do capital financeiro nacional e até mesmo dos bancos públicos de investimento do pais, que aspira financiar diretamente os investimentos sobretudo de infra-estrutura da região. Em terceiro lugar, encontramos a integração latino americana no seu conjunto, incluindo o Caribe que encontra na CELAC sua expressão máxima e que pode dar passos significativos com o restabelecimento da hegemonia do PRI no México, pois lhe será muito difícil abandonar, nesta conjuntura, a postura programática histórica deste partido a favor da unidade latino americana.

Deve-se tomar em consideração que os problemas emigratórios com os Estados Unidos e as dificuldades advindas das relações comerciais preferenciais com os Estados Unidos e, finalmente, as dificuldades advindas da demanda estadunidense das drogas e a ação esdrúxula da DIA no “combate” ao tráfico ds drogas, tudo isto leva o PRI à necessidade de rever sua guinada de direita para o neoliberalismo que o tirou do poder.

Abre-se pois um contexto cada vez mais favorável para a integração regional. Falta, contudo, que as nossas Universidades e o nosso ensino em geral tomem a sério o seu papel na criação de uma consciência regional. Da grande imprensa podemos esperar pouco. Ela é propriedade das mais retrógradas oligarquias regionais que se opõem radicalmente à integração regional e a um avanço da integração regional a qualquer custo. A oligarquia tradicional e a oligarquia financeira que tem especial interesse na dispersão dos interesses regionais a favor dos centros de poder financeiro mundial, se parecem muito claramente às oligarquias regionais que, nas portas da independência da região, continuavam prisioneiras da submissão aos impérios ibéricos.

Estes setores econômicos estão cada vez mais ausentes das necessidades da população de seus países e tendem a perder liderança diante de um enfrentamento sério com eles
Está na hora das forças progressistas da região se unirem para promover um novo estilo de desenvolvimento sócio econômico, ecologicamente sustentável, com profundo sentido social e humano. Para isto, além dos avanços políticos e econômicos, tem que criar e articular uma imprensa escrita, falada e virtual que cuide dos interesses da região e dos seus povos. O exemplo da Telesur tem demonstrado a utilidade desta proposta apesar do pouco apoio que recebeu de governos como o brasileiro.

As tarefas são cada vez mais complexas, mas isto é uma consequência dos avanços que tivemos. Pois, enquanto avançamos moderadamente na integração das zonas de predomínio de políticas de altas concessões ao nosso passado colonial e à decadente ofensiva neoliberal, vemos a própria CEPALC reconhecer os resultados positivos alcançados pela ALBA. A união dos países de orientação socialista na região, inspirados sobre tudo na cooperação e solidariedade, apresenta uma vantagem derivada da unidade política dos mesmos e do peso de suas políticas públicas em todos os campos.

Para espanto dos economicistas “realistas”, apoiados no individualismo possessivo do século XVIII, são os “idealistas” e românticos coletivistas os que apresentam melhores resultados. Eles não aprenderam nada com a vitória do Socialismo sobre o Nazismo na Segunda Guerra Mundial que afetou tão intensamente as políticas econômicas do pós guerra e o Movimento de Libertação Nacional anticolonial e antiimperialista. Voltaram nos anos 70 do século passado com sua carga reacionária a favor do “livre” mercado e do chamado “estado mínimo” e com o canto de sereia do “equilíbrio” dos fundamentos do mercado como o grande objetivo econômico.

Depois de reinarem por 30 anos entraram numa crise definitiva: o legado de suas políticas foi um estado devedor máximo, submergido numa crise fiscal colossal para defender a sobrevivência de uma esfera financeira especulativa que vive às custas da transferência de recursos públicos; nos entregaram um mundo de crises econômicas e de déficits comerciais, fiscais e anarquia monetária.
Se não deixarmos que nos tomem as reservas financeiras que acumulamos nos últimos anos e aplicarmos nossos recursos na criação de um poderoso mercado regional, sustentado por umas políticas industriais que reestruturem nossa participação na divisão internacional do trabalho, ao lado das zonas emergentes no mundo, estaremos prontos para dar um salto civilizatório que nos coloque na frente da articulação de uma nova economia mundial. Esta afirmação teria que ser complementada com novos estudos sobre as mudanças civilizatórias que se impõem no mundo contemporâneo.

Eles criaram, portanto, as condições para estabelecer uma grande frente – similar a que se criou a partir de 1935 contra o fascismo e pela participação de um Estado de base popular na atenção das necessidades humanas. As interações regionais são uma parte essencial desta mudança política ao espalhar por todo o mundo uma nova fase de desenvolvimento científico e tecnológico na qual as novas nações poderão exercer um papel cada vez mais ativo. A promessa dos BRICAS se converterem em pólos econômicos cada vez mais importantes se torna realidade a cada dia.
A crescente incorporação do Brasil nesta frente mundial e latino americana, tão despresada historicamente pela nossa oligarquia, é um fator decisivo para viabilizar este projeto histórico. E uma América Latina unida poderá muitas vezes mais. Se as oligarquias não estão dispostas a cumprir este papel os setores populares não duvidarão um só instante em assumi-lo. Esta é a tarefa fundamental para transformar em realidade o sonho histórico de nossos antepassados.

*Professor emérito da Universidade Federal Fluminense, Presidente da Cátedra UNESCO-UNU sobre Economia Global e Desenvolvimento Sustentável.

NOTA: texto publicado em espanhol no número 480-481 da revista da ALAI: América Latina em Movimento, Quito, noviembre-diciembre 2012.