Arquivo mensais:janeiro 2013

Estupro bárbaro ressuscita pauta das mulheres

Por Leandro Uchoas na Caros Amigos

NOVA DÉLHI – Em 16 de dezembro, um crime chocou a Índia e o mundo. Em um ônibus, voltando do cinema, uma jovem estudante de 23 anos foi estuprada, diante do namorado, por seis homens – incluindo o motorista. Lançado na estrada, o namorado também sofreu graves ferimentos. Levada ao hospital Mount Elizabeth, em Cingapura, a jovem não suportou e morreu. Desde então, uma onda de protestos contra os estupros tomou o país. Na mídia local, quase um mês depois, a repercussão centraliza o noticiário.

A solidariedade às mulheres vítimas de violência sexual tem partido de todos os setores sociais. Inclusive manifestações predominantemente masculinas têm sido vistas em diversas capitais. Uma grande manifestação está prevista para 26 de janeiro, dia da independência do país. Casos graves de estupro foram revelados inclusive nos altos postos governamentais da Índia. A gravidade das novas histórias reveladas, e os constantes protestos, mantém o assunto no centro da pauta.

Pressionado pela opinião pública internacional, o país discute quais as características da sociedade indiana teriam levado a estatísticas tão preocupantes. As organizações de defesa dos direitos das mulheres, que denunciam há anos os abusos, estão sob atentos holofotes. Segundo suas lideranças, uma das principais causas dos abusos é cultural. Conhecida como “capital do estupro”, Nova Délhi teria a cultura do assédio em locais públicos. Só em 2012, 635 casos de estupro foram reportados, com apenas uma condenação. Houve, ainda, outros 193 casos registrados de assédio.

“É normalmente aceito que os homens digam coisas grosseiras na rua, ou se esfreguem nas mulheres no ônibus. Acontece com absolutamente todas. E sempre se ouvem comentários como ‘olhe como ela está vestida’, ou ‘foi ela que provocou’”, denuncia a ativista social Renana Jhabvala, referência em Nova Délhi da Self-Employed Women’s Association (SEWA), hoje a principal articulação de entidades de defesa das mulheres no país. “Mudar a cultura de Nova Délhi é a tarefa mais árdua, e exige esforços por meses, anos ou até décadas”, conclui.

As organizações estão, agora, ampliando o estímulo para que as mulheres façam a denúncia. Não acreditam que as estatísticas de estupro, mesmo muito elevadas, sejam reais. Afirmam que as mulheres ainda se sentem muito constrangidas em falar. Por isso, proclama-se o apoio dos homens, e uma polícia mais pró-ativa. No caso da jovem estudante, considerado emblemático, os policiais teriam levado mais de 24 horas para agir. “Mesmo alguns juízes ainda consideram muitos casos de estupro culpa da mulher”, complementa Renana.

“Quem tem que sentir vergonha é quem estupra, e não quem é estuprado”, sintetiza a feminista Mirai Chatterjee, que também coordena a SEWA, mas em Ahmedabad, e compõe o Conselho Consultivo Nacional (NAC) do primeiro-ministro indiano. “Esse caso tem elementos positivos. As denúncias de estupro estão aumentando. As pessoas saíram às ruas como nunca para protestar. E a mídia também está dando uma cobertura grande, benéfica ao estímulo do debate”, diz.

Organizações de defesa dos direitos da mulher tentam aproveitar o momento para promover a discussão pedagógica na sociedade. Elas estão indo às escolas para conversar, principalmente, com os meninos. Estão convencidas de que a essência do trabalho está na luta contra o machismo, profundamente enraizado na sociedade indiana. “Também estamos estimulando a conversa com a vizinhança, o debate no ambiente religioso. E promovendo o empoderamento econômico das mulheres, mais importante do que se imagina”, afirma Mirai.

Reivindicações

As medidas a serem tomadas para combater o assédio sexual na Índia, no entanto, dependem sobretudo da vontade política dos governos. E as organizações estão cientes de que esse momento, em que a sociedade debate amplamente os crimes, é o instante de se cobrar ação. Patrulha policial, implantação de câmeras de segurança, iluminação das ruas à noite – muito escassa na Índia –, e uso de GPS em ônibus e trens são algumas das exigências mais imediatas.

“Essa atitude bárbara dos estupradores, que em parte revela o que há de pior na nossa sociedade, pode servir como estímulo ao próprio aprimoramento dela”, conclui Usha Thakkar, coordenadora da organização Mani Bhavan.

A pauta das mulheres tem, ainda, outras reivindicações. A implantação de um serviço telefônico para denúncias, a instalação de cabines policiais nas proximidades de escolas e universidades, e aplicação de multas por assédio são algumas das sugestões. Campanhas de conscientização para que se denuncie têm sido recomendadas para os governos e as empresas. “No entanto, nada é tão importante quanto à cooperação dos cidadãos e da polícia nas denúncias”, lembra Renana.

De maneira geral, as mulheres descartam qualquer tentativa de relacionar a religiosidade do povo indiano e os casos de estupro. “Isso é um simplismo que não cabe na complexidade da sociedade indiana”, diz Mirai. Ao chamar a atenção do mundo para os efeitos nocivos do machismo na Índia, o caso bárbaro de Nova Délhi pode entrar para a história como um divisor de águas no combate ao assédio sexual no país.

Manifesto dos ex-presidentes da Associação Latinoamericana de Sociologia

PROA CON ALAS A LAS CIENCIAS SOCIALES.
ALAS: POR UNA PLATAFORMA INTELECTUAL DE LA PATRIA GRANDE
Al pie del pórtico 2013 Año congresista

Mensaje de Ex Presidentes ALAS

“Niemeyer decía que las personas tienen que soñar, sino, las cosas no suceden. Nosotros,
que tenemos el sueño de una América Latina desarrollada, con oportunidades iguales y
una sociedad democrática pacífica, sabemos el valor de nuestro sueño y de la integración
latinoamericana”, Dilma Roussef, Reunión Mercosur, 7 de diciembre de 2012

Paulo Henrique Novaes Martins de Albuquerque, presidente ALAS

Hace mucho tiempo que las Américas dieron origen a una de las primeras civilizaciones
que crearían la Humanidad contemporánea. Recién descubierta, la preciosa civilización
que tomó el nombre de “Caral”, se reveló francamente extraordinaria: por la dimensión espectacular de sus construcciones, por su belleza y por sus avances tecnológicos que
permitieron avanzar hacia una técnica de construcción anti-sísmica cuya concepción supera la tecnología actual, su desarrollo agrícola que permitió producir semillas de algodón de varios colores a través de la modificación genética, sus concepciones de una colaboración de géneros inexplicable, así como la ausencia de fortificaciones que caracterizaron las demás civilizaciones conocidas, por la belleza de su plan urbanístico, mas sobre todo por haber sobrevivido cinco mil años, invisibles a los ojos de los dominadores, pero veneradas por los pueblos originarios que desarrollaron alcances tales como la lengua quichua cuyas formas pre-quichuas ya estaban presentes. Como también estuvieron ocultas tantos años
por los invasores europeos. Madre de la fantástica colonización de todo un continente Caral que se convierte a su vez se convierte en un símbolo de nuestra identidad histórica,  a la cual se sumaron la mezcla de cristianos, musulmanes y judíos que formaron las culturas ibéricas, o de los pueblos de la África Negra que crearon esta realidad humana impresionante de lo afro-americano.

Al final, después de luchas por años en búsqueda de nuestra hermandad, tan combatida por nuestros enemigos históricos, por fin caminamos en la dirección de nuestra unidad estratégica económica, política y cultural. Como lo habíamos planteado a fines de los 80, cuando conseguimos crear el Pacto de unidad contra la invasión de la Nicaragua revolucionaria. Hablábamos, entonces, de una creciente densidad diplomática de la región. Finalmente, en 1991, los Presidentes y Jefes de Estado de la América Ibérica pudieron reunirse en magnitud de renovación histórica de aquellos albores independistas, colocando un frente a la interdicción estadounidense esgrimido en oposición al latinoamericanismo en nombre del panamericanismo. Es verdad que necesitamos el subterfugio de la participación de España (con su arcaica figura de un Rey que se atrevió incluso a intentar impedir que un Presidente electo de un país latinoamericano hablara, y ser obligado a escuchar su respuesta ocultada en general por la prensa oficial internacional: ya no existe el imperio español hace doscientos años, ni tenemos monarcas en América Latina) y de Portugal, con la anuencia de la Comunidad Europea en formación.

Cuánto avanzamos en estos veinte años, cuando no solamente realizamos reuniones de
todos los presidentes de la región, sino que integramos los caribeños y estamos formando
una Comunidad de los Estados Latino Americanos y Caribeños (CELAC) y ya avanzamos
muy claramente en la creación de una Comunidad Sudamericana (UNASUR) que no
solamente se institucionaliza con varios consejos sectoriales en pleno funcionamiento
pero también otorga a su Secretaría General la tarea de crear las bases para integrar estos
varios Consejos Ministeriales a través de una estrategia común que sería el embrión de
la propuesta para ALAS de crear una plataforma intelectual común de toda la región (a
través de UNASUR y CELAC).

Nuestros Presidentes y Jefes de Estado no son más tímidos dirigentes locales con temor
a actuar de manera común. Son hoy día impulsores de nuestra unidad (inclusive Jefes
de Estado conservadores participan de manera entusiasta de las reuniones regionales).
Tal es la fuerza de la idea de nuestra unidad. Claro que este sentimiento encuentra una
sólida base histórica en figuras fundamentales que forman nuestra experiencia intelectual
común. Y encuentra también una amplia elaboración teórica, práctica, política, emocional
que nos cabe rescatar para fortificar esta tarea gigantesca que cabe a nuestra generación
preparar para nuestros hijos y nietos. Esta es la tarea que nos comprometemos a abrazar
con la Asociación Latinoamericana de Sociología (sin olvidar nunca nuestros compañeros
caribeños).

Cabe a esta Plataforma crear las condiciones fundamentales para formar una masa crítica
de estudios, investigaciones, reflexiones y proyectos que ayuden a avanzar en la unidad
regional, movilizando, además de los sociólogos que pertenecen a ALAS, científicos
sociales en general, técnicos y comunicadores – además de instituciones públicas y
privadas que apoyan este objetivo común.

La sociología y las ciencias sociales enfrentan un desafío intelectual mayor: reconocer y
enriquecer la centralidad de un nuevo paradigma social (González Casanova: las Nuevas
Ciencias Sociales) que contribuya a terminar con las desigualdades (Dos Santos); con la
exclusión; con todas las formas de colonización del poder (Quijano); la discriminación,
opresión, racismo, o patriarcados; con la depredación ambiental; con las guerras, el
intevencionismo extranjero, la militarización (Suárez, Gandásegui) y el Estado Policial
(Tavares); con la violencia cotidiana, la del crimen organizado, la de los poderes fácticos
del dinero y de las ideologías de muerte. Un paradigma de la transformación social
que reconozca el potencial creativo de las acciones colectivas para vivir mejor juntos
(Camacho), para darle talla y dimensiones propias al mundo de las instituciones públicas,
para construir el Estado como el “Novísimo Movimiento Social” (Boaventura de Sousa
Santos) y a la democracia como el espacio de participación ciudadana y de las personas,
donde se reúnen sueños, utopías y voluntades intersubjetivas, opuestas a la Democracia
S.A. (Sheldon S. Wolin) que impone el poder del mercado desde el utilitarismo extremo
(Paulo Henrique Martins).

Desde América Latina se reinventan cotidianamente experiencias sociales innovadoras
(Bialakowsky) que nutren al nuevo paradigma social: los principios y el Estado del Buen
Vivir, que recogen y amplían las herencias del mundo andino; crece el debate sobre los
Derechos de la Naturaleza (Evo Morales: el Día Mundial de la Pacha Mama; Rafael Correa:
sus propuestas en Río +20; José Mujica: su llamado al desarrollo sustentable autónomo),
para terminar con la división artificial entre naturaleza y sociedad, entre crecimiento y
desarrollo económico, entre sujeto e historia profunda. Desde las resistencias contra el
capitalismo depredador y su fase (neo)extractivista (Jorge Rojas), crece la esperanza en
otro mundo, otra democracia. A pesar de insuficiencias y conflictos internos, ya son más
de dos décadas de intentos por (re)fundar la comunidad sociopolítica en nuestra región
(Sader). El Estado nacional democrático, con agenda social incluyente y redistributiva
recobra vigor. Las elecciones presidenciales en Venezuela y regionales en ese país y en
Brasil, constatan límites pero también potencialidades de los procesos electorales. A pesar
del fuerte contraste, las elecciones presidenciales mexicanas vieron crecer a esa sociedad  que busca otra democracia Ya, como fuerza opositora organizada (Raquel Sosa), como los jóvenes de #YoSoy132, que al igual que los jóvenes chilenos, o los de Quebec, demandan educación pública de calidad, y respuestas en políticas públicas incluyentes y universales dirigidas a los y las jóvenes.

El Sur Global (Giovanni Arrighi) se nutre de nuevos vínculos sur-sur. América Latina
contribuye en varios frentes. El Foro Social Mundial, iniciado en Porto Alegre, Brasil,
cobrará nuevos bríos este 2013 en Túnez, donde convergerán los actores sociales de la
Primavera Árabe, los Indignados del mundo, Occupy Wall Street y una amplia gama de
movimientos sociales emancipadores activos en todos los continentes. El bloque BRICS
retoma las propuestas de una nueva arquitectura financiera internacional, un Banco del Sur
y formatos de cooperación complementarios a la integración comercial, que nacieron y
están presentes en la UNASUR, la ALBA y el pensamiento socioeconómico crítico
latinoamericano. Además de esa integración autónoma que crece bajo el impulso
intergubernamental, las organizaciones sociales dan vida a proyectos supranacionales que
refuerzan la autonomía de la región: la Cumbre de los Pueblos, junto con la CELAC, se
oponen al proyecto (neo)panamericanista de la VI Cumbre de las Américas, en Cartagena
de Indias, 12 a 14 de abril de 2012, por excluir a Cuba de esas cumbres, por rechazar la
soberanía sobre las Malvinas de Argentina y contra las estrategias militaristas en el
combate al narcotráfico unilateralmente definidas por Estados Unidos. El 30 de noviembre
pasado, la VI Cumbre de Jefas y Jefes de Estado de UNASUR afirmó una estrategia
regional orientada al pleno aprovechamiento de los recursos naturales para el desarrollo
integral de América del Sur. Mientras que la Cumbre Social del MERCOSUR, enfatizó en
su declaración del 6 de diciembre de 2012, la necesidad de fortalecer la agenda social y de
la participación ciudadana en el Mercosur, así como expresó su solidaridad con los
pueblos de Honduras, Haití y Paraguay, en su lucha por restablecer la democracia. El tema
de la paz y las negociaciones frente a los conflictos armados, también dio luces
esperanzadoras. Con el lema “Por una paz más allá de las negociaciones entre los
armados”, y “Cuenten con nosotros para la Paz, no para la guerra”, la Organización
Nacional Indígena de Colombia presentó el 12 de diciembre pasado los planteamientos que
en materia de tierras y desarrollo rural vienen reclamando los pueblos indígenas del país
(ALAI, 12 de diciembre de 2012).

Ante el declive de la hegemonía estadounidense, la crisis financiera que debilita a la Unión
Europea y el surgimiento de rivalidades inter-hegemónicas, hay una nueva geopolítica
asiática, que atraviesa y divide nuestra región; sin embargo, avanzan prácticas socio-
espaciales autónomas a la escala latinoamericana, desde lo intergubernamental y desde lo  social, las cuales se expresan en tendencias encontradas: el eje UNASUR-MERCOSUR- ALBA, con propuestas de corte “postneoliberal” y en otro extremo la integración transpacífica, que comanda Estados Unidos mediante su Asociación Transpacífico (TPP por sus siglas en inglés) que a partir de septiembre de 2012, inició la 14ª ronda de negociaciones. Nueve países que bordean el océano Pacífico Participan en estas negociaciones: Estados Unidos, Perú, Chile, Australia, Nueva Zelandia, Brunei, Malasia, Singapur y Vietnam. Desde la última ronda, se aceptó el ingreso de los otros dos socios del Tratado de Libre Comercio de América del Norte -Canadá y México-, con lo cual el TPP podría convertirse en una especie de TLCAN ampliado y reforzado, más cercano de la vieja figura del ALCA. Frente al resurgimiento del (neo)panamericanismo, América Latina y el Caribe refuerzan sus instancias de integración autónoma. Un imaginario social abierto a su diversidad desde la interculturalidad y la profundización de sus esperanzas emancipadoras.“En la actualidad nos enfrentamos a un gran desafío y oportunidad. Todo indica que grupos de países desarrollados van en declinación… Es verdad que experimentan grandes dificultades de carácter estructural, no puramente coyuntural… En cambio, en América Latina existen signos de avances y de esperanzas de cambios. Pero en el pasado también hubo oportunidades, corrieron vientos favorables incluso para grandes reformas. Es problema de fondo saber aprovecharlas para mejorar las condiciones de vida de la población… y para proteger la biodiversidad… la propia naturaleza necesita de la naturaleza para sobrevivir a la barbarie capitalista. En este sentido, ALAS se ha transformado en el mejor medio intelectual y político no solo para denunciar lo que sucede, sino que sobre todo para reflexionar sobre el acontecer y buscar soluciones a los graves problemas que afectan a nuestros países. Sin reflexión crítica no hay posible solución. Probablemente nos falta más acción o desarrollar iniciativas que acerquen la reflexión teórica a la praxis.” Jorge Rojas, 24 de diciembre de 2012.

Con motivo de ese inicio año nuevo congresista de ALAS, expresamos a las y los
colegas de la Asociación Latinoamericana de Sociología, ALAS, con este primer ensayo
colectivo de reflexión sobre la delicada misión de los científicos sociales frente a los
problemas de nuestros pueblos, porque existe una estrecha relación entre los procesos
sociales y el quehacer científico. América Latina llega al año 2013 sumida en unas fuertes
contradicciones entre optimistas pronósticos macroeconómicos, integración de bloques
regionales como se sintetizó, a la vez que remergencias populares, expresada incluso por
movimientos políticos gubernamentales, otros luchan por conseguirlo, en otros y surge de
la agudización de las desigualdades y la injusticia social. Quienes encarnamos praxis en las
Ciencias Sociales y la Sociología en particular, no podemos permanecer indiferentes. La objetividad que exige nuestro quehacer científico no debe confundirse con la neutralidad.El imperativo es la más estricta objetividad científica dentro del más firme compromiso.Ni confundir el análisis riguroso con la arenga, ni marginarse de los problemas sociales tras una imposible neutralidad. En nuestra modesta opinión, esa es el imperativo ético que nos desafía en las tareas que ejecutemos en el 2013, año que sean como nunca fecundas realizaciones para ALAS y para cada una y uno de sus miembros.

“Hemos que fortalecer nuestra relación con los movimientos sociales actualizando la importancia del “hacer científico”. Sin embargo, hemos igualmente que prepararnos para nuevos desafíos como por ejemplo la importancia de avance de la crítica teórica para el entendimiento de los impactos planetarios. Hemos igualmente que repensar los fundamentos de la participación democrática que está se agotando y se atrofiando en muchos países latinoamericanos bajo presiones de fuerzas conservadoras y antidemocráticas. En fin, la crisis no está allá, en el otro lado del océano, pero aquí, muy cercana de nosotros. Por eso, tenemos una caminada importante en 2013 y la elección de la crisis como tema central de la convocatoria del XXIX Congreso es fundamental para centralizar y organizar estas importantes discusiones.
Deseamos en estos días de pasaje de calendario ayude a aclarar nuestros ethos científicos fortaleciendo nuestro compromiso moral y político con un mundo más justo y solidario”
Paulo Henrique Martins, Presidente ALAS, 21 de diciembre de 2012

“Nuestras tareas son numerosas, pero estamos convencidos que nuestro compromiso
moral y afectivo con ALAS constituye un recurso decisivo para asegurar la superación de
nuestros desafíos. En estos momentos, más que nunca, precisamos estar juntos, compartir
nuestras competencias científicas, solidaridades profesionales y compromisos éticos, para
aportar alternativas viables que inspiren a los movimientos sociales y culturales y a los
gobiernos democráticos para la implementación de políticas que contribuyan a reorientar
positivamente los rumbos de la globalización planetaria…
Continuamos la marcha para Chile 2013!”
Paulo Henrique Martins, Presidente ALAS,
Marcelo Arnold-Chatalifaud, Vice-Presidente ALAS,
18 de diciembre de 2012.

O mundo amanhã: entrevista com Rafael Correa

O Desenvolvimentistas vai apresentar esta semana alguns vídeos da série de Julian Assange “O Mundo Amanhã”, realizada em parceria com a Pública (www.apublica.org) e o WikiLeaks (http://www.wikileaks.org/) que são os responsáveis por todo material.

Hoje você assiste à entrevista com o Presidente do Equador, Rafael Correa:

Em setembro , o Equador  concedeu asilo político a Julian Assange, que já estava refugiado desde junho na sua embaixada em Londres. Fazia mais de um ano que os documentos diplomáticos da diplomacia americana no Equador haviam sido publicados, todos de uma vez, pelo WikiLeaks.

Em entrevista feita por videolink para a série “O Mundo Amanhã” no começo de 2012, Assange revela que o governo equatoriano procurou o WikiLeaks, na época do vazamento, pedindo que publicasse todos os documentos diplomáticos.

“Quando o WikiLeaks começou a publicar os cables sobre o Equador, nós o fizemos com dois grupos de mídia, o El Universo e o El Comercio. O governo equatoriano nos procurou e disse ‘por favor, WikiLeaks, queremos que vocês publiquem todos os cables sobre o Ecuador’.  O governo jamaicano também fez isso. Por que você nos pediu que publicasse todos os documentos?”, pergunta Assange.

“Porque quem nada deve nada teme. Nós nada temos a ocultar. De fato, os [telegramas divulgados por] WikiLeaks nos fortaleceram. A Embaixada dos EUA nos acusava de sermos excessivamente nacionalistas e defendermos a soberania do governo equatoriano. E é claro que somos nacionalistas! E é claro que defendemos a soberania do Equador!” – responde prontamente o entrevistado.

A pergunta serve de introdução para Corrêa explicar sua polêmica briga contra a mídia do Equador – o presidente é acusado de cercear a liberdade de imprensa. “Os veículos têm sido, aqui, os maiores eleitores, os maiores legisladores, os maiores juízes, os que criam a alimentam a ‘agenda’ da discussão social, os que sempre submeteram governos, presidentes, cortes de justiça, tribunais”, diz.

Eleito em 2007, o economista Rafael Correa  é considerado o presidente mais popular da história democrática do país. Inimigo declarado da política americana para a região, uma das suas primeiras atitudes no governo foi determinar o fechamento de uma base militar norte-americana em Manta. “Se é assunto tão simples, se não há problema algum em os EUA manterem uma base militar no Equador, ok, tudo bem: permitiremos que a base de inteligência permaneça no Equador, se os EUA permitirem que estabeleçamos uma base militar do Equador em Miami”, justifica.

Críticas e ironias à política externa norte-americana e o destino político da América Latina também permeiam a conversa.”A influência dos EUA na América Latina está diminuindo. Isso é bom. Dizemos que a América Latina está passando, do ‘consenso de Washington’, para o consenso sem Washington”, comenta Correa.

“Talvez venha a ser o Consenso de São Paulo…”, retruca imediatamente Assange.

O fiasco do ato contra Lula em SP e a ojeriza do brasileiro à política

Por Eduardo Guimarães, no Blog da cidadania

Claro que foi risível o fiasco dos 20 gatos pingados que foram à avenida Paulista no domingo para insultar o ex-presidente Lula e o PT. A quantidade de piadas possíveis sobre essa iniciativa ridícula é imensurável e está fazendo a festa de quem se indignou com aquela cretinice.

Todavia, à luz de recente ato público de apoio ao adiamento da posse do presidente Hugo Chávez, na Venezuela, o qual levou centenas de milhares, se não milhões às ruas, há que refletir sobre um fenômeno tipicamente brasileiro.

É mentira que o brasileiro não vai à rua. Vai, sim, só que apenas se for em causa própria.

Recentemente, perguntei a lideranças da CUT e do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) por que ainda não se mobilizaram pela causa da regulação da mídia, que defendem. Afinal, ao menos a central sindical já conseguiu pôr dezenas de milhares na rua.

Os movimentos sociais e os sindicatos que entendem quão prejudiciais são os oligopólios de comunicação me responderam que não existe “massa crítica” para gerar manifestações de rua por esse tema.

O próprio Movimento dos Sem Mídia, fundado aqui neste blog, já conseguiu pôr centenas de pessoas na rua contra o engajamento político da imprensa dita “isenta”, como no caso da manifestação da ONG em 2009 contra editorial da Folha de São Paulo que disse que a ditadura militar brasileira teria sido “branda”.

Contudo, manifestações de 500 pessoas ou mesmo de 20, 30 mil como as que a CUT já logrou organizar para reivindicar salários etc. seriam vistas como piadas em países como Venezuela, Bolívia, Equador, Argentina e outros países politizados.

Os raros exemplos de sucesso de manifestações públicas de massas no Brasil residem entre os homossexuais e os evangélicos, que arrastam milhões de pessoas para tais iniciativas.

Aliás, verdade seja dita, nos países politizados desta região até a direita consegue pôr gente na rua, haja vista recente manifestação contra o governo na Argentina ou as marchas da oposição venezuelana menores do que as do chavismo, sim, mas, ainda assim, gigantescas.

O que acontece com o nosso povo? Por que somos tão engajados em causas de interesse de todos apenas na internet, mas sempre arrumamos um “compromisso de última hora” quando somos convocados a ir à rua defender aquilo em que acreditamos?

Os retardados que convocaram a manifestação contra Lula somaram quase duas mil pessoas no Facebook, mas a desculpa deles para não terem ido à avenida Paulista dizerem seus insultos contra o ex-presidente foi a de que “estava chovendo”…

No mesmo dia do ato dos “cansados” paulistanos, entre 300 mil (segundo a polícia) e 800 mil (segundo os manifestantes) foram à rua em Paris para protestar contra o “casamento” gay. A França, aliás, a exemplo de vários outros países europeus é palco constante de manifestações enormes.

Ir à rua protestar ou reivindicar, portanto, não é coisa de país subdesenvolvido. Muito pelo contrário, denota a preocupação dos povos em transformar retórica em ações.

Seja contra Lula, seja contra mídia, seja pelo que for – até mesmo por reivindicações que beneficiem os manifestantes –, o brasileiro demonstra comodismo e covardia.

Em 2011, a grande mídia tentou pôr gente na rua para protestar contra Lula, o PT e o governo Dilma. Impérios de comunicação martelaram convocações diuturnamente e colheram mais fiascos.

Os poucos que os grandes meios de comunicação conseguiram mobilizar, mobilizaram-se porque tais meios financiaram transporte, lanches e até pagamentos em dinheiro. Fui a algumas dessas manifestações e descobri que muitos nem sabiam por que estavam lá.

Já tentaram explicar essa apatia do brasileiro devido à ditadura, que teria atemorizado o nosso povo em relação a se mobilizar por causas políticas. É bobagem. A Argentina viveu uma ditadura mais sangrenta do que a brasileira e aquele povo se mobiliza o tempo todo.

A explicação me parece ser ojeriza do nosso povo à política. As manifestações se tornam ainda mais inviáveis quando convocadas sob tal mote.

A direita midiática, ao longo da segunda metade do século XX, trabalhou duro para gerar essa visão deturpada do povo sobre política. Nesse processo, porém, não atingiu somente a esquerda, mas a ela mesma. Hoje, aliás, a direita consegue mobilizar ainda menos gente do que a esquerda.

Esta, porém, tem instrumentos para sobrepujar a direita em mobilizações populares. Os movimentos sociais e os sindicatos estão quase que cem por cento no lado esquerdo do espectro político. Nesse ponto, surge o segundo grande inimigo da mobilização cidadã.

O comodismo explica por que pessoas politizadas e conscientes resistem a ir à rua expor suas demandas, apoios e repúdios. Esse, portanto, é o grande inimigo que é preciso combater a fim de pôr na agenda do país causa tão urgente quanto a democratização da comunicação.

Venho dizendo isso desde 2007, quando, neste blog, propus o primeiro ato público do Movimento dos Sem Mídia diante da Folha de São Paulo, que, surpreendentemente, reuniu quase 300 pessoas: ninguém muda um país sentado diante de um computador.

Nem comunidades, nem terapêuticas

Entidades privadas e grupos religiosos usam verbas do governo para atuar no lugar do Estado, com métodos terapêuticos questionáveis.

Por Gabriela Moncau na Caros Amigos

A van branca chegou, seguida por um carro. Se alguns acharam o movimento suspeito, já que no vale do Anhangabaú não é permitida a circulação de carros, os moradores de rua, em sua maioria usuários de crack, agiram com naturalidade e assim que a avistaram se aproximaram ansiosos. Naquele domingo chuvoso, um pouco de comida para os que passam as noites embaixo do Viaduto do Chá, no centro de São Paulo, era bem vinda. O motorista e um homem que parecia ser um segurança particular permaneceram dentro do carro, observando a família bem vestida que descia da van e se enfileirava na frente dos alimentos. Os moradores de rua, mostrando que já conheciam o ritual, manejavam a paciência que o estômago vazio os permitia ter, e esperavam calados. Não houve conversa, nem cumprimentos. Somente depois de uma longa pregação religiosa, tiveram direito ao pão francês puro e um copo de leite. A família rapidamente entrou na van de vidro fumê e partiu.

ComunidadeTarapeuticaChargeA complexa relação entre as igrejas e os cuidados que em teoria deveriam ser assegurados pelo Estado enquanto direitos mínimos tem tomado outra dimensão nos últimos meses, ao menos no campo da saúde mental. Apesar de não ser a droga mais consumida nem a que causa maior número de mortes, o crack dominou o debate acerca de consumo de psicoativos e uma suposta epidemia que estaria se espalhando pelo Brasil – mesmo sem que a comprovem – vem embasando uma série de políticas governamentais. Não à toa a presidenta Dilma Rousseff lançou ao final do ano passado o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras drogas, no qual investirá R$ 4 bilhões. Sob o slogan “Crack, é possível vencer”, o plano não traz grandes novidades no que diz respeito à repressão, fomentando maior militarização e treinamento de policiais. O que chamou a atenção de muitos, no entanto, foi o modo como o dinheiro público será usado nas políticas de tratamento: se por um lado haverá aplicação de verba na rede intersetorial de atenção psicossocial do SUS, como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD), por outro, foi oficializado o financiamento público de comunidades terapêuticas, centros privados de tratamento para dependentes químicos, majoritariamente ligados a grupos religiosos.

De nada adiantou o posicionamento de rechaço ao financiamento das comunidades terapêuticas da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, tampouco da XIV Conferência Nacional de Saúde, que reuniu cerca de 50 mil pessoas: poucos dias depois o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentava o plano e as parcerias com a rede de serviços “do terceiro setor”, que trabalham com “abordagens terapêuticas as mais variadas possíveis”.

De acordo com o secretário nacional de Atenção à Saúde, Helvécio Magalhães, o total de recursos que o Ministério da Saúde está destinando até 2014 para CAPS AD 24h, Unidades de Acolhimento adulto e infantojuvenil, Consultórios na Rua e leitos psiquiátricos em Hospital Geral é de R$ 1,56 bilhão. As comunidades terapêuticas receberão R$ 300 milhões no mesmo período, sem contar investimentos na portaria de financiamento de vagas de acolhimento nessas instituições, que ainda não tem previsão de gasto. Magalhães explica que “o Ministério da Saúde mantém um diálogo com essas entidades, aproveitando as experiências positivas e regulando o setor”. “Veja que a constituição já garante que as instituições privadas poderão participar de forma complementar do SUS”, diz, e argumenta que “é necessário oferecer uma variedade de opções que atendam à diversidade de necessidades e contextos em que se instala a dependência às drogas”. Vejamos melhor como funciona essa forma de tratamento que, com dinheiro estatal, correrá em paralelo aos equipamentos do Sistema Único de Saúde (SUS).

Princípios

Paulo Amarante, psiquiatra, pesquisador da Fiocruz, presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e diretor do Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES), no artigo “Política anticrack – epidemia do desespero ou do mercado antidroga?”, descreve a diferença entre os princípios da comunidade terapêutica no mundo e as cerca de 3 mil existentes hoje no Brasil, que atendem aproximadamente 80% da demanda de tratamento por uso de drogas. Conta que conheceu a ideia das comunidades terapêuticas a partir de um de seus idealizadoras, Maxwell Jones, um psiquiatra inglês do pós guerra “que demonstrou, antes mesmo do advento dos psicofármacos, que o envolvimento dos pacientes psiquiátricos em seu próprio tratamento pode ser um dos principais princípios terapêuticos”.

Já das comunidades brasileiras, ouviu falar pela primeira fez em um encontro com o jornalista Tim Lopes, que lhe mostrou fotos e vídeos que havia pesquisado: “Cenas de violências e maus tratos, de extorsão de familiares, de inúmeros constrangimentos. Ele me confidenciou, inclusive, que estava assustado por haver recebido ameaças”, relata, concluindo: “Além do tom de fraude que o uso de tal terminologia implica (comunidade terapêutica), pude constatar que a fraude encobria algo absolutamente oposto aos ideais de Maxwell Jones”.

Essas instituições no Brasil, em sua maioria, funcionam em algum sítio afastado do centro urbano, por serem orientadas por uma lógica da imposição da abstinência e separação do sujeito de qualquer contato com a sociedade (para não interromper o tratamento ou ter acesso facilitado à droga). “Foram surgindo na iniciativa privada, especialmente por setores religiosos que se interessaram por criar comunidades – que não são serviços de saúde e nunca foram – com caráter de uma instituição mais de abrigamento. Defendem em sua maioria a cura pela conversão religiosa”, define Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Para ele, “a função da comunidade terapêutica passou a ser ocupar um espaço que não vinha sendo ocupado pela política pública”. “E aí cada um se desenvolveu dentro da sua lógica. A maioria delas tem no seu método os pressupostos das religiões que as sustentam”, afirma.

Fábio Mesquita, médico pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em saúde pública pela USP, foi um dos pioneiros da política de redução de danos (conjunto de políticas e práticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de drogas psicoativas em pessoas que não podem ou não querem parar de usar drogas) na América Latina, quando coordenava o programa de AIDS em Santos, em 1989. Trabalha na Ásia há 7 anos e atualmente coordena o programa de AIDS da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Vietnã. “A OMS trabalha com propostas na área de saúde que são baseadas em evidência científica. Não há evidência científica que o tratamento de dependência química funcione com a abordagem destas instituições”, salienta. “Além disto, o isolamento do doente da sociedade é uma medida atrasada, violenta, artificial e não reabilitadora. O modelo psiquiátrico manicomial foi derrotado no Brasil na reforma psiquiátrica”, opina. Ao contar de uma intervenção a qual participou em 1989 em Santos, no manicômio Casa de Saúde Anchieta, quando defendeu o tratamento ambulatorial para os que sofriam de transtornos mentais, apontou que “os psiquiatras conservadores que viviam financeiramente do desespero das famílias e faziam fortunas com as clínicas de internação resistiram o quanto puderam ao fim do manicômio”. “Agora me parece que acharam outro nicho”, analisa.

Cárcere privado

A Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal de Psicologia fez uma grande inspeção ao final do ano passado, visitando simultaneamente 68 comunidades terapêuticas em 25 unidades federativas do país, a partir da percepção de que o tema das drogas muitas vezes “insiste em vincular ‘tratamento’ à noção de castigos ou penas advindos de um ideal normativo que não suporta a transgressão como parte de um devir humano, reduzindo à condição de objeto e privado da cidadania os sujeitos-alvos das ações impostas”. As denúncias de violações de direitos humanos trazidas pelo relatório, divulgado recentemente e entregue ao Ministério Público e à ouvidoria dos direitos humanos, evidenciam um paradigma preocupante das instituições que agora foram institucionalizadas como modelo de tratamento pelo governo federal.

Para citar alguns exemplos:

- Clínica Terapêutica Divina Misericórdia, Alagoas. Sustentada financeiramente por pagamento de mensalidade e seguindo preceitos do catolicismo, recebe usuários encaminhados pela promotoria pública para internação compulsória, entre outros. Os internos podem se comunicar com o mundo externo somente por carta, uma vez por semana, dependendo do comportamento, sendo que todas as correspondências são lidas pelos psicólogos. Não podem fumar cigarro nem receber visita íntima, seus objetos pessoais e documentos são guardados pela direção da instituição. Existe um quarto com duas camas de alvenaria e grade na porta, trata-se de um espaço “utilizado para resguardar o usuário”, de acordo com entrevistados pelos inspetores. Após a terceira advertência, o interno é preso nesse quarto por 24h. Segundo a comunidade terapêutica, a prática é ótima, pois o interno “fica refletindo o ocorrido”. Foi confirmado, ainda, que pessoas portadoras de HIV não recebem medicação e cuidado adequado.

- Casa de Recuperação Valentes de Gideão, Bahia. Os responsáveis pela instituição não souberam informar o valor da mensalidade, dizendo ainda que o pagamento é opcional. Os internos, no entanto, afirmaram que o pagamento é obrigatório, cerca de R$ 300, e que frequentemente o dono fica com o cartão de benefício de prestação continuada ou do Programa Bolsa Família. Sem prontuário médico ou descrição da doença do paciente, a técnica de enfermagem não soube dizer a proposta metodológica da unidade, mas afirmou que não funcionam segundo nenhuma religião. Curiosamente, o dono da comunidade terapêutica é um pastor, há uma igreja dentro das dependências da instituição e alguns de seus funcionários são da Igreja Neopentecostal. As crises de abstinência são vistas como possessões demoníacas e um funcionário expôs que nesse caso, a estratégia é a oração. Em conversa com os pacientes, muitos internados contra a vontade, o relato unânime foi de que o tratamento é “na porrada”: ficaram evidentes locais de isolamento com trancas, a unidade apresenta histórico de denúncias de prática de espancamento (em 2009 e 2011) encaminhadas ao Ministério Público Estadual e recentes casos de fugas.

Além da superlotação (com 16 pessoas a mais que a capacidade máxima), a unidade tem um galpão cujo acesso era restrito, com grade e cadeado, escondido por muros, onde há internos. As condições são absolutamente insalubres, com fezes e urinas pelos cantos, banheiro descoberto e sem vasos sanitários, dois chuveiros sem aquecimento, esgoto a céu aberto, quartos sem janelas, camas de cimento e madeira muitas vezes sem colchões, lençóis ou travesseiros. “A maioria dos internos estava descalço, sem evidências de possuir algum calçado, muitos seminus, sem higiene”, diz o relatório, que chama atenção ainda para o fato de que havia um paciente com tuberculose em decorrência do frio e da umidade e que presenciou um interno com deficiência física que se arrastava no chão para se locomover, sem ter acesso a nenhum tipo de auxílio que lhe facilitasse o deslocamento. Funcionários disseram que o período de internação normalmente é de 3 a 4 meses, mas internos afirmaram estar de 4 a 5 anos na comunidade terapêutica. “Há funcionários que exercem a função de vigia, usando colete de segurança, enfatizando a função de encarceramento dos internos”, descreve o relatório.

- Portal do Renascer, Rio de Janeiro. A ONG, filiada à Fundação para a Infância e Adolescência (FIA), permite visitas depois de duas semanas de internação, aos sábados, durante 1h e meia, na qual os parentes são revistados e só podem entrar quatro adultos por dia de visita. A fiscalização identificou medicamentação excessiva, encontrando adolescentes dopados. Muitos disseram que fazem uso de mais de uma substância por dia e que se ficam agitados ou “perturbam”, a dose é aumentada. O pátio abriga um mural com fotos de alguns internos “destaques do mês”, onde se lê “Homenagem aos garotos com bom comportamento (sem fuga). No próximo mês, queremos ver as fotos de todos”. “Um dos conselheiros afirmou que há um menino que precisa ficar em quarto separado dos demais por causa do ‘problema de homossexualidade’”, narram os relatores. Quanto às várias fugas dos últimos meses, o coordenador classificou como um “modismo passageiro”. De acordo com os adolescentes, quando fogem e são pegos, podem ficar até 5 dias presos no quarto sem sair. Recebem alimentação, mas a água é da pia.

- Clínica Gratidão, São Paulo. A mensalidade é de R$ 700 a R$ 1000 e, segundo o diretor, quando a família pede para tirar o filho da unidade por não ter dinheiro, ele parafraseia o Padre Haroldo, de Campinas: “Venda sua geladeira, seu botijão de gás e o que mais você tiver em casa para pagar o tratamento de seu familiar, porque se ele sair daqui vai vender isso tudo para comprar drogas”. A direção afirmou trabalhar a “espiritualidade” e não uma religião específica, mas há um pastor evangélico e culto todos os dias, com participação obrigatória dos internos. Um paciente espírita disse, ainda, que seu livro do Allan Kardec lhe foi retirado e queimado. O não cumprimento das regras enseja punições como proibição de fumar cigarro, impedimento de contato com a família, escrita reiterada do Salmo 119 da Bíblia, isolamento em um quarto, obrigatoriedade de cavar um buraco das dimensões de seu corpo “para que a pessoa veja que quando não obedece, está cavando a própria cova” e agressões físicas. Foi relatada, inclusive, a existência de um pedaço de madeira usado para bater nos internos, onde estaria escrita a palavra “Gratidão”.

A abstinência sexual é estimulada para “não desviar o tratamento espiritual”. “Muitos se consideram presos e desejam deixar a internação, mas são impedidos. Mesmo internos que ingressaram na unidade voluntariamente questionam o acesso limitado aos profissionais – psicólogo e psiquiatra apenas uma vez por semana – e a proibição de saída e de contato com a família”, apresenta o relatório. “Foi relatado que algumas pessoas são levadas, à noite, para agressão no campo. Os cachorros são utilizados como ameaças, principalmente em casos de fuga”, completa. A comissão de direitos humanos verificou que todos os internos usavam chinelo de dedo. Os coordenadores da comunidade alegaram que a exigência é para evitar roubo de tênis para trocar por drogas, mas os internos afirmam que é para dificultar a fuga. A direção diz não praticar o isolamento, mas os quartos têm grades e os internos afirmaram que são trancados em um dormitório por até 3 dias.

Os pacientes reclamaram também de atendimento médico negligenciado, exemplificando com um caso de picada de escorpião, dor de ouvido, gripe e obrigatoriedade de trabalho manual (sem remuneração) mesmo quando as mãos estão machucadas. Expuseram, ainda, que os funcionários debocham da orientação sexual de uma interna travesti. A queixa a respeito de constantes ofensas e humilhações foi confirmada pelo próprio diretor, ao afirmar que como incentivo usa frases como “você não é malandrão, é um bandido fracassado”. Caso os internos tenham respeitado as regras da casa, e os familiares comprovem que estão participando de atividades de programas como o “Amor
exigente”, que orienta familiares de dependentes químicos seguindo preceitos dos “doze passos”, as visitas são permitidas depois de 45 dias de internação. Correspondências e comidas são vistoriadas, entregues de acordo com o comportamento da pessoa, e as ligações telefônicas são monitoradas, por vezes feitas com viva-voz. Jornais, revistas, internet e TV são proibidos por “prejudicarem o desenvolvimento do tratamento”.

Manicômio

“Por cargas d’água, quando coloquei o joelho no chão, papai do céu ajuda. Pensei ‘meu deus, o que estão fazendo comigo? Não é isso que eu quero para mim, isso eu tenho certeza’”. Sebastião Aparecido, de 56 anos, é usuário de crack e vive na rua, na região da Luz, na chamada “cracolândia”, há 3 anos. Em meio à correria e repressão que tem enfrentado desde o início da operação militar implementada dia 3 de janeiro por Alckmin (PSDB) e Kassab (PSD), Tião aceitou sentar e contar um pedaço de sua trajetória. “Minha família me enfiou em um manicômio e isso não é perdoável. O pessoal de lá tratava a gente bem, mas era capela 24h por dia”, conta.

Não foi informado para onde estava sendo levado, “só sei que fica para aquele canto de quem vai para Ibiúna, no meio do mato”. Fez uma longa pausa e já sem o sorriso simpático que mostrava a falta de alguns dentes, afirmou: “Menina, eu fiz 6 meses de teologia, mas quando eu quis. Não por ser obrigado. Você não tem a sua livre espontânea vontade? Pois eu também tenho a minha. Cada um procura o que acha que é melhor para si”.

Tião conseguiu fugir do lugar onde foi internado, mas foi capturado logo depois que deu um jeito de comprar um maço de cigarros na estrada. “Lá dentro distribuí cigarro para todo mundo. Não está certo ajudar um camarada que está querendo fumar um cigarro faz 4 meses? Aí eles ficaram bravos e me expulsaram, para mim foi ótimo”. Quanto à liberdade de crença, disse que não era permitido se recusar a rezar. “Se alguém não quer, é castigo. Não pode assistir televisão, nem saber o que está acontecendo no mundo. Isso é uma coisa que eu acho muito importante, sempre passo na banca para pelo menos ler a primeira página do jornal e saber o que está acontecendo”, comentou. Ao ser perguntado sobre a abordagem de instituições religiosas aos usuários de crack e a possibilidade de internação compulsória, respondeu rapidamente: “O ser humano, quando quer fazer alguma coisa, ele faz. Se ele não quiser, não vai fazer. Não adianta pegar esse povo, do jeito que está sendo feito o negócio, e querer dominá-lo”.

Laborterapia

A conclusão do relatório do CFP aponta que “o modo de tratar ou a proposta de cuidado visa forjar − como efeito ou cura da dependência − a construção de uma identidade culpada e inferior. Isto é, substitui-se a dependência química pela submissão a um ideal, mantendo submissos e inferiorizados os sujeitos tratados. Esta é a cura almejada”. Ainda a respeito dos maus-tratos e humilhações que foram constatados, como internos enterrados até o pescoço, castigo de ter de beber água do vaso sanitário ou refeições com alimentos estragados, é citado um caso de uma comunidade terapêutica feminina. E o de uma mulher que decide interromper a internação e seu filho é dado, pela instituição, para adoção.

Outro aspecto que se confirmou como regra da prática das instituições visitadas foi o trabalho forçado e não remunerado que recebe, na justificativa das direções das comunidades terapêuticas, a mesma nomeação utilizada nos hospícios: laborterapia. Sob a justificativa de trabalhar o corpo para manter a mente ocupada, a realização das tarefas que mantém a estrutura física de muitas das instituições – como o preparo das refeições, a limpeza do espaço, a lavagem das roupas – é feita inteiramente pelos internos, de modo que a contratação de funcionários para realizar esse serviço é dispensada. “Trabalha-se para combater o ócio, para limitar a liberdade e submeter à ordem. Mas, também, trabalha-se para gerar lucro para outrem”, avalia o relatório.

Para Fábio Mesquita, a política do governo federal é “esquizofrênica”: “O Brasil carece de uma política pública sobre drogas há bastante tempo e há sempre uma luta política interna entre os repressores e os mais razoáveis, mas neste governo em particular se esperava mais”. “Agora parece que a reforma psiquiátrica vale para psicótico, mas seus princípios não se aplicam aos usuários de drogas”, avalia. Mesquita diz se incomodar também com a “passividade do governo federal com medidas como as tomadas pelo prefeito do Rio de Janeiro com internações compulsórias ou como as tomadas pelo governador de São Paulo na cracolândia na ‘operação sufoco’”.

Humberto Verona também salienta mudança brusca na política de saúde mental do governo Lula para Dilma. “A gente vinha acompanhando a construção de uma proposta dentro da Coordenação Nacional de Saúde Mental. Aí entra o governo Dilma e na discussão do plano para o enfrentamento desse problema, vai mudando o rumo que vinha sendo discutido com os profissionais e os movimentos sociais, que era de trazer os princípios construídos até então para a política pública”, diagnostica.

“O princípio do SUS é da liberdade, da autonomia do usuário, do respeito”, define Verona. Para ele, o conceito de autonomia é fundamental por se contrapor ao conceito de tutela, muito presente nas políticas das comunidades terapêuticas: “O sujeito é tutelado nesses ambientes porque tem os voluntários ou os técnicos que estão no lugar de quem sabe o que é melhor para ele”. “Você pode fazer isso, não pode fazer aquilo, tem que fazer isso a tal hora, tem que rezar”, exemplifica, dizendo que o conjunto de regras “tira do sujeito a autonomia e a vontade própria”. Humberto avalia que a partir do momento em que “você acha que o outro tem que seguir rigorosamente a sua verdade para ele ficar livre do problema que você acha que ele tem, não há limites”. “O conceito do SUS é de trabalhar com o sujeito a incorporação do autocuidado, que ele tenha uma responsabilidade consigo próprio e que ele possa ser o autor da sua própria condição de vida. Não é o profissional da saúde que sabe o que é melhor e vai dar a receita para aquele sujeito seguir”, explica. O presidente do CFP critica também o fato de a presidenta da República já ter feito uma série de reuniões com as federações e associações nacionais das comunidades terapêuticas e nunca ter recebido o movimento social e os profissionais que vêm debatendo a questão da saúde mental.

Verona frisa a incompatibilidade das duas diferentes propostas de cuidado no mesmo sistema de saúde pública. “Como é que podemos fazer conviver no mesmo sistema a ideia das comunidades terapêuticas com uma proposta que trabalha autonomia, responsabilização do sujeito por seus atos, na perspectiva da redução de danos?”, questiona. “Acreditamos que a droga em si não é o demônio, é uma substância que tem efeitos, uso histórico na humanidade e precisa ser tratada com a complexidade da relação humana com substância psicoativa”, afirma, chamando atenção para o fato de que “o conceito moral sobre a substância não compete à política pública”. “Esperávamos que o Plano de Enfrentamento ao Crack trouxesse todo o recurso para investir em cuidado para a política pública do SUS, em CAPS AD 24h em todas as regiões do país, consultórios de rua etc”, critica, ao dizer que a demanda que recebem é muito maior que os recursos permitem oferecer.

Motivações políticas

A decisão de institucionalizar o financiamento público às comunidades terapêuticas é, para Fábio Mesquita, “um profundo equívoco político e um erro técnico crasso”. “A medida parece ter sido tomada por pressão de bancadas religiosas do Congresso somada a setores da psiquiatria que são alinhados com a antirreforma psiquiátrica porque perderam poder e benefícios com as mudanças na área de saúde mental”, critica.

“Não podemos afirmar nada, temos suposições”, introduz Humberto Verona: “Pelo tamanho do investimento, pela insistência em não escutar os argumentos apresentadas por várias entidades da sociedade civil, eu acho que há aí premissas de campanha, outros interesses políticos de governabilidade e jogo que estão fazendo com que a política nacional se renda a esse tipo de coisa”. “Do ponto de vista da lógica da construção da política, não tem nada que justifique essa escolha”, conclui.

No final do ano passado, a Rede Nacional de Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA) soltou uma carta pública a respeito da possibilidade de as comunidades terapêuticas serem incorporadas como um recurso do SUS. “Identificamos como ponto de sustentação das propostas apresentadas pelo governo federal, a articulação existente entre a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, setores religiosos que se expressam no Congresso Nacional e as Federações das comunidades terapêuticas que são patrocinadoras do projeto político da ministra, senadora eleita pelo Paraná”, denunciam. Gleisi, de família religiosa, já chegou a pensar em ser freira antes de entrar no PT em 1989. A ministra foi nomeada por Dilma Rousseff como a liderança do grupo de trabalho que preparou a legislação que incluiu as comunidades terapêuticas no financiamento público.

“O risco que estamos correndo é de perdermos a reforma psiquiátrica no Brasil. O raciocínio que vai chegar inevitavelmente é ‘se internar no modelo de isolamento é bom para tratar quem usa droga, então é bom para quem tem transtorno mental também’”, alerta Verona. “Ficamos a um passo de desmontar a luta antimanicomial”.

Gabriela Moncau é jornalista.

Lessa dá nota 5 ou 6 para Dilma

Ex-presidente do BNDES no governo Lula também foi professor da presidente na Unicamp na disciplina de economia brasileira; para ele, Dilma tem ideia boas, mas não tem coragem para colocá-las em prática

Por Brasil 247

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Se ainda fosse professor de Dilma Rousseff na Unicamp, na disciplina de economia brasileira, Carlos Francisco Theodoro Machado Ribeiro de Lessa, deixaria a presidente de recuperação. Em entrevista à Folha, o também ex-presidente do BNDES no governo Lula dá nota 9 para o discurso da presidente, mas 5 ou 6 para a sua prática. “Ela tem boas ideias, porém não tem coragem de pô-las em prática”, diz.

Leia alguns trechos da entrevista de Carlos Lessa:

Modelo brasileiro

Na minha visão, o Brasil continua apostando na globalização, apesar da crise mundial dessa globalização.

Baixo crescimento

A desnacionalização explica muitas coisas. E o setor público não investe com clareza para apontar para onde o Brasil irá. O setor público continua prisioneiro do “Consenso de Washington”. Continua usando o modelo de metas da inflação, apesar de os europeus já estarem abandonando esse modelo. O Brasil continua fazendo uma política que prioritariamente é de estabilização, não de desenvolvimento. Mas faz um discurso a favor do desenvolvimento.

Dilma desenvolvimentista

Ela diz que é necessário abaixar a taxa de juros. Concordo integralmente. Então é preciso fazer uma política consistente para baixar para valer. Teria que mexer na taxa de juros do BC, na dívida púbica, tornar cada vez mais difícil essa corrida em cima dos títulos de dívida pública.

Petrobras

Vejo a Petrobras vendendo refinarias no exterior, dizendo que está perdendo dinheiro com gasolina, com gás de cozinha. Isso faz os empresários brasileiros duvidarem de que a Petrobras tocará para a frente o seu programa. Aí, se a Petrobras não vai, serei eu, dono da lanchonete da esquina, que vou apostar no crescimento brasileiro?

Energia

O Brasil vinha construindo uma estrutura energética que era a melhor do planeta, que quase não dependia de petróleo, carvão, gás.

Veio uma coisa surrealista: foi reduzido espetacularmente o peso da energia elétrica dentro da matriz. Começa com Collor, avança com Fernando Henrique e é absolutamente confirmada nos governos Lula e Dilma.

Minérios

Os chineses não são bobos e vão desenvolver sua própria Vale na África. Por mais algum tempo, a Vale irá muito bem, mas, a longo prazo, ela irá mal enquanto exportadora de minério de ferro. Se desaparecer a conexão importante com a China, o Brasil vai ficar num mato sem cachorro.

 

Saúde de Chávez evolui favoravelmente

Quadro de saúde de Chávez evolui favoravelmente, diz ministro venezuelano

Em comunicado à imprensa, Ernesto Villegas afirmou que o presidente do país está consciente, se comunica bem e está “a par das informações de seu interesse”

Por Época e Agência EFE

O ministro da Comunicação da Venezuela, Ernesto Villegas (Foto: EFE/Cortesía Prensa de Miraflores)

O ministro da Comunicação da Venezuela, Ernesto Villegas (Foto: EFE/Cortesía Prensa de Miraflores)

O presidente da VenezuelaHugo Chávez, se recupera de forma favorável da cirurgia onocológica à qual foi submetido no dia 11 de dezembro do ano passado, em Cuba, informou o ministro da Comunicação,  Ernesto Villegas, em rede de rádio e televisão. Segundo ele, embora Chávez ainda precise de “medidas específicas” para se recuperar da “insuficiência respiratória” causada por uma infecção pulmonar, o quadro de saúde do presidente evolui positivamente. ”Apesar de seu delicado estado de saúde depois da complexa intervenção cirúrgica, nos últimos dias a evolução clínica geral foi propícia”, afirmou o ministro. “O presidente se mantém cumprindo estritamente o tratamento médico”.

Além disso, Villegas disse que “Chávez está consciente, se comunica bem com sua família e com suas equipes política e médica, mantendo-se a par das informações de seu interesse”.

Durante o comunicado, Villegas pediu aos venezuelanos que se unam em oração nesta segunda-feira (14), dia da procissão de Nossa Senhora da Divina Pastora, “para que a Padroeira de Barquisimeto encha a Pátria de paz e felicidade”.

No comunicado oficial anterior, emitido no último dia 7, o governo informou que Chávez se mantinha “estável” e com uma insuficiência respiratória produzida por uma severa infecção pulmonar.