Eng. José Antonio Feijó de Melo em Ilumina
Repercutindo declarações de autoridades do setor elétrico nacional, dentre as quais se inclui a própria Presidente da República, vários jornalistas têm divulgado que os reservatórios do sistema hidrelétrico brasileiro estão se enchendo, afastando assim o risco de desabastecimento. Infelizmente, isto não é verdade.
Acompanhando de perto o dia-a-dia da operação do Sistema Interligado Nacional, podemos afirmar que infelizmente até agora não há sinal garantido de que os reservatórios estejam em fase de enchimento e que assim esteja afastada a possibilidade de crise de abastecimento. Infelizmente isto ainda não é verdade, conforme abaixo será demonstrado.
O chamado período úmido das grandes bacias em que estão situados os reservatórios do nosso sistema hidrelétrico basicamente começa no início de novembro e se estende por seis meses, indo até o fim de abril, quando então começa o período seco que vai até o final de outubro, e assim sucessivamente, ano após ano. Claro que pode haver certa variação, com pequenos atrasos ou adiantamentos, mas basicamente os períodos úmidos e secos obedecem esta seqüência bem definida.
Pois bem, no dia 31 de outubro passado, os reservatórios brasileiros acumulavam os seguintes volumes d’água: Subsistema Sul – 41,5%; Subsistema Sudeste/Centro-Oeste – 37,0%; Subsistema Nordeste – 33,9%; Subsistema Norte – 41,3%.
Agora, observem-se os armazenamentos registrados até a sexta-feira passada, dia 25 de janeiro: Subsistema Sul – 47,0%; Subsistema SE/CO – 34,4%; Subsistema NE – 30,8%; Subsistema N – 46,3%.
Note-se que já são decorridos praticamente três meses do atual período úmido, isto é, a metade de todo o período em que os reservatórios deveriam estar reenchendo de fato. E o que mostram os números acima citados?
Mostram que nestes três meses apenas os reservatórios do Sul e do Norte apresentaram alguma recuperação. Mas estes reservatórios têm pouco peso, pois somam apenas cerca de 10% do total. Enquanto isto, os reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste, que representam cerca de 70% do total, e do Nordeste que valem os 20% restantes não melhoraram nada. Ao contrário, baixaram mais um pouco.
Comparem-se então estes percentuais de armazenamento com a posição desses mesmos reservatórios no dia 25 de janeiro do ano passado (2012), mostrados a seguir: Subsistema Sul – 61,0%; Subsistema SE/CO – 74,5%; Subsistema NE – 68,6%; Subsistema N – 81,6%.
As diferenças são muito grandes, sem dúvida. E é por tudo isto que achamos que infelizmente ainda não há garantia de tranqüilidade para o setor elétrico nacional. Os três meses que ainda restam do atual período úmido (fevereiro, março e abril) poderão trazer chuvas fortes e vazões importantes para os grandes rios brasileiros, mas hoje ninguém poderá garantir com segurança que isto acontecerá, como também que não acontecerá, pois a Natureza é imprevisível e caprichosa. O fato é que a cada dia que se passa e as chuvas não aparecem nos grandes volumes que agora já seriam necessários, a probabilidade de crise cresce.
E se os reservatórios não se recuperarem razoavelmente até o final de abril, a partir de maio começará o novo período seco, de baixas vazões nos rios e aí, mesmo com todas as térmicas literalmente funcionando a todo o vapor, as condições do sistema ficariam bastante delicadas.
Em tempo: politicamente não sou da oposição e, embora não pertença a nenhum partido político, sou eleitor declarado de Lula e votei na Presidente Dilma.

