por Geiza Duarte, no Jornal da Globo
Para poupar reservatórios, usinas térmicas produzem energia mais cara.

Diante da possibilidade de racionamento de energia elétrica, o governo convocou os principais órgãos do setor elétrico para uma reunião em Brasília. Para poupar reservatórios no Sudeste, estão funcionando as principais usinas térmicas, que produzem energia a custo mais alto.
O ministro de Minas e Energia descartou o risco de racionamento. “Nós não estamos diante de nenhum perigo iminente”, diz Edison Lobão. O nível dos reservatórios das hidrelétricas, porém, é o pior dos últimos dez anos e preocupa os especialistas do setor.
“Nós estamos em uma situação muito próxima a chegar a esse limite mínimo tolerável”, afirma o especialista em energia Luiz Pinguelli Rosa. A usina de Furnas, em Minas Gerais, está com 12,31% do volume total. A situação é mais crítica nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, com o nível dos reservatórios em 28,5%. No Nordeste, está em 30,9%, e no Norte e no Sul, os reservatórios estão com 40% da capacidade.
Para piorar a situação, o consumo de energia elétrica não para de subir mesmo com o baixo crescimento da economia. Antes do início do verão, em novembro, houve a maior taxa de consumo de todo o ano passado, 6,3% superior à do mesmo período de 2011, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energética.
Na quarta-feira (9), representantes de vários órgãos do setor elétrico vão se reunir no Ministério de Minas e Energia para discutir o que fazer. O governo já está usando energia de 56 usinas térmicas, que é mais cara, e reconhece que o custo extra deve chegar ao consumidor. “Essa pequena diferença será repassada para o consumidor. Não chega a ser 1%”, diz Lobão.
Os especialistas dizem que o governo demorou a diagnosticar o problema. “Se a gente tivesse entrado com a geração termelétrica um ano antes, moderadamente, nós poderíamos estar em uma situação mais cômoda”, explica Pinguelli.
