Arquivos anuais: 2013

Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus-AM

Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto é uma das principais lideranças do PSDB. Foi senador, ministro do governo FHC e está pela segunda vez no É Notícia. Na entrevista concedida a Kennedy Alencar, Virgílio Neto apontou a alta da inflação como um dos motivos que levou milhares de pessoas às ruas na onda de protestos que tomou conta do Brasil nas duas últimas semanas. Para ele, além dos motivos já externados pelos manifestantes, como a insatisfação com os serviços públicos, o sistema político brasileiro e a corrupção, o ‘peso econômico’influenciou a mobilização popular.

 

Setor público registra superávit primário de R$ 5,68 bilhões em maio

Por Mônica Izaguirre e Murilo Rodrigues Alves no Valor

BRASÍLIA  –  (Atualizada às 10h55) O setor público não financeiro registrou, em maio, superávit de R$ 5,681 bilhões em suas contas primárias, conceito que exclui receitas e despesas com juros e outros encargos de dívida. Em abril, o superávit atingiu R$ 10,338 bilhões.

No acumulado dos primeiros cinco meses do ano, a sobra de receita primária alcançou R$ 46,729 bilhões, saldo mais baixo que o de igual período do ano passado, de R$ 62,865 bilhões.

Os números foram divulgados pelo Banco Central (BC) e se referemao desempenho fiscal de União, Estados, municípios e empresas sob controle dos respectivos  governos, excluídos bancos estatais, Petrobras e Eletrobras.

O resultado de maio especificamente foi bem melhor que o de igual mês do ano passado, quando se registrou saldo positivo de R$ 2,653 bilhões entre receitas e despesas primárias. Com isso, medido em 12 meses, o superávit primário subiu de R$ 85,788 bilhões para R$ 88,816 bilhões de abril para maio, passando de 1,90% para 1,95% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo BC para os respectivos períodos.

A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) da União exige para 2013 um superávit primário de pelo menos R$ 155,9 bilhões para o conjunto do setor público. Mas há na própria lei mecanismo de flexibilização da meta associado a investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Podem ser abatidos até R$ 65,2 bilhões. Considerando a meta flexibilizada por esse critério, até maio, o setor público alcançou 51,5% do valor mínimo exigido.

O superávit primário obtido pelo setor público em maio não foi suficiente para cobrir na totalidade as despesas com juros e correção sobre dívida. Esses gastos somaram R$ 20,2 bilhões no mês passado, levando a um déficit nominal de R$ 14,519 bilhões.

Na comparação com maio de 2012, quando as cifras foram, respectivamente, de R$ 18,717 bilhões e R$ 16,064 bilhões, houve aumento da conta de juros e queda do déficit nominal. O déficit caiu, mesmo aumentando a conta dos juros, porque o superávit primário subiu de R$ 2,653 bilhões para R$ 5,681 bilhões na mesma comparação.

Os números de maio ainda mostram aumento das despesas e avanço do déficit nominal na comparação com o mês anterior, pois em abril, os valores foram de R$ 18,008 bilhões (juros) e R$ 7,679 bilhões (déficit nominal).

Medido em 12 meses até maio, o déficit nominal do setor público correspondeu a R$ 130,605 bilhões, 2,87% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo BC. Nesse período, a conta de juros somou R$ 219,421 bilhões, o equivalente a 4,83% do PIB.

Na comparação com os 12 meses encerrados em abril, o déficit nominal diminuiu. No período, as despesas do setor público, incluindo as financeiras, superaram as receitas em R$ 132,151 bilhões, 2,93% do PIB. Os juros responderam, nesse intervalo, por gastos de R$ 219,421 bilhões, ou 4,83% do PIB.

” Não vamos embora”, avisa Valcke a manifestantes

Secretário-geral da Fifa diz que entidade é “alvo errado” dos manifestantes brasileiros, que protestam contra os custos das obras da Copa das Confederações e do Mundo; “A Fifa não vai embora. É fácil focar na Fifa e dizer Fifa, vá embora, mas esse não é o ponto correto”, afirma Jérôme Valcke; segundo ele, o plano agora é convencer as pessoas em todo o mundo a virem assistir aos jogos; dirigente diz esperar que o movimento não continue até o Mundial
:

Por Brasil 247

 Protestar contra a Fifa não é o foco certo, acredita o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, sobre as recentes manifestações que ocorrem em cidades de todo o Brasil. Em relação a cartazes que dizem “Fifa, vá embora”, o dirigente francês afirma que não adianta fazer esse pedido e que os manifestantes devem desistir. “Não vamos embora. Não adiante brigar conosco”, disse Valcke, numa entrevista concedida aos jornalistas Jamil Chade e Leonardo Maia, d´O Estado de S.Paulo.

“Vimos nas manifestações cartazes que pedem ‘Fifa, vá embora’. Nós somos o alvo errado. A Fifa não vai embora. É fácil focar na Fifa e dizer Fifa, vá embora, mas esse não é o ponto correto. Aquilo em que temos que nos concentrar é que o Brasil avance, e usar a Copa como um catalisador. Nunca vou admitir que dizer para a Fifa ir embora é a batalha correta a ser lutada. Não adianta pedir isso. Não é a batalha certa”, disse Valcke, que admitiu “surpresa” diante dos protestos.

O secretário-geral da Fifa declarou ainda que em um ano, daqui para a Copa do Mundo de 2014, não haverá tempo hábil para que o Brasil passe por uma “revolução” em termos de infraestrutura. “Parece que teremos que garantir uma melhor forma de conectar as 12 cidades para a Copa do Mundo, alguma forma mais fácil de voar entre as cidades. Tivemos a mesma situação na África”, explicou, acrescentando que “no Brasil teremos que trabalhar com o governo para garantir que quem quiser voar entre as cidades-sede possa fazer sem problema”.

Questionado sobre o próximo plano da Fifa para superar a imagem negativa que ficou, Valcke diz contar com a ajuda da imprensa. “Teremos que trabalhar a mídia, a própria Fifa e o governo para que possamos explicar ao mundo que protestos podem ocorrer, que são parte da democracia e que não significa que as pessoas não devem participar junto com os 32 times e ir aos estádios. Eu espero que o movimento que estamos vendo nas ruas, e que chegou até Brasília, não continue até a Copa do Mundo”.

Na última terça-feira, o deputado federal Romário, que sempre critica a Copa do Mundo e a Fifa, apontou todas as suas armas contra Valcke, chamando-o de “cara-de-pau, chantagista e corrupto”. Segundo Romário, “chega a ser uma piada” ouvir do dirigente que a Fifa não veio ao Brasil apenas para encher os cofres e ir embora. O ex-jogador citou ainda que parte desde lucro “vai ser para pagar o aluguel de uma cobertura no Leblon no valor de R$ 150 mil mensais para Valcke e sua família”.

Leia a íntegra do texto, publicado em sua página no Facebook:

Tem coisas que não posso deixar passar. Ontem o cara-de-pau, chantagista e corrupto do Jerôme Valcke negou que a FIFA venha ao Brasil encher os cofres e ir embora. Chega a ser uma piada ouvir uma frase como essa.

Um cara que disse há alguns meses que o mais importante em uma Copa eram os estádios e que o resto era secundário, não tem credibilidade para responder pela FIFA. Aliás, ele está no lugar certo, a FIFA é exatamente a entidade onde ele tem que estar. Por seu histórico de falcatruas desde o período do Havelange até o atual do Blatter.

Uma parte deste lucro da FIFA vai ser para pagar o aluguel de uma cobertura no Leblon no valor de R$ 150 mil mensais para Valcke e sua família. Detalhe, o contrato contempla desde a Copa das Confederações até o final da Copa do Mundo, em 2014.

O Financiamento Público – a questão central do plebiscito

Dilma com presidentes dos partidos da base. Somente o PP foi contra o plebiscito (Antônio Cruz/ABr)

por Emir Sader no Blog do Emir

Por que o governo propõe a convocação de um plebiscito? Há um sentimento difuso, em vários setores da sociedade, de que o sistema político não funciona. Uma das instituições mais desprestigiadas do pais – senão a mais desprestigiada – é o Congresso Nacional. A imagem dos políticos – e dos parlamentares em particular – é a pior possível.

Da esquerda até a velha mídia, todos criticam o Congresso. Os diagnósticos podem ser diferentes – a esquerda, porque o poder do dinheiro faz com que lobbies das minorias enriquecidas controlem o parlamento; a direita, porque, por definição, quer sempre governos e congresso fracos, para aumentar o peso do mercado e da mídia, expressões dos seus interesses e posições.

As mobilizações das últimas semanas também tiveram “nos políticos” um dos seus alvos preferidos, refletindo as reiteradas campanhas contra os parlamentares que correm sistematicamente na internet.

Uma das iniciativas do governo – aquela politicamente mais relevante – foi a convocação de um plebiscito para desbloquear iniciativas de reforma política – na verdade, reforma do processo eleitoral – que estavam paradas no Congresso e freadas nas tentativas de um acordo entre os partidos, levada a cabo por Lula.

Com boas ou más intenções, alguns setores tentam incluir uma quantidade enorme de questões na consulta ao povo, desde o voto distrital até o tipo de regime – presidencialismo ou parlamentarismo. Na prática, significa inviabilizar o plebiscito, seja pela quantidade e diversidade imensa de questões sobre as quais não haveria acordo e geraria prolongamento da discussão até impossibilitar a convocação do plebiscito, com a regulamentação necessária e o período de campanha, a tempo de ter validade para as eleições de 2014; seja por colocar questões outras, que tiram o foco que levou ao impulso popular pela reforma política.

Dentre todas as questões, aquela sobre a qual há maior consenso é a do financiamento público ou privado das campanhas eleitorais. Não significa que exista acordo, mas reconhecimento de que as negociações da reforma política emperraram nesse tema.

Ele é essencial – mesmo sob alegação de que não é suficiente para impedir o peso do dinheiro nas campanhas eleitorais – porque age contra a forma atual de financiamento, que transfere a desigualdade econômica para o processo eleitoral.

Atualmente pode-se dizer que um dos problemas maiores para que alguém possa se candidatar é o custo das campanhas, o preço para que uma pessoa possa fazer conhecer minimamente que é candidata. Cada um busca a resolução do problema da sua forma, mas quase todas desembocam em procurar o dinheiro onde o dinheiro está – nas empresas. Estas, por sua vez, encontram nesse mecanismo uma forma útil de ter os candidatos presos a seus interesses, financiando campanhas de vários candidatos, de distintos partidos.

Pode não haver um mecanismo formal e direto de cobrança pelos financiados em relação aos financiados, mas não há duvidas que ele existe. Pelo menos no financiamento da eleição seguinte, em que as empresas dirigirão seus recursos para aqueles que mais diretamente defenderam seus interesses.

A existência de grande número de lobbies no Congresso – do agronegócio, da educação privada, dos planos privados de saúde, dos proprietários privados dos meios de comunicação, das igrejas evangélicas, entre outros – expressa, de forma mais aberta, a presença dos interesses privados no Congresso.

O financiamento publico permitirá uma competição menos desigual entre os candidatos, evitando que o peso do dinheiro intervenha de maneira tão aberta no processo eleitoral.

Há sempre, por parte dos setores beneficiários e simpatizantes do financiamento privado, o apelo aos mecanismos mais egoístas das pessoas: “você gostaria que o seu imposto financiasse a campanha dos políticos?”. Uma pergunta que induz diretamente a uma resposta negativa.

Mas que traz embutida a consequência de que, se não é o setor público quem financia as campanhas, quem o faz? O mercado, o setor privado, projetando na campanha politica as desigualdades econômicas que caracterizam o Brasil como o país mais desigual do continente mais desigual do mundo. É deixar os representantes políticos ficarem reféns do poder econômico.

O fato de que a sociedade não se reconheça representada no Congresso, embora seja ela que o elege, se dá por isso, pela forma como as campanhas refletem o peso do dinheiro e condicionam fortemente a suposta liberdade de escolha dos cidadãos através do voto.

De forma que o Congresso não é o reflexo da sociedade, porque entre um e outro está a mediação do dinheiro, que falseia a representação politica. Como um de tantos exemplos, há na Câmara uma grande bancada do agronegócio, mas apenas dois representantes de trabalhadores agrícolas. Enquanto que, na realidade do campo no Brasil, os trabalhadores são a imensa maioria.

Uma aprovação do financiamento público vai encontrar grandes resistências – da mídia e boa parte dos partidos. Estes sentem que perdem poder nas negociações pelos votos que têm no Congresso, assim como pelo tempo que têm na televisão. O PMDB e tantos partidos de aluguel buscam sabotar o plebiscito ou se opõem diretamente a ele. A mídia porque, embora critique o tempo todo os políticos, precisa de um Congresso desmoralizado para enfraquecer a politica e a cidadania que se representa nela.

Será necessária uma campanha muito massiva e eficiente para que se desbloqueie uma das travas maiores para a eleição de um Congresso que seja a cara da sociedade brasileira. E para que essa oportunidade de resgate da política e das representações parlamentares da sociedade não se perca.

 

Tarso Genro anuncia criação de passe livre estudantil no RS

O governador do Rio Grande do Sul anunciou nesta quinta-feira (27) a criação do Passe Livre para estudantes que utilizam o transporte metropolitano no Estado. Serão beneficiados os estudantes da Região Metropolitana de Porto Alegre e dos principais aglomerados urbanos do Estado, que utilizam o transporte intermunicipal nestas regiões. Tarso disse ainda que vai abrir as planilhas do transporte coletivo metropolitana, recebeu manifestantes no Palácio Piratini e anunciou criação de uma Câmara de Justiça Restaurativa para apurar denúncias de excessos das forças de segurança do Estado.

Marco Aurélio Weissheimer na Carta Maior

 

Porto Alegre - O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, anunciou nesta quinta-feira (27) a criação do Passe Livre para estudantes que utilizam o transporte metropolitano no Estado. Serão beneficiados os estudantes da Região Metropolitana de Porto Alegre e dos principais aglomerados urbanos do Estado, que utilizam o transporte intermunicipal nestas regiões. O anúncio foi feito durante a audiência pública “Governo Escuta”, promovida pelo Gabinete Digital, na Sala de Gestão do Palácio Piratini. O governador anunciou ainda que vai abrir completamente à população as planilhas de custo do transporte coletivo da Região Metropolitana. “Queremos contar com a participação dos estudantes neste debate. A criação do passe livre não é uma benesse do governo, mas sim uma vitória do movimento. Espero que essa medida pegue em todo o Brasil”, afirmou Tarso.

Ainda segundo o chefe do Executivo gaúcho, o passe livre deverá entrar em vigor a partir do dia 1º de agosto. Além da Região Metropolitana de Porto Alegre, a medida beneficiará a aglomeração urbana do Litoral Norte, a aglomeração urbana Sul (eixo Pelotas/Rio Grande) e a aglomeração urbana Nordeste (eixo Caxias/Bento Gonçalves). Conforme nota divulgada pela assessoria de imprensa do Palácio Piratini, os estudantes beneficiados serão aqueles que residem em um município dessas regiões e estudam em outro, especialmente estudantes do ensino médio e universitário. Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) , por exemplo, que moram em cidades da Região metropolitana e utilizam um transporte regulado pela Metroplan terão passe livre.

Segundo cálculos do governo, a medida terá um impacto entre R$ 8 e 10 milhões ao ano, com um total de 200 mil passes livres/mês. O passe livre será criado por meio de um projeto de lei que será enviado semana que vem, em regime de urgência, para a Assembleia Legislativa.

Tarso Genro também anunciou a suspensão dos aumentos de tarifa que estavam previstos para o próximo mês. Em 1º de julho deveriam ser aplicados reajustes na ordem de 5,88% ao sistema metropolitano de transporte.

Segundo o Palácio Piratini, com a desoneração do PIS/Cofins e o esforço de convencimento do sistema (sem PIS/Cofins, teríamos que aplicar 1,74%, a Metroplan está chamando o setor para absorver este percentual, em busca do reajuste zero). “Estamos solicitando à Agergs a devolução e arquivamento do processo de reajuste”, disse ainda o governo.

Justiça restaurativa e conversa com manifestantes
No início da noite, Tarso Genro recebeu, no Palácio Piratini, integrantes do movimento Bloco de Luta pelo Transporte Público, que promoveu um ato nesta quinta, na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini. Os representantes dos manifestantes apresentaram uma série de reivindicações, entre elas: a redução das tarifas dos transportes coletivos, o aprofundamento das investigações de grupos neonazistas infiltrados no movimento e de possíveis excessos cometidos pela Brigada Militar.

O governador destacou as medidas anunciadas hoje, como o passe livre estudantil para a Região Metropolitana e a criação da Câmara de Justiça Restaurativa, destinada a apurar possíveis excessos e erros na ação das forças de segurança do Estado. Tarso admitiu problemas pontuais na atuação policial, mas defendeu que a Brigada Militar está passando por um processo de mudança de cultura, de polícia cidadã, e sua atuação “incomparável com os procedimentos de outros Estados”. Sobre a atuação de grupos neonazistas inflitrados no movimento, o governador garantiu que a Polícia Civil já está fazendo isso. O governador gaúcho se comprometeu de dar uma resposta por escrito, até a semana que vem, para todas as demandas apresentadas.
Fotos: Camila Domingues/Palácio Piratini

Com sumiço de Gleisi, Mercadante vira porta-voz e se cacifa para assumir a Casa Civil

O ministro da Educação vira principal interlocutor do governo em meio aos protestos e eleva rumores sobre migração na Esplanada

Por onde anda a ministra-chefe da Casa Civil? Na semana em que a presidenta Dilma Rousseff faz um de seus discursos mais importantes desde que foi eleita, a principal interlocutora do governo federal saiu dos holofotes. Em seu lugar, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, assumiu o papel de porta-voz do governo que acabava de anunciar uma proposta de plebiscito sobre a reforma política. Coube a Mercadante anunciar a decisão do governo em recuar sobre a Constituinte para lançar um plebiscito sobre o tema.

Nesta quinta-feira 27, em reunião com a base aliada para discutir a proposta de plebiscito para a reforma política, Gleisi Hoffmann, estranhamente, ficou ausente. Diferentemente de Mercadante, que estava à direita da presidenta, lado a lado do vice Michel Temer.

Depois da reunião, novamente estava lá o ministro da Educação para falar sobre dois temas considerados “essenciais” para o plebiscito: o financiamento de campanha e o sistema de votação eleitoral.

Apesar de a assessoria de imprensa da Casa Civil garantir que tudo segue dentro da “normalidade”, nos corredores do Ministério da Educação (MEC) já há rumores sobre a suposta substituição de Gleisi por Mercadante. Coincidentemente, não houve agenda pública do MEC com a presença do ministro nos últimos dias.

A troca deve acontecer em questão de dias, de acordo com um funcionário do MEC. Enquanto isso, o secretário-executivo da pasta, José Henrique Paim Fernandes, já é chamado de ministro interino nos bastidores.

Desde setembro do ano passado, petistas estariam tentando emplacar o nome de Mercadante na Casa Civil. A mudança teria apoio do PT do Paraná, base de Gleisi Hoffman. Para alguns correligionários, para se candidatar ao governo do estado, Gleisi deveria voltar para o Senado e se cacifar para enfrentar o tucano Beto Richa, o atual governador.

A ideia voltou a ganhar fôlego em meio aos protestos que tomaram as ruas do País. Mal vista após reconhecer que havia falhas da Funai no processo de demarcação de terras indígenas, a ministra ficou em maus lençóis depois que foi obrigada a retificar as informações sobre as tarifas de ônibus em São Paulo no dia 18.

Depois de informar que, com as desonerações feitas pelo governo federal, os municípios poderiam fazer reajustes menores ou até mesmo reduzir o preço das passagens (em até 0,23 centavos na cidade de São Paulo), o prefeito Fernando Haddad desmentiu a ministra, dizendo que “o reajuste da tarifa de ônibus no município já foi feito com base nas desonerações do governo federal”. “A tarifa em São Paulo já foi reajustada com a desoneração que seria possível. Se levássemos em conta a inflação, o valor ficaria em R$ 3,47″, frisou.

O monstro acordou

Fazer política no Brasil é ficar muitos anos sem conversar com o povo, descobrir as favelas só para pedir votos. Vai continuar sendo assim?

por Ferré  na Carta Capital

Protesto na periferia
Se você entrasse num bar de periferia há alguns anos e perguntasse o que eles acham do Movimento Sem Terra ou das “invasões”, como são comumente chamadas, os fregueses do bar, em sua maioria, diriam que era uma pouca vergonha e alguns até desafiariam o movimento a entrar em suas casas, ironicamente um barraco de madeira de dois metros quadrados.

De uns anos pra cá, quando se trata de qualquer movimento social, as conversas mudaram, o cidadão começou a prestar mais atenção no que anda rolando, com vários meios de comunicação agregados, como blogs, redes sociais etc. A notícia tem vários pontos de vista, todo mundo que tem um celular é um repórter, todo mundo que digita mensagens, também pode escrever um texto com sua opinião.

Já presencie cenas em que o ponto de vista de um senhor de 50 anos foi transmitido pelo seu neto, que viu na internet o fato e comentou com o avô.

E, quem diria, as conversas tão exaltadas do governo, segundo quem não existe mais miséria no Brasil, seriam um dia contestadas, não por intelectuais que conhecem de números e índices, mas sim pelo próprio povo que o elegeu.

Os protestos não se dão por um só motivo, muita gente sabe disso, mas a fragmentação do que querem é ainda maior. Uns lutam por hospital, outros pela reprovação da PEC 37, e a maioria pela moralização da política brasileira.

Vamos aos fatos na crua realidade do dia-a-dia. O que adianta ter carro, se as vielas não tem passagem, se chegar a qualquer lugar virou um desafio infinito de paciência? O governo diz que somos todos pedestres, pede respeito um ao outro, mas depois de uma hora no trânsito todo mundo vira um canalha.

São Paulo tem lindas pontes, para exibir seu congestionamento; lindos prédios para você ver enquanto caminha a pé na marginal; nossos moradores têm medo de assalto, alergia pela poluição. Fazemos brigas dignas de UFC ao vivo em qualquer lugar. Ter ponte igual à Europa não quer dizer que os postos de saúde têm sequer algodão.

É fácil se tachar e ser tachado de classe média e não poder pagar a luz de casa, não poder ter tevê a cabo, pois o arroz subiu de 6 para 10 reais em meses.

A classe média engorda os protestos, pois tudo que paga também não funciona – os planos de saúde marcam consultas para dois meses com especialistas. Está quase no padrão SUS.

A bolha falsa do progresso estourou, a caixa de Pandora se abriu, e isso é visível quando você vê o tiozinho que é fanático por futebol dizendo que esses gastos com estádio são “tiração” demais, pois sua cirurgia foi remarcada para o ano que vem, e os exames só valem mais três meses.

O monstro acordou, ninguém põe mais para dormir, tudo tem um limite e o nosso já chegou. Eles mentem na tevê, a gente se liga na internet, eles falam de pesquisas, a gente ouve as vozes das ruas, eles mudam de opinião, a gente desliga o rádio e vai pra rua ouvir algo mais contundente.

A balela em defender o patrimônio está caindo, não adianta morar bem e não poder abrir a janela.

Agora ninguém fecha mais, somos mais do que a luta por moradia, pelo direito de ir e vir, não podem nos tachar por classe social, pois todo mundo tá junto nessa. A cidade é nossa e essa briga também.

Os gritos são contra a roubalheira, contra apanhar de fardado por querer levar o pão para casa, por querer vender cd’s nas ruas – chega de levar tiro por estar no bar jogando sinuca.

Todos parecem querer olhar bem na cara do sistema e dizer: Nem sua mídia tá mais do seu lado, o cenário que eles vão encontrar aqui no ano da Copa é parecido com The Walking Dead, pois todos nós estamos na ilha de Lost.

Quem em qualquer periferia consegue manter a família do jeito que tá? No centro das cidades quantas empresas fechando, quantos pequenos comerciantes desistindo, pois todo tipo de mercadoria vem mais barato do estrangeiro?

Tenho dezenas de exemplos de amigos que sempre trabalharam duro e, agora, sem saída, estão vendendo tudo que têm, tentando correr atrás de outra possibilidade de manter sua família. Mas, se o progresso era tão festejado, onde ele está?

Nas passeatas, a força da multidão mandou baixarem as bandeiras de partido. Os que caminham com lenço no rosto não se identificam mais com nada que tenha siglas. Suas falas são contundentes.

Estamos todos cansados, de pagar, de apanhar, de cheirar fumaça, de ser trânsito, de perder celular no farol, de ser maltratado por todo mundo que tem um uniforme, de ser convencido a ter e não a ser uma pessoal melhor.

A resposta do governo é a de sempre – bala de borracha para o aluno que nunca teve material digno na escola, gás lacrimogêneo para o pai de família que não teve sequer inalação para o filho no posto de saúde, spray de pimenta para o camelô que luta o dia todo e viu que a marmita já estava azeda.

O que todos querem? É só ler as placas: hospitais padrão Fifa. Mas fazer política no Brasil é ficar muitos anos sem conversar com o povo, descobrir as favelas só para pedir votos.

O povo quer alguém que, ao descer as vielas, saiba andar nelas, quer ver o terno cheio de poeira, o colarinho aberto, o suor na pele não tão lisa, não tão branca, quer um deles com cara de nós.

O povo não quer pedir mais nada, quer exigir, por isso foi para as ruas, que são deles, que são nossas, mas onde não mais levamos nossos filhos para brincar.

Um sonho era ver brasileiros usando a bandeira não somente para os jogos.

Talvez tenhamos um plano mesmo para gerir esse país, sem que tenhamos que mudar as cores dos uniformes das escolas a cada troca de prefeitura, um país que não mude as gestões das subprefeituras a cada troca de vereador.

Talvez um país onde a escola particular seja igual à pública, onde o convênio e o SUS são parecidos em qualidade, onde a segurança não precise ser privada.

Ainda se tem muito para mudar, muito para exigir, e nossos motivos para protestar nunca foram tantos.

*Ferréz é escritor e fundador da 1DaSul, grupo que promover eventos e ações ligadas ao hip-hop no Capão Redondo, em São Paulo