Arquivo mensais:dezembro 2012

Tecnologia aprimora próteses mecânicas

Através de pesquisas cada vez mais desenvolvidas, equipamentos já existentes estão evoluindo se tornando formas mais naturais de adaptação para os portadores de necessidades especiais.

Acompanhe a reportagem no vídeo: http://globotv.globo.com/globo-news/jornal-globo-news/t/futuro-modo-de-usar/v/tecnologia-ajuda-na-evolucao-das-proteses/2243486/

 

 

A falta de seriedade dos Neoliberais Fernandistas

por Flavio Lyra(*)

É perfeitamente justificável que em função de diferenças ideológicas, diferentes analistas cheguem a diferentes conclusões sobre o mesmo fenômeno econômico, sem que esteja em jogo a seriedade dos autores. Porém, há situações em que o desprezo das evidências empíricas para justificar conclusões, com objetivos essencialmente políticos e corporativos, tornam difícil aceitar que os analistas estejam agindo com o mínimo de ética.

No dia 16 do corrente, os neoliberais fernandistas, Edward Amadeu e Armínio Fraga, publicaram no Estado de São Paulo o artigo “O fim da Herança Bendita”, cujo propósito já está implícito nitidamente no citado título: o de induzir à interpretação de que o bom desempenho econômico do país durante o governo Lula deveu-se a estratégia de política econômica adotada nos governos de FHC e mantida por esse governo até o ano de 2008, quando foi introduzida uma nova agenda.

Eis assim, mais uma obra prima do receituário neoliberal, que vem juntar-se ao artigo da “The Economist”, como parte de uma ação supostamente orquestrada para desestabilizar e desprestigiar o atual governo. Visam, assim, preparar o terreno para a volta ao poder do PSDB e seus aliados, bem como tentar revigorar o já desmoralizado receituário neoliberal de política econômica, tão de agrado das corporações financeiras.

Vejamos, o que dizem os referidos autores sobre as mudanças realizadas:

“Em lugar da sua continuidade, desde a crise de 2008 tem-se a segunda fase de reformas com o uso de instrumentos regulatórios, fiscais e tributários com o objetivo de microgerenciar a atividade econômica. Aqui se incluem a lei do Pre-sal, as regras de conteúdo nacional para as compras de estatais, o uso de bancos públicos e empresas estatais para dirigir o investimento e o consumo, a elevação de tarifas de importação, a mudança na base de tributação da previdência social, a redução do IPI de bens duráveis, o subsídio ao consumo de petróleo, a imposição de IOF sobre investimentos estrangeiros e a mudança do marco regulatório sobre produção de energia”.

Em seguida, eles concluem: “Só que o tiro saiu pela culatra. Ao eleger vencedores, a abordagem pró-negócios também elege os perdedores, que são evidentemente os empresários e trabalhadores da grande maioria das empresas, que não foram eleitas para serem as campeãs. Perde-se também em eficiência e produtividade, como bem sabemos do período do fim do “milagre econômico”. Finalmente, a taxa agregada de investimento do Brasil continua bem inferior a de nossos pares”

Os autores, para justificar sua tese de que é o maior intervencionismo que responde pelo baixo desempenho da economia brasileira em 2012, ignoram solenemente os seguintes fatos:

1.   O desempenho observado em apenas um ano, não é suficiente para caracterizar uma tendência e, que 2012 foi um ano especialmente difícil para a conjuntura dos grandes parceiros econômicos do país;

2.    Que, em desacordo com o corpo da nova estratégia, governo resolver manter um superávit fiscal elevado em 2011 e 2012, contribuindo para frear a expansão da demanda efetiva. Este erro, os autores deixam de mencionar, por fazer parte do receituário neoliberal. Fosse seu grupo, ainda, o corpo dirigente do país, provavelmente teria produzido uma queda do PIB, pois não haveriam reduzido a taxa básica de juros e, certamente, teriam produzido um superávit proporcionalmente mais elevado para atender o serviço da dívida pública e alimentar os ávidos bancos com lucros vultosos, como fizeram no passado.

3.   Que as reformas realizadas no segundo governo Lula, contrariando o que dizem os autores, já vinham ocorrendo antes de 2008, com destaque para a recuperação do BNDES como banco desenvolvimento. Isto, possibilitou aumento substancial do apoio financeiro a investimentos na indústria e na infraestrutura; com o aumento dos investimentos da Petrobras; e a recuperação da indústria de construção naval. Os aumentos do PIB, às taxas de 6,1% em 2007 e 5,2% em 2008, já foram influenciadas pelas mudanças na política econômica.

4.   As taxa de formação de capital na economia, a preços correntes, cresceu substancialmente nos últimos cinco anos, passando de 16,2% no qüinqüênio 2003-2005, para 18,9%. A preços constantes, o crescimento ainda foi maior. Portanto, a mudança de política foi muito bem sucedida do ponto de vista de romper o maior obstáculo à retomada do crescimento do país. Os autores ignoram inteiramente a mudança, por pura conveniência.

5.   A composição do passivo externo do país alterou-se favoravelmente ao investimento direto estrangeiro que passou de 35% do total no período 2003-2007, para 43,3% no último qüinqüênio, refletindo a maior preferência dos investidores estrangeiros a outros tipos de financiamento;

6.   A dívida pública líquida do país caiu de 38,8% do PIB no período 2003-2007 para 35,8% no último qüinqüênio, mostrando que o país tornou-se mais austero em matéria de gasto público. O déficit primário do orçamento em relação ao PIB caiu de 2,5% para 1,8%, comparando-se o último qüinqüênio com o anterior(**).

Lamentavelmente, os autores buscam ocultar que as fragilidades acumuladas pela indústria durante os governos de FHC, com a abertura da economia e sem qualquer política de estimulo ao investimento, foram os fatores principais de que resultaram as pífias taxas de formação de capital observadas no período. São elas os principais responsáveis pelas dificuldades, agora enfrentadas diante da conjuntura desfavorável da economia mundial, em crise desde o ano de 2008.

Ao que parecem, as fortes ligações dos autores com o capital financeiro, os fazem esquecer a necessidade de considerar os dados da realidade para tirar suas conclusões contrárias as políticas que favorecem os interesses dos bancos aos quais servem.

(*) Economista. Cursou doutorado de economia na UNICAMP. Ex-técnico do IPEA.

(**) As estatísticas em que se baseou este texto estão no documento: “Panaroma da Economia Brasileira e Estratégia da Política Econômica”, por Nelson Barbosa. Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, 13 de dezembro de 2012.

Os nós que impedem a solução da crise global

Coluna Econômica

A decisão da União Europeia, de colocar todos os bancos comerciais sob supervisão do Banco Central Europeu é um passo tecnicamente justificável, mas na direção de uma política desastrosa.

Hoje em dia, a crise bancária tornou vulneráveis muitos sistemas bancários nacionais. O rebaixamento de bancos e países por agências de risco torna mais caro a rolagem de dívidas e a captação de recursos.

Ao colocar todos os bancos (a partir de determinado volume de capital) sob suas asas, o BCE elimina o fator risco, reduzindo o custo de captação e rolagem das dívidas.

Mas não resolve o ponto central.

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A crise internacional foi decorrência do excesso de liquidez na economia, com a criação, sem controle, de inúmeras ferramentas financeiras que multiplicaram por várias vezes a capacidade de especular dos investidores.

Nesse período, os grandes bancos lograram o controle dos bancos centrais de seus respectivos países. Com o tempo, passou a haver uma articulação entre esses diversos BCs, dominados por economistas de determinados centros de pensamento econômico.

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Esta semana, o diário norte-americano “The Wall Street Journal” trouxe importante matéria mostrando a articulação de dez banqueiros centrais, todos eles egressos do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, o MIT.

Juntos, representam países que respondem por ¾ da produção econômica mundial. Desde 2007, esse grupo de banqueiros inundou o mundo com a emissão de US$ 11 trilhões.

Como explicam os repórteres Jon Hilsenrath e Brian Blackstone, “os banqueiros centrais forjaram o seu próprio caminho, independente de eleitores e políticos, unidos por conversas frequentes e por relacionamentos que às vezes remontam à época da universidade”.

Agora, planejam novo banho de liquidez, jogando uma aposta de altíssimo risco para a economia global, mesmo com os parcos resultados que esse tipo de política trouxe para a economia real. Desenvolveram uma teoria que o maior teórico das crises financeiras, Kenneth Rogoff, reputou como não comprovada.

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O excesso de liquidez tem servido exclusivamente para dar sobrevida às jogadas financeiras cada vez mais frequentes, que têm resultado em escândalos periódicos sendo coibidos pela Justiça dos diversos países

Mas em nenhum momento se tocou no foco central: o excesso de liquidez e os paraísos fiscais que vicejam em plena Europa, como centros gigantescos de sonegação fiscal e de trânsito de dinheiro de todas as procedências, do narcotráfico à corrupção política.

É o caso das contas numeradas nos bancos suíços, fonte permanente de escândalos dos quais o menos grave é o da sonegação fiscal por parte das grandes fortunas, em um período em que cortam-se serviços sociais para equilibrar as contas públicas.

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Nos últimos anos, esses escândalos pegaram o espanhol Santander, os britânicos HSBC e Barclays, os norte-americanos Goldman Sachs, JP Morgan e Bank of America, os franceses Société Générale e Crédit Agricole, o alemão Deutsche Bank, o suíço Credit Suisse.

Enquanto os BCs mundiais permanecerem capturados pelo mercado, não haverá saída para a crise.

A Murdochização definitiva da mídia brasileira

por Miguel do Rosário , n’O Cafezinho

reportagem de capa da Época desta semana revela a murdochização inexorável, definitiva e… cara de pau da mídia brasileira… Trata-se de uma matéria feita inteiramente com vazamentos seletivos fornecidos pela Polícia Federal.

O esquema de Murdoch na Inglaterra era parecido. Seus jornais subornavam policiais para obterem dados sigilosos dos desafetos ou vítimas da vez. A maioria das vítimas eram celebridades, cujas intimidades eram expostas na mídia. A coisa aqui, porém, é bem mais pesada. O mau caratismo murdochiano visava, na maioria das vezes, apenas o lucro. Na mídia brasileira, o esquema de vazamentos de dados sigilosos para órgãos de comunicação faz parte de uma estratégia de luta pelo poder.

A matéria da Época força a barra ao vender simples conversas entre Rose e os irmãos Paulo, ou dos irmãos entre si, sobre a Ação Penal 470, como “tentativa de influenciar o julgamento do mensalão”.

O envolvimento de Dirceu na história, entra, mais uma vez, de maneira nebulosa, sem qualquer prova de crimes. A matéria, assinada por Diego Escoteguy, que trabalhou na Veja, incorpora sem nenhum critério, do início ao fim, ilações desencontradas, baixa intriga e insinuações levianas.

O problema de alguns segmentos do jornalismo de escândalos assemelha-se ao da oposição politica: falta de objetividade e consistência. Uns não conseguem provas para embasar suas denúncias, outros não conseguem votos.

Ganhar a confiança da mídia é fácil, basta demonstrar ausência de escrúpulos quando se trata de chutar o “lulo-petismo”. Difícil é ganhar a confiança do povo.

Entretanto, temos aqui uma situação realmente grave: a luta política está se deteriorando para uma guerra suja e antidemocrática, onde já se pode vislumbrar a criação de uma frente golpista, que inclui os seguintes pontos:

  • Esquema de vazamentos seletivos de operações deflagradas pela Polícia Federal.
  • Rede de apoios entre procuradores, figuras corruptas da PF, empresários de mídia ligados à oposição.
  • Grupo de ministros do STF dispostos a violar princípios constitucionais básicos, interpretando a Constituição de maneira distorcida, ou contra legem.

A ação do STF é essencial ao esquema. Juízes tem procurado consolidar a tese, que é eminentemente golpista, de que tem o poder quase ilimitado para “interpretar a Constituição”. Existe interpretação da Constituição sim, mas voltada para o aprofundamento de seus princípios, e não contra eles. A Constituição, por exemplo, volta-se sempre em favor da democracia, em favor da presunção da inocência, em favor da preeminência do povo, só para citar alguns exemplos.

A reportagem da Época, porém, é traída justamente por seu tom exagerado e alarmista. Falta conteúdo. Pra piorar, ao final, reproduz uma conversa privada entre Adams, advogado-geral da União, e Weber, advogado-adjunto da mesma instituição, com ilações sobre quem seria “Paulo”.  O máximo que a revista conseguiu, após fuçar horas de conversas  convencionais entre dois funcionários da AGU foi uma frase de Adams perguntando se ele teria “ido no Paulo”. Adams diz que se referia a Paulo Kuhn, procurador geral da União, e ao jantar em sua homenagem. A reportagem, ao invés de ligar para o tal Paulo Kuhn, e perguntar se houve, de fato, tal jantar, prefere o suspense. Ou seja, o único momento em que a revista poderia acrescentar uma informação nova ao “dossiê” que recebeu do esquema golpista de vazamentos seletivos, não faz o serviço.

Não estou dizendo que Adams seja inocente, apenas ressaltando a criação de um ambiente onde todos são culpados. As mais inocentes conversas ao telefone são manipuladas com objetivo de se encaixarem em determinadas teorias. Cria-se, assim, um clima de chantagem perpétua contra qualquer autoridade e mesmo contra qualquer cidadão comum. Haveria, dentro da  Polícia Federal, um balcão de negócios para vender informações sigilosas? Murdoch vendeu muito jornal comprando sigilos da até então incorruptível Scotland Yard. Quando estourou o escândalo em Londres, um membro do esquema Murdoch revelou que pelo menos dez funcionários da respeitada polícia britânica estavam no bolso do magnata.

Se Murdoch conseguiu subornar membros da Scotland Yard, não é absurdo suspeitar que nossos barões midiáticos compraram agentes da PF, com objetivo de obter, com exclusividade, vazamentos das conversas captadas na Operação Porto Seguro, entre outros favores.

Pior que o vazamento, porém, é a sua seletividade, tanto dos trechos que interessam quanto do veículo a receber o material.  No mesmo momento em que vemos setores da mídia radicalizarem o discurso de oposição, e usarem seu poder de influência sobre o STF para obterem as vitórias políticas que não conseguem nas urnas, cria-se, dentro da Polícia Federal, núcleos de vazamentos seletivos de operações justamente para esses mesmos jornais?

Embora seja saudável vermos que a Polícia Federal tem autonomia para investigar a fundo membros do próprio governo, não me parece que o seja tanto a criação, dentro da PF, de um braço do grande esquema golpista. A coisa está ficando feia.  Condena-se sem provas, cassa-se mandatos ao arrepio da Constituição, e agora se promove vazamentos seletivos de informações sob segredo de justiça. A seletividade, claro, se dá em função dos interesses políticos do grupo que patrocina o esquema. É assim que operações enormes, que gravam uma quantidade colossal de conversas, a maioria das quais apenas conversas privadas, ou mesmo articulações de caráter político, se tornam fontes de material de chantagem. Esse é um poder eminentemente murdochiano. Se eu tenho em meu poder gravações que, mesmo que não oferençam nada de claramente comprometedor, podem ser facilmente manipuladas para causar grande dano político ou moral a uma autoridade, seja membro do executivo, parlamentar ou juiz, eis-me dotado de condições para chantageá-lo se não agir conforme a minha vontade. E assim se conseguem direcionar votações, remover nomes de relatórios finais de CPI, e impedir a abertura de outras comissões.

Previsão de crescimento da economia recua

Mercado piora aposta de crescimento do País em 2012
por  Renata Veríssimo, da Agência Estado

BRASÍLIA – A previsão do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2012 recuou de 1,03% para 1%, segundo a pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira. Essa foi a quinta revisão consecutiva para baixo. Para 2013, a estimativa passou de 3,50% para 3,40%, também a quinta queda seguida. Há quatro semanas, as projeções eram, respectivamente, 1,52% e 3,96%.

A projeção para o desempenho do setor industrial em 2012 continua negativa, mas acentuou a queda de -2,27% para -2,32. Para 2013, economistas preveem avanço industrial, mas a previsão de expansão caiu de 3,75% para 3,70%. Um mês antes, a Focus apontava estimativa de alta para o próximo ano de 4,15%. Foi a terceira revisão consecutiva para baixo da produção industrial em 2013.

Os analistas mantiveram a previsão para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB em 2012 em 35,10% e em 34% para 2013. Há quatro semanas, as projeções estavam em, respectivamente, 35,20% e 34% do PIB.

Inflação

O mercado elevou pela segunda semana consecutiva a sua projeção para o IPCA em 2012 no relatório Focus. A mediana das expectativas passou de 5,58% para 5,60% . Há quatro semanas, a projeção estava em 5,45%.

Para 2013, a mediana do IPCA projetada pelo mercado passou de 5,40% para 5,42%, voltando a um movimento de alta. Há um mês, a previsão do IPCA para o próximo ano estava em 5,39%. Para os próximos 12 meses, a projeção suavizada do IPCA subiu de 5,44% para 5,46%, quinta alta seguida. Há quatro semanas, a estimativa estava em 5,34%.

Entre as instituições financeiras do chamado Top 5, no cenário de médio prazo, a mediana das expectativas para 2012 foi mantida em 5,59%. Um mês antes, estava em 5,45%. Para 2013, essas mesmas instituições também mantiveram a projeção para o IPCA em 5,57%. Há quatro semanas, a estimativa era de 5,56%.

Juro

Analistas do mercado financeiro projetaram que a taxa Selic deve continuar em 7,25 % em 2012 e em 2013. A previsão vem sendo mantida há nove semanas, para este ano, e há cinco semanas seguidas para 2013.

Para o juro médio, a mediana também foi mantida em 8,47% para 2012 e em 7,25% em 2013. A taxa Selic esperada para o próximo mês também continua, há nove semanas, em 7,25%.

Dólar

O mercado financeiro manteve as projeções para o câmbio para este ano e em 2013 no relatório Focus. Conforme o levantamento, a estimativa para o dólar no final de 2012 segue em R$ 2,08. Há quatro semanas, a projeção estava em R$ 2,03. Para o fim de 2013, a projeção também segue em R$ 2,08. Um mês antes, o número estava em R$ 2,02.

Fidel Castro é indicado à vaga na Assembleia Nacional

Fidel Castro quer disputar eleições para deputado
Líder da Revolução Cubana também enviou carta ao vice venezuelano elogiando Hugo Chávez


HAVANA – Apesar de não aparecer em público há anos, o ex-líder cubano Fidel Castro foi indicado pelo Partido Comunista Cubano para disputar uma vaga na Assembleia Nacional do país. As eleições estão marcadas para o dia 3 de fevereiro de 2013.

“O líder da Revolução Cubana, Fidel Castro Ruz, vai liderar a representação de 25 candidatos ao Parlamento Cubano pelo município de Santiago de Cuba”, anunciou a televisão estatal ontem.

Fidel deixou a presidência cubana para o irmão Raúl, de 81 anos, em 2008, que três anos depois também assumiu o cargo de Primeiro Secretário do Partido Comunista Cubano, outra posição antes nas mãos do líder da Revolução Cubana. Apesar do afastamento da vida pública, Fidel foi eleito para o Legislativo cubano em 2008. Desde então, sua cadeira na Assembleia, postada ao lado da ocupada por Raúl, permanece vazia. O irmão mais novo também foi escolhido como candidato ontem, já que um assento no Parlamento é condição para que ocupe a Presidência.

As últimas imagens de Fidel foram divulgadas em outubro, após um longo período sem notícias sobre o líder e em meio a boatos de que estaria morto. Ontem, a mídia estatal cubana divulgou uma carta atribuída a Fidel e endereçada ao vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por ocasião dos oito anos da Aliança Bolivariana para os Povos da América (Alba).

Na mensagem, Fidel diz que os médicos cubanos “lutam com otimismo” pela recuperação do presidente venezuelano, Hugo Chávez, após a cirurgia de terça-feira em Havana, onde o governante sul-americano se trata de um câncer.

 

Lula no alvo da mídia

Os canhões midiáticos atiram contra Lula
por Dario Pignotti, na Carta Maior

Noticiar não é informar. A narração da atualidade, especialmente aquela divulgada em tempo real, busca impactar o telespectador, mesmo que o preço a pagar seja mutilar os fatos e escamotear dados indispensáveis para que o público saiba o que está ocorrendo. O que o distingue o espetáculo midiático, no caso brasileiro, é a deformação seletiva sobre praticamente tudo o que diz respeito a Lula. Nos últimos dias ficou demonstrado que as aberrações publicadas no Brasil agravam-se mais uma vez quando chegam ao noticiário internacional. O artigo é de Dario Pignotti.

Brasilia – Últimas notícias, extra, extra! “Lula viaja para a Europa, fugindo das denúncias de corrupção que o têm preocupado”; “Revelações do empresário Marcos Valério confirmam a vinculação de Lula com o mensalão”; “Golpeado pelas denúncias, o ex-presidente ameaça voltar a ser candidato”; “Lula ataca a imprensa”.

As manchetes acima são dos canais de televisão, sites da internet e alguns jornais brasileiros, nos últimos quinze dias.

Como se sabe, noticiar não é informar: a narração dos dias que correm, especialmente aquela divulgada em tempo real, busca, por definição, impactar o telespectador, mesmo que o preço a pagar seja mutilar os fatos e escamotear dados indispensáveis para que o público saiba o que está ocorrendo.

Contar de maneira anômala os acontecimentos é característico do espetáculo midiático global, nem sempre responde a motivações ideológicas. O que o distingue, no caso brasileiro, é a deformação seletiva sobre praticamente tudo o que diz respeito a Lula. O ex governante e líder do Partido dos Trabalhadores (PT) é um personagem crucial no panorama político do país e o dirigente brasileiro de maior estatura mundial – sua influência externa só se equipara à de Dilma Rousseff – e aquilo que se conta/inventa sobre ele, aqui em Brasília, às vezes sofre uma segunda distorção, ao chegar aos jornais de Washington, Buenos Aires ou Madri.

Tomemos alguns exemplos: “Revelações do empresário Marcos Valério confirmam a vinculação de Lula com o Mensalão”, foi uma das notícias na imprensa brasileira na semana que passou. Não é adequado chamar Marcos Valério de “empresário”; ele é na verdade um lobista que operou com o Partido dos Trabalhadores e que acaba de receber uma condenação no valor de 40 anos de prisão, por sua participação no mensalão, aquele escândalo de desvio de dinheiro público e outras irregularidades, ocorrido durante os primeiros anos da gestão de Lula (2003-2010).

Além disso, em que pese a imprensa local não ter dado por certo, as declarações de Valério ao Ministério Público estão longe de ser críveis, sendo a versão apresentada por um “corrupto” condenado na justiça, que busca atenuar sua pena por meio da “delação premiada”.

Também é inexato mencionar “revelações” aquilo que Valério disse, porque até o momento não se tem conhecimento de nenhum documento que apoie a sua versão, sem esquecer que nos corredores do Congresso, Valério se tornou conhecido como um personagem habituado a lançar bravatas vazias.

Nos últimos dias ficou demonstrado que as aberrações publicadas no Brasil agravam-se mais uma vez quando chegam ao noticiário internacional. Alguns veículos, além de terem dado por verdadeiro o que Valério afirmou, chegaram a citá-lo como o “sócio” de Lula, algo majestosamente falso.

Outro exemplo do oceano que separa os fatos de sua versão televisiva foi a notícia de que o ex mandatário viajou repentinamente para a Europa “escapando das denúncias de corrupção que o têm preocupado”.

Segundo informações obtidas por este correspondente em novembro, a viagem para a França e a Espanha não se montou com o objetivo de salvar a pele de Lula, já que tinha sido planejada com antecipação o suficiente para incluir um evento em Paris, realizado na quinta-feira passada, onde estiveram Dilma Rousseff e seu colega francês François Hollande. E até o cidadão menos informado sabe que a agenda dos chefes de estado não é um “arranjo” de última hora.

Numa bem documentada reportagem publicada pela revista Carta Capital, uma das poucas que denuncia os atropelos da Rede Globo, reportou-se que grandes veículos e grupos empresariais financiam uma fundação destinada a recompor o ideário conservador, a ensinar que só há democracia quando impera o livre mercado, enquanto estimula o ressentimento anti-PT e anti-Lula, como expoentes do populismo, do estatismo e da corrupção.

Mesas redondas e seminários organizados por essa entidade sustentada por empresas jornalísticas têm como tema recorrente o atual processo que se encerra no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a antiga cúpula do PT, do Mensalão, o suposto pagamento de subornos e desvio de dinheiro público que comoveu o país em 2005 e pôs em risco a gestão de Lula.

Essas vozes predominantes da imprensa elogiam a intransigência do STF no julgamento dos petistas responsáveis pelo Mensalão, sem mencionar que o mesmo tribunal inocentou o folclórico ex presidente Fernando Collor de Mello, por falta de provas (ele havia renunciado ao cargo para escapar de um impeachment) e que há dois anos ratificou a Lei de Anistia herdada da ditadura, desafiando a Corte Interamericana de Direitos Humanos que reclamou a sua derrogação.

A campanha eleitoral para a presidência, em 2014, está em curso e o bloco conservador sabe que a Justiça ou, para ser mais preciso, o STF, é um aliado indispensável para dissimular o déficit político resultado da fratura do Partido da Socialdemocracia brasileira (PSDB), a maior força de centro-direita, onde ainda não surgiu nenhum dirigente capaz de herdar a liderança do octogenário Fernando Henrique Cardoso, o ex-presidente que encarna o antilulismo puro sangue.

Lula é um bicho político tão popular como astuto e, ao falar em Paris durante o seminário aberto por Dilma Rousseff e Hollande, insinuou que pode voltar a ser candidato a presidente dentro de dois anos. Fez a afirmação de forma meio sinuosa, mas suficientemente clara, como que para que os executivos e donos de poder entendam a mensagem. E tremam.

Ele também falou da forma assimétrica com que as empresas de informação divulgam as notícias sobre casos de corrupção. “Quando um político é denunciado, sua cara sai na imprensa pela manhã, à tarde e à noite. Mas vocês já viram algum banqueiro corrupto no jornal? Sabem porque não o viram? Porque ele paga as propagandas dos jornais”, comentou Lula.

No dia seguinte a Rede Globo reportou que Lula tinha renovado os seus “ataques” à imprensa livre.

Tradução: Katarina Peixoto