Arquivo mensais:agosto 2012

Carta Desenvolvimentista número 4 – Contra a Censura aos Blogs Independentes de Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim

O PSDB entrou com representação contra os jornalistas Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim, os dois blogueiros de maior audiência do Brasil. Entre os argumentos do PSDB está a condenação ao patrocínio de uma estatal a esses blogs. A forma tão pessoal como estão colocadas as acusações parecem-nos uma perseguição jurídico-política com objetivo de calar aqueles que pensam de forma diferente, porque muitos outros blogs, jornais e sites da Internet recebem o mesmo tipo de propaganda e não são acusados de nada. A publicidade estatal no Brasil é hoje bastante democrática e inclusive oferece abundantes recursos para uma infinidade de meios de comunicação e sites na Internet, em especial para aqueles que conduzem campanhas radicais contra o governo. Mas sobre esses o PSDB nada diz.

Diferentemente de outros blogs influentes, o Blog do Nassif e do Paulo Henrique Amorim não estão vinculados a grandes grupos que oligopolizam os meios de comunicação no Brasil. Talvez por isso incomodem tanto. Isso faz com que a iniciativa do PSDB seja especialmente injusta, pois protege os grandes e fortes, e ataca os pequenos e fracos. Para tornar ainda mais perversa a situação, esses ataques tem o poder de influenciar agências de publicidade e anunciantes privados que temendo represálias ou vinculação de seus nomes em disputas políticas possam preferir não fazer publicidade através desses blogueiros sob ataque.

O ataque do PSDB não chega a ser novidade e lembra em muito uma campanha sinistra que ocorreu nos anos 50 contra o grande jornalista Samuel Wainer. Em seu livro de memórias, Samuel Wainer conta que apesar de seu jornal progressista e nacionalista – Última Hora – ter se tornado um dos mais populares do país, a linha editorial relacionada à política e economia, contrária a interesses econômicos poderosos e ao oligopólio da mídia, afastava patrocinadores privados. Essa campanha era às claras liderada pelo golpista Carlos Lacerda, chamado na época de “o corvo”. Por detrás do incendiário Carlos Lacerda, o grande inimigo das idéias trabalhistas do Última Hora, escondiam-se os grandes barões da mídia, em especial Assis Chateaubriand, o cidadão Kane brasileiro, dono da maior parte da imprensa brasileira.

Em artigo publicado em seu blog, no dia 28/07/12 – “Serra e a democracia de duas orelhas” -  o brilhante jornalista Mauro Santayana é incisivo ao denunciar o que pareceria ser uma ação obscurantista e totalitária de José Serra, candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSDB – que estaria por trás da iniciativa do partido, segundo o autor – e daqueles que o cercam, visando sufocar os que não rezam em suas cartilhas. Diz Santayana:

“José Serra quer calar os blogueiros “sujos”. E usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. O que está em questão — e os dois estarão de acordo com o raciocínio  —  é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da Internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.”

Nós Desenvolvimentistas, nos solidarizamos com os blogueiros Paulo Henrique Amorim e Luiz Nassif, repudiando esta iniciativa do PSDB de sufocar a liberdade de pensamento e informação que a Internet permite à sociedade, principalmente em um país no qual a informação é dominada por um fechado cartel de barões da mídia.

 

O PSDB entrou com representação contra os jornalistas Luis Nassif e Paulo Henrique Amorim, os dois blogueiros de maior audiência do Brasil. Entre os argumentos do PSDB está a condenação ao patrocínio de uma estatal a esses blogs. A forma tão pessoal como estão colocadas as acusações parecem-nos uma perseguição jurídico-política com objetivo de calar aqueles que pensam de forma diferente, porque muitos outros blogs, jornais e sites da Internet recebem o mesmo tipo de propaganda e não são acusados de nada. A publicidade estatal no Brasil é hoje bastante democrática e inclusive oferece abundantes recursos para uma infinidade de meios de comunicação e sites na Internet, em especial para aqueles que conduzem campanhas radicais contra o governo. Mas sobre esses o PSDB nada diz.

Diferentemente de outros blogs influentes, o Blog do Nassif e do Paulo Henrique Amorim não estão vinculados a grandes grupos que oligopolizam os meios de comunicação no Brasil. Talvez por isso incomodem tanto. Isso faz com que a iniciativa do PSDB seja especialmente injusta, pois protege os grandes e fortes, e ataca os pequenos e fracos. Para tornar ainda mais perversa a situação, esses ataques tem o poder de influenciar agências de publicidade e anunciantes privados que temendo represálias ou vinculação de seus nomes em disputas políticas possam preferir não fazer publicidade através desses blogueiros sob ataque.

O ataque do PSDB não chega a ser novidade e lembra em muito uma campanha sinistra que ocorreu nos anos 50 contra o grande jornalista Samuel Wainer. Em seu livro de memórias, Samuel Wainer conta que apesar de seu jornal progressista e nacionalista – Última Hora – ter se tornado um dos mais populares do país, a linha editorial relacionada à política e economia, contrária a interesses econômicos poderosos e ao oligopólio da mídia, afastava patrocinadores privados. Essa campanha era às claras liderada pelo golpista Carlos Lacerda, chamado na época de “o corvo”. Por detrás do incendiário Carlos Lacerda, o grande inimigo das idéias trabalhistas do Última Hora, escondiam-se os grandes barões da mídia, em especial Assis Chateaubriand, o cidadão Kane brasileiro, dono da maior parte da imprensa brasileira.

Em artigo publicado em seu blog, no dia 28/07/12 – “Serra e a democracia de duas orelhas” -  o brilhante jornalista Mauro Santayana é incisivo ao denunciar o que pareceria ser uma ação obscurantista e totalitária de José Serra, candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSDB – que estaria por trás da iniciativa do partido, segundo o autor – e daqueles que o cercam, visando sufocar os que não rezam em suas cartilhas. Diz Santayana:

“José Serra quer calar os blogueiros “sujos”. E usou o seu partido para isso. Dois nomes são mencionados, Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. O que está em questão — e os dois estarão de acordo com o raciocínio  —  é muito maior do que eles mesmos e todos os outros franco-atiradores da Internet. O problema real são os limites que querem impor à democracia.

Ao que parece, há uma liberdade de imprensa para uns, e outra para os demais. Os grandes veículos de comunicação combatem o governo e recebem dele vultosas verbas de publicidade, como é do conhecimento geral. Alguns poucos blogs, por convicção, defendem o governo federal, mas, conforme o PSDB, estão impedidos de receber verbas publicitárias das empresas estatais.”

Nós Desenvolvimentistas, nos solidarizamos com os blogueiros Paulo Henrique Amorim e Luiz Nassif, repudiando esta iniciativa do PSDB de sufocar a liberdade de pensamento e informação que a Internet permite à sociedade, principalmente em um país no qual a informação é dominada por um fechado cartel de barões da mídia.

Carta Desenvolvimentista número 4

Politica externa justa

Tradução do Inglês de Giovanni G. Vieira do Abaixo-Assinado da "JUST FOREIGN POLICY".
 
A organização americana "JUST FOREIGN POLICY"(Política Externa Justa) faz um apelo, através do presente abaixo-assinado, as autoridades inglesas para que não extraditem Julius Assange para os Estados Unidos, onde o dirigente do "Wikileaks" corre o risco de ser condenado à morte por ter revelado documentos que expôem inúmeras ações ilegais de governos, organizações políticas e grupos econômicos norte-americanos, europeus, latino-americanos e outras nacionalidades.
 
Depois de seis semanas na embaixada do Equador em Londres, onde julius Assange se encontra sob a proteção do governo equatoriano, permanece grande a possibilidade de ele ser extraditado para os Estados Unidos.
 
Enquanto isso, as autoridades do Equador tentam obter uma resolução diplomática com garantias dos Estados Unidos, Grâ-Bretanha e Suécia de que Julius Assange não será extraditado para os Estados Unidos, caso ele regresse à Suécia para prestar depoimento.
Mas até agora não houve nenhuma resposta dos três países.
Sabe-se, também, que o governo sueco recusou proposta  para entrevistar Assange na embaixada equatoriana.
Ciao,
Giovanni
————————————*****—————————–
— Mensagem encaminhada —–
De: Just Foreign Policy <info@justforeignpolicy.org>
Para: giovannisbrocca@yahoo.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 3 de Agosto de 2012 6:20
Assunto: Thank you for telling the UK not to consent to US extradition of Assange!

Dear Giovanni,

Thank you for telling the UK not to consent to US extradition of Julian Assange.
Could you also help spread the word by asking your friends to sign the petition? We have provided some sample text for you below to email your friends. You can also share this action on Twitter and through Facebook.
Thank you for all you do for a just foreign policy,

Megan Iorio, Sarah Burns, Chelsea Mozen and Robert Naiman
Just Foreign Policy

Help us build for a Just Foreign Policy
Your financial contributions to Just Foreign Policy help us create opportunities for Americans to advocate for a just foreign policy.
http://www.justforeignpolicy.org/donate.html

For your friends:
Since June 19, Wikileaks' Julian Assange has been holed up in the Ecuadorean embassy in London while his application for political asylum is reviewed. Meanwhile, Ecuadorean officials have been trying to reach a diplomatic resolution by seeking assurances from the US, UK, and Swedish governments that Assange will not be extradited to the United States if he travels to Sweden for questioning. But all three governments have remained silent on the issue. It is also being reported that the Swedish government has refused an offer to interview Assange at the Ecuadorean embassy.
But there is still hope. A senior legal advisor to the Ecuadoreans told the Guardian that the UK must waive what is called “speciality” for Assange to be extradited to the US after proceedings in Sweden are complete. If the UK were to give assurances that they would not waive specialty, Assange would be safe to venture to Sweden for questioning.
To date, there hasn't been much public pressure on the UK government to declare its intentions with regard to Assange. Let's change that. Sign our petition pressing the UK to publicly declare that it will not waive specialty in the case of Julian Assange.
http://www.justforeignpolicy.org/act/uk-dont-allow-us-extradition-assange

Thanks!

envolvi] em Portugal, a esperança nãomorre


A esperança não morre

por Miguel Urbano Rodrigues

Adolfo Casais Monteiro escreveu no final dos anos 50 que "era difícil ser português". Expressou uma realidade.

Humberto Delgado estava refugiado na Embaixada do Brasil e naquela época a imagem do fascismo era medonha nos meios intelectuais brasileiros.

Conheci no exílio essa situação. Os amigos perguntavam como podia o povo português suportar há décadas uma ditadura tão obscurantista como a de Salazar. As nossas explicações para a sobrevivência do regime não convenciam.

Transcorrido meio século, a situação em Portugal faz-me recordar o desabafo de Casais Monteiro num contexto histórico muito diferente.

A crise do capitalismo irrompeu nos EUA e alastrou pelo mundo. Mas em Portugal os seus efeitos inserem-se num quadro que pelas suas facetas humilhantes é difícil compreender e explicar.

Cada manhã, quando abro o computador e tomo conhecimento das últimas notícias e à noite, ao acompanhar os noticiários da televisão e ouvir resumos de declarações de ministros e deputados dos partidos da burguesia e de falas do primeiro-ministro, sou tocado pela estranha sensação de assistir a uma farsa intemporal num país inimaginável.

Temo que não exista precedente para uma situação como a de Portugal neste ano sombrio de 2012.

Sei que os trabalhadores irlandeses, gregos e espanhóis, entre outros, sofrem duramente as consequências de políticas impostas pelo grande capital internacional em nome de uma "austeridade" que empobrece mais os de baixo enquanto enriquece os de cima.

O que diferencia então o caso português dos demais?

Aqui a linguagem, o comportamento, o arrogante exibicionismo dos responsáveis pelo trágico agravamento da crise são irrepetíveis, ao exigirem "sacrifícios" aos explorados e oferecerem prebendas aos exploradores. Tudo em nome do interesse nacional, da salvação da Pátria. O discurso lembra o do fascismo.

Cartoon de Fernão Campos. Mas creio que nem no auge do fascismo Salazar tenha reunido em qualquer dos seus governos um feixe de ministros e secretários de estado comparável ao gabinete formado por Passos Coelho. Com a peculiaridade de o Partido Socialista, cúmplice do binómio que desgoverna o Pais, participar conscientemente da tragédia social e económica em desenvolvimento.

Politólogos, professores de discurso pomposo (alguns formados em universidades de fantasia), jornalistas de pretensa sabedoria analisam em múltiplas e insuportáveis mesas redondas a crise e, com raríssimas excepções, alinhem com o governo ou não, destilam anticomunismo, identificam no presidente Obama um grande humanista e justificam as guerras imperialistas.

A política de "austeridade", a submissão servil ao diktat da troika, o roubo de salários, a supressão dos subsídios de natal e de férias, o aumento de impostos sobre o trabalho, os despedimentos sumários configuram já o funcionamento de mecanismos de uma ditadura de facto da burguesia, mas o coro dos epígonos fala com orgulho farisaico da "nossa democracia".

A engrenagem que ostenta as insígnias do Poder é servida por uma equipa de pesadelo.

O Primeiro-ministro merecia figurar no Guiness. Impressiona pela vastidão da ignorância, pelo vácuo intelectual.

Estranhamente, fala como se fosse detentor do saber universal. Quase diariamente enaltece os benefícios da sua política neoliberal ortodoxa, afirmando que o povo a compreende, mas é recebido com vaias em todas as cidades e vilas onde aparece.

Conheci-o em 1991. Eu era então secretário da Comissão de Negócios Estrangeiros da Assembleia da Republica, ele um jovem deputado que liderava a Juventude do PSD.

Recordo que quando pedia a palavra bolsava tanta asneira que, por decoro, lhe pedia que abreviasse as suas arengas.

O ministro Relvas ganhou notoriedade por talentos que lembram os de vilões de tragédias shakespearianas. O ministro da Economia escreveu livros "criacionistas" [NR] que principiam agora a correr de mão em mão como obras de contornos extraterrestres. São apenas três figuras de um painel governativo impar na Europa comunitária.

O Presidente da Republica, um reaccionário quimicamente puro, apoia o descalabro.

É essa gente que, desfraldando o estandarte da democracia, garante que "os portugueses" apoiam a ditadura de classe que os afunda na miséria.

Desaprovo as analogias em política. Mas este governo, pelo absurdo, pela crueldade social, pelo exibicionismo ridículo, pela submissão ao capital faz-me lembrar atitudes do subsaariano Imperador Bokassa da Republica Centro Africana.

É tão transparente o repúdio popular pela estratégia de Passos e seus rapazes que até Pacheco Pereira – o mais inteligente e culto dos ex-dirigentes da direita – sentiu a necessidade de escrever um artigo ( Publico, 28 de Julho de 2012) desancando o sistema. Nele pergunta: "Como devemos cruzar-nos com os credores? De alpergatas, trabalhando 10 horas por um salário de miséria?". Ele próprio responde que em breve o povo acordará, "porque estas coisas, uma vez maduras, não escolhem nem dia, nem hora".

A História de Portugal lembra que a esperança não morre no povo. Quando a opressão atinge um nível insuportável, as massas levantam-se e assumem-se como sujeito da ruptura.

Foi assim em 1383, na guerra da Restauração em 1640, e no 25 de Abril de 1974.

Os actuais inimigos do povo, Passos&Companhia, instrumentos do capital e do imperialismo, vão desaparecer na poeira da História. A obra é devastadora, os autores figurinhas liliputianas.

Vila Nova de Gaia, 01/Agosto/2012

[NR] Álvaro Santos Pereira, Diário de um Deus Criacionista , Ed. Guerra&Paz, 204 pgs.
Excerto:   "Esta é uma obra de ficção, e qualquer semelhança com a realidade poderá ou não ser coincidência. Só Deus saberá. Este é um diário da História de Deus e da Sua solidão infinita durante biliões e biliões e biliões e biliões de anos e da Sua magnífica Obra e da incrível criação dos universos e do Tempo e das estrelas e da expansão desmesurada do Cosmos que atingiu uma enormidade tal que deixou o Divino com os nervos em franja"

.

O original encontra-se em http://www.odiario.info/?p=2566

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .