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Presidente nacional do Psol "PSDB foi incompetente e PT perdeu sua essência", afirma líder do Psol Ex-petista, deputado paulista critica polarização política e aposta em vitórias importantes em 2012 Pedro Venceslau
Ex-petista, o deputado paulista Ivan Valente é o terceiro entrevistado da série do BRASIL ECONÔMICO com os presidentes dos principais partidos políticos brasileiros.
Se o Psol chegar ao poder um dia no Brasil, haverá uma onda de estatizações? O Psol tem a posição que setores estratégicos da economia têm que ficar na mão do estado. Isso é uma alavanca do desenvolvimento e da distribuição de renda. A Vale do Rio Doce é estratégica. O subsolo brasileiro está em jogo. Quando a Vale quase se fundiu com uma mega multinacional chamada Xtrata, ela teria desnacionalizado o centro de decisões. A Ambev, hoje, é desnacionalizada.
Acha que a Ambev devia ser estatizada? Não, pois não é um setor estratégico. Mas eu defendo a reestatização da Vale do Rio Doce.
O que diferencia o PT do PSDB? O PT ainda preserva uma ligação muito maior com os setores populares. O PSDB foi incompetente. É um partido da elite brasileira. Não foi capaz de fazer um "Bolsa Família" ou melhorar o salário mínimo. Mas os dois partidos seguem a mesma política econômica. O governo Dilma usa o BNDES como instrumento de ativação da economia emitindo títulos públicos e aumentando a dívida pública.
O Psol hoje é o PT dos anos 80? O partido resgata o programa democrático e popular da década de 80 e os princípios que nortearam a formação do PT. Nas grandes questões da política do país, o Psol se posiciona de maneira diferenciada. Veja o caso da Lei Geral da Copa. Querem transformar o Brasil em um protetorado da Fifa. Só o Psol votou contra. Fomos nós que propomos a CPI da Dívida Pública. Isso é um tabu da política econômica brasileira. Podemos dizer que o PT foi muito importante na década de 80, mas perdeu sua essência. A defesa na ética na política acabou ficando com o Psol. Vi que o sr. comemorou muito nas redes sociais os resultados das primeiras pesquisas de opinião da eleição 2012… Os resultados foram bons para o Psol, que é um partido novo, de apenas sete anos. Na eleição municipal de 2008 éramos um partido em constituição. Em Belém, estamos disparados em primeiro lugar com o Edmílson (Rodrigues). Ele foi prefeito por oito anos. Em Macapá, o Clécio Luís está em empate técnico com o prefeito. E no Rio de Janeiro, o Marcelo Freixo está em segundo lugar com dois dígitos. Ele está ganhando amplos setores formadores de opinião e tem potencial de subir ainda mais. Existem muitos dissidentes petistas aderindo ao Psol na campanha? O Psol tem condições de arrastar uma parte grande do eleitorado petista que está insatisfeito. Um número grande de militantes petistas já aderiu à candidatura do Freixo no Rio. Assim como no PDT tem muita gente insatisfeita com o "blocão" que apoia o Eduardo Paes. EmFortaleza o Psol também está muito bem. Estamos com candidatura na cabeça em 23 das 26 capitais. No Rio, o Freixo está sendo apoiado amplamente por todos os artistas ligados à Globo e cantores: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Djavan…
Como está o processo do vereador do Psol de Goiânia que apareceu nas gravações da Polícia Federal no caso Cachoeira? Isso não maculou a imagem do partido? O fato de o nosso vereador ter sido citado gerou uma reação imediata do partido. A Comissão de Ética está investigando essa situação. Já foram feitas duas reuniões e ele será ouvido pela CPI. Uma ex-militante do Psol acusou o partido de blindar esse vereador na CPI… Essa ex-militante fez acusações infundadas e está sendo processada por isso. Como o Psol faz para ser competitivo sem arrecadar recursos privados? O partido tem muito trabalho voluntário, generoso e consciente, como o PT já teve. Nosso marqueteiro em Belém, o Luís Arnaldo, foi preso político comigo em 1977. Mas pequenas empresas podem contribuir. Qual é o critério? Estatutariamente, não pode ser monopólio ou multinacional. Eu particularmente fiz (em 2010) uma campanha (para deputado) com R$ 214 mil em São Paulo. E tive 190 mil votos. Não há nenhuma pessoa jurídica na minha doação. Eu prefiro assim. O Psol é mais flexível do que eu. Também vamos arrecadar pela internet. Não podemos ficar reféns do poder econômico. Se o Psol um dia chegar à Presidência da República, como ele vai governar sem fazer alianças com os partidos que não são de esquerda? Essa questão deve ser vista no seu tempo. Quero lembrar das eleições de 1988, quando nós éramos todos do PT. O partido naquele ano ganhou prefeituras muito grandes, como Porto Alegre, São Paulo, Santos, Campinas e Ribeirão Preto. O (Antonio) Palocci governou lá com um vereador só. A Telma de Souza tinha dois vereadores em Santos. A Luiza Erundina tinha cinco em São Paulo. No entanto, quando tentaram cassar o mandato dela, nós convocamos a população e reunimos 50 mil pessoas na porta da Câmara e os conservadores recuaram. O maior pecado do PT foi desmobilizar a força social de mudança quando chegou ao poder. O que a CUT fez em oito anos? Nada. Hoje é uma entidade sem força, sem energia. Ela foi cooptada. Perdeu autonomia. A UNE virou um movimento oficialista. Não ataca a política econômica do governo. |
Entrevista: Ivan Valente
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