Arquivo mensais:junho 2012

Começa estourar a bolha do mundo X de Eike

Começa estourar a bolha do mundo X de Eike 

Sabe aquele petróleo todo que Eike Batista prometia a seus investidores? Não existe. E, num só dia, as ações de suas empresas derreteram; estouro da bolha deveria colocar em alerta o governo e a própria Petrobras, que já começavam a estudar parcerias com o bilionário popstar


247 – Eike Batista corre o risco de entrar para a história das finanças como a maior bolha financeira individual de todos os tempos. Na história do capitalismo, já houve várias manias de investimento, seguidas de crashes e desilusões. Bolha das tulipas, bolha das ferrovias, bolha do ouro, bolha da internet… Mas nunca houve uma bolha concentrada nas promessas de um único indivíduo. Eike Batista talvez abra este precedente.

Na noite de ontem, a maior de suas empresas, a OGX comunicou ao mercado que todo aquele petróleo prometido não era tão grande quanto se imaginava. As reservas do campo de Tubarão Azul tinham um terço do que se previa. Resultado? As ações da OGX caíram 25% no pregão desta quarta-feira. A queda acumulada no ano já supera 55% e Eike tentava acalmar investidores, numa conferência programada para o início da noite.

Outras ações do “mundo X”, empresas de Eike Batista criadas com esta letra no nome por superstição, também sofreram no pregão desta quarta. A LLX, que constrói o Porto do Açu, no Rio de Janeiro, caiu 7,88% – o tombo no ano soma 52,6%. A mineradora MMX desabou 6%, acumulando queda de 25% no ano. E a OSX, empresa que de navegação, recuou 13%, somando retração 40% no ano.

O que há de comum a esses negócios é que estão em fase pré-operacional. Não produzem, são apenas promessas. Ainda assim, Eike conseguiu vender a vários investidores do Brasil e do mundo a promessa de que criaria uma nova Petrobras e uma nova Vale. Enquanto isso, ele foi um dos mais ativos personagens da vida social brasileira. Passou dias no Twitter, participou de leilões beneficentes para ajudar projetos sociais de Madonna, comprou ternos usados pelo ex-presidente Lula e não dispensou capas de revistas de negócios, além de ter publicado um livro de autoajuda.

Mas produzir o que havia prometido…

Há um dia, porém, que chega a hora da verdade. E, ao que tudo indica, este dia, para o mundo X foi esta quarta-feira. Um problema apenas de quem comprou suas ações? Nem tanto. Como os investidores já estão escaldados para as promessas de Eike, o bilionário de papel ronda cada vez mais os governos. Num evento em que anunciou o início da produção da OGX, foi chamado de “orgulho do Brasil” pela presidente Dilma Rousseff. Depois disso, a presidente da Petrobras, Graça Foster, deu entrevistas sinalizando que poderia fechar parcerias com Eike Batista.

Como se diz no jargão do mercado financeiro, as ações do mundo X estão micando. Espera-se que o mico, tal qual no jogo de cartas, não morra nas mãos do governo federal.

 


Extraido de Brasil247

Agência dos EUA diz que Coca-Cola pode causar câncer.

Agência dos EUA diz que Coca-Cola pode causar câncer

26/06/2012 – 22:37:43

O Centro para a Ciência no Interesse Público (CCIP), com sede nos EUA, informou, nesta terça-feira, que a Coca-Cola, vendida no Brasil e em mais oito países, apresenta altos níveis de uma substância química, denominada de 4-metilimidazole, ou 4-MI, que está associada a casos de câncer em animais. Segundo a entidade, esta substância entra na composição do corante caramelo e já teria sido praticamente eliminada na versão do refrigerante comercializada na Califórnia, nos Estados Unidos. As informações são da Agência Reuters.

A Coca-Cola e sua rival PepsiCo, em março, pediram aos fornecedores do corante para que alterassem seu processo industrial, de modo a atender a uma regra aprovada em plebiscito na Califórnia para limitar a exposição de consumidores a substâncias tóxicas. A multinacional disse na ocasião que iniciaria a mudança pela Califórnia, mas que com o tempo ampliaria o uso do corante caramelo com teor reduzido de 4-MI. A empresa não citou prazos para isso. A Coca-Cola repetiu, nesta terça-feira, que o corante usado em todos os seus produtos é seguro, e que só solicitou a alteração aos fornecedores para se adequar às regras de rotulagem da Califórnia.

O CCIP informou ainda que as amostras da Califórnia examinadas recentemente mostravam apenas 4 microgramas de 4-MI por lata da bebida. A Califórnia agora exige um alerta no rótulo de um alimento ou bebida se houver a chance de o consumidor ingerir mais de 30 microgramas por dia.

Nas amostras brasileiras, havia 267 microgramas de 4-MI por lata. Foram registrados 177 microgramas na Coca-Cola do Quênia, e 145 microgramas em amostras adquiridas em Washington. O diretor-executivo do CCIP, Michael Jacobson, em nota, que: "agora que sabemos que é possível eliminar quase totalmente essa substância carcinogênica das colas, não há desculpa para que a Coca-Cola e outras empresas não façam isso no mundo todo, e não só na Califórnia".

A FDA (agência de fiscalização de alimentos e remédios dos EUA) avalia uma solicitação do CCIP para proibir o processo que cria níveis elevados de 4-MI, mas disse que não há razão para crer em riscos imediatos aos consumidores.

(Agência Reuters)

Fonte: Monitor Mercantil

MM: Juros astronômicos e inadimplência.

26/06/2012 – 22:13:56

Com taxas de 238%, cartão de crédito vê falta de pagamento ir a 30% em maio

Dados do Banco Central (BC) mostram que, em maio, a inadimplência nas operações com cartões de crédito – cujos juros chegam a 238% ao ano – alcançou 29,5%. É a maior de todas as linhas de crédito calculadas pela instituição.

Em segundo lugar, vêm operações com export notes, usadas por empresas: 20%, seguida por linhas de refinanciamento de saldo devedor de cheque especial e cartão de crédito (19,5% de inadimplência). Esse cenário ajudou a levar a inadimplência das famílias e empresas ao recorde de 6%.

Isso ocorreu num momento, em que o BC registrou que o volume de crédito no Brasil atingiu R$ 2,136 trilhões, em maio, mais 1,7% sobre o mês anterior e 18,3% em 12 meses. Segundo o BC, o montante equivale a 50,1% do PIB.

O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse, porém, não ver risco no ritmo de crescimento do crédito no país. Segundo ele, os países desenvolvidos têm relação crédito/PIB acima de 70%. Neles, porém, os juros não são astronômicos como no Brasil.

Não por acaso, o consumidor está fugindo do cheque especial e do cartão de crédito. Enquanto a média diária das concessões do crédito pessoal, incluídas os consignados em folha, cresceu 4,8%, mês passado sobre abril, houve retração de 6,7% no cheque especial e de 13% no rotativo do cartão.

Para o consultor econômico da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, a evolução do crédito no país não preocupa: "Não é o fim do modelo de crescimento alavancado pelo consumo. O aumento da inadimplência já era esperado, em função das vendas, que foram muito fortes. O crescimento da renda e as medidas do governo, sobretudo redução de juros, vão ajudar a estabilizá-la."

Para Freitas, se o país voltar a crescer a inadimplência até diminuirá: "Para tanto, é preciso aumentar o investimento. O excesso de aperto da política monetária e a crise na Europa prejudicaram, até aqui, a economia. E a inadimplência aumenta quando a economia encolhe", resume. Páginas 3 e 6

Fonte: Monitor Mercantil.

Adiada para 2023 a destinação de 10% do PIB para Educação.

 26/6/2012 –  Auditoria Cidadã
 
 
 
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou, na noite de 26/06/2012, o Plano Nacional de Educação (Projeto de Lei – PL 8035/2010), prevendo que somente no ano de 2023 os governos federal, estaduais e municipais deverão aplicar, em Educação, recursos equivalentes a 10% do PIB (Produto Interno Bruto). O PL também prevê que tal percentual suba dos atuais 5% para 7% do PIB em 2017. Para virar lei, o Plano Nacional de Educação ainda precisa ser aprovado pelo Senado e ser sancionado, sem vetos, pela Presidenta Dilma.
 
Houve maciça presença de diversas entidades da sociedade civil, que exerceram forte pressão sobre os parlamentares, em coro, aludindo ao excesso de recursos destinados aos juros da dívida:
 
 
 “Tem dinheiro para banqueiro mas não tem para a Educação”
 
 
Uma alteração no texto representa risco de que boa parte dos 10% do PIB serão cumpridos artificialmente, por meio da contabilização de despesas com aposentadorias e pensões de servidores da educação, bolsas de estudo, e até despesas com juros, amortizações e encargos da dívida da área educacional.
 
 
Da proposta inicial constava que 10% do PIB deveriam destinar-se a “investimento público direto” em Educação. O texto aprovado alterou para “investimento público em educação pública”, que abrange outros gastos, como alerta o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (página do INEP).
 
 
O texto aprovado remete para futura Lei Complementar a deliberação sobre a forma pela qual os estados e municípios – que respondem pela maior parte dos recursos da educação, e já se encontram em delicada situação financeira – disporão de recursos para atingir a meta.
 
 
Também não estão especificadas na lei quais são exatamente as despesas que serão contabilizadas para fins de atingimento dos 10% do PIB, razão pela qual pode-se repetir o ocorrido na área da saúde, onde os governos costumavam incluir despesas não propriamente ligadas diretamente à esta área social. Foram necessários 10 anos para que fosse aprovada, no ano passado, legislação que regulamentou os gastos específicos da saúde. E nem assim os governos estaduais têm cumprido a norma.
 
 
Enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal criminaliza o administrador público que não paga os juros e amortizações da dívida, o texto aprovado não prevê qualquer punição para os governantes que não cumprirem a meta ora aprovada.
 
 
O longo prazo de 11 anos para aplicação de 10% do PIB para Educação e a fragilidade do texto aprovado indica que a luta precisa continuar.
 
 
No ano passado, o governo federal gastou R$ 708 bilhões com juros e amortizações da dívida pública, o que representou 17% do PIB, ou seja, mais que o triplo dos recursos necessários para se elevar imediatamente o gasto com educação dos atuais 5% para 10% do PIB.
 
 
 
A falaciosa “queda drástica” das taxas de juros
 
 
 
Hoje, o Banco Central divulgou Nota para a Imprensa sobre as taxas de juros médias dos empréstimos bancários. No quadro 41 da tabela, verifica-se que a taxa média cobrada de pessoas físicas foi de 38,8% ao ano em maio, taxa esta equivalente a mais que o quádruplo da “Taxa Selic”, e bastante próxima à taxa observada em dezembro de 2010, de 40,6% ao ano. No caso da taxa cobrada de empresas, ela “caiu” de 27,9% ao ano (em dez/2010) para 25% em maio de 2012.
 
 
Segundo os dados do próprio Banco Central, o chamado “spread” bancário (ou seja, a diferença entre as taxas cobradas pelos bancos e as taxas pagas por estes na captação de recursos) subiu no período, de 23,5% para 24,7% ao ano, ou seja, ambas são estratosféricas!
 
 
A queda da taxa de juros“Selic” também não tem significado a redução no custo da dívida pública: dado divulgado ontem pelo Tesouro Nacional (planilha 4.1) mostra que o custo da dívida interna federal subiu para 12,16% ao ano em maio, valor este bem maior que a Taxa “Selic” (8,5% ao ano) e ainda maior que o observado no início do ano (11,56%). Conforme mostra a planilha 2.5, apenas 27,02% da Dívida Interna sob responsabilidade do Tesouro Nacional estava indexada a Taxa flutuante (“Selic”). E segundo a planilha 1.2, apenas 4,6% dos títulos da dívida emitidos em 2012 foram indexados à Taxa Selic.
 
 
Tais dados provam o que temos denunciado: justamente quando a Selic cai, o Tesouro passa a vender títulos da dívida a taxas superiores à Selic.
 
 
Em suma: ganhando altíssimas taxas de juros com a dívida pública, os bancos não se interessam em baixar efetivamente as taxas de juros para pessoas e empresas.
 
 

O governo Dilma parece velho.

Marco Antonio Villa - O GLOBO – 26/06/2012

O governo Dilma Rousseff completa 18 meses. Acumulou fracassos e mais fracassos. O papel de gerente eficiente foi um blefe. Maior, só o de faxineira, imagem usada para combater o que chamou de malfeitos. Na história da República, não houve governo que, em um ano e meio, tenha sido obrigado a demitir tantos ministros por graves acusações de corrupção.

Como era esperado, a presidente não consegue ser a dirigente política do seu próprio governo. Quando tenta, acaba sempre se dando mal. É dependente visceralmente do seu criador. Está satisfeita com este papel. E resignada. Sabe dos seus limites. O presidente oculto vai apontando o rumo e ela segue obediente. Quando não sabe o que fazer, corre para São Bernardo do Campo. A antiga Detroit brasileira virou a Meca do petismo. Nunca tivemos um ex-presidente que tenha de forma tão cristalina interferido no governo do seu sucessor. Lembra o que no México foi chamado de Maximato (1928-1934), quando Plutarco Elias Calles foi o homem forte durante anos, sem que tenha exercido diretamente a presidência. Lá acabou numa ruptura. Em 1935 Lázaro Cárdenas se afastou do "Chefe Máximo" da Revolução. Aqui, nada indica que isso possa ocorrer. Pelo contrário, pode ser que em 2014 o criador queira retomar diretamente as rédeas do poder e mande para casa a criatura.

O PAC – pura invenção de marketing para dar aparência de planejamento estatal – tem como principal marca o atraso no cronograma das obras, além de graves denúncias de irregularidades. O maior feito do "programa" foi ter alçado uma desconhecida construtora para figurar entre as maiores empreiteiras brasileiras. De resto, o PAC é o símbolo da incompetência gerencial: os conhecidos gargalos na infraestrutura continuam intocados, as obras da Copa do Mundo estão atrasadas, o programa "Minha Casa, Minha Vida" não conseguiu sequer atingir 1/3 das metas.

O Nordeste é o exemplo mais cristalino de como age o governo Dilma. A região passa pela seca mais severa dos últimos 30 anos. A falta de chuva já era sabida. Mas as autoridades federais não estavam preocupadas com isso. Pelo contrário. O que interessava era resolver a partilha da máquina estatal na região entre os partidos da base. Duas agências foram entregues salomonicamente: uma para o PMDB (o DNOCS) e outra para o PT (o Banco do Nordeste). E a imprensa noticiou graves desvios nos dois órgãos, que perfazem quase 300 milhões de reais. A "punição" foi a demissão dos gestores. Enquanto isso, desejando mostrar alguma preocupação com os sertanejos, o governo instituiu a bolsa-seca, 80 reais para cada família cadastrada durante 5 meses, perfazendo 400 reais (o benefício será extinto em novembro, pois, de acordo com a presidente, vai chover na região e tudo, magicamente, vai voltar ao normal). Isto mesmo, leitor. Esta é a equidade petista: para os mangões, tudo; para os sertanejos, uma esmola.

Greves pipocam pelo serviço público. As promessas de novos planos de carreiras nunca foram cumpridas. A educação é o setor mais caótico. Não é para menos. Tem à frente o ministro Aloizio Mercadante. Quando passou pelo Ministério da Ciência e Tecnologia nada fez. Só discursou e fez promessas. E as realizações? Nenhuma. Mercadante lembra Venceslau Braz. Durante o quadriênio Hermes da Fonseca, Venceslau foi um vice-presidente sempre ausente da Capital Federal. Vivia pescando em Itajubá. Quando foi alçado à presidência da República, o poeta Emílio de Menezes comentou sarcasticamente: "É o único caso que conheço de promoção por abandono de emprego." Mercadante é um versão século XXI de Venceslau. O sistema federal de ensino superior está parado e vive uma grave crise. O que ele faz? Finge que nada está acontecendo. Quando resolve se manifestar, numa recaída castrense, diz que só negocia quando os grevistas voltarem ao trabalho.

A crise econômica mundial também não mereceu a atenção devida. Como o governo só administra o varejo e não tem um projeto para o país, enfrenta as turbulências com medidas paliativas. Acha que mexendo numa alíquota resolve o problema de um setor. Sempre a política adotada é aquela mais simples. Tudo é feito de improviso. É mais que evidente que o modelo construído ao longo das últimas duas décadas está fazendo água (e não é de hoje). É necessário mudar. Mas o governo não tem a mínima ideia de como fazer isso. Prefere correr desesperadamente atrás do que considera uma taxa de crescimento aceitável eleitoralmente. É a síndrome de 2014. O que importa não é o futuro do país, mas a permanência no poder.

Na política externa, se é verdade que Patriota não tem os arroubos juvenis de Amorim, o que é muito positivo, os dez anos de consulado petista transformaram a Casa de Rio Branco em uma espécie de UNE da terceira idade. A política externa está em descompasso com as necessidades de um país que pretende ter papel relevante na cena internacional. O Itamaraty transformou-se em um ministério marcado por derrotas. A última foi na Rio+20, quando, até por ser a sede do evento, deveria exercer não só um papel de protagonista, como também de articulador. A nossa diplomacia perdeu a capacidade de construir consensos. Assimilou o "estilo bolivariano", da retórica panfletária e vazia, e, algumas vezes, se tornou até caudatária dos caudilhos, como agora na crise paraguaia.

O governo Dilma parece velho, sem iniciativa. Parodiando o poeta: todo dia ele faz tudo sempre igual. E saber que nem completou metade do mandato. Pobre Brasil.

MARCO ANTONIO VILLA é historiador.

Temer, os Marinho e a CPI

Na tarde da terça-feira 22 um assessor do vice-presidente da República, Michel Temer, Márcio Freitas, fez uma ligação urgente para a redação em Brasília de Época, revista semanal da Editora Globo. Do outro lado da linha, o diretor da sucursal, Eumano Silva, ouviu a informação de que circulava um zunzunzum entre alguns repórteres da capital: a Polícia Federal havia localizado nos autos da Operação Monte Carlo interceptações telefônicas nas quais Silva e Idalberto Matias Araújo, o Dadá, combinavam a publicação de uma reportagem contra uma concorrente da Delta Construções, a empreiteira-mãe da quadrilha do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Freitas informou ainda a Silva sobre a suspeita de que as informações colhidas pela PF haviam vazado para CartaCapital. “Há o boato de que você está sendo demitido por isso”, disse o assessor de Temer ao chefe da sucursal de Época. “Eu não sei de nada, continuo diretor”, respondeu Silva, segundo relato do próprio Freitas.

A essa altura você já deve ter se perguntado sobre o motivo do interesse de um assessor do vice-presidente em conferir com o diretor de Época a veracidade ou não de um boato sobre suposta reportagem de revista concorrente. Simples: desde o início de maio, Temer tornou-se uma espécie de mensageiro da família Marinho. O vice de Dilma Rousseff tem ouvido e repassado os recados do grupo que comanda a Globo ao governo e aos integrantes da CPI do Cachoeira. E que pode ser resumido em um ponto: a mídia não pode virar alvo na CPI. Como naquelas brigas de gangue, vale o ditado “mexeu com um, mexeu com todos”. Isso inclui deixar de fora a mais explícita das relações do bando de Cachoeira com os meios de comunicação: aquela estabelecida com a revista Veja.

*Leia matéria completa na Edição 699 de CartaCapital, já nas bancas

Retirado de Leandro Fontes em http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/temer-os-marinho-e-a-cpi/

A tendência para a Estagnação no Capitalismo Monopolista.

por Monthly Review

 Durante décadas argumentámos na Monthly Review que a estagnação é o estado normal das economias capitalistas-monopolistas maduras. Hoje a realidade da estagnação está a chamar cada vez mais a atenção dos próprios media corporativos. Assim, o New York Times publicou um artigo em 9 de Fevereiro de 2012 intitulado "In Europe, Stagnation as a Way of Life", descrevendo as condições económicas europeias como uma "realidade triturada" aparentemente sem saída. Naturalmente, muito do mesmo podia ser dito hoje das economias estado-unidense e japonesa.

 Para aqueles habituados a pensar da economia capitalista como ou a crescer rapidamente ou ocasionalmente a cair numa crise grave (da qual ela prontamente salta fora), a estagnação a longo prazo é um fenómeno de entendimento difícil. Como nota Gar Alperovitz (autor de America Beyond Capitalism) numa entrevista a Richard Wolff sobre "Alternativas económicas ao capitalismo" em 21/Fevereiro/2012 ( http://truthout.com ), o actual período de "estagnação e decadência" económica significa "um processo permanente, longo e penoso, ao contrário da crise clássica". Por outras palavras, a economia nem entra numa crise plena (ou "clássica"), a qual permitiria remover (ou desvalorizar) seu capital super-acumulado, nem é capaz de alcançar uma recuperação plena. Ao invés disso, ela permanece presa numa armadilha da estagnação, a mancar numa baixa taxa de crescimento, com alto desemprego e excesso de capacidade. Sob tais circunstâncias – e sem a ajuda de algum estímulo externo como uma grande guerra, uma bolha financeira, ou uma inovação que faça época – o processo de acumulação de capital é incapaz de sair do ponto morto.

 Sob o capitalismo maduro a estagnação crónica habitualmente conduz à sistemática redistribuição do rendimento e da riqueza em favor dos ricos, engendrada pelo estado. Para a classe capitalista, a acumulação de riquezas privadas é sempre a cavalgada imperativa. Se isto não puder ser cumprido apropriando-se do crescimento da riqueza na sociedade como um todo, será cumprido pela redistribuição dentro da sociedade. Portanto, os custos do crescimento lento são pagos basicamente por aqueles na base da sociedade – um processo hoje foi institucionalizado sob a forma de uma política permanentemente obstinada de neoliberalismo e dominação financeira.

 Povos por toda a parte estão a tornar-se conscientes da necessidade da solidariedade internacional ao resistirem a estas medonhas condições de estagnação, financiarização e neoliberalismo associadas à era actual do capital monopolista-financeiro. Portanto quando o parlamento grego votou em 12 de Fevereiro por um pacote de austeridade bárbaro dirigido pela União Europeia, abolindo efectivamente a negociação colectiva e levando a mais desemprego maciço, a resposta global foi imediata. Manifestações em massa tiveram lugar em 18 de Fevereiro por todas as cidades da Europa e nos Estados Unidos sob a palavra-de-ordem "Somos todos gregos agora". Juntamente com o Movimento Occupy e a resposta mundial à Primavera Árabe, a declaração "Somos todos gregos agora" destaca a rápida ascensão ao longo dos últimos dois anos de movimentos de solidariedade global entre trabalhadores.

 Embora tais exemplos dramáticos de solidariedade internacional chamem obrigatoriamente a nossa atenção, miríades de lutas populares estão a irromper aos níveis nacional e local. Nos Estados Unidos, os maiores protestos da classe trabalhadora em muitas décadas verificaram-se no ano passado em Wisconsin em consequência de ataques a sindicatos do sector público e de medidas de austeridade inspiradas no Tea Party. A este respeito, estamos orgulhosos por anunciar a publicação de um novo livro da Monthly Review Press, Wisconsin Uprising: Labor Fights Back , editado por Michael Yates e com contribuições de muitos dos protagonistas desta batalha. Um posfácio de Yates liga o Levantamento de Wisconsin à luta do Occupy Wall Street.

O original encontra-se em http://monthlyreview.org/2012/04/01/mr-063-11-2012-04 

Este editorial encontra-se em http://resistir.info/ .