Soros: “Se fosse investir agora, apostaria contra o euro”
Numa entrevista concedida ao jornal Le Monde, o mega especulador George Soros afirmou que, “se fosse investir agora, apostaria contra o euro”. Soros fez parte de sua fortuna ao derrubar a libra esterlina, em 1992, apostando contra a moeda britânica cerca de 10.000 milhões de euros.
Para ele, mesmo que sua moeda sobreviva à crise, a Europa terá um longo período de dificuldades, com as nações mais fracas enfrentando problema semelhante ao que aconteceu com a América Latina após a crise de 1982 ou do Japão estagnado há 25 anos.
O bilionário avalia que dificilmente a Zona do Euro, inclusive a França, se livrará do jugo da Alemanha. “Toda a Europa é guiada pela ortodoxia do Bundesbank”, comenta Soros, acrescentando que o banco central alemão “empurra Europa para a deflação”. Ele não descarta uma ação dos Estados Unidos para desestabilizar o euro, enfraquecendo assim um potencial competidor do dólar.
Rodrigo Medeiros: Apesar dos pesares, os EUA têm a moeda de circulação e reserva internacional; eles têm algumas coisas interessantes da dinâmica econômica contemporânea – P&D, inovação, cinema, música, e outros. Quem poderia sobrepujá-los no curto prazo? Fala-se muito em uma ordem multipolar… Ok, é interessante! Bem, o projeto do bancor de Keynes foi rechaçado no passado e creio que seja difícil de ser aceito pelo dólar ou qualquer outro projeto hegemônico.
Ceci Juruá: Concordo contigo, Rodrigo. Mas a questão não é econômica, no meu entender, é política. Moeda é expressão da soberania de um povo ou nação. No passado, os banqueiros brigaram muito com os soberanos, por causa do teor metálico das moedas. E a disputa continua por outras razões. A Inglaterra impôs a libra e o padrão ouro, quando se tornou a vencedora nos conflitos mundiais, nas primeiras décadas do século 19. E nós nos subordinamos ao padrão ouro durante mais de cinco décadas. O que foi um dos empecilhos de nossa industrialização no século 19.
Os Estados Unidos impuseram o dólar como moeda internacional, porque já eram mais poderosos, na economia e na fábrica de guerra que montaram. Não querem perder esta posição. O euro, para eles, é um “atrapalhador”. E todos os pontos positivos que vc cita – P&D, inovação, etc..- existem, é verdade. Ninguém é só mau ou só bom. Se não me engano, Fiori já diz há algum tempo que não há outro país que possa sobrepujá-los. E esta é uma afirmação que tem base, tem fundamentação. Sua dominação sobre o mundo é recente, não tem 100 anos.
O problema portanto não é derrubá-los. Seria uma bobagem pensar nisto. O problema é como deles se defender, resistir simplesmente. Veja agora, hoje, a notícia sobre o foguete, míssil, lançado pela Índia. Um armamento poderoso capaz de atingir cidades da China. Significa que a China, para se defender simplesmente, terá que avançar na corrida armamentista. Como ocorreu com a União Soviética há décadas atrás. Porque os recursos, materiais e financeiros são limitados, entrar na corrida armamentista significa desviar o excedente de aplicações produtivas, que concorrem para o aumento de bem estar das populações, para um consumo improdutivo – de guerra. Esse é um desafio ao qual não se pode dar resposta hoje. Ela virá de decisões políticas, isto é do poder de Estado e do sistema político que lá vigora. Minha grande indagação é – como a Índia, um país habitado por centenas de milhões de miseráveis, financia esta corrida armamentista?
Rodrigo Medeiros: Apenas busquei ressaltar que a tal desejada ordem multipolar é complicada na prática. Claro que os EUA se desgastaram muito com a invasão do Iraque e o Obama não conseguiu avançar na agenda “liberal”, no sentido anglo-saxônico do termo. As questões raramentos são estritamente econômicas. Dificilmente… Os marginalistas podem ter tentado ir nessa direção com a teoria do valor-utilidade-escassez, porém ela não se sustenta como fato. Keynes já sinalizara nesse sentido.
Flávio Lyra Como Soros não justifica sua afirmação, também dou-me ao luxo de imaginar que a Alemanha e a França vão lutar com todas as forças para segurar o Euro, pois trata-se de assegurar um importante mercado sobre o qual eles têm poder de decisão. Os países mais frágeis vão ter que se submeter aos interesses da França e da Alemanha, mas estes dois vão precisar fazer maiores concessões especialmente no que toca à política fiscal. Este é obviamente, um palpite.
Rodrigo Medeiros: A questão é saber se os europeus da zona do euro estão dispostos ao IV Reich. Não creio…
Sergio P. Botinha: O Soros falou que os EUA querem afundar o Euro, é isso que vocês estão discutindo? As vezes é dificil pegar o fio de alguma meada, mas a discussão sobre o futuro me anima muito. Quando você expõe as forças dos EUA, essa é uma criteriorização muito valiosa para a mensuração do futuro, tanto como o próximo e o mediato.
A Saber das forças da Europa, me parece que os pensadores e analistas não sabem precisar normalmente quais sejam.
Que existe o campo fértil para a continuidade dos EUA enquanto potência, isso não me parece haver muito dissenso. Que há a informática, o dólar, o cinema (ainda que a cada dia mais decadente) e a apple, dentre outras variáveis como povo, educação, terra), isso não é mesmo de duvidar-se. Seu maior problema hoje são as guerras, como bem apontado pela Ceci no pesar do gasto e esforço militar (de que vale, a que ponto custa, como tem sido usada a arma hoje em dia, como se imagina seja possível ainda usar, são todas questões legítimas e que devem ser analisadas)
Outro problema dos EUA são seu sistema bipartidarista ou o populismo de direita.
Mas que há a multipolaridade, é, apesar dos furos e contradições dessa própria multipolaridade, eu, francamente tendo a aceitar como irrefutável, já. Basta ver o crescimento percentual dos PIBs dos países emergentes no bolo total, e a linha ascendente de participação. Ainda em que pesem outras variáveis, creio que essas variáveis pesam mais a favor do que contra a existência de um peso inegável desses países. A propria dinâmica política internacional dentro do Direito Internacional Público através da Diplomacia não deixam a isso negar. A emergência de Fóruns outros que os limitados G-7 e OCDE são realidade.
Mas certamente têm peso hoje maior. População e espaço, dentro de um ambiente mais competitivo favorecido pela Globalização, e o encurtamento de distância das inteligências propiciado pelo novo cenário tecnológico, não serão facilmente olvidáveis, assim como também não será qualquer sinergia de Guerra que terá pronta e / ou fácil assimiliação, creio eu.
Internamente: As economias emergentes têm de trabalhar melhor seu portfolio econômico para que seu social possa crescer com a dinâmica econômica escolhida e abranger cada vez mais gente dentro de conceitos sociais aceitáveis.
Nesse sentido nossa luta dentro de nosso Brasil.
Flávio Lyra: As oligarquias francesa e alemã não estão preocupadas com a democracia. O povo dos países endividados, sim. Nos casos da Grécia e da Itália o povo não foi ouvido, recentemente. É triste, mas é a realidade!
Sergio P. Botinha: E, nesse caso, o Que fizeram as forças financeiras liberais ao imporem o seu receituario não obstante a democracia foi ridículo. Nesse ponto escapou a europa melhor inteligência. Mas como quem deve não apita… Isso foi uma autofagia na verdade. só pode dar dó aos países que ficaram a mercê disso.
Nesse sentido a experiência da UE terá como resultado o que sempre ocorreu na Europa, o jogo para o predomínio.
Há uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, com o primeiro ministro de Portugal. Apesar, é claro, de Portugal estar na condição de devedor , a posição deles , apenas a título de debater o que argumenta o outro lado(o sistema financeiro) , é clara: não tem dinheiro para investir na economia , então o único caminho é clara trabalhar o corte de gastos primeiro e depos pensar em investir.
Sim ok, mas e o Que deram aos Bancos que não foi repassado para a economia. A verdade que a resposta a essa crise financeiro de uma repugnancia incrível . Que bom que nós não fomos alvo de nenhum resgate. Temos muito o que estar feliz, eu considero.

