Arquivo mensais:abril 2012

Diálogos desenvolvimentistas Nº45

Soros: “Se fosse investir agora, apostaria contra o euro”

Numa entrevista concedida ao  jornal Le Monde, o mega especulador George Soros afirmou que, “se fosse investir agora, apostaria contra o euro”. Soros fez parte de sua fortuna ao derrubar a libra esterlina, em 1992, apostando contra a moeda britânica cerca de 10.000 milhões de euros.

Para ele, mesmo que sua moeda sobreviva à crise, a Europa terá um longo período de dificuldades, com as nações mais fracas enfrentando problema semelhante ao que aconteceu com a América Latina após a crise de 1982 ou do Japão estagnado há 25 anos.

O bilionário avalia que dificilmente a Zona do Euro, inclusive a França, se livrará do jugo da Alemanha. “Toda a Europa é guiada pela ortodoxia do Bundesbank”, comenta Soros, acrescentando que o banco central alemão “empurra Europa para a deflação”. Ele não descarta uma ação dos Estados Unidos para desestabilizar o euro, enfraquecendo assim um potencial competidor do dólar.

Rodrigo Medeiros: Apesar dos pesares, os EUA têm a moeda de circulação e reserva internacional; eles têm algumas coisas interessantes da dinâmica econômica contemporânea – P&D, inovação, cinema, música, e outros. Quem poderia sobrepujá-los no curto prazo? Fala-se muito em uma ordem multipolar… Ok, é interessante! Bem, o projeto do bancor de Keynes foi rechaçado no passado e creio que seja difícil de ser aceito pelo dólar ou qualquer outro projeto hegemônico.

Ceci Juruá: Concordo contigo, Rodrigo. Mas a questão não é econômica, no meu entender, é política. Moeda é expressão da soberania de um povo ou nação. No passado, os banqueiros brigaram muito com os soberanos, por causa do teor metálico das moedas. E a disputa continua por outras razões. A Inglaterra impôs a libra e o padrão ouro, quando se tornou a vencedora nos conflitos mundiais, nas primeiras décadas do século 19. E nós nos subordinamos ao padrão ouro durante mais de cinco décadas. O que foi um dos empecilhos  de nossa industrialização no século 19.

Os Estados Unidos impuseram o dólar como moeda internacional, porque já eram mais poderosos, na economia e na fábrica de guerra que montaram. Não querem perder esta posição. O euro, para eles, é um “atrapalhador”. E todos os pontos positivos que vc cita – P&D, inovação, etc..- existem, é verdade. Ninguém é só mau ou só bom. Se não me engano, Fiori já diz há algum tempo que não há outro país que possa sobrepujá-los. E esta é uma afirmação que tem base, tem fundamentação. Sua dominação sobre o mundo é recente, não tem 100 anos.

O problema portanto não é derrubá-los. Seria uma bobagem pensar nisto. O problema é como deles se defender, resistir simplesmente. Veja agora, hoje, a notícia sobre o foguete, míssil, lançado pela Índia. Um armamento poderoso capaz de atingir cidades da China. Significa que a China, para se defender simplesmente, terá que avançar na corrida armamentista. Como ocorreu com a União Soviética há décadas atrás. Porque os recursos, materiais e financeiros são limitados, entrar na corrida armamentista significa desviar o excedente de aplicações produtivas, que concorrem para o aumento de bem estar das populações, para um consumo improdutivo – de guerra. Esse é um desafio ao qual não se pode dar resposta hoje. Ela virá de decisões políticas, isto é do poder de Estado e do sistema político que lá vigora. Minha grande indagação é – como a Índia, um país habitado por centenas de milhões de miseráveis, financia esta corrida armamentista?

Rodrigo Medeiros: Apenas busquei ressaltar que a tal desejada ordem multipolar é complicada na prática. Claro que os EUA se desgastaram muito com a invasão do Iraque e o Obama não conseguiu avançar na agenda “liberal”, no sentido anglo-saxônico do termo. As questões raramentos são estritamente econômicas.  Dificilmente… Os marginalistas podem ter tentado ir nessa direção com a teoria do valor-utilidade-escassez, porém ela não se sustenta como fato. Keynes já sinalizara nesse sentido.

Flávio Lyra Como Soros não justifica sua afirmação, também dou-me ao luxo de imaginar que a Alemanha e a França vão lutar com todas as forças para segurar o Euro, pois trata-se de assegurar um importante mercado sobre o qual eles têm poder de decisão. Os países mais frágeis vão ter que se submeter aos interesses da França e da Alemanha, mas estes dois vão precisar fazer maiores concessões especialmente no que toca à política fiscal. Este é obviamente, um palpite.

Rodrigo Medeiros: A questão é saber se os europeus da zona do euro estão dispostos ao IV Reich. Não creio…

Sergio P. Botinha: O Soros falou que os EUA querem afundar o Euro, é isso que vocês estão discutindo? As vezes é dificil pegar o fio de alguma meada, mas a discussão sobre o futuro me anima muito. Quando você expõe as forças dos EUA, essa é uma criteriorização muito valiosa para a mensuração do futuro, tanto como o próximo e o mediato.

A Saber das forças da Europa, me parece que os pensadores e analistas não sabem precisar normalmente quais sejam.

Que existe o campo fértil para a continuidade dos EUA enquanto potência, isso não me parece haver muito dissenso. Que há a informática, o dólar, o cinema (ainda que a cada dia mais decadente) e a apple, dentre outras variáveis como povo, educação, terra), isso não é mesmo de duvidar-se. Seu maior problema hoje são as guerras, como bem apontado pela Ceci no pesar do gasto e esforço militar (de que vale, a que ponto custa, como tem sido usada a arma hoje em dia, como se imagina seja possível ainda usar, são todas questões legítimas e que devem ser analisadas)

Outro problema dos EUA são seu sistema bipartidarista ou o populismo de direita.

Mas que há a multipolaridade, é, apesar dos furos e contradições dessa própria multipolaridade, eu, francamente tendo a aceitar como irrefutável, já. Basta ver o crescimento percentual dos PIBs dos países emergentes no bolo total, e a linha ascendente de participação. Ainda em que pesem outras variáveis, creio que essas variáveis pesam mais a favor do que contra a existência de um peso inegável desses países. A propria dinâmica política internacional dentro do Direito Internacional Público através da Diplomacia não deixam a isso negar. A emergência de Fóruns outros que os limitados G-7 e OCDE são realidade.

Mas certamente têm peso hoje maior. População e espaço, dentro de um ambiente mais competitivo favorecido pela Globalização, e o encurtamento de distância das inteligências propiciado pelo novo cenário tecnológico, não serão facilmente olvidáveis, assim como também não será qualquer sinergia de Guerra que terá pronta e / ou fácil assimiliação, creio eu.

Internamente: As economias emergentes têm de trabalhar melhor seu portfolio econômico para que seu social possa crescer com a dinâmica econômica escolhida e abranger cada vez mais gente dentro de conceitos sociais aceitáveis.

Nesse sentido nossa luta dentro de nosso Brasil.

Flávio Lyra: As oligarquias francesa e alemã não estão preocupadas com a democracia. O povo dos países endividados, sim. Nos casos da Grécia e da Itália o povo não foi ouvido, recentemente. É triste, mas é a realidade!

Sergio P. Botinha: E, nesse caso, o Que fizeram as forças financeiras liberais ao imporem o seu receituario não obstante a democracia foi ridículo. Nesse ponto escapou a europa melhor inteligência. Mas como quem deve não apita… Isso foi uma autofagia na verdade. só pode dar dó aos países que ficaram a mercê disso.

Nesse sentido a experiência da UE terá como resultado o que sempre ocorreu na Europa, o jogo para o predomínio.

Há uma entrevista nas páginas amarelas da Veja, com o primeiro ministro de Portugal. Apesar, é claro, de Portugal estar na condição de devedor , a posição deles , apenas a título de debater o que argumenta o outro lado(o sistema financeiro) , é clara: não tem dinheiro para investir na economia , então o único caminho é clara trabalhar o corte de gastos primeiro e depos pensar em investir.

Sim ok, mas e o Que deram aos Bancos que não foi repassado para a economia. A verdade que a resposta a essa crise financeiro de uma repugnancia incrível . Que bom que nós não fomos alvo de nenhum resgate. Temos muito o que estar feliz, eu considero.

 

 

 

Bate Papo com Carlos Lessa



A partir de agora, nossos leitores  passam a contar com as análises do professor Carlos Lessa, ex-reitor da UFRJ e uma referência para aqueles que se interessam pelo desenvolvimento autônomo do Brasil.

Na coluna “Bate Papo com Carlos Lessa” o economista irá destacar e fazer comentários objetivos sobre as notícias que achar mais relevantes no noticiário.

Nesta estreia, ele aponta a recuperação, pela Argentina, do controle sobre recursos naturais estratégicos (petróleo e gás), ao retomar a maioria das ações empresa petrolífera YPF, administrada pela Repsol, anunciada há uma semana pela presidente Cristina Kirchner.

Desejamos a todos uma boa leitura.

Rogério Lessa

O exemplo argentino deveria servir de alerta para o Brasil

“Hoje, a energia é o que há de mais estratégico e seria uma temeridade abrir mão de controlar os recursos naturais para produzi-la. O Brasil, inclusive, deveria aproveitar o alerta de nossos vizinhos para a proteger melhor o pré-sal. No caso da YPF, acrescente-se a absurda liberalização promovida pelo ex-presidente Carlos Menen, que envolveu uma privatização cercada de denúncias a respeito de negociatas.”

A Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet) costuma lembrar que a Repsol usou uma auditoria norte-americana e conseguiu reduzir as reservas da empresa em 30%, para 1,6 bilhão de barris. Menos de um mês depois da privatização, voltaram para 2,3 bilhões.

Apesar de considerar que a Repsol, por vias tortas, “acabou fazendo o correto” que, para Lessa, é a não exploração de reservas estratégicas em ritmo acelerado, ele ressalva que gás e petróleo são essenciais para, por exemplo, a calefação, já que a Argentina tem clima frio durante boa parte do ano e a maior parcela da população vive nas cidades. “Não é só uma questão de equilibrar a balança comercial, para a Argentina petróleo e gás são fundamentais para a sobrevivência”.

Mídia e pré-sal

Lessa destaca também a “espantosa reação da mídia” na defesa da Repsol e achou os 62% de aprovação da população argentina à decisão do governo um índice relativamente baixo. “Na Europa, ameaçaram levar a Argentina para tribunas internacionais. Isto sinaliza para o Brasil cuidados que o nosso governo não tem. Imaginem o que poderá acontecer com o pré-sal, que talvez seja a terceira reserva mundial, se estamos no ‘baixo-ventre’ dos Estados Unidos”, disse. Para o economista da UFRJ, por trás da notícia, está a tese da soberania nacional.

Nota:

Documento das províncias argentinas produtoras de petróleo e gás, divulgado este ano, mostra que a produção das empresas de gás e petróleo desabou 11% e 18%, respectivamente. Na Repsol-YPF, o tombo ficou entre 30% e 35% da produção de petróleo nos últimos anos e de 40% da de gás.

 

Dilma e o discurso desenvolvimentista

Em discurso na cerimônia de formatura da Turma de 2010-2012 do Instituto Rio Branco, a Presidenta da República, Dilma Rousseff, afirmou, de improviso, que “um país que deixa seu povo à margem do seu desenvolvimento e do seu crescimento, não é respeitado por ninguém”. Lembrando que hoje mundo  1% dos habitantes do planeta controla 40% por cento da riqueza, ”e isso tende a se ampliar”, a presidenta acrescentou que  a saída da crise tem levado à perda de direitos.

Para o Brasil, ela vê uma janela de oportunidades nas Relações Internacionais, inclusive com os Estados Unidos. Mas o país possui  três amarras, para Dilma: “Temos de equacionar três amarras do país e construir o caminho, o chamado quarto caminho. As três amarras são: taxa de juro, taxa de câmbio e impostos altos. E o caminho é a educação de qualidade”.

Veja o discurso na íntegra Continue lendo

Em defesa da reindustrialização do Brasil

Celebrando a memória de Tiradentes

Ceci Juruá *

 

O desenvolvimento econômico, nas condições adversas atuais, dificilmente se fará sem uma atitude participativa de grandes massas da população. … Toda medida que se venha a tomar, no sentido de enfraquecer os governos como centros políticos capazes de interpretar as aspirações nacionais e de aglutinar as populações em torno de ideais comuns, resultará na limitação das possibilidades de autêntico desenvolvimento na região (C. Furtado, Raizes do subdesenvolvimento, p.41)

 

Mais uma vez o Brasil se encontra frente a uma encruzilhada fatal, um daqueles momentos históricos em que a escolha entre dois caminhos apresenta riscos diferenciados, resultados indefinidos e efeitos relevantes, qualquer que seja a solução retida.

 

A grande escolha no momento se dá entre preservar o modelo econômico neoliberal – o (sub) desenvolvimento agro-exportador (ou agro-negocial exportador) – e a troca de direção no leme da economia, objetivando a reindustrialização, por exemplo, como propõe o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo.  Leia mais: http://www.desenvolvimentistas.com.br/blog/caleidoscopiobrasileiro/2012/04/22/em-defesa-da-reindustrializacao-do-brasil/#more-82

 

Convergências entre investimentos empresariais e programas governamentais

Cézar Manoel de Medeiros-Doutor em Economia – IE/UFRJ-Março/2012

Estão em movimento, com diferentes intensidades e velocidades, cinco ondas de convergências entre decisões de investimentos empresariais e programas governamentais estratégicos.
A primeira onda se refere às políticas de inclusão social e investimentos de indústrias de bens duráveis, de semiduráveis, e de segmentos do setor serviços que pretendem conquistar classes D e E (expansão da rede de agências e de correspondentes bancários; planos de seguros e de saúde; pacotes turísticos e faculdades mais baratas). Continue lendo

Privatizações – Comparações e impactos – De Collor a Dilma

Cézar Manoel de Medeiros  -  Doutor em Economia – IE/UFRJ

1 – GOVERNO COLLOR, ITAMAR, FHC –
Iniciadas em 1991, com a USIMINAS, as características principais dos modelos de privatizações e concessões utilizados durante os Governos Collor, Itamar e FHC de 1991-2002 no Brasil, pode ser sintetizado:
- alienações com perdas totais da titularidade do capital de cada empresa estatal do setor produtivo (siderurgia, petroquímica, fertilizantes, celulose, etc.);
- sem quaisquer compromissos com investimentos aos novos controladores das ex-estatais, o que desmente um dos principais argumentos em defesa das privatizações: a escassez de recursos do Tesouro Nacional para viabilizar investimentos das estatais exigia privatizá-las;
- completa liberdade para formação de preços, tarifas e lucros pós-privatizações e concessões, ao contrário do controle de preços, de investimentos, de dispêndios, exercidos pelo CIP – Conselho Interministerial de Preços – e pela SEST – Secretaria Especial de Controle das Empresas Estatais – antes das privatizações;
- permissão de uso de moedas podres (títulos públicos a vencer, mas aceitos pelo valor de face), modelo de benefícios de grupos privados que foi adotado pelo Governo Collor, modificado pelo Governo Itamar, que realizou poucas privatizações, mas exigiu recursos financeiros dos investidores nos leilões realizados e novamente, à semelhança do Governo Collor, o modelo de privatização voltou a ser usado pelo Governo FHC;
- metodologia para avaliar cada empresa estatal a ser privatizada sempre resultava em subavaliações do valor real de ativos de cada empresa estatal, devido a projeções de fluxos de caixa para cálculo do valor presente através de falsas hipóteses: menores receitas, de maiores custo, com mão de obra pós-privatizações, bem como omissão ou desconsideração de ativos de alto valor (exemplo: minas com alto teor de ferro da VALE em Minas Gerais foram considerados exauridos sem qualquer valor, mas voltaram a ser exploradas pouco depois da privatização e consideradas úteis para mais 500 anos de exploração);
- alienação de uma empresa é praticado através do cálculo do valor presente de um fluxo de caixa projetado para 10, 15 ou 20 anos a uma taxa de desconto qualquer. O BNDES, órgão encarregado pelas privatizações utilizou, nos governos Collor, Itamar e FHC a taxa de 15% a.a. para estabelecer o preço mínimo dos leilões de cada empresa de qualquer setor, quando recomendável apurar objetivamente a taxa de desconto em função da alienação de empresas dos setores produtivos: siderurgia, petroquímica, fertilizantes, têxtil, celulose, etc.; e das concessões de serviços públicos: energia, telecomunicações, rodovias, ferrovias, etc., conforme as diferentes características setoriais e empresariais (rotatividade do ativo, prazo para depreciação, perfil e nível do endividamento, entre outras variáveis);
- criação de agências regulatórias capturadas, desde suas estruturações, pelas principais empresas concessionárias de cada setor;
- além das privatizações e concessões, o Governo FHC promoveu um desmonte geral do Estado, inclusive de universidades, entre outras consequências, desativação de empresas do setor privado, como construtoras importantes para implementação de obras de grande complexidade (hidrelétricas, ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, aquovias), empresas industriais e prestadoras de serviços ao Governo. Continue lendo

Créditos de Carbono para Quem?

Aliança RECOs
Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras

“…Se você vai comercializar qualquer ‘commodity’ no mercado aberto, está criando uma situação de lucro e prejuízo. Haverá um comércio fraudulento de créditos de carbono. No futuro, se você está administrando uma fábrica e precisa desesperadamente de créditos para compensar suas emissões, haverá alguém que poderá fazer isso acontecer para você. Absolutamente, o crime organizado estará envolvido… Começa com suborno e intimidação de autoridades que podem impedir seu negócio. Aí, se houver nativos envolvidos, há ameaças e violência contra essas pessoas. Há documentos forjados. (Peter Younger, especialista em crimes ambientais da Interpol – Polícia Internacional) ….”

“…Quando chegamos nas comunidades e falamos ao indivíduo comum, no sentido de melhor orientá-lo, aos poucos vamos inibindo a ação predatória dos grandes especuladores, oportunistas e estelionatários. A única forma de mudar esse modelo econômico deteriorado e disseminado pelo mundo é com mobilização. Mas para isso é preciso uma nova consciência que tenha como base o tripé educação, informação e comunicação. É preciso torná-la, ainda, didática para que a sociedade possa pensar melhor seus fatos…”

 

 

Originalmente publicado na Revista da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing, Edição Especial (2010)e republicado na Revista Fórum de Direito Urbano e Ambiental – Edição n. 55 (2011)

 

O meio ambiente chegou ao mercado*

Por Amyra El Khalili

 

Resumo: Quando lidamos com meio ambiente não podemos tratar deste direito fundamental como se fosse um produto negociado com base em contratos e regras determinados a portas fechadas. Pelo contrário, tais negociações devem acontecer com o coletivo da sociedade. Se a sociedade não aderir, não há projeto socioambiental que possa ser concretizado. Analisar o desenho mercadológico e criticar acordos internacionais em sua estrutura operacional, o da execução financeira, não significa condenar as lutas dos movimentos ambientalista e dos direitos humanos ao fracasso, mas apontar suas possíveis falhas. Poucos são os que podem criticar esse mecanismo porque, em geral, quem conhece engenharia de projetos não conhece o mercado financeiro, e quem conhece o mercado financeiro, sequer sabe ainda o que é gestão ambiental. Para construir uma economia socioambiental, respeitando-se as diferenças culturais, multirraciais e religiosas, é preciso uma nova consciência para o mercado que tenha como base o tripé educação, informação e comunicação. Continue lendo