Relatório do TCU, de 15 de fevereiro de 2012 mostra que o rombo, só em falsos investimentos em ferrovias, a serem pagos pela União como indenização às concessionárias privadas, sob as barbas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) pode chegar a R$ 25,5 bilhões, quantia superior à supostamente arrecadada com a privatização dos aeroportos.
Diante disso, alguns integrantes da Rede Desenvolvimentistas, como Flávio Tavares Lyra, Gustavo Santos, Rodrigo Medeiros, Samuel Gomes e Rogério Lessa subscrevem carta “contra o desmonte do transporte ferroviário brasileiro”, cujo conteúdo pode e deve ser divulgado, inclusive para obtenção de mais assinaturas.
Segue a íntegra do Texto:
Carta dos Desenvolvimentistas
Contra o desmonte do Transporte Ferroviário Brasileiro*
O ano de 2012 chega trazendo consigo o resultado parcial de patrióticas iniciativas de órgãos do Estado Nacional de investigação das causas do desmonte do transporte ferroviário brasileiro. O momento é oportuno, portanto, para propor mudanças que viabilizem inserir o transporte ferroviário como elemento estratégico de apoio ao desenvolvimento nacional.
O Tribunal de Contas da União, em 15/02/2012, aprovou por unanimidade dos Ministros o Relatório da Auditoria no Processo Nº 008.799/2011-3 (Acórdão Nº 312/2012 – TCU – Plenário), iniciada em 05/04/2011, sobre a atuação da Agência Nacional dos Transportes Terrestres – ANTT na regulação e fiscalização do transporte ferroviário no período de 2007 a 2011. As constatações do TCU são gravíssimas e, quando comparadas com os resultados da ampla investigação realizada pelo Ministério Público Federal, a seguir comentada, compõem um quadro que deve abalar a consciência republicana de quem sobre elas se detenha. Em resumo, a ANTT, por ação e omissão, permitiu que as concessionárias privadas tornassem inoperantes cerca de 2/3 da malha ferroviária brasileira de 28 mil km e as autorizou a contabilizar irregularmente, como investimentos, valores que podem chegar a R$ 25,5 bilhões, os quais serão cobrados da União no momento de extinção da concessão.
Este é o rombo estimado até 2011, produto de manobras contábeis que a ANTT deveria ter vetado por serem contrárias aos contratos. À frente este montante pode aumentar. pois faltam ainda dez anos para que as concessões expirem. Por outro lado, se somarmos os valores da destruição parcial ou total de 2/3 da malha ferroviária (21 mil km), teremos um rombo adicional de mais R$ 30 bilhões, elevando o prejuízo para os cofres públicos a mais de R$ 50 bilhões.
Por outro lado, como resultado de anos de investigação do Ministério Público Federal sobre o transporte ferroviário em todo o país, a Procuradoria Geral da República ingressou com a Representação Nº 16848-2011-1 junto ao TCU contra a União (Ministério dos Transportes), a ANTT e a concessionária América Latina Logística – ALL. Com fundamento em documentos, perícias, depoimentos, audiências públicas, análise de procedimentos internos da ANTT, reuniões com setores produtivos e comunidades do interior do Brasil, a Procuradoria Geral da República constata: “Na falta de efetivo controle, as concessionárias como que se apropriam do negócio do transporte ferroviário de carga como se fosse próprio; fazem suas escolhas livremente, segundo os seus interesses econômicos. O quadro é de genuína captura, em que o interesse privado predomina sobre o interesse público”. A Procuradoria Geral da República afirma que a responsabilidade pela situação atual é “ a política de total conivência e omissão da ANTT com relação ao abandono, destruição, invasão e malbaratamento dos bens públicos e, consequentemente, do transporte ferroviário como alavanca do desenvolvimento regional e nacional.”
A Procuradoria Geral da República explicita as razões que a levaram Representar conjuntamente contra a ANTT e a ALL: “Pois bem, se a concessionária dilapida – ela própria – ou abandona bens públicos arrendados, descumprindo durante mais de uma década cláusulas de contrato administrativo, por certo a Agência Reguladora tomou providências e exigiu soluções?” Segue a Representação: “Não. Nada fez até agora. Não aplicou multas, não denunciou o contrato, não exigiu investimentos quaisquer para a restauração ou reposição da estrutura e superestrutura, bem como dos bens móveis e imóveis afetos ao transporte ferroviário.”
Tais fatos, graves por si mesmos, ganham contornos escandalosos e inaceitáveis quando se sabe que o atual Diretor Geral da ANTT participou da formatação da privatização da Rede Ferroviária Federal – RFFSA como funcionário público, em seguida participou como empresário da privatização, vencendo dois leilões (Malha Centro Leste e Malha Sul), participou da estruturação das concessionárias Ferrovia Centro Atlântica – FSA e da Ferrovia Centro Atlântica – FSA (atual América Latina Logística – ALL), assinou o contrato de concessão da ALL em representação da concessionária (contrato que hoje a ANTT, dirigida por ele, fiscaliza) e participou da criação e dirigiu a Associação Nacional de Transportes Terrestres – ANTF (associação privada das concessionárias ferroviárias).
Com base nas considerações acima, dirigimo-nos aos Senhores Senadores da República solicitando que não aprovem a recondução, para mais um mandato, do atual Diretor Geral da ANTT, e que requeiram ao Ministério dos Transportes uma resposta objetiva e formal às denúncias encaminhadas pela Procuradoria Geral da República e aos resultados colhidos pelo Tribunal de Contas da União. À Presidente Dilma solicitamos a indicação para a Direção Geral da ANTT de um nome comprometido com o interesse público, com o interesse nacional e com as aspirações históricas do povo brasileiro.
Grupo Desenvolvimentistas, formado por economistas, engenheiros, advogados, jornalistas, professores do ensino superior, ativos e inativos, integrantes ou egressos do setor público e do setor privado nacional
Links:
Carta dos Desenvolvimentistas – Contra o Desmonte do Trans. (1)
ACÓRDÃO 312-2012 – TCU – PLENÁRIO
Senhores Senadores`,
Não para recondução de Bernardo Figueiredo para Diretor Presidente da ANTT.
Existem outros brasileiros mais preparados e conhecedores do sistema ferroviário brasileiro.
E que tambem não tenham comprometimento com as empresas concessionárias envolvendo grande risco economico para os brasileiros.
[...] O senador Requião estará entregando a cada senador hoje um rol de documentos para subsidiar a decisão do Senado. Dentre eles, o seu discurso na Tribuna (AQUI) a Carta Desenvolvimentista n.3: Contra o Desmonte do Transporte Ferroviário Brasileiro (AQUI) [...]
O governo federal [brasileiro] tem o projeto TAV para ligar Viracopos ao Galeão passando por Guarulhos….. Algumas “estações” foram pensadas [creio que para o embarque/desembarque de passageiros das aéreas] em Campinas, Campo de Marte [SP], São José dos Campos e….. Aparecida [aos domingos e talvez Dias Santos]. Projeto que não integra Jundiaí, Taubaté, Resende e cidades da baixada fluminense. A um custo astronômico. Ou seja, não é um projeto ferroviário que estimulará outras ligações ferroviárias.
Bom, a Inglaterra [que nos trouxe o trem e que construiu as linhas por aqui] usa trens menos velozes [140km/h], mais simples que TAV e que atendem bem com bom nível de conforto….
Acho que não existe movimento consciente no âmbito federal a respeito de desmonte do transporte ferroviário. No âmbito estadual muito menos.
Imagino o Brasil maior que o trecho Viracopos – Galeão.
Um tronco com trens rápidos [140km/h] entre Belém e Salvador [atendendo São Luiz, Fortaleza, Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju] ,
Outro tronco entre Salvador e Rio [via Feira, Itabuna, Porto Seguro, Teixeira de Freitas, Linhares, Vitória, Campos].
Um de São Paulo a Brasília passando por Jundiaí, Campinas, Limeira, Ribeirão, Franca, Uberaba/Uberlândia, Goiânia].
Só pra citar alguns exemplos não eleitoreiros e que realmente desenvolvesse não só o transporte rápido entre brasileiros pagantes de impostos, mas também beneficiando a indústria de trens [e talvez de trilhos se fizéssemos tais fábricas de trilhos]….
É profundamente lamentável que tamanho patrimônio dos brasileiros adquirido com tantas dificuldades a séculos seja esquecido, ignorado e até destruído, como está sendo mostrado pelo Dr. Paulo Ferraz.