Diálogos Desenvolvimentistas Nº44: “Não se pode ser pacífico sem ser forte”?

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Gusthavo Santana

“O Brasil pretende alcançar o status de potência global e a Nação precisa ter consciência de que essa posição implica tomar atitudes no cenário internacional, não só no campo diplomático, mas tambémno militar onde os custos costumam ser altos.” A frase é do General de reserva da Luiz Eduardo Rocha Paiva: membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil em artigo publicado no site A verdade sufocada. O General traça um paralelo entre as aspirações do Brasil e a necessidade urgente de reestruturação das forças armadas.

Não é novidade vermos um militar pedindo atenção a sua área de atuação. Entretanto, o artigo está longe de espelhar uma visão de classe sobre o tema: também civis de várias orientações políticas apoiam a ideia de que um Brasil grande necessita de “dentes” fortes. A discussão vem chegando ao grande público pelo menos desde a descoberta do pré-sal (e a necessidade de protegê-lo) e a novela envolvendo o governo brasileiro, francês, americano e suiço para a compra de novos caças para o Brasil.

O debate sobre a necessidade de se rearmar o país parece se equilibrar entre dois problemas: de um lado, a necessidade do crescimento do poder de dissuasão do Brasil que possa garantir sua soberania, de outro, o simples fato do mundo já parecer ter armas (e conflitos) suficientes.

Para Paulo Timm é “perfeitamente possível construir um país livre, soberano e forte sem o recurso do poder militar e mesmo nuclear. Essa idéia do poder é uma ideia até clássica que levou ao fortalecimento de vários impérios mas também a muitas guerras, com grande sofrimento interno de seus respectivos povos” E completa, “O terceiro milênio está a exigir novas formas de poder, fundadas num forte consenso interno e na capacidade de excercer a supremacia mundial através de uma culta de paz. O Brasil, aliás, não só é capaz disto, como já o tem demonstrado”.

Rodrigo Medeiros, integrante da World Economics Assossiation (WEA), tem outra visão sobre o assunto.“Será muito difícil termos uma diplomacia altiva sem os “dentes” do poderio militar. Diplomacia baseada apenas em poder moral é vazia, oca e de baixa eficácia no concerto das nações. Para ficarmos tranquilos no pré-sal precisaremos de um reforço nas nossas forças armadas? Penso que sim”,ele afirma.

Adriano Benayon concorda com Medeiros, e complementa: “é forçoso reconhecer a realidade do que chamam eufeumisticamente ‘relações internacionais’, em suma o quadro mundial caracterizado pela cada vez mais acintosa predação organizada pela oligarquia financeira anglo-americana, coadjuvada por satélites da OTAN; quem quiser continuar sendo galinha cercada de raposas, lobos etc., está destinado a sorte das mais tristes”.

Flavio Lyra chama alerta para o duplo papel das Forças Armadas: “em seu papel de defensoras dos interesses nacionais é indísticutivel a necessidade de seu fortalecimento. Acontece, portém, que numa sociedade capitalista e pouco democrática como a nossa, elas também exercem a função de conter o avanço das forças sociais ligadas aos interesses da maioria da população, na medida em que se tornam instrumento da classe dominante.” E concluí que o país deve buscar o fortalecimento das Forças Armadas na mesma medida que deve lutar pelo fortalecimento de suas instituições democráticas.

Carlos Ferreira usa a frase do Barão de Rio Branco para definir a situação “Não se pode ser pacífico sem ser forte”

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