TAXA DE 238% É CINCO VEZES MAIOR DO QUE OS 50% AO ANO DA ARGENTINA
Os juros do cartão de crédito no Brasil são, não apenas os mais altos na comparação com os outros seis principais países da América do Sul e o México, como superam a soma das taxas praticadas naquelas nações. A conclusão é de pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste).
Segundo a pesquisa, nem a soma das taxas dos seis países chega ao valor médio dos juros astronômicos cobrados pelas operadoras de cartão de crédito no Brasil.
Segundo a Proteste, o brasileiro que recorre ao financiamento via cartão de crédito, o chamado crédito rotativo, está submetido a uma taxa média de juros de 237,9% ao ano. Essa taxa é quase cinco vezes superior à da Argentina, que aparece na segunda colocação e cuja taxa média de juros cobrada nas operações de cartão de crédito é de 50% ao ano.
“As condições econômicas dos países pesquisados, quando confrontadas com as do Brasil, mostram, claramente, que a taxa média dos juros praticados no Brasil é exagerada. Caso fosse a metade, ou seja, 119% ao ano (equivalente a 6,75% ao mês) ainda seria maior que o dobro da segunda colocada”, compara a Proteste.
Atrás da Argentina vêm Chile (taxa média de 40,7%), Peru (40%), México (36,2%), e Venezuela (29%). A menor taxa entre os países analisados foi a da Colômbia: 28,5% ao ano em média no cartão de crédito.
Os cartões de crédito, de acordo com a associação, têm sido o maior fator de endividamento dos consumidores, porque as taxas astronômicas cobradas no rotativo tornam as dívidas impagáveis.
Em dezembro, pesquisa da Boa Vista, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), apontou que, entre os inadimplentes do país, 64,1% têm dívidas no cartão de crédito.
