Taleb nos mostra a impossibilidade de prevermos sob um tecido complexo, definido por ele como o quarto quadrante, e que engloba o que tomamos por economia e finanças. Mas lui-même nos alerta que “se há nuvens no horizonte, se você pode vê-las, só então pode prever”. Taleb definiu a crise deflagrada pelo defunto Lehman como um white swan, ou um cisne branco (em oposição ao conceito de black swan), como passível de ter sido prevista. A crise que acomete a Zona do Euro é, indisputavelmente, uma continuidade daquilo que se iniciou em 2008. Portanto, suas consequências são previsíveis. E por que não colocam no papel quais são? Muitos o fazem, como Soros, Krugman, Delfim e Kaletsky, mas não queremos lê-las. Não podemos suportá-las mais. Vou tentar resumir aqui o que se lê por aí e ninguém quer ouvir:
- Esqueça stock picking pelos próximos seis meses. As bolsas estão subordinadas ao macro;
- A moeda euro vai se desvalorizar adamastoricamente. Se ao cabo não for extinta, valerá par com o dólar americano;
- Em tese, a Zona do Euro tem salvação, mas não será salva, porque o homem não consegue transcender sua instância humana, e envergar politicamente para fazer o que é tecnicamente correto; leiam Cachorros de Palha, de John Gray. Não há provisão para qualquer coisa igual ou maior do que a Espanha; e a Alemanha reluta em usar seu espaço fiscal e monetário para boost a região. Para alguns a austeridade é um vício;
- A taxa nominal básica de juros no Brasil vai cair para baixo de dois dígitos rapidamente. Não ouça o economista do seu banco que lhe diz o contrário. “Não há abandono da política de metas de inflação quando se altera o peso dado ao desvio entre a inflação corrente e sua meta, relativamente ao desvio entre o PIB e o PIB potencial”, ADN;
- A crise global vai sim chegar ao Brasil em 2012, assumindo, obviamente, particularidades tropicais, assim que o mundo se convencer que a China deverá crescer a 5% e não a 10% ao ano para o médio prazo. Há fortes indícios de que isso acontecerá;
- Algumas empresas de real estate listadas em Bolsa vão sim quebrar, seja por alavancagem ou por fraude. Temos que ter nossos próprios defuntos. Aliás, fique longe de Santander;
- Não morreria de espanto se o Real se desvalorizasse fortemente a partir de 2012, digamos, de volta aos R$ 2,80, e por que não?
O que fazer? O óbvio: dólar x euro, hedge em Ibovespa, se a compulsão por comprar for demais, arrisque em uma Ambev da vida, esqueça petróleo e petrolíferas, despeça o motorista e cozinheira: a coisa vai ficar selvagem!
