Arquivo mensais:setembro 2011

A vacina da discórdia

Michele Bachmann, pré-candidata republicana à presidência dos EUA, afirma que medicamento causaria retardo mental, mesmo sem evidências científicas. Foto:Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

A pré-candidata republicana à presidência dos EUA, Michele Bachmann, cometeu mais uma gafe para o seu (já grande) acervo pessoal. Após dizer que o furacão Irene, responsável pela morte de mais de 40 pessoas no país, era um recado divino para que “os políticos americanos prestassem mais atenção no problema da dívida pública”, a deputada apontou a vacina contra o papilomavírus humano (HPV) como uma “droga perigosa” capaz de causar “retardo mental”.

A afirmação, feita no debate com os pré-candidatos à Casa Branca na segunda-feira 12, foi seguida por uma acusação ao governador do Texas, Rick Perry, tido como um dos favoritos a ser o representante do partido na disputa de 2012.  Bachmann acusou o concorrente de ter tornado a vacinação contra o HPV, que pode causar diversos tipos de câncer cervical, obrigatória em seu estado em troca de uma doação para sua campanha.

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A comunidade médica americana reagiu fortemente às declarações da deputada, temendo que pudessem prejudicar o programa de vacinação do país, já com baixos índices de imunização. Dados do Centro de Controle de Doenças mostram que cerca de 49% das jovens entre 13 e 17 anos receberam uma dose da vacina em 2010, sendo que apenas 36% completaram os três ciclos recomendados. A vacina previne cerca de 70% dos casos de câncer cervical.

O Instituto de Medicina, que aconselha o governo americano, já havia afirmado no último mês que a vacina era segura e não havia nenhuma evidência científica sugerindo o contrário.

Após a repercussão negativa, Bachmann tentou abaixar o tom e piorou a situação. Ela declarou a um programa da rede de televisão NBC não fazer idéia sobre a veracidade da informação e que só estava reproduzindo algo dito por uma mulher no debate. “Uma mãe me afirmou que sua filha tomou a vacina e passou a sofrer de retardo mental desde então”.

Porém, a estratégia da candidata pode também ser dirigida aos conservadores religiosos da direita, que não apóiam a vacina por acreditarem que esta provocaria a promiscuidade sexual.

A Academia Americana de Pediatras, os centros de Controle de Doenças e Prevenção e a Academia Americana de Clínicos de Família recomendam que as injeções sejam aplicadas entre 11 e 12 anos de idade, antes da iniciação sexual.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/internacional/a-vacina-da-discordia

A CPI do bondinho de Santa Teresa

A gente não pode deixar de aplaudir a iniciativa dos deputados Paulo Ramos (PDT) e Gilberto Palmares (PT) de instalarem, na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, uma  Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar as causas dos acidentes  – especialmente deste último, monstruoso – com os bondes de Santa Teresa.

É uma história antiga, que o Tijolaço, desde que nasceu, em 2009, vem acompanhandocom preocupação e carinho por este símbolo do Rio mundialmente famoso.

É um “mistério” que vem de longe, desde que o Banco Mundial emprestou ao Governo Rosinha Garotinho R$ 24 milhões para reformar bondes e via-férrea. Ambos os trabalhos se arrastaram e foram executados com qualidade para lá de questionável.

Só em 2007 chegou o primeiro bonde reformado. Dois anos depois, faria sua primeira vítima fatal, por um defeito de projeto que colocou o controle de freios em lugar vulnerável a acidentes e por, inacreditavelmente, não contar com um sistema de freios de emergência.

Já em 2009, o Tijolaço contava esta história, que você pode ler, com  seus antecedentes, aqui.

Posso também testemunhar que Paulo Ramos tomou essa iniciativa de forma absolutamente coerente, porque também não é de hoje – é de 2005 – que ele vem brigando por esclarecer a questão do projeto de modernização dos bondes.

O bonde não pode matar pessoas. E não podemos matar os bondes.  Alguém precisa responder por isto ter acontecido, até para que nunca mais aconteça.

Fonte: http://www.tijolaco.com/a-cpi-dos-bondinhos-de-santa-teresa/

A mão que lava a outra

Mino Carta

Estava o acima assinado no luminescente palácio do Ministério das Relações Exteriores em Brasília na noite de gala de 1º de janeiro de 2011, festa da posse da presidenta Dilma Rousseff, e eis que sai da salinha vip, reservada aos cumprimentos dos graúdos, o governador Geraldo Alckmin. E me cai nos braços, como sonha Cavaradossi ao recordar Tosca, fundo musical de Puccini.

No caso, em lugar da ficção operística, invoco a verdade factual. O governador reeleito e reempossado naquele mesmo dia, surpreende-me por estar já na capital da República e ainda mais por me abraçar com tamanha simpatia. O que, sublinho, não me desagrada. Vem atrás dele o senador Aloysio Nunes Ferreira, o qual, de rosto lívido, incumbe-se de restabelecer as distâncias ao produzir um aceno soturno a transparente contragosto. O que também não me desagrada.

O senador Aloysio esqueceu momentos passados à beira da mesa de debates do programa Jogo de Carta da TV Record, que conduzi de setembro de 1984 a abril de 1987. Estávamos ainda a caminho da eleição indireta que levaria Tancredo Neves à Presidência e eu reunia frente a frente tancredistas e malufistas. Aloysio estava do lado oposto a Gastone Righi e este, aos berros, partiu para os impropérios, entre outros, audíveis em Pindamonhangaba, “cachorro” e “macaco”. Presa de palidez freudiana (de Lucien Freud), encolhido na cadeira, Aloisio não conseguia articular um revide. Ergui-me do assento central e berrei mais alto na direção de Righi: “Cale-se! No meu programa ninguém grita e ofende os adversários!” Tive pleno sucesso.

Na noite de Brasília, o governador talvez tenha me confundido com outrem, só posso dizer que sempre o tratei com o devido respeito. O senador, no entanto, não se confundiu. De todo modo, se a simpatia de Alckmin foi autêntica, sei que não é compartilhada por outros inúmeros tucanos. Por exemplo, CartaCapital foi praticamente ignorada pela publicidade governista durante os dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e em São Paulo só teve vez enquanto Mário Covas viveu. A isonomia que passou a ser praticada pelo governo Lula na distribuição de anúncios, e agora pelo governo Dilma, nunca deixou de contar com as críticas, às vezes ásperas, de alguns guardiões da moral, perdão, da Moral, tidos como jornalistas.

Neste exato instante, recebemos a informação de que, na esteira do ex-governador José Serra e do seu ex-secretário da Educação Paulo Renato, o atual presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), José Bernardo Ortiz Monteiro, acaba de renovar contratos para o fornecimento de assinaturas com as revistas ÉpocaIstoÉ e Veja, e os jornais Folha de S.Paulo O Estado de S. Paulo pelo valor total de 9 milhões de reais e alguns quebrados. Não houve licitação, está claro, assim como está que CartaCapital foi excluída mais uma vez.

Há toda uma longa tradição de mamatas, como outrora se dizia, a caracterizar a relação entre poder e mídia, esta que incessantemente clama por sua liberdade de fazer o que bem entende, inclusive assaltar a verdade factual de todas as formas possíveis. Só para citar as mais recentes, repito, mamatas, evoco o aval da ditadura ao acordo entre a Globo e Time-Life, para que logo em seguida fosse proibido qualquer acerto do mesmo gênero. Tivemos, sempre à sombra do regime de exceção, as generosas operações da Caixa Econômica Federal em benefício do Estadão e da Editora Abril, esta retribuída por minha saída da direção de Veja, voluntária aliás, por recusar um único escasso tostão dos patrões, ao contrário do que se lê até em livros.

E lá vem a história da Gazeta Mercantil, que lançou debêntures prontamente adquiridas pela Previ para que em suas mãos virassem letras mortas, enquanto o jornal ocupava por aluguel irrisório espaço confortável no prédio da Funcef. Ah, sim, debaixo do governo FHC registramos várias situações impagáveis, a começar pela privatização das teles em 1998, a favorecer Globo, Estadão e Abril. Não deixa por menos, em matéria de mamata, a linha de financiamento criada pelo BNDES- para salvar a Globo. Enfim, no ocaso da Presidência do príncipe dos sociólogos, a aprovação de lei que permite o investimento- de até 30% de capital estrangeiro nas nossas- empresas midiáticas, àquela altura- com a água pela garganta.

CartaCapital tem boa memória, mas não se queixa. Fizemos nossas escolhas cientes dos riscos a correr no país dos herdeiros da casa-grande e da senzala. E não perco a oportunidade para confirmar o que já sustentei neste mesmo espaço: o mundo, até este dos dias de hoje, não é todo igual. Não há notícia, para ficar no assunto, de que ministros da Educação de países democráticos e altamente civilizados comprem lotes substanciosos de assinaturas de jornais e revistas em proveito do progresso cultural de professores e alunos. Mas é óbvio que os objetivos das autoridades paulistas são outros e que a opinião deCartaCapital nunca esteve e nunca estará à venda.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-mao-que-lava-a-outra

“Faltam visão crítica e instrumentos legais contra corruptor”

André Barrocal/Carta Maior

BRASÍLIA – O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo escreveu certa vez, numa de suas crônicas periódicas, que o brasileiro parece encarar a corrupção um pouco como faz com a homossexualidade: só o passivo é. O recente noticiário político, recheado de páginas sobre má conduta ética de um lado só, dá motivo à curiosa comparação.

“Quem compra é quem detém o poder econômico. E o poder econômico sempre fica menos exposto à crítica”, afirma o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage.

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, Hage diz que, no Brasil, o poder econômico controla dois dos principais responsáveis por definir aquilo que o país debate. Os veículos de comunicação, que antes de tudo são empresas. E o Congresso, aonde dificilmente se chega sem doação empresarial em eleições.

Para ele, o cerco aos corruptores, tão responsáveis quanto os corruptos pelo roubo de dinheiro público, requer uma intensa mobilização social. Só assim, pressionados, os parlamentares aprovariam o fim de contribuições empresariais para campanhas e uma lei para punir pessoas jurídicas corrompedoras, dois projetos parados no Congresso.

Na entrevista que o leitor verá a seguir, Hage fala sobre a esperança de ver a internet – e até setores da imprensa – ajudando a mobilizar a sociedade contra os corruptores. Explica o que a CGU consegue fazer com “instrumentos modestos”. E comenta os atos contra a corrupção realizados no 7 de setembro. “Foram muito bem vindos e a favor do governo”.

Por que no Brasil, em matéria de corrupção, só aparece quem se vende e não quem compra?

Jorge Hage: Em primeiro lugar, porque quem compra é quem detém o poder econômico. E o poder econômico sempre, no Brasil, e talvez no muito inteiro, mas nas democracias mais maduras essa diferença de tratamento tende a se atenuar, fica menos exposto à crítica do que o poder político. E uma das razões é o fato de que os próprios meios de comunicação são detidos pelo mesmo poder econômico. Além disso, na minha visão, os problemas de corrupção começam no próprio financiamento dos partidos e das campanhas políticas. Se nós vivemos num sistema capitalista, onde o capital é quem financia a constituição do poder político, ou seja, é quem escolhe quem vai exercer o poder político, é mais do que óbvio que o problema tem raiz aí mesmo.

Como enfrentar isso? 

Hage: Medidas como financiamento exclusivo de campanhas e partidos poderiam ajudar, mas é extremamente difícil de aprovar. Mantido o marco do financiamento privado, seria possível ampliar enormemente a sua transparência, por exemplo, tornando obrigatória a divulgação do nome dos financiadores e do destinatário do financiamento antes das eleições, e não somente depois, como acontece hoje. Mas, enquanto não conseguirmos passar ao financiamento público, eu edefendo tetos bem mais baixos do que os atuais, tanto para financiamento da pessoa física quanto da pessoa jurídica.

Quanto seria um limite aceitável
?

Hage: Não sei, mas deve ser discutido.

O senhor está na CGU há nove anos, já deve ter se debruçado sobre muitos casos de irregularidades. O que conta mais: quem está na máquina e monta um esquema ou quem está fora, fustigando?

Hage: Nunca pensei em fazer um gol de desempate nesse jogo. Acho que há responsabilidade dos dois lados. O que está faltando hoje é não só um foco maior da visão crítica para o lado do corruptor, como também a construção de instrumentos melhores para combater esse lado. O que a CGU pode fazer em relação a empresas que pagam propina, cometem qualquer tipo de ilícito em licitações? São apenas aquelas penalidades previstas na lei 8666, que são a suspensão por até dois anos e a declaração de inidoneidade para contratar com o serviço público ou para participar de licitações. O que fizemos com esse instrumento modesto? Passamos a dar utilização máxima. Instauramos processos contra fornecedores sempre que há casos mais graves. E colocamos no site um cadastro que busca reunir todas as penalidades que existem contra empresas aplicadas por todos os órgãos públicos do Brasil. O espírito da lei é fazer com que a empresa punida por um órgão não possa fornecer a mais nenhum órgão, e não só àquele que lhe aplicou a pena.

E o cadastro funciona? Os órgãos deixam de assinar contratos, cancelam contratos?

Hage: Amplamente. Aconteceu um caso concreto com a Valec. A Valec contratou uma empresa, a Dismaf, que tinha sido declarada inidônea pela ECT [Correios]. Comuniquei o ministro dos Transportes, que comunicou a Valec, e foi desfeito o contrato. Mas são poucos os instrumentos. O que seria o mais importante em muitos casos? Conseguir aplicar multas pesadas, não as irrisórias que existem nos contratos. Multas que atinjam um percentual do faturamento da empresa.

Esse tipo de multa está previsto no projeto de responsabilização das empresas por crimes contra a administração pública que o governo mandou ao Congresso há 17 meses. Até agora, o projeto não andou. O que é preciso fazer para que ele ande?

Hage: Mobilização da opinião pública, social. Via internet e imprensa, dois grandes instrumentos de mobilização.

Mas o senhor disse antes que a imprensa é expressão do poder econômico…

Hage: Mas os órgãos de imprensa também não são todos homogêneos, monolíticos. Tem jornalistas influentes dentro de determinados órgãos de imprensa que escrevem o que querem – alguns, não são todos -, que conseguem furar o bloqueio do que seria o interesse do poder econômico. E os próprios jornais, até para que se mantenham com o mínimo de credibilidade, procuram, aqui e ali, abrir brecha ao seu próprio interesse. Nós temos o exemplo recente da Ficha Limpa. A lei é contrária a grandes segmentos do poder econômico e a parlamentares que representam o poder econômico, sem dúvida, mas a imprensa deu cobertura. Porque houve uma grande mobilização da sociedade. Há outras formas dessa mobilização se expressar, e aí muitas vezes a imprensa vai junto.

A gente não está num momento bom para isso ser colocado de forma mais firme no debate público, com o tema corrupção tão em evidência? E, mesmo assim, não se viu isso ainda…

Hage: É verdade, não se chegou lá ainda.

Há um outro projeto na Câmara, mais antigo que o do governo, do deputado Henrique Fontana, que tipifica o crime de corrupção ativa…

Hage: Mas a corrupção ativa já é tipificada, no Código Penal. O que falta tipificar é enriquecimento ilícito de funcionário público.

O projeto tipifica a atuação das empresas corruptoras…

Hage: Pronto, é isso aí, a pessoa jurídica. Esse é o ponto. No entendimento da CGU, será muito mais difícil conseguir tipificar como autor do crime uma pessoa jurídica. Não é da tradição do sistema jurídico brasileiro a instituição de tipos criminais cujo agente seja pessoa jurídica. Na nossa tradição, o crime é da pessoa física, do homem. Temos um só exemplo, mas com pouca aplicação prática, que é na área do crime ambiental. A experiência não é boa, não deu frutos, porque não se coaduna com a tradição do sistema jurídico brasileiro. Por isso, nós fizemos uma opção consicente de propor o crime como ilícito civil, que pega inclusive o patrimônio da pessoa jurídica.

E apesar disso…

Hage: Está parado lá, até hoje.

O senhor mencionou antes que o financiamento público é uma medida estrutural que ajudaria a combater a corrupção. Mas eu não tenho memória de, até agora, algum grande empresário vir a público para defendê-lo. 

Hage: Vai ser difícil…

O senhor acha que mesmo aquele empresário de boa índole não tem disposição para mexer nesse vespeiro, e aí fica mais difícil de criar na sociedade um clima que force o Congresso a fazer algo que o Congresso, no fundo e em sua maioria, não quer fazer?

Hage: Sugeriria a você levar essa ideia ao Instituto Ethos, com quem nós temos um diálogo mais fácil, temos parceria.

Como é no exterior? O dilema corruptor-corrompido existe também?

Hage: O que posso dizer, pela minha vivência nesses fóruns internacionais, é que existe uma grande preocupação dos organismos internacionais que discutem combate à corrupção, de engajar o setor privado nessa luta. Mas ninguém, até hoje, conseguiu, na prática, desenvolver uma iniciativa concreta nessa direção. Nós, no Brasil, inclusive, estamos sendo pioneiros em algumas iniciativas. Nos seminários de que tenho participado, tem se discutido coisas assim: ‘seria interessante oferecer estímulos para empresas que se comprometam a adotar posturas de integridade corporativa, como dar vantagens em licitações, benefícios fiscais, creditícios’. Eu digo, ‘nessa aí, estou fora, nós não vamos fazer no Brasil’.

O senhor acha que combate à corrupção tem se prestado apenas à exploração política? Não há uma certa hipocrisia no ar, de alguns que levantam a bandeira?

Hage: Sem dúvida, mas não posso generalizar. Na Câmara tem 500 parlamentares, no Senado tem 80. Mas tem um grupo que realmente quer, eu não duvido da honestidade de propósitos destes parlamentares que estão na Frente. Agora, saber se eles têm força para levar a alguma conseuquência concreta é outra coisa. Adere a estes movimentos outro tipo de parlamentar que não tem absolutamente nada a ver com essa seriedade de propósito, que adere apenas de forma oportunista para criticar o governo. A gente vê certas figuas dos partidos de oposição que chega a ser uma piada aparecer para defender combate à corrupção.

O que achou de manifestações contra a corrupção do 7 de setembro?

Hage: Achei tímidas, ainda pouco representativas, mas muito bem vindas, por menores que sejam. Ainda que haja quem tente manipulá-las. Não é porque um parlamentar do PSDB, do DEM ou do PPS pretendeu utilizar aquele movimento para criticar o governo, que eu vou ser contra o movimento. De forma nenhuma. O movimento é muito bem vindo. E, quanto mais movimento contra a corrupção, melhor. Isso interessa ao governo, é bom para o governo – desde que se trate de um governo, como o nosso, que está realmente interessado em combater a corrupção, com todas as sua limitações, óbvias, naturais, inevitáveis, mas está empenhando. Essa é a posiçao inequívoca da presidenta Dilma Rousseff. De modo que, sendo assim, todos os movimentos que vêm nessa direçao, eu os encaro como movimentos de apoio ao governo.

Fonte: http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18482

Quem pode ter medo da verdade?

Por Brizola Neto

Reproduzo, abaixo, uma pequena comunicação que fiz hoje no plenário da Câmara, reafirmando a urgência e minha posição sobre a instalação da Comissão da Verdade, proposta por Lula, no ano passado, e ainda esperando a votação na Câmara:

“Sr. Presidente, só para eu fazer uma breve comunicação, uma vez que se estabeleceu aqui um debate sobre a Comissão da Verdade. Devemos ter clareza e buscar esclarecer às Sras. e Srs. Deputados e àqueles que nos assistem pela TV Câmara, indagando: quem pode ter medo da verdade, quem pode ter medo da Comissão da Verdade, cuja votação tem sido acordada entre as Lideranças partidárias para os próximos dias e que busca tão somente trazer à tona os fatos que aconteceram durante a escuridão do período da ditadura militar brasileira?

É uma Comissão que não tem caráter punitivo, apenas busca trazer à tona, àsociedade brasileira, principalmente às novas gerações, para que não se repitam as atrocidades cometidas pelos comandos militares do Golpe de 64 no Brasil, o que aconteceu naquela época. Trazer à tona o que aconteceu de fato, as violações de direitos humanos que foram empurradas para baixo de uma cortina, de um tapete. 

Quando ouvimos determinados pronunciamentos, vemos que ainda existem aqueles que temem a verdade. Certamente devem temer as apurações porque devem ter praticado sérios atos de violação de direitos humanos. Devem ter defendido as atrocidades que foram cometidas nos porões da ditadura. 

Essa Comissão, repito, Sr. Presidente, não terá caráter punitivo. Mas vai caber à Justiça, a partir da luz que vai ser colocada sobre os fatos, a partir da verdade estabelecida por essa Comissão, decidir sobre as atrocidades e as violações de direitos humanos que aconteceram durante o regime militar no País.”

Fonte: http://www.tijolaco.com/quem-pode-ter-medo-da-verdade/ 

Senador Requião: Parlasul é instrumento de superação de crise e cidadania

Por Roberto Requião

Nesta terça feira (13), eu tive a honra de ser eleito, de ser conduzido pelo voto dos parlamentares à presidência da seção brasileira do Parlasul .

Parlasul hoje é composto por 27 deputados federais e 10 senadores, e eles me honraram com o cargo de presidente da Representação Brasileira no Parlasul .

Parlasul é muito importante. Hoje no Parlasul nós temos o Brasil, o Paraguai, o Uruguai e a Argentina. Outros países da América do Sul têm assento como observadores. E para o ingresso da Venezuela falta só a aprovação do Paraguai.

É um momento muito importante para a atuação do nosso Parlamento. Por quê? Porque nós estamos numa crise econômica provocada pela “quebradeira” nos EUA. E essa crise atinge todos os nossos países.

Durante a crise os países tem uma tendência protecionista e isso impede as relações comerciais de andarem no ritmo desejado, cada país colocando barreiras. E o Parlasul é o grande espaço de diálogo para que nós cheguemos a posições comuns que beneficiem todos os nossos países.

Eu tenho certeza que a criação desse Mercado Comum do Sul é um instrumento que nós temos para competir no mundo.   E no momento que os países industrializados entram em crise – os países fortemente industrializados, com tecnologia de ponta – nós que temos indústria, como o Brasil, também grande produtor de commodities (minerais e agrícolas) temos uma grande chance de capitalizar esta vantagem momentânea para um desenvolvimento, inclusive, industrial. Mas precisamos estar afinados.

O Parlasul é o grande instrumento de superação de crise, mas tem que ser levado do ponto de vista da cidadania latino-americana, com solidariedade. Nós somos irmãos no Sul da América. E nós temos que agir desta forma. Recusando qualquer prática imperialista. Jamais podemos querer fazer no âmbito da nossa aliança o que fazem os países desenvolvidos com o seu imperialismo sórdido e repetitivo.

Sou presidente então do Parlasul Brasileiro, da nossa seção, e vou me empenhar para o sucesso desse Mercado Comum do Sul que tem que ultrapassar os aspectos comerciais e industriais e ser uma grande aliança de solidariedade, de troca de informações culturais, de fusão de culturas, de cidadania sul-americana.

Mercado especula sobre o futuro da Abril

Por Luciano Martins Costa

Movimentações recentes no comando da Editora Abril, como a contratação do banqueiro Fabio Barbosa para a presidência do grupo, e a compra, pela família Civita, do complexo de cursos e publicações Anglo Latino, têm estimulado suspeitas de que o grupo estaria se preparando para desidratar o setor de revistas.

Consolidada a aquisição do Anglo, por R$ 600 milhões, acertada em meados de 2010, o negócio ainda causa curiosidade entre especialistas, como deixou escapar na terça-feira (13/9) um experiente professor da Fundação Getulio Vargas.

Afinal, para que a Editora Abril iria querer um sistema educacional que é na verdade uma franquia que oferece cursos e vende apostilas?

Em primeiro lugar, não se trata de um negócio da Abril, mas da família Civita. Perspectivas pouco animadoras quanto aos sucessores de Roberto Civita teriam convencido o controlador do grupo editorial a investir em educação, um negócio muito mais promissor do que o de revistas.

Segundo mostrou o recente encontro da associação do setor, a ANER (Associação Nacional de Editores de Revistas), o cenário vai levar a mudanças radicais na organização das editoras, com uma provável fragmentação dos grupos de interesse, o chamado público das revistas.

A pulverização dos títulos, induzida pela necessidade de buscar recursos em nichos cada vez mais específicos, tem aumentado perigosamente a complexidade da gestão do grupo Abril.

Os esforços para a qualificação de editores em técnicas de administração não têm dado resultados, simplesmente porque jornalistas, em geral, não são preparados para outra coisa que não jornalismo.

Jornalistas que atuaram em outros setores da economia, em cargos de diretoria, sabem o abismo que separa seus colegas editores dos executivos oriundos das áreas financeira, industrial ou de serviços.

Sem um herdeiro que possa ser qualificado como gênio, e sem ter tido a sorte de ser, ele mesmo, um clone do pai, o patriarca Victor, Roberto Civita tem poucas garantias de ver prosperar ou mesmo permanecer sua complicada rede de publicações.

Mas as revistas estão acabando?

Não exatamente. Mas as mudanças que estão ocorrendo no setor vão se acelerar de uma forma jamais vista antes no mercado. Títulos tradicionais vão desaparecer subitamente, e certos temas serão quase exclusivamente lidos em plataformas digitais.

Na rota do Titanic

Volta, então, a pergunta que foi feita aqui na última terça-feira: o que o banqueiro Fábio Barbosa foi fazer na Editora Abril?

Ele já declarou aos editores que nada sabe do negócio de revistas. Mas Barbosa e Civita sabem que isso não tem a menor importância, porque ele não está na Abril para salvar as publicações – ele virou presidente do grupo para salvar o capital da família Civita.

No encontro em que foi apresentado aos editores do grupo Abril, Barbosa disse que, como não conhece o setor, talvez seja capaz de fazer perguntas que os jornalistas já esqueceram.

Bobagem: para fazer seu serviço, ele não precisa saber o que é uma boa pauta. Ele vai fazer o que é sua especialidade: obter o máximo de resultado financeiro no que resta de vida a alguns produtos, preparar a abertura de capital do outro negócio – o de educação – e observar a lona do circo de revistas murchar.

Roberto Civita já colecionou grandes feitos em sua carreira de executivo-empresário: perdeu a TVA, vendida para a Telefonica, viu o Brasil Online ser absorvido pelo UOL e estimulou a transformação da revista Veja, que já foi um dos principais patrimônios da imprensa brasileira, em um título Murdoch.

A Abril vive de um punhado de revistas sem qualquer relevância, a maioria voltada para assuntos de menor importância para as necessidades estratégicas de uma empresa do seu porte. As revistas de negócios, que já tiveram grande influência, foram transformadas em manuais de auto-ajuda para gerentes e são consideradas um dos elos mais frágeis do sistema de publicações de papel – porque os jovens executivos preferem se informar em seus aparelhos digitais e têm acesso a dezenas de alternativas setoriais no formato tradicional, como as revistas customizadas e as publicações de nicho.

Do conjunto de bravos e esforçados editores não saem ideias inovadoras capazes de criar novos títulos, simplesmente porque a empresa matou, ao longo dos últimos anos, a cultura de inovação.

A homogeneidade das redações desestimula a competição criativa, acomoda os profissionais, gera vícios na produção dos textos e no desenho das páginas, como pode observar qualquer leitor atento de revistas.

Não há gênio humano capaz de conduzir a bom porto um transatlântico como o grupo Abril.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/mercado-especula-sobre-o-futuro-da-abril