Arquivo mensais:setembro 2011

As oportunidades do Brasil com economia verde

Por Marco Antonio L

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O motor que impulsiona o limpador de para-brisa do seu carro, seu smart­phone, a proteção de raios infravermelhos presente nos óculos escuros e na garrafa de vinho. Tudo isso – e mais uma infinidade de produtos que incluem até mesmo mísseis teleguiados – só existe graças a um grupo de minerais conhecidos como terras raras. Esses metais, que, apesar do nome, são muito comuns, compõem um grupo de 17 elementos na tabela periódica com alcunhas tão incomuns como samário, praseodímio, disprósio e gadolínio. São pouco conhecidos em parte porque, na maioria das aplicações, são usados em quantidades muito pequenas. Mas a supercondutividade desses elementos tornou possível, por exemplo, a miniaturização dos eletrônicos. Não à toa, o mercado mundial dos lantanídios, como também são chamados, gira em torno de US$ 5 bilhões anuais.

A produção crescente de máquinas “ecologicamente corretas”, como turbinas eólicas e carros híbridos, e o aumento do rigor nas leis ambientais estão fazendo mais gente se preocupar com as terras raras. Com 36% das reservas conhecidas, a China responde por 97% do fornecimento, mas os números estão caindo. “O governo chinês está engajado na proteção ambiental e no combate às mineradoras ilegais”, disse à ISTOÉ Chen Zhanheng, diretor da Sociedade Chinesa de Terras Raras. Além disso, a maior demanda interna faz a China diminuir exportações. Tudo isso fez os preços disparar.

Problema para muitos, oportunidade para o Brasil, que pode ter uma reserva ainda maior que a dos chineses. O serviço de pesquisas geológicas dos EUA (USGS, na sigla em inglês) estima que as jazidas brasileiras podem fornecer até 3,5 bilhões de toneladas dos lantanídios – o nome faz referência ao primeiro elemento do grupo, o lantânio. Segundo Fernando Landgraf, diretor de inovação do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), existem pelo menos dez projetos de exploração desses minerais em andamento no ­País. No entanto, é impossível estimar a viabilidade econômica deles, porque os preços atuais são, em sua opinião, “irreais”. “Ninguém sabe em que nível eles vão se estabilizar.” Ele cita o exemplo do neodímio, uma das terras raras mais usadas para superimãs. Em janeiro de 2009, o mineral custava US$ 15 por quilo. Agora, chega aos US$ 300.

Algumas jazidas conhecidas estão nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Espírito Santo. Mas há projetos até mesmo no Amazonas. A empresa CPRM Serviços Geológicos do Brasil, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, começou a executar neste ano um estudo para identificar novas áreas do território brasileiro em que pode haver terras raras. Com duração prevista de três anos, deve receber investimentos de R$ 2,4 milhões apenas em 2011.

Ironicamente, é impossível produzir alguns produtos “verdes” sem os lantanídios, que são obtidos com processos extremamente poluentes e liberam até mesmo materiais radiativos como urânio e tório. Além das baterias dos carros híbridos e turbinas eólicas, as terras raras são essenciais, por exemplo, na fabricação das lâmpadas de LED, mais econômicas que as fluo­rescentes. A entrada brasileira nesse mercado, porém, não precisa ser como mero exportador desses minerais, afirmam especialistas. “Dá para ganhar dinheiro só com mineração, mas o ideal é fazer a cadeia produtiva inteira, da mina até a produção de bens”, diz Landgraf. Se o Brasil não aproveitar essa chance, estará perdendo uma oportunidade muito mais rara que essas terras.

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/oportunidades-do-brasil-com-a-economia-verde

O Brasil frente ao recrudescimento da crise internacional

Por Márcio Garcia

  Da Europa, vem o temor do calote de vários países e da falência de grandes bancos; dos EUA, o medo de um duplo mergulho que jogue o mundo em nova recessão. O bólido chinês, com problemas de inflação, ameaça desacelerar fortemente. No Brasil, o dólar volta a subir rapidamente, enquanto a inflação assusta e a economia se desaquece lentamente. O Banco Central (BC), alarmado com a crise internacional, compra até a promessa de aperto fiscal do Executivo e faz uma aposta arrojada em juros mais baixos para manter a economia crescendo sem que a inflação fuja da meta.

Será que nosso crescimento voltará a se assemelhar ao voo da galinha? E o dólar, continuará barato ou subirá aos elevados níveis do passado? A inflação vai continuar aumentando? São muitas as dúvidas neste momento extremamente conturbado da economia internacional. Neste artigo, busco analisar brevemente a conjuntura internacional e seus prováveis desdobramentos para a economia brasileira.

Embora a velocidade dos acontecimentos recentes faça parecer que ocorreu há muito tempo, faz apenas pouco mais de um mês e meio que os políticos dos EUA conseguiram chegar a um acordo que impedisse o calote da dívida pública. Também no início de agosto, a classificadora de riscos Standard & Poor’s (S&P) rebaixou a dívida dos EUA, aumentando ainda mais a incerteza e a aversão ao risco. O acordo celebrado entre democratas e republicanos para evitar o calote da dívida, contudo, tem sérios problemas macroeconômicos: ele manieta o governo no curto prazo, impedindo-o de combater a recessão via expansão temporária da política fiscal, ao mesmo tempo em que deixa de atacar os problemas fiscais de longo prazo, que constituem de fato a grande ameaça à solvência dos EUA. Os números do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, bem como a não geração de novos empregos em agosto, mostraram que economia está praticamente estagnada, com alto risco de voltar à recessão. O recente discurso de Obama sobre como gerar empregos tenta retomar a expansão fiscal, mas a aguda disputa política não deixa muita esperança de que venha a ter sucesso.

Em 2008, teria sido melhor recorrer mais ao relaxamento da política monetária do que à expansão fiscal

Frente a tal situação, em atitude inusitada, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) prometeu manter juro zero até meados de 2013. Busca assim incentivar empresas e famílias a voltarem a gastar. O problema é que muitas empresas e famílias estão sobre-endividadas (alavancadas), e quem está preocupado em pagar dívidas tem que cortar consumo e investimento. Muitas empresas, ao contrário, nadam em liquidez, mas estas tampouco investem porque temem não ter para quem vender. Esperam-se novas medidas na próxima reunião do Fed, na semana que vem, mas não está claro que haja muito que possa ser feito para encurtar a crise.

Na Europa, a situação é ainda pior. Após longo processo de negação da inevitabilidade de uma redução substancial da dívida grega (“haircut”), um novo programa foi, afinal, aprovado, mas sua implementação está sendo posta em dúvida pelos mercados. As decisões econômicas que se fazem necessárias na área do Euro enfrentam dificuldades políticas ainda maiores do que nos EUA, por envolverem diversos países e requererem unanimidade. Os mercados acreditam que haverá um calote grego, além de também descontarem calotes de outros países pequenos, Portugal e Irlanda, e até mesmo de alguns dos grandes, Itália e Espanha. Bancos franceses, recheados de papéis das dívidas soberanas ora em xeque, sofrem a debandada de investidores e encontram dificuldades em obter financiamento interbancário.

Caso os líderes europeus não consigam chegar a um acordo que convença os investidores de que não será admitida uma sequência de calotes soberanos que chegue a atingir os maiores países, grandes bancos podem vir a quebrar. Teme-se que tal quebradeira gere efeito dominó, semelhante ao ocorrido há três anos, quando quebrou o banco Lehman Brothers, nos EUA. Neste cenário catastrófico, no qual nosso BC decidiu apostar, se repetiria a paralisia do crédito internacional observada em 2008.

 

 

A fonte de crescimento da economia mundial está nos países emergentes, sendo a China seu dínamo. O problema é que a China luta com uma inflação de 6,5% e tenta, com dificuldades, desacelerar seu crescimento via contenção do crescimento do crédito. Para que o crescimento chinês permaneça elevado a médio prazo, será necessário que passe a depender menos do investimento e das exportações e mais do consumo interno. Isto envolve, entre outros fatores, a apreciação da taxa de câmbio, tema notoriamente difícil para as autoridades chinesas. Dada a complementaridade entre as economias chinesa e brasileira, os prognósticos para a China tornam-se ainda mais importantes para determinar nosso crescimento futuro.

Para avaliar os prováveis desdobramentos da crise internacional sobre a economia brasileira, hoje, vale recordar nossa reação à crise de 20081. Naquela oportunidade, o principal canal de transmissão da crise internacional para a economia brasileira foi a maciça contração internacional de crédito. Fragilidades financeiras internas ampliaram o impacto recessivo da contração creditícia: grandes empresas alavancadas em derivativos cambiais negociados com grandes bancos sofreram pesadas perdas. Apesar da higidez de nosso sistema financeiro, bancos pequenos e médios, e até mesmo um grande banco, sofreram grandes dificuldades financeiras oriundas da severa contração da liquidez. Tentou-se “desempoçar” a liquidez de diversas formas. Foram liberados depósitos compulsórios, incentivando bancos maiores a comprar carteiras dos menores com dificuldades de liquidez, aperfeiçoando e alongando o prazo do redesconto, e finalmente, criando-se um seguro para depósitos até R$ 20 milhões, o Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE), garantido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O resultado final foi considerado satisfatório, com o sistema financeiro nacional não sofrendo grandes danos, malgrado a severidade da crise.

Mais do que nunca, o crescimento depende das reformas que devem ser discutidas pela sociedade e pelo Congresso

No que tange ao mix de políticas macroeconômicas, não há tanta concordância quanto ao acerto das ações governamentais. O Gráfico 1 mostra quatro séries: a taxa Selic, a inflação acumulada nos 12 meses passados (IPCA), a inflação prevista para os 12 meses futuros (IPCA) e o índice de produção industrial (escala à direita). Às vésperas da eclosão da crise de 2008, dada a elevação da inflação, tanto ocorrida quanto prevista, ambas acima da meta (4,5%), o BC vinha aumentando a taxa Selic, que se encontrava em 13,75%. A crítica que muitos fazem ao BC é que ele teria errado ao manter inalterada a Selic durante o último trimestre de 2008, apesar do colapso do nível de atividade. Há, contudo, que se lembrar que a taxa de câmbio elevou-se significativamente, com o dólar chegando a beirar os R$ 2,50. O real depreciou-se 62% em relação ao dólar, entre agosto e dezembro de 2008. O impacto inflacionário da depreciação cambial só não foi maior porque os preços das commodities, em dólar, colapsaram, o que ora não está ocorrendo, como mostra o Gráfico 2. Note-se que, mesmo com a acentuada queda do nível de atividade, a queda da inflação, tanto da prevista como a da realizada, não foi muito acentuada, permanecendo ao redor da meta para inflação, demonstrando que o BC cumpriu o mandato da sistemática de metas para a inflação.

O padrão internacional de reação à crise foi recorrer à expansão fiscal apenas quando a expansão monetária já havia se esgotado, com taxas de juros perto de zero. Por isso vários países reduziram significativamente os juros, enquanto o BC só o fez até 8,75%. Isto ocorreu porque as políticas fiscal e parafiscal (expansão de crédito subsidiado via bancos públicos, sobretudo o BNDES) foram rápida e fortemente expandidas, limitando a capacidade de o BC reduzir mais os juros sem colocar em risco o controle inflacionário. Teria sido melhor recorrer mais ao relaxamento da política monetária do que à expansão fiscal, pois a primeira age com muito mais rapidez e de forma homogênea, afetando todos os agentes econômicos. Pode-se debater eternamente de quem é a culpa do mix errado de políticas macroeconômicas no combate à crise passada. Da Fazenda ou do BC? Mas isto, agora, pertence à história econômica.

 

 

Na reação à crise atual, o BC já decidiu baixar os juros confiando que as políticas fiscal e parafiscal não apresentarão o perfil expansionista da crise passada. De fato, a ata da última (161ª) reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e as recentes entrevistas de seu presidente deixam claro estar o BC determinado a seguir trajetória bem distinta daquela seguida na reação à crise de 2008, ressaltando os impactos da crise mundial atual sobre a inflação. O cenário que parece guiar a decisão do Copom é construído com base em modelo computável, na presunção de que ocorra uma crise externa com menor impacto sobre a economia brasileira (1/4 do impacto de 2008), ainda que mais persistente (não especifica o período). A ata (parágrafo 18) diz que, nesse cenário “… a atividade econômica doméstica desacelera e, apesar de ocorrer depreciação da taxa de câmbio e de haver redução da taxa básica de juros, entre outros, a taxa de inflação se posiciona em patamar inferior ao que seria observado caso não fosse considerado o supracitado efeito da crise internacional.” Trata-se de um modelo novo, cuja confiabilidade ainda deverá ser testada ao longo do tempo. A reação de analistas fora do BC que lidam também com modelos econométricos parece indicar que, a menos que a severidade da crise internacional seja elevada, baixando significativamente os preços das commodities que compõem nosso índice de inflação (sobretudo alimentos, vide Gráfico 2), a convergência da inflação para a meta em 2012 estaria seriamente ameaçada.

Há outras ameaças, também mencionadas na ata. Os aumentos salariais acima da produtividade é um deles. O aumento do salário mínimo em janeiro de 2012, que deve se situar por volta de 14% é um elemento que dificulta muito a contenção dos aumentos salariais ora negociados. Com o mercado de trabalho aquecido, é muito difícil que a meta para inflação, 4,5%, sirva como base para fixação de reajustes salariais.

Outra ameaça é que a política fiscal siga sendo expansionista. O BC resguarda-se, afirmando (parágrafo 27) que “o Copom reafirma que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais.” Em relação à expansão do crédito subsidiado via bancos públicos, também adverte (parágrafo 28) que “… considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito”, embora não mencione a importância de moderar o volume total de crédito via bancos públicos, e não só os subsídios.

Infelizmente, há muito pouca evidência de que o governo, de fato, vá alterar as políticas fiscal e parafiscal de forma significativa. Ainda que a situação fiscal do Brasil seja tranquila no curto prazo, há diversas ameaças de médio e longo prazo que deveriam estar sendo atacadas, a começar pelo déficit previdenciário.

Em suma, o BC tomou a decisão de cortar a taxa Selic com base em aposta no cenário internacional, no arrefecimento das demandas salariais em um contexto de mercado de trabalho aquecido, e na esperança de que o governo reverta suas políticas fiscal e parafiscal expansionistas. Pode dar certo? Talvez, e para isso torcemos. Não obstante, a boa técnica de política monetária não aconselha bancos centrais a tomarem decisões tão arriscadas. Dado que a decisão de reduzir a Selic, que deve prosseguir nas próximas reuniões do Copom, já está tomada, só nos resta cobrar do governo que cumpra sua parte, apertando a política fiscal.

É importante abordar a questão da credibilidade do Banco Central. Como se sabe, o sucesso da política monetária reside fundamentalmente na crença dos agentes econômicos que o BC vai manter a inflação próxima à meta. Tal credibilidade está afetada, porque se passou a duvidar que o Copom possa decidir autonomamente sobre a fixação da taxa de juros. Tal impressão pode muito bem ser falsa, mas ela existe. E isto afeta negativamente a credibilidade do BC e, portanto, a eficiência da política monetária. Para que não haja perda ainda maior de credibilidade é necessário que, caso as hipóteses contidas na ata do Copom não se verifiquem, com a inflação dos próximos meses não convergindo para a meta, o BC reverta o movimento de queda da Selic.

Quanto à taxa de câmbio, sua trajetória futura estará condicionada, no plano externo, ao desenrolar da crise internacional e seus impactos sobre o crédito internacional, nível de atividade e preços de commodities, bem como, no plano interno, à condução das políticas monetária e fiscal. É pequena a probabilidade de depreciação tão acentuada como a registrada na crise de 2008, uma vez que não há notícias que empresas tenham voltado a especular em derivativos cambiais. Não obstante, a recente e rápida depreciação do real alterou o foco das apreensões, voltando a preocupar seu impacto inflacionário.

Em suma, vivemos um período de enorme incerteza nas economias desenvolvidas, com repercussões muito profundas, muito além da esfera econômica. Nossa economia será negativamente afetada, ainda que a situação relativa do Brasil seja boa. A reação do BC à crise, ao reduzir os juros, aumentou o risco inflacionário. Mais do que nunca, o crescimento futuro da economia brasileira reside na contenção da expansão fiscal, bem como nas reformas estruturais que precisam retornar à discussão da sociedade civil e do Congresso Nacional.

1 Em trabalho para a ANBIMA, disponível emwww.anbima.com.br/mostra.aspx/?id= 1000001380 , revejo as razões para a resiliência demonstrada pela economia brasileira durante a crise de 2008.

Márcio Garcia, Ph.D. por Stanford e professor do Departamento de Economia da PUC-Rio.

Este é o quinto de uma série de artigos feitos por renomados economistas brasileiros e estrangeiros convidados pelo Valor para discutir a crise financeira internacional e avaliar seus possíveis desdobramentos.

Fonte: http://www.valor.com.br/opiniao/1008734/o-brasil-frente-ao-recrudescimento-da-crise-internacional

Altamiro Borges: que tal uma marcha contra os caloteiros?

A mídia demotucana está animadíssima com as “marchas contra a corrupção”. Não pára de falar nisto. Editoriais da Folha, Estadão e O Globo clamam por novas manifestações de rua contra os “malfeitos” no governo. Exigem que a presidenta Dilma Rousseff intensifique a “faxina” no Palácio do Planalto, que imploda de vez a base governista.

Seus principais articulistas viraram agitadores de massa, como se dizia antigamente. Até Carlos Heitor Cony, que apoiou o golpe de 64 e depois foi perseguido pelos éticos golpistas, resolveu engrossar o coro. A tucaninha Eliane Cantanhêde retornou das férias com toda a carga e até sugere incorporar uma nova bandeira – contra os impostos.

Uma das piores pragas da corrupção

Aproveitando este espírito rebelde da velha mídia, faço outra sugestão. A primeira foi a que ela convocasse marchas contra os escravocratas – contra a Zara e os ruralistas, que gastam fortunas em publicidade. Agora sugiro a marcha, repleta de madames e ricaços, contra os empresários caloteiros – uma das piores pragas da corrupção no Brasil.

Segundo recente relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), entre 2008 e 2010, os órgãos públicos multaram 734 mil empresas, no montante de R$ 24 bilhões, mas apenas R$ 1,1 bilhão, ou 4,67% do total, foi recolhido aos cofres da União. Os ricaços contestam as multas na Justiça e enrolam para pagar suas dívidas. São autênticos caloteiros!

Ruralistas são os campeões

Entre os mais descarados estão os velhos latifundiários, muitos travestidos de modernos barões do agronegócio. Só o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) já aplicou 71 mil multas, no valor de R$ 10,5 bilhões, mas recebeu apenas 0,34%. Eles exploram trabalho escravo, usam jagunços, destroem o meio ambiente e ainda dão calote!

O relatório do TCU, que não ganhou qualquer destaque no Jornal Nacional da ética TV Globo, também inclui bancos, faculdades privadas e operadoras de cartão de crédito, entre outras corporações empresariais. Depois dos ruralistas, os casos mais escandalosos de multas aplicadas e não recolhidas são as das concessionárias de serviços públicos.

Ricos não são presos no Brasil

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aplicou 17,5 mil multas no valor de R$ 5,8 bilhões, mas recebeu apenas 4,28% do total. Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) impôs 926 multas, no montante de R$ 900 milhões, dos quais apenas 11,17% foram pagos. Além de oferecer péssimos serviços, elas não pagam o que devem! Na maioria multinacionais, ainda exigem redução de impostos.

Este quadro lamentável confirma que no Brasil só o ladrão de galinhas vai preso. Os empresários multados têm prazo de cinco anos para recorrer ao Judiciário. “Os processos são lentos e a aplicação da multa é passível de recurso, e os casos que vão parar na Justiça podem demorar até 10 anos”, critica o advogado Anderson Albuquerque.

A mídia udenista topa?

O uso interminável de recursos à Justiça para protelar o pagamento das multas contrasta com os prejuízos impostos ao consumidor. No setor elétrico, a falta de manutenção das redes ou de investimentos na manutenção dos velhos equipamentos é uma das principais causas dos apagões em São Paulo e da explosão de bueiros no Rio de Janeiro.

Alguns destes caloteiros até devem ter apoiado as “marchas contra a corrupção” no 7 de setembro, ou levado seus filhinhos em carros importados. Eles detestam a corrupção… dos outros. Odeiam o inchaço do poder público, com seus órgãos de fiscalização que pentelham suas vidas. Exigem menos Estado, menos fiscalização e menos impostos!

Que tal a mídia demotucana, tão empolgada com as recentes marchas, convocar uma contra os caloteiros? Afinal, o rombo nos cofres públicos, segundo o TCU, foi de R$ 23 bilhões. Se topar essa sugestão, a mídia mostrará que não é oportunista, que seu moralismo não é falso. O risco é perder os anúncios das empresas caloteiras. Será que ela topa?

Por Altamiro Borges, em seu blog, via twitter

No Fantástico, Dilma reforça política como show da vida

por Chico Bicudo, em seu blog, via @ChicoBicudo

Sem tergiversar (tenho certeza que a presidenta Dilma Rousseff prefere que seja dessa maneira): fiquei incomodado e lamentei profundamente que a entrevista exclusiva de vinte minutos em horário nobre tenha sido dada a um programa de entretenimento, o “show da vida”.

No domingão, final de noite, depois do almoço em família e da rodada do futebol, na maioria das vezes quem senta na frente da telinha e procura narrativas como as oferecidas pelo “Fantástico” está justamente disposto a manter a cabeça desligada, prolongando ao limite do impossível mais um final de semana que insiste teimosamente em escorregar pelos dedos, anunciando a agonia de mais uma segunda-feira de trabalho, transtornos, tarefas, reuniões e tensões. Estamos quase a dizer – ‘não quero pensar, sem preocupações, só amanhã, mais um pouco, por favor’. É legítimo. Mas é preciso que se trate dessa maneira – como entretenimento.

A presidenta – e a assessoria dela – sabem disso. Não escolheram o Fantástico ao acaso. Não foi aleatório. Não foram obrigados. Foi feita uma opção. Antes de mais nada, depois de alguns dias em que se falou sobre propostas de regulação da mídia, seria bom mostrar afinidades, sintonias e encantamentos com a principal e mais poderosa emissora de TV do país, como a dizer “calma, nada muda, estamos no mesmo barco”. A proposta da conversa também não era de forma alguma fazer pensar, mas tocar pelas sensações e emoções.

Provavelmente a escolha foi mais uma peça de uma estratégia de popularização da imagem da presidenta, algo como “uma mulher como qualquer outra, informal, leve, risonha e brincalhona”. As expectativas estavam explicitamente voltadas para a construção da marca de “alguém que também é comum, que tem desejos, vaidades, manias e vontades, como quaisquer outras brasileiras” – uma presidenta que cria empatias e identidades, capaz de cair no gosto popular.

Não é difícil perceber que os marqueteiros (figuras cruciais da política como entretenimento) do Planalto não desgrudam os olhos dos tais índices de popularidade. Muitas das ações e das falas presidenciais têm sido guiadas por esses números mágicos de aprovação – ou trágicos de reprovação.

Desde os recordes atingidos pelo ex-presidente Lula, a impressão que tenho é que se tornou uma obsessão conhecer como a opinião pública avalia ações de governo – o que obviamente tem lá sua importância, mas, ao mesmo tempo, quando elevada à enésima potência, faz dos administradores públicos reféns de institutos de pesquisas. Pensam em cada lance. Jogam para a plateia. Aguardam os aplausos. Ficam frustrados quando não os ouvem. E repensam suas ações e agendas. Egos precisam ser acariciados – sobretudo.

Mais uma vez, o Fantástico cai como uma luva para dar conta dessa demanda – depois de um período difícil, com turbulências, crises e demissões de ministros, eis agora a presidenta doce e meiga, que se reencontra com seu povo, arruma tempo para brincar com o neto, não gosta de ar condicionado (sabiam?), escolhe sem ajuda as roupas e está sempre muito bem alinhada (tem até usado mais saias, vejam só), faz a própria maquiagem (que bom!) e quer muito perder alguns quilinhos extras.

A pauta da entrevista, que tragédia, poderia ter sido feita por uma criança de cinco anos, quem sabe até o neto da presidenta pensasse em questões mais relevantes, como chegou a ser comentado nas redes sociais. Mas e quem estava mesmo interessado no debate político?

Pois esse é justamente o ponto fundamental da discussão, o que mais me incomoda e para o qual desejo chamar a atenção – ao escolher o Fantástico e favorecer mais uma vez a lógica e a estética do entretenimento, sempre grandiosas e arrebatadoras, a presidenta faz submergir o complexo exercício de racionalidade que marca o debate político.

Diante dos olhares desejosos de distração da opinião pública, em horário nobre, a política aparece banalizada, surge como frivolidade, algo secundário, curioso, superficial, simplificado, leve, quase sem conflitos, professoral – vá lá, um tema até interessante, mas não exatamente importante.

Esse movimento, aliás (o que é mais preocupante e acachapante), parece ser a tendência dominante do atual governo – e também do anterior. Quais são afinal de contas as iniciativas políticas que estão sendo sustentadas e bancadas pela administração Dilma Rousseff? Para além do gerenciar a herança lulista, quais as transformações de fato que estão acontecendo na área social, por exemplo? Quais suas bandeiras e prioridades? Pois não nos disseram que o tal presidencialismo de coalizão era fundamental exatamente para garantir maiorias, a governabilidade e a implementação das ações de governo? Ah, entendi… as alianças não foram ideológicas, mas fisiológicas; não foram programáticas, mas pragmáticas.

O que acontece é que a Política (com “P” maiúsculo mesmo)… não acontece. O Código Florestal aprovado pela Câmara dos Deputados não era o que Dilma queria – mas o governo também não fez força alguma no Parlamento para aprovar proposta alternativa. Temeu melindrar aliados ruralistas. Foi só a ala amiga-religiosa-reacionária gritar um pouco mais alto que o kit anti-homofobia que seria distribuído nas escolas públicas com intuito de combater o preconceito foi suspenso, sob a alegação que não é “consenso no governo”. Dilma não quer a aprovação da emenda 29, diz ser contra a volta da CPMF, mas reconhece que a saúde de fato precisa de mais recursos. De onde virão, afinal?

O governo não quer se comprometer. Abre mão de contrariar interesses – ou seja, de fazer política. Lava as mãos. Não quer se desgastar com a classe média (imagem é tudo, lembram-se?). Líderes de trabalhadores rurais são mortos. A presidenta não vem a público para condenar com veemência os assassinatos – e explicitar ao lado de quem está nessa disputa.

Democratizar e regulamentar a mídia, quebrar monopólios da informação, cobrar impostos de grandes fortunas? Nem pensar. Podem achar que ela é muito radical, não? Sobre a abertura dos arquivos secretos, puxa vida, as mudanças de discursos já foram tantas que já nem sabemos mais o que Dilma pensa. E até mesmo a Comissão da Verdade, que era questão de honra, precisa das bênçãos do DEM (que patrocinou a ditadura militar) para ser aprovada, para “não causar traumas”. Durma-se com um barulho desses.

Fica difícil. Respeitados os fundamentos e princípios da democracia, política significa tensão. Divergência. Debate. Disputa. Enfrentamento. Exige escolhas. E não aceita omissão. Nem medo. Como bem lembra o poeta, escritor e dramaturgo alemão Berthold Brecht, não adianta estufar o peito e nele bater dizendo “não gosto disso”.

Quando nos recusamos a fazer política, há certamente alguém disposto a fazê-lo por nós. Espaço vazio é espaço ocupado. Que o diga o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que em nome da conciliação, de afagos em republicanos e por imaginar que seus competentes discursos e belos olhos seriam suficientemente sedutores para governar o país, enfrenta atualmente a fúria fanática de um movimento chamado Tea Party.

Não tenho dúvidas: lá, como cá, a desmobilização do debate que deveria marcar a esfera pública e ser a tônica da vida cotidiana, patrocinada por aqueles que tratam a política como mero produto do entretenimento, em grande medida é diretamente responsável pelo avanço do discurso e das práticas conservadoras.

A crônica não anunciada do colapso neoliberal

por Márcia Denser, em O Congresso em Foco

O colapso do neoliberalismo tornou-se crônico e, só não se anuncia oficialmente, devido à oposição da mídia hegemônica que detém o monopólio da negação do óbvio, dificultando a saída da crise e tornando o debate uma farsa, um jogo de cartas marcadas. Esta é a posição do economista Luiz Gonzaga Belluzzo, um dos debatedores que, esta semana em Sampa, discutiram no Seminário “Neoliberalismo, um colapso inconcluso”, promovido pela Carta Maior e PUC-S.Paulo, e que contou com a participação ainda de Emir Sader (Uerj), Samuel Pinheiro Guimarães (Itamaraty), Ignacy Sachs (Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais – Paris), Ladislau Dowbor (PUC-SP), entre outros.

E Belluzzo vai mais longe ao afirmar que o consenso em torno de certas ideias de dominância financeira – idéias que estão na origem da atual crise – não seria possível sem sua difusão massiva pela mídia. Não se trata de uma teoria conspiratória. Isso se deu através de um processo social em que as camadas dominantes impõem as idéias dominantes (como eu mesma já afirmei em várias colunas).

Ele adverte que não se pode perder a dimensão da luta social, como ela se desenvolve e como maneja os símbolos, os significados, as palavras. Tome-se como exemplo da queda da taxa de juros brasileira: isso produziu espanto em certos jornalistas, em outros, indignação. As mais escandalizadas foram aquelas pessoas que sempre ouviram o contrário, “que era um perigo, que seria a ruína”. O fato é que as ideias têm uma força material enorme  – a força material das idéias dominantes.

O sociólogo Norberto Elias afirmava – e com razão – que é muito difícil desconstruir um consenso como este, daí o papel crucial da luta social e política. Ou alguém ainda acha que a crise vai se resolver automaticamente por si própria? Não há tal magia. É preciso formular alternativas. A solução dita ‘normal’ é previsível, segundo o economista americano Doug Henwood, que assina a newslettersintomaticamente chamada ‘Left Business Observer’.

Henwood foi encarregado de escrever sobre Wall Street, antes e depois da crise. É muito fácil, diz ele: Antes da crise, Wall Street era o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Depois da crise, Wall Street continua sendo o locus mais poderoso de interesses políticos, econômicos e sociais dos EUA. Não é estranho? Como se Wall Street NÃO FOSSE o próprio centro do furacão!

Henwood comenta que um repórter que te entrevista sobre política monetária e ouve algo contrário a esses interesses aqui e ali, hesita em publicar, e se o faz, enche o texto de ressalvas. Afinal, esse jornalista – que não sabe pensar por si mesmo – foi condicionado durante anos a repetir sempre o mesmo mantra. A seguir a cartilha neoliberal como única fonte de pensamento (do Pensamento Único, claro).

Aliás, o neoliberalismo foi a ideologia mais bem sucedida da História Mundial, e por várias razões, sobretudo a partir do monopólio tecnológico – não é que seja boa ou dê certo, a não ser para os ricos; ao contrário, ideologicamente, é desastrosa, suicida e perversa, tanto para o homem como para o planeta.

Belluzzo conclui que o problema da mídia  no mundo inteiro é o monopólio das empresas que veiculam a visão dominante. Elas são a classe dominante. Nos anos 50 e 60 na Europa, por exemplo, havia uma mídia diversificada, que expressava posições políticas distintas, como ‘Avanti!’, ‘La Unità’. Havia debate político. Hoje não há debate: o que você tem é uma farsa!

Falando em farsa e pra não dizer que não falei dos onze anos do Onze de Setembro e sua Fajutíssima Gerra ao Terror – cruzes, fazem onze anos que a multiplicação de trouxas no mundo tem crescido de forma exponencial! – arremato com algumas conclusões de Slavoj Zizek (constantes em “Bem-Vindo ao Deserto do Real!”) que afirmava já em 2001: a verdadeira catástrofe político-ideológica do 11 de Setembro foi européia (confirmando a diversidade jornalística também européia aludida por Belluzzo) – o resultado do 11 de Setembro foi um fortalecimento sem precedentes da hegemonia americana em todos os aspectos. E a Europa sucumbiu à chantagem ianque: “O que está em jogo agora não são diferentes opções econômicas ou políticas, mas nossa própria sobrevivência – na guerra ao terrorismo, ou vocês estão conosco ou estão contra nós”.

Esta é a verdade da globalização: pós-Berlim, a construção de novos muros isolando os europeus prósperos do fluxo de imigrantes. Tem-se a tentação de ressuscitar aqui a velha oposição “humanista” marxista entre “relações entre coisas” e “relações entre pessoas”: na celebrada livre circulação aberta pelo capitalismo global, são as “coisas” (mercadorias), é o dinheiro que circula livremente, ao passo que a circulação de “pessoas” é cada vez mais restrita.

“O que “eles” (norte- americanos e europeus adesistas) não contavam era com a Crise de 2008 e com a ainda pior que vem por aí. E respondendo a uma colunista (cujo nome realmente me escapa, porque não dou cartaz pra trouxa) aqui do Congresso em Foco: Banco Central independente “de quem”, cara pálida? BC independente do governo do próprio país – isto é, de qualquer governo de qualquer país –, ergo sob a égide dos EUA. Me poupe. Tás igualzinha àquele “jornalista-autista” retro referido por Doug Henwood da ‘Left Business Observer’. Pra seu governo, a única liberdade, seja de país,seja pessoal, é a econômica (os americanos que o digam!). Desatrelar (e desregular) o BC das leis federais é entregar o país novamente ao bom e velho Consenso de Washington!

No México, terra de fotógrafos, o foco é no Brasil

Eric Nepomuceno/CartaMaior

O México é terra de fotógrafos. Grandes, imensos fotógrafos. Alguns – Manuel Álvarez Bravo, Gabriel Figueroa – são referências indispensáveis do século XX. Foi também a terra adotiva da italiana Tina Modotti, e viu como seu maior escritor (e um dos maiores do idioma espanhol), Juan Rulfo, soube brilhar com luz própria e única no campo da fotografia.

Nada mais natural, então, que no México aconteça, a cada dois anos, um dos dez mais importantes eventos de fotografia em todo o mundo, o Fotoseptiembre. Trata-se de um evento de tamanho formidável: são 211 mostras que, a partir de setembro, percorrem todo o país ao longo de meses, reunindo, em 167 espaços, 641 trabalhos de mais de 200 fotógrafos de 18 países. Pois neste setembro de 2011, e nesse mar de números exuberantes, o foco central da enorme mostra mexicana está no trabalho de fotógrafos brasileiros.

Brasil e México são, possivelmente, os dois países latino-americanos de maior tradição fotográfica. Tentar estabelecer um diálogo entre essas duas tradições, abrindo espaço para a enorme diversidade de tendências, linhas, vertentes, abordagens, é o objetivo de 17 mostras específicas dentro da vasta programação do Fotoseptiembre. Ambos países desenvolveram formas próprias e peculiares na hora de lançar os olhos à procura de suas imagens, suas realidades, suas identidades. De repassar o passado buscando entender o presente e desvendar os caminhos do futuro.

A mostra brasileira está composta por trabalhos de fotógrafos de diferentes gerações, expressões e experiências. Lá estão Geraldo de Barros e Iatã Cannabrava, Pedro Motta e João Castilho, Joaquim Paiva e o pesquisador Titus Riedel, com sua formidável coleção de lambe-lambes, e lá estão sobretudo as duas principais atrações da Fotoseptiembre, Maureen Bisilliat e Milton Gurán.

Gurán levou ao México sua impressionante série ‘Filhos da Terra’, Maureen sua série sobre autores brasileiros e suas regiões – geográficas e literárias: Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade. O diálogo entre a literatura e a fotografia, no caso de Maureen Bisilliat, resulta num terceiro território, inesperado e revelador.

No México, a fotógrafa disse que não concebe seu trabalho como fotos unitárias, isoladas: prefere trabalhar em seqüencias de fotos, ‘assim como escrever um pouco com a imagem’. Disse que os trabalhos que integram a série ‘são fotografias de certas regiões do Brasil, mas a maneira de expô-las foi junto a um autor brasileiro, pessoas que estiveram sempre atadas, de uma forma livre, à realidade de seu país’.

É a primeira vez que Maureen leva essa série para fora do Brasil, e a expectativa dos organizadores do Fotoseptiembre, assim como o impacto causado no público, foram enormes.

Dois fotógrafos – Joaquim Paiva e Milton Gurán – doaram trabalhos, num total de 222 fotografias, para o Centro de la Imagen mexicano.

Vivendo tempos de extrema turbulência, com o interior servindo de cenário para uma guerra aberta entre forças de segurança e grandes cartéis de narcotraficantes, o México consegue manter fôlego para iniciativas culturais como essa. Aliás, convém não esquecer em momento algum que, junto com Buenos Aires, a Cidade do México se preserva como grande pólo artístico e cultural da América Latina.

O diálogo agora aberto entre Brasil e México no campo da fotografia bem que poderia servir de exemplo para que outros segmentos se somassem a essa iniciativa, indo da literatura às artes cênicas, das artes plásticas ao cinema e ao audiovisual.

Há, entre Brasil e México, uma afinidade muito maior do que se imagina. Há, entre Brasil e México, diferenças que, mais que distâncias, são e devem ser pontos de partida para um diálogo intenso, instigante e enriquecedor.
Resta saber até quando continuaremos nos olhando de viés, resistindo a uma aproximação que não faria mais do que enriquecer os dois lados.

Fonte: http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18492

Governo protege montadoras; CUT reclama da falta de contrapartidas

BRASÍLIA – Carros e caminhões importados estão mais caros a partir desta sexta-feira (16/09), por causa do aumento de um imposto federal anunciado na véspera. Também serão sobretaxadas as montadoras instaladas no país que fabricam veículos com menos de 65% de peças brasileiras.

A equipe econômica diz que o objetivo é proteger empresas e empregos brasileiros em meio à crise da economia global. Mas a falta de contrapartidas expressamente definidas preocupa centrais sindicais.

“As pessoas podem continuar comprando carro importado, é um direito do consumidor, mas isso não pode ser feito demitindo trabalhador na outra ponta e aumentando a fila do desemprego”, disse o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mcerdante.

“A medida do governo é insuficiente porque não contém contrapartidas sociais, como um basta à rotatividade, por exemplo”, disse o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo.

O Brasil é um dos países com maior entra e sai de pessoas no mercado de trabalho formal – ptaticamente toda a indústria automotiva opera com carteira assinada. Em julho, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do ministério Trabalho registrou números recordes de contratações e demissões, rotatividade que ajuda a controlar o preço so salários pagos aos trabalhadores.

A nova tributação – alta de trinta pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) –no setor automotivo valerá até dezembro do ano que vem. Já havia sido sinalizada pelo governo no lançamento do pacote de medidas de apoio à indústria, batizado de Brasil Maior.

Na crise financeira global de 2008/2009, o governo já tinha feito concessões fiscais para as montadoras, e agora repete o gesto. Entende que o peso do segmento automotivo no setor industrial (cerca de 25%) e na economia em geral justifica o apoio.

Além disso, o Brasil é, hoje, o quinto maior mercado de carros do mundo e o sétimo maior produtor. Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o “desespero” dos países para, na crise, obter mercados para suas manufaturas, ameaça derrubar a produção no Brasil.

“Isso nós não vamos permitir. Nós queremos ser o quinto maior consumidor, queremos ser o quinto maior produtor, ou quem sabe o quarto maior produtor, de modo a exportar veículos para outros países”, disse.

Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18489