O dólar não está ficando mais forte, o mundo é que está ficando mais fraco, diz André Perfeito

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A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) em continuar sua estratégia de derrubar os juros futuros gerou um mal estar difícil na alma do investidor, segundo o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

“Ficou no ar uma sensação incômoda de que chegamos no limite do que a ponte entre o presente e o futuro (expressa na curva de juros) pode fazer por nós no presente. A impotência tomou conta do principal banco central do mundo”, diz o economista.

Para Perfeito, os juros longos caíram, mas o efeito não foi a retomada do ânimo no presente pela elevação da Eficiência Marginal do Capital – aquele cálculo onde o empresário pondera os rendimentos esperados das atividades disponíveis e aposta no investimento presente como espaço para o lucro futuro – e sim o vácuo de que nada pode ser feito. Os juros dos Treasuries de 10 e 30 anos despencaram com o anúncio.

“O dólar reagiu como este porto seguro num mundo onde tudo é fluido e se desmancha no ar. O dólar não está ficando mais forte, é o mundo que está mais fraco e com isto liquida-se o presente (fugindo para os ativos mais líquidos) em nome de um futuro que não está mais lá”, afirma.

Segundo ele, o incômodo com o presente não se dá apenas pela ineficácia das políticas econômicas, mas antes de tudo pela falta de liderança política. “Não há em nenhum dos dois lados do atlântico lideranças carismáticas e fortes o suficientes para dar sentido à um mundo que enfrenta desafios importantes.”

“O presidente norte-americano é apenas uma sombra do que foi no início do seu mandato e ele não tem mais o poder de organizar o espírito dos EUA – e da humanidade – para enfrentar o que é preciso”, diz Perfeito.

O economista afirma que, no Brasil, a taxa de desemprego manteve-se estável, mostrando que não há muito espaço para empregar mais na mesma velocidade. “As projeções de inflação devem disparar por conta do dólar em estado de pânico”.

“Gostaríamos de lembrar que apesar deste estouro da boiada do câmbio, esta situação tende a se normalizar e voltar para o fundamental: o Brasil ainda é visto como um destino interessante, logo os dólares voltarão”, diz.

Na opinião de Perfeito, “num ambiente de tanta incerteza talvez nossa autoridade monetária esteja pensando em parar o ciclo de afrouxamento monetário”.

Fonte: http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18533

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