FMI ainda vê superaquecimento em economias emergentes

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Por Alex Ribeiro | Valor

WASHINGTON - O Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vê superaquecimento em economias emergentes, afirma a diretora-gerente do organismo, Christine Lagarde, no seu primeiro grande pronunciamento em Washington desde que assumiu o cargo, em julho. “Muitas economias emergentes estão enfrentando aquecimento em demasia – pressões inflacionárias, forte crescimento do crédito, crescentes déficits em conta corrente”, disse Lagarde no Wilson Center, um influente centro de estudos em Washington, segundo discurso distribuído pelo FMI.

Lagarde não deixa claro quais são esses países emergentes que ainda enfrentam superaquecimento da economia. O Brasil subiu juros até julho passado para conter pressões inflacionárias, mas começou a cortar as taxas em agosto, surpreendendo analistas econômicos do mercado. Para o BC, aos sinais de desaquecimento da economia mundial devem contribuir para recolocar a inflação na trajetória das metas.

Em entrevista a um grupo restrito de jornalistas nesta semana, incluindo o Valor, Lagarde disse que as economias emergentes continuam a apresentar crescimento econômico robusto, com alguma desaceleração, em virtude do mau desempenho dos países avançados. Ela disse que alguns países emergentes cortam o juro porque são obrigados a fazer escolhas entre combater a inflação e conter fluxos de capitais.

No seu discurso no Wilson Center, Lagarde alertou que nenhum país está imune a uma eventual desaceleração das economias avançadas. “No nosso mundo interconectado, qualquer pensamento sobre decolamento é uma miragem”, disse Lagarde. “Se as economias avançadas sucumbirem, os mercados emergentes não vão escapar.”

“Exatamente três anos depois do colapso do Lehman Brothers, o horizonte econômico se torna problemático e turbulento, com a desaleceração da atividade global e riscos de retrocesso”, afirma a Lagarde, referindo-se ao aniversário da queda do banco Lehman Brothers, o marco do início da atual crise mundial.

“O crescimento global continua, mas está se desacelerando”, sustenta. “Sem ações coletivas, arrojadas, existe o risco real de as principais economias recuarem em vez de se moverem adiante.”

Lagarde afirmou que existem três grupos de problemas que merecem a atenção. Primeiro, o chamado ajuste de balanços. Com altas dívidas, pessoas, empresas e até governos estão deixando de investir e consumir, jogando a demanda agregada para baixo. O segundo problema apontado por Lagarde é o risco de instabilidades financeiras nas economias avançadas, como países da Europa,  que podem se espalhar para o mundo. Terceiro problema: tensões sociais causadas por alto desemprego, ajustes fiscais que cortam a proteção social das famílias e percepção de que, nesta crise, o setor financeiro está sendo beneficiado com prejuízo ao setor real das economias.

Lagarde afirma que os países avançados precisam de planos críveis de ajuste fiscal de médio prazo. Mas pondera: “Consolidação muito rápida poderá prejudicar a recuperação econômica e prejudicar as perpectivas de criação de empregos”.

Cada país deve ter sua própria resposta fiscal, afirmou. Os que estão sob pressão dos mercados devem fazer o ajuste fiscal imediatamente. Alguns devem continuar a linha de consolidação fiscal em curso, mas ajustá-la para um ritmo mais brando se as perspectivas de crescimento se deteriorarem. “Outros estão provavelmente avançando rápido demais e poderiam desalecerar um pouco.”

“Diante da crise de desemprego nos Estados Unidos, considero bem-vindas as propostas recentes do presidente [dos Estados Unidos, Barack] Obama para lidar com o crescimento e emprego”, afirmou, referindo-se a um pacote de US$ 447 bilhões anunciado na última semana por Obama, incluindo cortes de impostos e investimentos públicos.

Segundo ela, os países também precisam adotar medidas para lidar com a crise no mercado imobiliário, como programas que reduzem o principal das dívidas ou permitem o refinanciamento a juros mais baixos.

Ao contrário do que fez em outro discurso em fins de agosto, Lagarde foi mais suave ao tratar dos bancos europeus. “Para apoiar o crescimento econômico, por meio de empréstimos do setor privado, todos bancos precisam ter colchões de capital”, disse. Em discurso anterior na conferência de Jackson Hole, ela havia conclamado a Europa a fazer uma urgente capitalização dos bancos – não só para estimular crescimento econômico, mas também “para cortar os riscos de contágio”.

Fonte: http://www.valor.com.br/internacional/1007806/fmi-ainda-ve-superaquecimento-em-economias-emergentes

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