BC justifica corte de juro,sugere repetição, mas volta a temer salário

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André Barrocal/Carta Maior

BRASÍLIA – O Banco Central (BC) traçou nesta quinta-feira (08/09) um cenário favorável para o controle dos preços, graças à debilidade da economia mundial, o que permitiria continuar cortando a taxa de juros. A ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), porém, traz a reafirmação do BC de que aumento de salário ainda é “um risco muito importante” para a inflação.

No documento, o banco mantém a avaliação de que o mercado de trabalho permanece aquecido, com desemprego em nível historicamente baixo (6%) e salário médio elevado (R$ 1,6 mil), e que isso causa alguma preocupação.

Para o BC, como há “estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho”, num momento de “descompasso” entre crescimento da oferta e da demanda, “um risco muito importante reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação”.

Mas o próprio BC diz, na ata, que está aumentando a ociosidade nas empresas, e isso contribui para diminuir o “descompasso” entre oferta e demanda. Ou seja, alivia pressões inflacionárias.

Esta ata do Copom, referente à reunião de 31 de agosto que reduziu a maior taxa de juros do planeta em meio ponto percentual, é o terceiro documento seguido em que o BC diz ver salário como “risco muito importante” para a inflação.

Tinha sido assim no fim de junho, no relatório trimestral de inflação, o documento mais extenso contendo análises do BC. E um mês depois, na ata do penúltimo encontro do Copom.

A visão do BC tem incomodado aliados sindicais do governo. Para eles, o banco ajuda a dar munição a empresários que sentam à mesa para negociar reajustes salariais.

Há duas semanas, em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, contestara a tese de que “aumentar salário é inflacionário”. “Esta é uma velha ideia dos economistas conservadores do passado, entre os quais eu certamente não me incluo”, afirmara Guido. “Nós já ultrapassamos isso, acho que já há um consenso.”

Recessão externa
Na ata, o BC apresenta um cenário que o governo, pelas vozes de Mantega e da própria presidenta Dilma Rousseff, vem ecoando. A situação da economia internacional piorou nos últimos tempos, as previsões de crescimento pelo mundo caíram, o pessimismo aumentou e ninguém sabe ao certo quando isso tudo vai mudar.

Como a economia lá fora esfria, a brasileira tende a desacelerar um pouco, porque, apesar de estar crescendo à base do mercado interno, exporta o equivalente a 15% do produto interno bruto (PIB) e tem de enfrentar a concorrência de importados vindos de países que fazem de tudo para encontrar mercados em meio à crise.

Em pronunciamento em cadeia de radio e TV na noite de terça-feira (06/09), alusivo ao Dia da Independência que seria comemorado no seguinte, Dilma havia dito que “o mundo enfrenta os desafios de uma grave crise econômica” e que “os países ricos se preparam para um longo período de estagnação ou até de recessão”.

De acordo com o BC, a combinação de um cenário externo fraco com o esfriamento da economia brasileira, induzido pelo próprio governo com aumento de juros para conter a inflação, oferece perspectivas animadoras para o futuro da inflação no país.

O BC também aponta a decisão recente do governo de usar o aumento da arrecadação tributária para pagar mais juros da dívida, em vez de injetar o dinheiro na economia por meio de políticas públicas, como um elemento que tira impulso do PIB.

Por tudo isso, o BC estaria em condições de cortar a taxa de juros, que foi o que fez na semana passada e a ata explica nesta quinta-feira (08/09).

Fonte:http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=18428

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