Fernando Brito/Tijolaço

Se, em 2008, a tão apregoada “autonomia” do Banco Central levou-nos ao hoje unanimemente reconhecido atraso na oportunidade de baixar a taxa de juros, que só ocorreu depois de muita pressão do Governo – e até do próprio Lula – sobre Henrique Meirelles, parece que, desta vez, o alinhamento entre a política econômica do Governo e a política monetária do BC vai permitir um processo mais rápido de resposta ao agravamento da crise mundial.
O anúncio feito hoje de que o Governo ampliará a meta de superávit fiscal em cerca de R$ 10 bilhões é sinal disso.
Na verdade, este aumento da meta é um certo “pleonasmo”, porque ninguém duvida que o superávit real será mesmo bem maior que os antes previstos R$ 81 bilhões, dos quais 80% já tinham sido cumpridos até julho.
Mas serviu como uma espécie de “aviso prévio” ao mercado financeiro de que as taxas de juros vão baixar e já não é fora de dúvida que isso possa – embora seja difícil assegurar – já na próxima reunião do Conselho de Política Econômica, depois de amanhã.
A queda nos preços internacionais, que já começa a ser sentida, embora não de maneira violenta, vai reduzir as pressões inflacionarias internas, o grande argumento para manter altas as taxas de juros.
Baixar os juros não é apenas benéfico para a aceleração da economia. É, também, um castigo para os que lucram com a arbitragem das taxas altas que obtém aqui e as taxas baixas com que captam dinheiro fora. E um alívio para as próprias contas governamentais, que se beneficiam de uma redução nos imensos valores de juros que paga pelos títulos do Tesouro Nacional.
E, portanto, uma perda para os que ganham com estas taxas.
Dá para entender porque eles gostam tanto de criar pressões por aumentos de preço e, sobretudo, por fazer com que a sociedade se intimide com a quimera da volta da inflação.
A razão é uma só, antiga como a Sé de Braga: isso faz com que ganhem dinheiro.
Obvio que a inflação é sempre um inimigo a combater, mas ela tem sido usada pelos neoliberais como um tigre de papel, que nos faz aceitar uma política de juros que sangra o país.
Fonte: http://www.tijolaco.com/juros-agora-devem-baixar/
