Impasse leva traders a jogarem contra o dólar

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Michael Mackenzie e Peter Garnham | Financial Times

O impasse em Washington sobre o teto da dívida americana fez os traders de moedas no maior e mais líquido mercado financeiro do mundo apontarem suas armas contra o dólar.

Como moeda de reserva mundial, o dólar domina as 24 horas dos dias de negócios nos mercado cambiais. Mas o dólar está sendo afetado pelo temor de que o Congresso não eleve o limite de endividamento antes de 2 de agosto, ampliando a perspectiva de que os EUA sofram um rebaixamento de sua classificação de crédito e percam a sua nota máxima: AAA.

O dólar também interliga os fluxos de investimento mundial subjacentes às ações de companhias americanas e títulos do governo dos EUA e, como refletido no desempenho das moedas asiáticas durante a crise da dívida de 1997, o dólar tem sido uma das mais sensíveis entre todas as classes de ativos à ameaça de um calote e rebaixamento do status creditício.

“As moedas são a encruzilhada de todos os fluxos que interligam outras classes de ativos e podem ser surpreendentemente voláteis nos mercados de câmbio”, diz Rebecca Patterson, estrategista-chefe de mercados no J.P. Morgan Institutional Asset Management. O dólar sofreu uma desvalorização a partir do fim de 2008, à medida que sua atratividade como moeda foi minada pela política de juros quase nulos do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

Em tempos de estresse, quando ativos de risco já foram descartados, o dólar manteve-se blindado contra essa fragilidade e emergiu como um beneficiário da demanda por refúgios seguros.

Nas últimas semanas, porém, depois que as principais firmas de classificação de crédito advertiram que os EUA poderão perder sua nota “triplo A”, o dólar pode estar sob risco de perder o principal pilar de sustentação de seu vigor: sua atratividade como porto seguro.

Nesta semana, a moeda americana caiu para um mínimo recorde contra o franco suíço e o dólar de Cingapura, e despencou até patamares mínimos registrados em várias décadas frente aos dólares australiano e neozelandês.

Em base ponderada pelo comércio, predominantemente centrada no euro, o dólar está apenas 3% acima de seu recorde mínimo registrado em abril de 2008.

“Os investidores estão encarando o dólar de modo distinto e estão sentindo-se confortáveis em diversificar, expondo-se a outras moedas”, diz Patterson. “Fluxos dos EUA estão indo para mercados emergentes e os investidores estão ‘votando com suas carteiras’”.

Isso significa que investidores e especuladores provavelmente continuarão a tender para o ouro e outras commodities, bem como indo para portos seguros representados por moedas menos importantes, aquecidas devido à desvalorização do dólar. Jens Nordvig, estrategista da Nomura, diz que os investidores vão se aproximar do franco suíço e dos dólares canadense e australiano, bem como das coroas sueca e norueguesa.

“Embora o debate sobre o limite da dívida tenha se centrado no rebaixamento da classificação de crédito e em seus efeitos sobre os mercados de capitais, o dólar está testando ou rompendo novos patamares de baixas contra uma cesta de moedas”, diz Nicholas Colas, estrategista-chefe de mercado do ConvergEx Group.

A importância do dólar é sublinhada por seu papel nos mercados de commodities e em como isso pode comprometer o que tem sido uma recuperação claudicante da economia americana após a crise financeira e o estouro das bolhas imobiliária e da dívida. Um dólar mais fraco implica preços mais altos para commodities, como alimentos e gasolina, que pesarão no bolso dos consumidores.

Colas diz que um dólar mais fraco e as pressões ascendentes resultantes sobre o petróleo “podem acabar sendo o dano colateral mais importante do debate sobre o limite para a dívida federal”.

“A desvalorização do dólar influirá fortemente num encarecimento do petróleo, e portanto da gasolina, e a força desse vento econômico contrário recai desproporcionalmente sobre a economia americana”, acrescenta ele.

A preocupação para outros mercados, porém, é em que ponto um dólar enfraquecido começa a influir sobre ações e títulos, à medida que os investidores estrangeiros poderão examinar mais criticamente sua exposição aos EUA.

Steve Barrow, estrategista cambial do Standard Bank, diz que o teto da dívida não é a questão crucial para o mercado de títulos e do dólar, apesar do foco na questão.

“Em vez disso, o verdadeira problema é a redução do déficit, por ser o que mais provavelmente provocará um rebaixamento de crédito do endividamento, e não um calote no pagamento de obrigações do Tesouro. Por enquanto, a estratégia parece ser a de vender dólares, caso ocorra sua alta na esteira da aprovação bem sucedida de um aumento do limite de endividamento pelo Congresso.”

Fonte:http://www.valoronline.com.br/impresso/internacional/99/464095/impasse-leva-traders-a-jogarem-contra-o-dolar

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