Muito se fala que os portos nacionais, principalmente os públicos, estão “descompatibilizados” com a necessidade do comércio marítimo internacional. Uma das vozes mais fortes contra o setor portuário brasileiro é a senadora Kátia Abreu, também presidenta da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). Mas um outro modal, entregue totalmente à iniciativa privada, também não tem acompanhado o crescimento da produção do País, e é, hoje, um grande gargalo logístico para o escoamento dos produtos nacionais, principalmente as commodities.
Não é difícil adivinhar que falamos das ferrovias. Privatizadas no governo FHC, em 1997. Na última semana, a Agência Nacional dos Transportes Terrestres (ANTT) anunciou novas resoluções que, segundo definição da própria agência, são um novo marco regulatório para o setor.
O senador Roberto Requião, em vídeo postado na sexta-feira (22), não acredita em mudanças substanciais para melhor com as novas medidas. O ex-presidente da Ferroeste, Samuel Gomes, cobra a atuação da agência reguladora e lembra que a atuação da ANTT é considerada inaceitável e imoral pelo Ministério Público Federal.
“Entre 1997 e 2001 as ferrovias estavam entregues à sanha dos monopólios privados sem um órgão fiscalizador minimamente equipado. A ANTT foi criada em 2001. E nada mudou. A ANTT não vem sendo apenas conivente com a predação, mas fez e faz ouvidos de mercador às denúncias da sociedade contra a crueldade dos monopólios privados contra regiões, indústrias, agricultores”.
Muita “água ainda vai rolar por debaixo dessa ponte”, diz um sábio ditado popular. E é o que deve acontecer, nos próximos dias, com a questão das regras para a concessão de ferrovias no País. E é bom que assim o seja. Tudo mostra que a sociedade quer e precisa falar sobre o assunto. E a ANTT precisa ouvir. E o Governo Federal abrir os olhos.
Fonte: http://www.portaldoagronegocio.com.br/conteudo.php?id=59339
