Daniela Machado e Karin Sato | Valor
As novas medidas cambiais anunciadas pelo governo surtem efeito sobre as cotações do dólar no curto prazo, mas não eliminam a tendência de queda da moeda americana por conta do cenário internacional.
Analistas ainda digerem o arsenal do governo, que inclui taxação de 1% sobre a posição líquida vendida dos bancos e deu mais poderes ao Conselho Monetário Nacional (CMN) para regulamentar o mercado de derivativos. Mas, nesta manhã, o dólar avançava 2,14%, para R$ 1,570 na venda, depois de seis dias de queda que o colocaram de volta nas mínimas desde 1999.
Alguns operadores frisam que o volume de operações não é forte, considerando as dúvidas que restam sobre as medidas.
“O governo está tentando fechar as brechas e diminuir a parcela da apreciação do real que é especulativa”, afirma Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets, lembrando que há um componente de fundamentos que também exerce pressão de baixa sobre o dólar.
“No curtíssimo prazo, a medida tem impacto, mas não altera a tendência de queda do dólar dada a realidade da economia brasileira e da americana”, avalia.
Rafael Bistafa, economista da Rosenberg Consultores Associados, diz que as medidas anunciadas hoje são mais fortes que as anteriores e concorda que, no curto prazo, devem causar uma depreciação do real.
O que chama atenção é que o Conselho Monetário Nacional (CMN) recebeu poder para estabelecer condições específicas para a negociação de derivativos, como, por exemplo, fixar limites, prazos e condições para esses contratos.
Desta vez, o governo atingiu mais duramente o mercado de derivativos, que, conforme explica o economista, é o que de fato influencia a cotação do dólar.
Por fim, o governo fechou uma brecha em uma medida anunciada em março, em que instituía Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre empréstimos externos com prazo de até 720 dias. As instituições estavam captando com prazos superiores a esse mas liquidando antes. Agora, quem antecipar a liquidação também paga IOF de 6%.
Para Bistafa, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, precisava agir, porque há algum tempo fazia apenas ameaças e, como resultado, os investidores estavam se antecipando, o que produzia um efeito contrário ao que o governo desejava no câmbio.
