Dívida dos EUA: há blefes, mas crise é profunda

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Brizola Neto (*)

Embora, como já se afirmou diversas vezes aqui, exista um jogo político-eleitoral envolvido nesta questão da autorização do Congresso para que os EUA aumentem o seu limite de endividamento e não caiam em moratória, não é apenas isso que está motivando esta crise que ameaça lançar a economia mundial no torvelinho de uma nova crise.

Os Estados Unidos, que já há muito tempo vinham em decadência econômica, parecem mesmo ter entrado em outro patamar e não responde mesmo aos generosos pacotes de expansão monetária lançados pelo Federal Reserve – o BC deles -  e que ficaram conhecidos como “Quantitative Easing”.

Tudo indica que, pelas dificuldades que tem sido encontradas em estabelecer um acordo, que este, quando sair, seja apenas um remendo provisório.

E que vão se fixar mais em cortes de programas sociais e militares do Governo – com efeitos de “esfriar” a economia americana, o que vão obrigar a uma nova política de emissões de dinheiro novo.

Os capitais passaram a tratar os EUA como um lugar perigoso para viver. O país, que tem saldo comercial negativo, historicamente, e que  prospera com o fluxo de capitais em sua direção, anunciou hoje que houve uma perda líquida de US$ 67 bilhões em suas trocas financeiras com o exterior.  O investimento em títulos do Tesouro americano caiu 23% em maio, com compras de US $ 23,6 bilhões contra US$ 30,6 bilhões em abril. Deus sabe o que serão os números de junho e julho.

E quase um terço destas compras foram feitas pela China – US$ 7,3 bi – e o saldo chinês em títulos – o maior do mundo – já chega perto de 10% de toda a dívida pública americana.

Por isso, não soa tão estranho o que há algum tempo pareceria simples loucura. O economista Michael Etllinger, vice-presidente do Centro para o Progresso Americano – uma instituição liderada por John Podesta, ex-chefe do staff de Bill Clinton na casa branca – já prevê que os EUA entrem em novo ciclo recessivo e que dependa da “generosidade” de países com amplas reservas internacionais e/ou fundos soberanos para sanear suas finanças. “A China seria uma óbvia fonte de ajuda. Mas o economista também considera possível uma iniciativa do Brasil”.

E ajudariam, porque? Porque, segundo ele, “não interessa a nenhuma economia, especialmente às emergentes, conviver de novo com a queda das importações americanas e dos preços das commodities, com outro risco de colapso no sistema financeiro e com uma segunda queda na atividade mundial em apenas três anos.”

Os brasileiros, não, sei, têm fama de “bonzinhos”. Mas os chineses, pode crer, vão cobrar caríssimo por essa “ajuda”, nada desinteressada.

Fonte: http://www.tijolaco.com/divida-dos-eua-ha-blefes-mas-crise-e-profunda/

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