Por Gusthavo Satana
O deputado federal José Antonio Reguffe (PDT-DF) recebeu a maior votação proporcional do país graças, em grande parte, a sua promessa reduzir seus próprios gastos como parlamentar. Eleito, protocolou diversos ofícios para a mesa diretora da Câmara abrindo mão dos 14º e 15º salários, rejeitando sua cota de passagens aéreas e reduziu de 25 para 9 o número de assessores de gabinete, além de descartar receber qualquer verba indenizatória até o fim do mandato.
As medidas de Reguffe chamaram a atenção da mídia e não demorou para o deputado ser laureado por parte da imprensa como uma espécie de nova tábua da salvação da política brasileira.
Samuel Gomes, advogado e ex-presidente da Ferrosul, afirma que não se emociona com atos que ele classifica como de “udenismo explicito”. Para ele, “o Brasil precisa de política transformadora. Pequenos gestos de moralidade são bem vindos, mas não merecem tanta celebração”.
Rômulo Neves, professor e diplomata, concorda: “o Brasil tem se contentado com muito pouco em termos de liderança política. Não aceitar privilégios indevidos e não roubar deveria ser o mínimo que se esperaria de um deputado, governador, senador ou qualquer outro representante eleito”. Rômulo ainda acrescenta que lhe causa certo desconforto “esses textos que aparecem na mídia sobre o caso que, por um lado tratam todos os demais deputados (falo daqueles honestos e produtivos) como farinha do mesmo saco dos canalhas e, por outro, reproduzem a peça publicitária do deputado Antonio Reguffe, que, inteligentemente, construiu esse personagem com uma agenda, digamos, mínima: ‘luta contra os privilégios’”.
Roberto D’Araujo, engenheiro, também acredita que é preciso estar atento a forma como a grande impressa trata de assuntos como este. Ele salienta, entretanto, que “a questão não pode ser desprezada por causa do oportunismo da grande maioria da imprensa, que todos nós conhecemos”. Roberto lembra que “um deputado federal custa por volta de R$ 7 mi/ano. São mais de 500. Será que 3,5 bi/ano é uma quantia tão insignificante que possa ser desprezada em nome de questões bem mais complexas?” e finaliza: “Independente de quem seja o deputado, independente de suas idéias, a tese de que é possível ter uma representação política que custe menos aos cidadãos me agrada”.
