Arquivo mensais:junho 2011

Qual agronegócio afinal?

David Kupfer
13/06/2011

Do Valor

Na semana passada tive a oportunidade de participar de um seminário na Faculdade de Economia e Administração da USP (FEA-USP), no qual foi lançada a RedeAgro – Rede de Conhecimento do Agro Brasileiro, criada pelo Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), com apoio do grupo Pensa/FEA-USP, com a finalidade de debater os grandes temas ligados ao setor agropecuário brasileiro que, diga-se de passagem, não são poucos e muito menos simples.
Dentre os diversos temas apresentados, o mais consensual é o que diz respeito ao potencial de crescimento da produção e exportações agropecuárias esperado para os próximos anos. Não é difícil reunir dados e argumentos que permitam descortinar um futuro extremamente promissor para a atividade. De fato, dentre toda a matriz produtiva brasileira, o agronegócio é hoje a classe de atividade que reúne o maior conjunto de segmentos dotados de um tipo de competitividade que se pode efetivamente adjetivar como estrutural. Essa competitividade estrutural decorre não somente da extensa base de recursos naturais com que o país é dotado mas também da competente base tecnológica que se construiu nas últimas décadas e ainda da robusta base empresarial que se consolidou nos últimos anos. Olhando em perspectiva, há uma convergência de fatores positivos que surgem, pelo lado da oferta, das oportunidades tecnológicas associadas ao dinamismo científico de campos de conhecimento como a genética e a bioquímica e, pelo lado da demanda, da velocidade da expansão esperada para a demanda mundial de produtos da agroindústria, seja para alimentos, seja para energia, que, conjugados, propiciarão ao agro brasileiro uma posição extremamente favorável no cenário internacional nos próximos anos ou mesmo décadas.
O problema aqui é a forte heterogeneidade estrutural que sempre marcou e ainda marca a atividade agropecuária
Quando o tema do debate volta-se para quais os impactos macroeconômicos que essa exuberância exportadora poderá vir a provocar no futuro alguma controvérsia começa surgir. Alguns analistas mostram preocupação com a possibilidade de que a enxurrada de divisas advinda das exportações de commodities agropecuárias possa implicar doença holandesa (ou agravá-la, para aqueles que entendem que o fenômeno já se encontra em curso). Doença holandesa corresponde a uma situação na qual os setores não exportadores perdem competitividade internacional em consequência da apreciação cambial trazida pelos saldos comerciais gerados pelos setores exportadores, levando o país a um indesejado processo de desindustrialização. Outros entendem que o atual ciclo de valorização do real não reflete posições superavitárias da balança comercial e sim os efeitos da volumosa entrada de capitais no país, descartando a ocorrência de doença holandesa no Brasil, ao menos por enquanto. Com relação a esse debate, as evidências disponíveis são mais favoráveis à tese de que o Brasil enfrenta uma doença de custos, cujos efeitos sobre a inflação são mitigados pela apreciação cambial, pois essa é uma das essências do modelo de estabilização baseado em taxas estratosféricas de juros adotado pelo país.
Nesse caso, não seria a realocação de fatores de produção em direção às atividades exportadoras de commodities que promoveria a apreciação cambial, como deveria ocorrer de acordo com o mecanismo básico da doença holandesa, e sim exatamente o contrário: seria a apreciação cambial que conferiria condições de sobrevivência apenas aos setores altamente competitivos da estrutura produtiva nacional, razão pela qual as exportações do agronegócio ganhariam peso na pauta de comércio.
Finalmente, quando o tema em debate se transfere para qual o resultado do balanço sócio-econômico e ambiental do atual agronegócio brasileiro, a controvérsia torna-se a tônica. Certamente, não é o caso de proceder a esse balanço no pequeno espaço desta coluna mas tampouco se pode deixar de registrar o ponto central: afinal, de qual agronegócio está se falando? O problema aqui é a forte heterogeneidade estrutural que sempre marcou e ainda marca a atividade agropecuária brasileira. Além de um agronegócio exportador estruturalmente competitivo em virtude de capacitação tecnológica e empresarial acumulada nos anos recentes, coexistem no país outros diferentes modelos de organização da atividade. Estão aí incluídos tanto uma agricultura familiar (ou de pequena escala) moderna, que é ainda uma fração pequena demais da atividade, como um modelo de exploração predatória que, mais do que terra, desperdiça natureza, e que ainda constitui uma fração grande demais da agropecuária brasileira.
Em que medida a pujança esperada para o agronegócio será capaz de contribuir efetivamente para o desenvolvimento econômico nacional depende visceralmente de que o padrão de expansão vitorioso contemple a ampliação da presença do primeiro modelo e a supressão do segundo. É nessa perspectiva que se perfilam as novas questões ligadas à sustentabilidade da expansão da atividade que, justificadamente, vem dominando as acaloradas discussões em torno do novo código florestal. Afinal, de certo modo, os problemas da agropecuária brasileira são os de sempre e estão ligados à capacidade do setor crescer promovendo ou não as necessárias melhorias na distribuição pessoal e regional da renda direta e indireta gerada pela atividade.
David Kupfer é professor do Instituto de Economia da UFRJ e coordenador do Grupo de Indústria e Competitividade (GIC-IE/UFRJ.
Escreve mensalmente às quartas-feiras. E-mail: gic@ie.ufrj.br)
www.ie.ufrj.br/gic

 

De praça em praça, novos valores

Renato Janine Ribeiro 13/06/2011

Do Valor

Temos tendência, nós que analisamos a política, a dar importância demais a ela: ficamos falando de Palocci, Temer, Gleisi, por exemplo. Recentemente, escrevi um livro em diálogo com Mario Sergio Cortella (“Política: para não ser idiota”), no qual eu e sobretudo ele lembramos que quem não participa das decisões – por exemplo, no condomínio – deixa os outros decidirem por ele. Contudo, se a maior parte das pessoas dá pouca atenção à política, elas têm razões para isso. Não é fortuito que, cada poucos anos, muitos tomem ruas e praças para fazer que elas sejam, mais que logradouros, lugares públicos. Assim, depois de aqui ter comentado a Plaça de Catalunya e o clamor por uma democracia mais real do que a existente, passo a uma lista de propostas formulada por cidadãos reunidos na Plaza del Sol, em Madri, que conheci graças à artista Ângela Lago. Podem ser lidas na internet, sob a chamada “Las propuestas aprobadas en la asamblea de la protesta de Sol”.
Começo pela ideia mesma de praça. Os atenienses a chamavam de ágora, o lugar em que decidiam as questões de interesse comum, quase toda semana. Nosso poeta abolicionista e romântico, Castro Alves, cantava que “a praça é do povo, como o céu é do condor”. Há poucas décadas, as pessoas se reuniam nas praças, para bater papo e fazer o footing, prelúdio ao flerte e ao casamento. Isso sumiu. Por isso, quando na Espanha as praças são ocupadas – por jovens mas também gente madura e mesmo idosa, o que muitos não percebem, quando pensam que é uma rebelião da juventude -, esse é um voto de esperança numa vida coletiva melhor. Mas é um avanço que exige romper com a política tradicional.
Ética na política parece ser um apelo mundial
Vamos às propostas. Começam pela política: reduzir mordomias, baixar os proventos dos parlamentares ao salário médio do cidadão espanhol, em suma, moralizar. Há também medidas tão inovadoras que espantam, mas merecem debate: por exemplo, reduzir as horas de trabalho para diminuir o desemprego, até ele cair a 5% (a Espanha já passou até dos 20%). Há ao menos uma proposta que não entendi, mas acho fascinante: que também os votos nulos e em branco estejam representados nos legislativos. Não sei como isso se faria e, para quem se interessa por um sistema governável, com maiorias estáveis, trata-se de um absurdo. Mas muitas vezes chamamos de absurdo ou impossível o que é, simplesmente, (ainda) impensável. E depois, alguns desses absurdos se realizam, como a abolição da escravatura ou a igualdade dos sexos, a ponto de se inverter o que era e o que é insensato.
Mas a grande questão que vejo nas propostas, além de mais uma vez a imaginação tentar ganhar o poder (como em 1968), é a exigência de moral na política. Absurdo não é o que pedem: é o que existe. Faz sentido haver muitas casas vazias e muitos sem-casa, problemas fiscais e creditícios enquanto bancos espanhóis investem em paraísos fiscais etc? Aqui, é bom lembramos por que chegamos a isso.
A modernidade ou o capitalismo, que são quase sinônimos, têm como chave de seu sucesso – neste meio milênio – a construção de um sistema em que, para termos bons resultados sociais (“benefícios públicos”), não precisamos ser indivíduos decentes e morais. É possível até mesmo o contrário: que sejam mais produtivos os “vícios privados”, que Mandeville estuda já em 1714. Construímos uma sociedade próspera, a mais rica da história, a que tem a maior expectativa de vida (hoje, o dobro de 1900), a mais livre (nunca tantas pessoas puderam divergir entre si e do governo), partindo daí: renunciamos a que todos sejam bons e apelamos às paixões, afetos, desejos e mesmo vícios de cada pessoa. Os exemplos de Mandeville, que o professor Ari Tank Brito, da UFMT, e eu estudamos, são até engraçados: as prostitutas de Amsterdã, que o governo puritano tolerava para evitar que os marinheiros atacassem as mulheres “decentes”, e o ladrão que roubava um monge, fazendo um ouro entesourado e inútil circular e produzir. Mandeville tem enorme simpatia pelo papel social das prostitutas e ladrões.
Antes disso, vigorava a convicção de que, para um país ir bem, seu rei devia ser bom, isto é, ser um bom cristão, maometano ou, ainda, de outra religião. Já, se apelarmos às paixões (Hobbes, Espinosa) ou mesmo aos vícios, fica mais barato produzir a vida social e política. Ela exige menos. E não nos impõe um único modelo moral ou religioso. O problema é que isso funciona mais ou menos assim: para gerar o benefício, use o vício. Para baixar a inflação, aumente os juros. Nada disso faz sentido, à primeira vista. Os cientistas nos explicarão que faz sentido, sim – mas talvez se tenha ido longe demais nesse contraste entre os meios e os fins.
Aqui está o problema: e se tiver chegado a hora de casar melhor meios e fins, de fazer que o bem público resulte do bem privado? Para a expansão econômica e a construção da política moderna e democrática, o recurso a paixões e vícios foi eficaz. Mas, quando foi alcançado muito do que se pretendia, aumentando a prosperidade e liberdade no mundo, e entra em jogo a vida do próprio planeta, parece ser mais pertinente que cada um faça o bem. O caso por excelência, que talvez seja a chave da política em que estamos entrando, é o da ecologia. A vida em conjunto não melhora se cada um desperdiçar mais água. “Pequenas mudanças geram grandes mudanças”, diz-se. A busca do interesse próprio, que resultou em produtos bons e baratos, pode estar-se tornando cara demais – porque dilapida recursos naturais, desemprega e sabe-se lá o quê. Não sugiro, aqui, soluções. Mas penso que por aí está mudando nosso modo de pensar.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. Escreve às segundas-feiras
E-mail rjanine@usp.br

China: concorrente ou parceira?

Por Daniel Cardoso, de Joinville (SC)  – Revista Amanhã

Na ExpoGestão, encerrada na última sexta-feira, debatedores propõem uma nova forma de encarar as relações que o Brasil mantém com a China

 

Chegou a hora de parar de reclamar da China. Em vez de inimiga mortal, ela precisa ser encarada como uma aliada estratégica. Essa foi a ideia central de um dos momentos mais importantes da ExpoGestão 2011, evento encerrado na última sexta-feira, em Joinville, Santa Catarina. Para falar sobre o assunto, a organização levou três nomes de peso, com ampla experiência e vivência na Ásia: o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, que atuou na China de 2004 a 2008, o empresário Roberto Milani, que negocia com os chineses desde o início da década de 1980, e o ex-presidente do BNDES Antonio Barros de Castro. Mediados pela jornalista Miriam Leitão, eles comprovaram que os empresários brasileiros precisam mudar a forma como encaram a China.

Segundo Milani, apesar da chiadeira contra a importação dos produtos chineses, mais da metade das mercadorias que vem para cá são enviadas para a indústria. “Ou seja, os bons preços da China ajudam a deixar a nossa economia moderna e competitiva na disputa global”, afirmou. Para os debatedores, os empresários brasileiros demoraram a entender o fenômeno da globalização e achavam que estariam protegidos para sempre por barreiras alfandegárias. “A grande demora foi entender quais eram as oportunidades do Brasil com a China e como os gestores deveriam reposicionar suas empresas frente às mudanças globais”, avaliou Castro Neves.

Apesar das críticas, o debate transcorreu em tom foi de otimismo. Ao ser questionado sobre a desindustrialização brasileira, o ex-presidente do BNDES Antônio Barros de Castro afirmou de que isso é uma realidade em alguns setores da economia, mas haverá uma compensação. “Sempre ocorre uma desindustrialização em alguns setores e industrialização em outros. O Brasil é um país que tem um bom horizonte econômico. Temos indústrias fortes e capacidade de nos adaptar. Vão surgir novas oportunidades, novas maneiras de manter a indústria viva”, enfatiza.

Outra ideia contestada foi de que os custos na China são muito mais baixos do que no Brasil. “Claro que lá a mão de obra é abundante e custa menos. Só que isso está mudando. Os salários estão aumentando e as indústrias começam a buscar outras províncias para tentar manter os custos baixos”, conta Barros de Castro. Os três debatedores citaram como exemplo o planejamento de longo prazo da China. Há 30 anos os chineses já sabiam para aonde queriam chegar – o que facilitou muito a ascensão econômica da China.

O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, realizou uma palestra no dia seguinte e seguiu na mesma linha. Segundo ele, nos anos de 1980, a Ásia tinha um horizonte de planejamento de 10 anos. E o Brasil? “Certa vez, essa pergunta foi feita a um gestor público brasileiro. A reposta foi: ‘um mês’”, lembrou Meirelles.

A ExpoGestão 2011 recebeu mais de 2.600 participantes no congresso, que contou com palestrantes como o chef Alex Atala, a pesquisadora americana Sherry Turkle, do MIT, Marc Alexander, gestor Global de Inovação da Intel Capital, e o professor da Universidade de Columbia, Nova Iorque, Albert Fishlow. Um dos destaques foi o presidente da Vivo, Roberto Lima, que realizou uma palestra sobre a importância das relações de confiança na busca do crescimento sustentável pelas empresas. Para Lima, conquistar a confiança do consumidor é um passo essencial para se construir uma marca forte, capaz de maximizar resultados. O evento foi promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), pelo núcleo de jovens empresários da ACIJ e pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).

Daniel Cardoso viajou a Joinville a convite da organização da ExpoGestão
http://www.amanha.com.br/home-2/1995-china-concorrente-ou-parceira

O cartel do Federal Reserve: As oito famílias

por Dean Henderson [*]

 

Os Quatro Cavaleiros da banca (Bank of America, JP Morgan Chase, Citigroup e Wells Fargo) são os donos dos Quatro Cavaleiros do Petróleo (Exxon Mobil, Royal Dutch/Shell, BP e Chevron Texaco); em sintonia com o Deutsche Bank, o BNP, o Barclays e outros monstros europeus das velhas fortunas. Mas o seu monopólio sobre a economia global não se esgota no xadrez do petróleo.

De acordo com o relatório 10-K para a SEC, os Quatro Cavaleiros da Banca estão entre os dez maiores accionistas de praticamente todas as empresas da Fortune 500. [1] [NT 1]

Então quem são os accionistas destes centros bancários de dinheiro?

Esta informação é um segredo muito bem guardado. As minhas indagações junto das agências reguladoras da banca, no que se refere aos proprietários das acções dos 25 maiores bancos norte-americanos que possuem companhias, foram respondidas ao abrigo da Lei da Liberdade de Informação, antes de serem recusadas com base na “segurança nacional”. O que é bastante ridículo, na medida em que muitos dos accionistas da banca residem na Europa.

Um importante repositório da riqueza da oligarquia global que é dona destas companhias na posse da banca é a US Trust Corporation – fundada em 1853 e actualmente propriedade do Bank of America. Um recente director e curador honorário da US Trust Corporate foi Walter Rothschild. Outros directores incluíram Daniel Davison do JP Morgan Chase, Richard Tucker da Exxon Mobil, Daniel Roberts do Citigroup e Marshall Schwartz do Morgan Stanley. [2]

J. W. McCallister, da indústria petrolífera com ligações à Casa de Saud, escreveu no The Grim Reaper que informações que obteve de banqueiros sauditas referiam que 80% do Federal Reserve Bank de Nova Iorque – de longe o ramo mais poderoso do Fed – estavam na posse de apenas oito famílias, quatro das quais residem nos EUA. São elas os Goldman Sachs, os Rockefellers, os Lehmans e os Kuhn Loebs de Nova Iorque; os Rothschilds de Paris e de Londres; os Warburgs de Hamburgo; os Lazards de Paris; e os Israel Moses Seifs de Roma.

O CPA Thomas D. Schauf confirma as afirmações de McCallister, acrescentando que dez bancos controlam todos os doze ramos do Federal Reserve Bank. Menciona o N.M. Rothschild de Londres, o Rothschild Bank de Berlim, o Warburg Bank de Hamburgo, o Warburg Bank de Amesterdão, o Lehman Brothers de Nova Iorque, o Lazard Brothers de Paris, o Kuhn Loeb Bank de Nova Iorque, o Israel Moses Seif Bank de Itália, o Goldman Sachs de Nova Iorque e o JP Morgan Chase Bank de Nova Iorque. Schauf lista William Rockefeller, Paul Warburg, Jacob Schiff e James Stillman como indivíduos que possuem grande quantidade de acções do Fed. [3] Os Schiffs são preponderantes no Kuhn Loeb. Os Stillmans no Citigroup, casaram-se no clã Rockefeller no início do século.

Eustace Mullins chegou às mesmas conclusões no seu livro ‘ The Secrets of the Federal Reserve’ , em que exibe gráficos ligando o Fed e os bancos seus membros às famílias Rothschild, Warburg, Rockefeller e outras. [4]

O controlo que estas famílias de banqueiros exercem sobre a economia global não pode ser sobrestimada e é intencionalmente um segredo bem guardado. O seu braço nos media empresariais é rápido a desacreditar qualquer informação que divulgue este cartel privado de banqueiros centrais como uma ‘teoria da conspiração’. Mas os factos subsistem.

A Casa de Morgan

O Federal Reserve Bank nasceu em 1913, no mesmo ano em que morreu J. Pierpoint Morgan, descendente de banqueiro, e em que se formou a Fundação Rockefeller. A Casa de Morgan presidiu a finança americana a partir da esquina de Wall Street e Broad Street, praticamente como o banco central dos EUA desde 1838, quando George Peabody a fundou em Londres.

Peabody era sócio de negócios dos Rothschilds. Em 1952, o investigador do Fed, Eustace Mullins, avançou com a suposição de que os Morgans não eram mais do que agentes dos Rothschilds. Mullins escreveu que os Rothschilds “… preferiam operar anonimamente nos EUA por detrás da fachada de J.P. Morgan & Company”. [5]

O autor Gabriel Kolko afirmou, “as actividades de Morgan em 1895-1896 na venda de títulos do Tesouro dos EUA na Europa basearam-se numa aliança com a Casa de Rothschild.” [6]

Os tentáculos do polvo financeiro de Morgan envolveram rapidamente todo o globo. Morgan Grenfell operava em Londres. Morgan et Ce dominava Paris. Os primos Lambert de Rothschild criaram a Drexel & Company na Filadélfia.

A Casa de Morgan assistia aos Astors, aos DuPonts, aos Guggenheims, aos Vanderbilts e aos Rockefellers. Financiou o lançamento da AT&T, da General Motors, da General Electric e da DuPont. Tal como os bancos Rothschild e Barings com sede em Londres, o Morgan tornou-se parte da estrutura do poder em muitos países.

Em 1890, a Casa de Morgan emprestava dinheiro ao banco central do Egipto, financiava ferrovias russas, títulos do governo provincial brasileiro e projectos de obras públicas argentinas. Uma recessão em 1893 reforçou o poder de Morgan. Nesse ano Morgan salvou o governo dos EUA de um pânico bancário, formando uma união para escorar as reservas governamentais com uma injecção de 62 milhões de dólares em ouro Rothschild. [7]

Morgan foi a força motriz por detrás da expansão para oeste nos EUA, financiando e controlando as vias-férreas para oeste por intermédio de fundos fiduciários. Em 1879 a Ferrovia Central de Nova Iorque, de Cornelius Vanderbilt, financiada por Morgan, concedeu taxas preferenciais ao monopólio nascente da Standard Oil, de John D. Rockefeller, cimentando a relação Rockefeller/Morgan.

A Casa Morgan passou depois para o controlo da família Rothschild e Rockefeller. Um título do New York Herald dizia, “Reis do caminho-de-ferro formam monopólio gigantesco”. J. Pierpont Morgan, que em tempos afirmara, “A competição é um pecado”, passou a opinar alegremente, “Pensem nisso. Toda a concorrência do tráfego ferroviário a oeste de St. Louis colocada sob o controlo de cerca de trinta homens”. [8]

Morgan e o banqueiro Kuhn Loeb de Edward Harriman detinham o monopólio sobre os caminhos-de-ferro, enquanto as dinastias banqueiras Lehman, Goldman Sachs e Lazard se juntaram aos Rockefellers para controlarem a base industrial dos EUA. [9]

Em 1903, as Oito Famílias fundaram o Banker’s Trust. Benjamin Strong do Banker’s Trust foi o primeiro governador do Federal Reserve Bank de Nova Iorque. A criação do Fed em 1913 fundiu o poder das Oito Famílias com o poder militar e diplomático do governo dos EUA. Se os seus empréstimos no estrangeiro não fossem pagos, os oligarcas podiam contar com os Marines dos EUA para cobrar as dívidas. O Morgan, o Chase e o Citibank formaram uma união de empréstimos internacionais.

A Casa de Morgan era íntima da Casa Britânica de Windsor e da Casa Italiana de Sabóia. Os Kuhn Loebs, os Warburgs, os Lehmans, os Lazards, os Israel Moses Seifs e os Goldman Sachs também tinham ligações estreitas com a realeza europeia. Em 1895 Morgan controlava o fluxo do ouro dentro e fora dos EUA. A primeira vaga de fusões americanas estava na sua infância e estava a ser promovida pelos banqueiros. Em 1897 houve sessenta e nove fusões industriais. Em 1899 houve mil e duzentas. Em 1904, John Moody – fundador do Moody’s Investor Services – disse que era impossível falar dos interesses de Rockefeller e Morgan em separado. [10]

Surgiu a desconfiança do público em relação a este conluio. Muita gente considerava-os como traidores a trabalhar para as antigas fortunas da Europa. A Standard Oil de Rockefeller, a US Steel de Andrew Carnegie e os caminhos-de-ferro de Edward Harriman foram todos financiados pelo banqueiro Jacob Schiff do Kuhn Loeb, que trabalhava em estreita colaboração com os Rothschilds europeus.

Vários estados do oeste proibiram a entrada dos banqueiros. O pregador populista William Jennings Bryan foi por três vezes o candidato Democrata para presidente entre 1896 e 1908. O tema central da sua campanha anti-imperialista era que a América estava a cair numa ratoeira de “servidão financeira para com o capital britânico”. Teddy Roosevelt derrotou Bryan em 1908 mas, por causa deste incêndio populista que se ia alastrando, foi forçado a promulgar a Lei Sherman Anti-Monopólio. Depois, perseguiu o Monopólio da Standard Oil.

Em 1912, realizaram-se as audições Pujo, que trataram da concentração do poder em Wall Street. Nesse mesmo ano, Mrs. Edward Harriman vendeu as suas substanciais acções do Guaranty Trust Bank de Nova Iorque a J.P. Morgan, criando o Morgan Guaranty Trust. O juiz Louis Brandeis convenceu o presidente Woodrow Wilson a tentar pôr fim aos directorados interligados. Em 1914 foi aprovada a Lei Clayton Anti-Monopólio.

Jack Morgan – filho e sucessor de J. Pierpont – reagiu convidando os seus clientes Remington e Winchester a aumentar a produção de armas. Argumentou que os EUA precisavam de entrar na I Guerra Mundial. Incitado pela Fundação Carnegie e por outras frentes oligárquicas, Wilson cedeu. Como escreveu Charles Tansill em ‘America Goes to War’, “Ainda antes do início do conflito, a firma francesa Rothschild Frères enviou um telegrama a Morgan & Company de Nova Iorque sugerindo o financiamento de um empréstimo de 100 milhões de dólares, grande parte do qual ficaria nos EUA para pagar as compras francesas dos produtos americanos”.

A Casa Morgan financiou metade do esforço de guerra dos EUA, enquanto recebia comissões para contratar fornecedores como a GE, a DuPont, a US Steel, a Kennecott e a ASARCO. Todos eles eram clientes Morgan. A Morgan também financiou a Guerra britânica dos Bóeres na África do Sul e a Guerra Franco-Prussiana. A Conferência de Paz de Paris, em 1919, foi presidida por Morgan, que liderou os esforços de reconstrução tanto dos alemães como dos aliados. [11]

Na década de 1930 reapareceu o populismo na América depois de o Goldman Sachs, o Lehman Bank e outros terem beneficiado da Queda da Bolsa de 1929. [12] O presidente da Comissão Bancária do Congresso, Louis McFadden (D-NY) disse sobre a Grande Depressão, “Não foi um acidente. Foi uma ocorrência cuidadosamente planeada… Os banqueiros internacionais pensaram criar uma situação de desespero aqui para poderem surgir como dominadores de todos nós”.

O senador Gerald Nye (D-ND), em 1936, presidiu a uma investigação sobre munições. Nye concluiu que a Casa de Morgan tinha feito os EUA mergulharem na I Guerra Mundial para proteger empréstimos e criar uma explosão na indústria de armamento. Nye produziu mais tarde um documento intitulado The Next War, que se referia cinicamente à “fraude contra a velha deusa da democracia”, através da qual o Japão podia ser utilizado para atrair os EUA para a II Guerra Mundial.

Em 1937, o secretário do Interior, Harold Ickes, alertou para a influência das “60 Famílias da América”. O historiador Ferdinand Lundberg posteriormente escreveu um livro exactamente com o mesmo título. O juiz do Supremo Tribunal, William O. Douglas, condenou, “a influência de Morgan… a mais perniciosa na indústria e na finança de hoje”.

Jack Morgan respondeu empurrando os EUA para a II Guerra Mundial. Morgan tinha estreitas relações com as famílias Iwasaki e Dan – dois dos clãs mais ricos do Japão – que são donos da Mitsubishi e da Mitsui, respectivamente, visto que estas empresas saíram dos xogunatos do século XVII. Quando o Japão invadiu a Manchúria, chacinando camponeses chineses em Nanking, Morgan minimizou o incidente. Morgan também tinha relações estreitas com o fascista italiano Benito Mussolini, enquanto que o nazi alemão Dr. Hjalmer Schacht foi uma ligação do Morgan Bank durante a II Guerra Mundial. Depois da guerra, representantes do Morgan encontraram-se com Schacht no Banco de Compensações Internacionais (BIS) em Basileia, na Suíça. [13]

A Casa de Rockefeller

O BIS é o banco mais poderoso do mundo, um banco central global das Oito Famílias que controlam os bancos centrais privados de quase todos os países ocidentais e em desenvolvimento. O primeiro presidente do BIS foi o banqueiro Gates McGarrah de Rockefeller – funcionário do Chase Manhattan e do Federal Reserve. McGarrah era avô do antigo director da CIA, Richard Helms. Os Rockefellers – tal como os Morgans – tinham estreitas ligações a Londres. David Icke escreve em ‘ Children of the Matrix’ , que os Rockefellers e os Morgans eram apenas ‘mandaretes’ dos Rothschilds europeus. [14]

O BIS é propriedade do Federal Reserve, do Banco de Inglaterra, do Banco da Itália, do Banco do Canadá, do Banco Nacional Suíço, do Banco da Holanda, do Bundesbank e do Banco da França.

O historiador Carroll Quigley escreveu no seu livro épico ‘ Tragedy and Hope’ que o BIS foi produto de um plano, “para criar um sistema mundial de controlo financeiro em mãos privadas capaz de dominar o sistema político de cada país e a economia do mundo no seu todo… para ser controlado de modo feudal pelos bancos centrais mundiais, actuando concertadamente através de acordos secretos”.

O governo dos EUA tinha uma desconfiança histórica do BIS, e esforçou-se em vão pela sua destruição na Conferência Bretton Woods em 1944, após a II Guerra Mundial. Pelo contrário, o poder das Oito Famílias saiu reforçado, com a criação em Bretton Woods do FMI e do Banco Mundial. O Federal Reserve dos EUA só adquiriu acções no BIS em Setembro de 1994. [15]

O BIS detém pelo menos 10% das reservas monetárias de pelo menos 80 bancos centrais mundiais, do FMI e de outras instituições multilaterais. Funciona como agente financeiro de acordos internacionais, reúne informações sobre a economia global e serve de prestamista de último recurso para impedir um colapso financeiro global.

O BIS promove um programa capitalista fascista de monopólio. Concedeu um empréstimo a curto prazo à Hungria nos anos 90 para garantir a privatização da economia daquele país. Serviu de canal para as Oito Famílias financiarem Adolf Hitler – dirigido por J. Henry Schroeder dos Warburgs e pelo Banco Mendelsohn de Amesterdão. Muitos investigadores afirmam que o BIS está no nadir da lavagem de dinheiro da droga global. [16]

Não é por acaso que o BIS tem a sua sede na Suíça, esconderijo preferido para a riqueza da aristocracia global e sede da Loja Alpina P-2 da Maçonaria italiana e da Internacional Nazi. Outras instituições que as Oito Famílias controlam incluem o Fórum Económico Mundial, a Conferência Monetária Internacional e a Organização Mundial do Comércio.

Bretton Woods foi uma bênção para as Oito Famílias. O FMI e o Banco Mundial foram fundamentais para esta “nova ordem mundial”. Em 1944, as primeiras acções do Banco Mundial foram lançadas por Morgan Stanley e First Boston. A família francesa Lazard passou a estar mais envolvida nos interesses da Casa de Morgan. Os Lazard Frères – o maior banco de investimentos da França – é propriedade das famílias Lazard e David-Weil – descendentes dos antigos banqueiros genoveses representados por Michelle Davive. Um recente presidente e director executivo do Citigroup foi Sanford Weill.

Em 1968 a Morgan Guaranty lançou o Euro-Clear, um banco de compensação com sede em Bruxelas, para valores em eurodólares. Foi a primeira experiência automatizada do género. Houve quem chamasse ao Euro-Clear de “A Besta”. Bruxelas é a sede do novo Banco Central Europeu e da NATO. Em 1973, funcionários da Morgan reuniram-se secretamente nas Bermudas para ressuscitar ilegalmente a velha Casa de Morgan, vinte anos antes da revogação da Lei Glass Steagal. Morgan e os Rockefellers apoiaram financeiramente a Merrill Lynch, atirando-a para o grupo dos 5 Grandes da banca de investimentos norte-americana. Merrill faz actualmente parte do Bank of America.

John D. Rockefeller utilizou a sua riqueza petrolífera para comprar a Equitable Trust, que tinha absorvido vários grandes bancos e empresas nos anos 20. A Grande Depressão ajudou a consolidar o poder de Rockefeller. O seu Chase Bank fundiu-se com o Manhattan Bank de Kuhn Loeb para formar o Chase Manhattan, consolidando uma antiga relação familiar. Os Kuhn-Loebs tinham financiado – juntamente com os Rothschilds – a tentativa de Rockefeller para ser o rei do petróleo. O National City Bank de Cleveland forneceu a John D. o dinheiro necessário para entrar nesta monopolização da indústria petrolífera dos EUA. O banco foi identificado nas audições do Congresso como um dos três bancos de propriedade dos Rothschilds nos EUA durante a década de 1870, quando Rockefeller começou por incorporar a Standard Oil de Ohio. [17]

Um dos sócios de Rockefeller da Standard Oil era Edward Harkness, cuja família veio a controlar o Chemical Bank. Um outro era James Stillman, cuja família controlava o Manufacturers Hanover Trust. Estes dois bancos fundiram-se sob a égide de JP Morgan Chase. Duas das filhas de James Stillman casaram-se com dois dos filhos de William Rockefeller. As duas famílias também controlam uma enorme fatia do Citigroup. [18]

Na área dos seguros, os Rockefellers controlam o Metropolitan Life, a Equitable Life, a Prudential e a New York Life. Os bancos Rockefeller controlam 25% do activo dos 50 maiores bancos comerciais norte-americanos e 30% do activo das 50 maiores companhias de seguros. [19] As companhias de seguros – a primeira nos EUA foi fundada por mações através da Woodman’s of America – desempenham um papel chave na lavagem do dinheiro da droga nas Bermudas.

As empresas sob o controlo de Rockefeller incluem a Exxon Mobil, a Chevron Texaco, a BP Amoco, a Marathon Oil, a Freeport McMoran, a Quaker Oats, a ASARCO, a United, a Delta, a Northwest, a ITT, a International Harvester, a Xerox, a Boeing, a Westinghouse, a Hewlett-Packard, a Honeywell, a International Paper, a Pfizer, a Motorola, a Monsanto, a Union Carbide e a General Foods.

A Fundação Rockefeller tem ligações financeiras estreitas com as Fundações Ford e Carnegie. Outras iniciativas filantrópicas da família incluem o Rockefeller Brothers Fund, o Instituto Rockefeller de Pesquisa Médica, o Conselho Geral da Educação, a Universidade Rockefeller e a Universidade de Chicago – que tem preparado um fluxo permanente de economistas de extrema direita como defensores do capital internacional, incluindo Milton Friedman.

A família possui o edifício Rockefeller Plaza, 30, onde todos os anos se ilumina a árvore de Natal nacional e o Rockefeller Center. David Rockefeller foi fundamental na construção das torres do World Trade Center. A principal casa da família Rockefeller é um deselegante complexo a norte do estado de Nova Iorque, conhecido por Pocantico Hills. Também possuem um duplex de 32 quartos na 5ª Avenida em Manhattan, uma mansão em Washington, DC, o Rancho Monte Sacro na Venezuela, plantações de café no Equador, várias fazendas no Brasil, uma propriedade em Seal Harbour, no Maine e casas de férias nas Caraíbas, no Havai e em Porto Rico. [20]

As famílias Dulles e Rockefeller são primos. Allen Dulles criou a CIA, deu assistência aos nazis, encobriu o assassínio de Kennedy à Comissão Warren e fechou um acordo com a Irmandade Muçulmana para criar assassinos controlados psicologicamente. [21]

O irmão John Foster Dulles presidiu às garantias falsificadas da Goldman Sachs antes da queda da bolsa de 1929 e ajudou o irmão a derrubar governos no Irão e na Guatemala. Eram ambos membros da Skull & Bones, do Council on Foreign Relations (CFR) e mações do 33º grau. [22]

Os Rockefellers foram decisivos na formação do Clube de Roma, orientado para a redução da população, na propriedade da família em Bellagio, Itália. Criaram a Comissão Trilateral na sua propriedade Pocantico Hills. A família é um dos principais financiadores do movimento eugénico que gerou Hitler, a clonagem humana e a actual obsessão pelo ADN na comunidade científica norte-americana.

John Rockefeller Jr. chefiou o Conselho da População até à sua morte. [23] O seu filho homónimo é senador pela Virginia Ocidental. O irmão Winthrop Rockefeller foi vice-governador do Arcansas e continua a ser o homem mais poderoso daquele estado. Numa entrevista em Outubro de 1975 à revista Playboy, o vice-presidente Nelson Rockefeller – que também foi governador de Nova Iorque – articulou a perspectiva paternalista da sua família, “Acredito plenamente no planeamento – no campo económico, social, político, militar, no mundo inteiro”.

Mas de todos os irmãos Rockefeller, foi David, o fundador da Comissão Trilateral (TC) e presidente do Chase Manhattan, quem levou a agenda fascista da família a uma escala global. Defendeu o Xá do Irão, o regime apartheid da África do Sul e a junta chilena de Pinochet. Foi o maior financiador do CFR, do TC e (durante a Guerra do Vietname) da Comissão para uma Paz Efectiva e Duradoura na Ásia – um contrato de bonança para os que não estavam envolvidos no conflito.

Nixon convidou-o para secretário do Tesouro, mas Rockefeller recusou o cargo, sabendo que o seu poder era muito maior ao leme do Chase. O autor Gary Allen escreve em ‘ The Rockefeller File’ que, em 1973, “David Rockefeller reuniu-se com 27 chefes de estado, incluindo os governantes da Rússia e da China Vermelha”.

Após o golpe do Nugan Hand Bank e da CIA, de 1975, contra o primeiro-ministro australiano Gough Whitlam, o seu sucessor designado pela Coroa britânica, Malcolm Fraser, correu aos EUA, onde se encontrou com o presidente Gerald Ford depois de ter conferenciado com David Rockefeller. [24]

Notas
[1] 10K Filings of Fortune 500 Corporations to SEC. 3-91
[2] 10K Filing of US Trust Corporation to SEC. 6-28-95
[3] “The Federal Reserve ‘Fed Up’. Thomas Schauf. www.davidicke.com 1-02
[4] The Secrets of the Federal Reserve. Eustace Mullins. Bankers Research Institute. Staunton, VA. 1983. p.179
[5] Ibid. p.53
[6] The Triumph of Conservatism. Gabriel Kolko. MacMillan and Company New York. 1963. p.142
[7] Rule by Secrecy: The Hidden History that Connects the Trilateral Commission, the Freemasons and the Great Pyramids. Jim Marrs. HarperCollins Publishers. New York. 2000. p.57
[8] The House of Morgan. Ron Chernow. Atlantic Monthly Press NewYork 1990
[9] Marrs. p.57
[10] Democracy for the Few. Michael Parenti. St. Martin’s Press. New York. 1977. p.178
[11] Chernow
[12] The Great Crash of 1929. John Kenneth Galbraith. Houghton, Mifflin Company. Boston. 1979. p.148
[13] Chernow
[14] Children of the Matrix. David Icke. Bridge of Love. Scottsdale, AZ. 2000
[15] The Confidence Game: How Un-Elected Central Bankers are Governing the Changed World Economy. Steven Solomon. Simon & Schuster. New York. 1995. p.112
[16] Marrs. p.180
[17] Ibid. p.45
[18] The Money Lenders: The People and Politics of the World Banking Crisis. Anthony Sampson. Penguin Books. New York. 1981
[19] The Rockefeller File. Gary Allen. ’76 Press. Seal Beach, CA. 1977
[20] Ibid
[21] Dope Inc.: The Book That Drove Kissinger Crazy. Editors of Executive Intelligence Review. Washington, DC. 1992
[22] Marrs.
[23] The Rockefeller Syndrome. Ferdinand Lundberg. Lyle Stuart Inc. Secaucus, NJ. 1975. p.296
[24] Marrs. p.53

[NT 1] Relatório 10-K : É o relatório anual exigido pela Comissão de Garantias e Câmbios (SEC) dos EUA que dá um resumo abrangente da actividade duma empresa com um património superior a 10 milhões de dólares. A Fortune 500 é uma lista anual publicada pela revista Fortune que lista as maiores 500 empresas norte-americanas.

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[*] Autor de Big Oil & Their Bankers in the Persian Gulf ; Four Horsemen, Eight Families & Their Global Intelligence, Narcotics & Terror Network e The Grateful Unrich: Revolution in 50 Countries . Seu blog: http://deanhenderson.wordpress.com/

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=25080
Tradução de Margarida Ferreira.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Projeto que veta contratos de parlamentares com GDF pode ser arquivado

Lilian Tahan

Publicação: 14/06/2011 07:40 Atualização: 14/06/2011 07:46


Eliana Pedrosa diz não ser contrária ao PL. De 2007 a 2011, familiares dela receberam R$ 270,8 milhões do GDF

Em tese, é função de deputado defender o que é de interesse público. Mas há casos em que o parlamentar atua em causa própria. Um desses exemplos está em plena tramitação na Câmara Legislativa. No episódio em questão, o movimento dos distritais não é o de legislar em proveito particular, mas o de evitar que uma nova lei prejudique a conveniência de políticos com assento na Casa. Projeto que proíbe a contratação pelo governo de empresas em nome de distritais ou de parentes desses corre o risco de ser arquivado hoje antes de ir à plenário por força da articulação de deputados empresários, alguns deles cuja família mantém negócios com o GDF. De 2007 até agora, o governo local já pagou R$ 773,2 milhões a pessoas jurídicas ligadas a distritais. Dessa quantia, R$ 70,7 milhões foram repassados somente em 2011.

Apresentado em março de 2008, somente agora o Projeto de Lei nº741 chegou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa, instância em que são analisados critérios técnicos e jurídicos para a admissibilidade ou arquivamento da proposta (Leia O que diz a lei). Uma vez aprovado na CCJ, o projeto segue para a votação em plenário. Caso contrário, deixa de existir, destino provável da proposta que impede o Poder Executivo de manter contratos com empresas em nome de deputados, de seus parentes, ou até mesmo quando esses forem acionistas ou dirigentes de parceiras do GDF. O PL nº 741 também estende o veto para empresas públicas, autarquias e fundações mantidas pelo governo.

A justificativa contida na redação da proposta é a que a nova lei “visa a assegurar transparência nas contratações de bens e serviços cujos proprietários sejam parlamentares ou mantenham vínculo direto, evitando que esta influência sirva de apoio para beneficiar tais personagens da vida pública do Distrito Federal”. Atualmente, a única amarra da legislação com impacto no universo dos deputados com interesses empresariais é o de que, a partir da posse na Câmara Legislativa, eles não podem ser donos, controladores, diretores ou mesmo receber salário de firmas que mantenham contrato com o governo. A proibição está prevista no artigo 62, II, da Lei Orgânica do Distrito Federal.

A legislação, no entanto, não impede que parentes de distritais estejam à frente de negócios mantidos com o GDF. É exatamente essa abertura que admite situações como as dos deputados Cristiano Araújo (PTB) e Eliana Pedrosa (DEM). Os dois são exemplos de parlamentares atingidos diretamente caso a nova regra seja aprovada em plenário. Isso porque esses políticos pertencem a famílias que executam contratos milionários com a administração pública.

Entre 2007 e 2011, as empresas de propriedade da família do distrital Cristiano Araújo receberam juntas R$ 441,5 milhões do governo local, segundo dados do Sistema Integrado de Gestão Governamental (Siggo), que registra movimentação financeira do GDF. Desse total, R$ 45,9 milhões foram transferidos em 2011. As firmas ligadas a Eliana Pedrosa, em nome de familiares da distrital, foram beneficiadas, no mesmo período, com repasses de R$ 270,8 milhões, sendo 24,8 milhões neste ano. Essa também era a realidade de Leonardo Prudente (sem partido), antes de renunciar ao cargo em função do escândalo da Caixa de Pandora. Entre 2007 e 2009, empresas vinculadas ao ex-parlamentar receberam R$ 60,9 milhões.

Aborto
Mas dificilmente os distritais empresários terão de restringir seus negócios por iniciativa da Câmara Legislativa. O primeiro passo para abortar o PL nº 741 foi dado pelo relator da matéria na CCJ. Em 3 de maio, o deputado Joe Valle (PSB) assinou um parecer pela inadmissibilidade da proposta. Na argumentação, o relator alega que o projeto restringe a livre concorrência, sustenta que o artigo 62, I, a, da Lei Orgânica já trata do assunto e aponta ainda vício formal no texto, por entender que se trataria de tema de iniciativa exclusiva do Poder Executivo.

O presidente da CCJ, deputado Chico Leite (PT), pediu vista do PL e apresentou na semana passada um voto em separado, fazendo alguns ajustes no texto original, mas sugerindo a admissibilidade do projeto. Entre as mudanças apontadas, o petista defende a necessidade de se especificar o grau de parentesco na redação da proposta e inclui o mesmo dispositivo previsto na Súmula Vinculante, segundo o qual fica configurado nepotismo parentesco consanguíneo em até terceiro grau.

As chances de o substitutivo ser aprovado, no entanto, são muito pequenas. Há uma movimentação que inclui integrantes da CCJ e distritais que sequer participam da comissão para arquivar o projeto. Na semana em que o tema entrou na pauta — como indicava a página da Câmara Legislativa na internet — três assessores de Cristiano Araújo, que não participa da comissão, estiveram nas reuniões para acompanhar o caso. Os funcionários do distrital levaram cópias de toda a tramitação do PL, demonstrando o interesse do parlamentar pelo tema.

Bastam três votos contrários para o assunto sair da pauta da Câmara. Joe Valle será um deles. Aylton Gomes (PR), outro. Ele estaria agindo na CCJ em sintonia com os interesses de Cristiano Araújo e Eliana Pedrosa. No dia em que a proposta foi analisada na comissão, Aylton Gomes chegou a pedir a Olair Francisco (PTdoB), outro integrante da comissão, para que esperasse a votação do PL nº 741 antes de se ausentar da sessão. Mas não foi preciso, pois a discussão e a votação do assunto acabaram adiadas para hoje às 10h. Olair não vai participar da reunião, quando será substituído por Celina Leão, uma aliada de Eliana Pedrosa.

Cristiano Araújo acompanhou com interesse a matéria: “Quem vai definir o tema são os membros da CCJ”

Proposta polêmica
De autoria do ex-deputado Rogério Ulysses (sem partido), o projeto começou a tramitar no primeiro trimestre de 2008 e desde então já foi avaliado em duas comissões na Câmara: a de Assuntos Sociais e a de Desenvolvimento Econômico, Sustentável, Ciência, Tecnologia, Meio Ambiente e Turismo. Na primeira comissão, o tema foi rejeitado, mas, na segunda, a proposta foi aprovada por maioria.

Denuncie
Segundo artigo 63, I, do Regimento Interno da Câmara Legislativa do DF, é de competência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analisar os projetos que tramitam na Casa sob o ponto de vista da admissibilidade, que deve levar em consideração aspectos constitucionais, legais, de redação e da técnica legislativa. Assim, equívocos mais leves, como um erro no texto do projeto ou os de natureza jurídica — como o vício de iniciativa, quando um tema de prerrogativa exclusiva do Executivo é proposto pelos deputados — podem interromper a tramitação e determinar o arquivamento dos projetos. A análise pela CCJ ocorre sempre antes da votação em plenário e depois que o tema já passou pelas comissões temáticas.

 

Critérios técnicos

Mesmo que não diretamente, a maioria dos votos contrários ao projeto em questão deve ser representativo da classe empresarial. Joe Valle afirmou ao Correio que, ao rejeitar o PL, agiu estritamente dentro de critérios constitucionais. Ele informou que para sugerir a inadmissibilidade do projeto seguiu a orientação de parecer elaborado pela consultoria legislativa da Casa. E ressaltou que “não tem, nunca teve e nem terá” contrato com o governo, apesar de ser dono de uma empresa que é referência em produtos orgânicos. “Meu parecer é técnico, uma homenagem à obediência de preceitos legais”, alegou. Joe citou que a Câmara Federal produziu um relatório muito parecido com o seu, sustentando inadequação jurídica do PL.

Eliana Pedrosa disse não ser contrária à proposta. Ponderou, no entanto, que “buscará saber se o projeto se estende a organizações não governamentais  que recebem recursos públicos e contam com a participação de parentes de deputados”. Reiterou que vendeu suas ações da empresa Dinâmica antes de ser eleita para seu primeiro mandato, em 2002, e que os negócios estão sob responsabilidade de sua família.

O deputado Aylton Gomes afirmou que seu voto será baseado na legislação em vigor. Segundo destacou, a Constituição já trata do tema, restringindo parlamentares de firmarem contratos com órgãos da administração pública.

Cristiano Araújo alegou não ter participado de nenhuma articulação para derrubar o PL. Segundo ele, “quem vai definir o tema são os membros da CCJ”. O líder do PT na Câmara, Wasny de Roure, é contra a lei: “Essa matéria é estranha à natureza da democracia. Seria cercear o processo político”. Ou seja, chance quase zero de o debate sobreviver à sessão de hoje.

Reverência com o chapéu alheio

(Veiculado pelo Correio da Cidadania a partir de 10/06/11)

 

Paulo Metriconselheiro da Federação Brasileira de Associações de Engenheiros

 

A campanha de parte do empresariado nacional para que o governo reduza a carga de impostos dá a impressão de ser positiva, à primeira vista, porque, supondo que esta redução acarreta uma diminuição do preço dos produtos, ela iria beneficiar a sociedade consumidora dos mesmos. Além disso, a demanda por produtos iria aumentar, pois estariam sobrando reais no bolso dos consumidores. Por fim, se forem reduzidos também os impostos que são calculados sobre a folha de pagamentos, poderia haver aumento de contratações.

Mas, este raciocínio pode não se comprovar. Primeiramente, nada garante que a renúncia de impostos por parte do governo irá resultar em diminuição do preço dos produtos, podendo somente significar um aumento do lucro das empresas. Nesta hipótese, não haverá sobra de dinheiro ao consumidor e não haverá acréscimo da demanda. Também não deverá haver necessidade de contratações adicionais. Mesmo quando a redução de impostos é transferida para o preço dos produtos, eles podem ficar mais competitivos para o mercado externo e continuarem caros para o consumidor brasileiro, devido à grandeza das exportações que os transforma em produtos escassos no país.

Por outro lado, esse dinheiro, que não pertence aos empresários, mas que eles querem retirar da arrecadação, já tem destinos sociais definidos. Tem sido destinado para manter e ampliar escolas e hospitais públicos, comprar equipamentos para a Anvisa realizar melhor sua missão na saúde pública, pagar salários de servidores públicos, investir a fundo perdido em Ciência & Tecnologia, realizar saneamento básico, construir casas, aportar capital para o BNDES, reformar estádios para a Copa, ampliar redes de metrô etc. Se a redução de impostos fosse atrelada à diminuição do pagamento do serviço da dívida, a proposta começaria a ficar atraente. Mas, ainda assim, prefiro a diminuição deste pagamento junto com o crescimento dos gastos sociais.

Entretanto, a iniciativa do empresariado de baratear o preço de venda dos produtos não pode ser desestimulada, desde que a parcela retirada do preço de venda seja devido à diminuição do seu lucro ou à melhoria da produtividade e não sejam usados valores que não lhes pertencem. É fácil fazer reverência com o chapéu alheio. Se os impostos vão ser diminuídos, uma medida salutar seria os empresários indicarem os itens do orçamento da União que devem ser cortados para compensar a perda de arrecadação advogada por eles, como fazem nossos congressistas ao apresentarem emendas ao orçamento da União. Em outras palavras, o cobertor não é elástico e, ao se cobrir uma nova área, estão se descobrindo outras. Criando uma analogia mais própria para o caso, a redução dos impostos pregada significa diminuir o tamanho do cobertor, que passa a abrigar menos “usos”.

Argumentam com freqüência que basta conter o roubo e sobrarão recursos para todos os programas. Mas é necessário que roubos específicos sejam apontados para que seja possível reduzir a carga tributária, senão este argumento não é valido. Argumentam também que, em vários países, a parcela de impostos pagos pela sociedade, como uma fração do PIB, é muito menor que a do Brasil. É verdade, mas, em muitos destes países, o salário médio dos trabalhadores é bem superior ao dos brasileiros, significando que, no Brasil, há necessidade de o Estado prover certos serviços que, nos outros países, são pagos pelo trabalhador.

Agora, se o empresariado quer, de qualquer forma, reduzir os impostos, vamos começar com aqueles que permitem a manutenção de todo Sistema S (Sesc, Senac, Sesi, Senai e Sebrae), sem haver crítica à qualidade dos programas mantidos por esta profusão de “S”. Em geral, a população não sabe, mas o Sistema S não é mantido pelos empresários e, sim, por impostos pagos por ela própria. Eles, somente, o gerem. Melhor do que o discurso é uma atitude dada como exemplo.

PARA QUE SERVEM OS GOVERNOS DE ESQUERDA?

Brasília, 08 de Junho de 2011. Flavio Lyra

(A ideologia neoliberal escravizou às esquerdas, para as quais se tornou impossível vislumbrar alternativas, dentro e além do capitalismo)

A resposta dos eleitores nas democracias ocidentais à pergunta que serve de título a este artigo, nos últimos dez ou vinte anos, não deve ser muito diferente de: não há diferença entre os governos de direita e os de esquerda.

Foi nesse contexto que os conservadores voltaram ao poder no Reino Unido em 2010, depois dos governos trabalhistas de Tony Blair e Gordon Brown (1997-2010), eleitos no final da era de Margareth Thatcher, iniciada em 1979.  Durante o governo de direita de Thatcher as idéias neoliberais penetraram profundamente no Reino Unido com a realização de reformas que desarticularam o estado do bem-estar social até então existente, em prejuízo da classe trabalhadora.

A chamada “terceira via” que serviu de bandeira ao retorno dos trabalhistas ao poder no Reino Unido, com a eleição de Tony Blair, apenas aprofundou as reformas neoliberais iniciadas na era Thatcher. Desiludidos com a esquerda, os eleitores devolveram o poder aos conservadores.

Na França, os socialistas chegaram ao poder com François Miterrand em 1981, que ali permaneceu até 1995. No segundo período de governo, Miterrand se deixou dominar pelas idéias neoliberais, em prejuízo dos interesses da classe trabalhadora, abrindo espaço para o retorno da direita ao Poder com Jacques Chirac (1995-02).  Em 1997, o socialista Lionel Jospin, foi escolhido Primeiro-Ministro, mas seu desempenho em nada contribuiu para melhorar a situação da classe trabalhadora.

 Em 1997, Nicolas Sarkozy, atual presidente, candidato das forças de direita foi eleito, em disputa com a candidata socialista. Também neste caso, o eleitorado acabou preferindo um candidato de direita.

Na Espanha, a história se repete, Felipe Gonzales do Partido Socialista Espanhol, foi primeiro-ministro entre 1982 e 1996, sendo derrotado pelo candidato de direita José Maria Asnar, depois de um governo que em nada beneficiou a classe trabalhadora.

Em 2004, os socialistas voltaram ao governo com José Rodrigues Zapatero. Nas eleições municipais e regionais realizadas no mês passado foram derrotados pela direita, prenunciando resultados desfavoráveis na eleição para primeiro-ministro em 2012. A Espanha enfrenta, atualmente, uma das crises econômicas mais terríveis de sua história recente, com a economia estagnada, o desemprego alcançando 20% da força e trabalho e elevadíssimo endividamento externo.

Finalmente, em Portugal, os socialistas depois de estarem no poder em várias oportunidades acabam de ter José Sócrates, no poder há seis anos, derrotado pelo candidato da direita José Passos Coelho. A economia portuguesa está em recessão, o desemprego alcança taxas elevadas e o endividamento externo é muito elevado.

O denominador comum em todas essas situações tem sido o fato de a esquerda ao chegar ao poder não ter conseguido diferenciar-se o suficiente da direita, produzindo assim profunda decepção entre seus eleitores, que acabam nas eleições seguintes omitindo-se ou optando por candidatos de direita.

Centrando a atenção na America do Sul, o primeiro caso que vem a mente é o do Chile. Ali, a incapacidade do governo de esquerda de Michele Bachelet de realizar mudanças em favor da classe trabalhadora, levou à derrota de seu candidato à presidência, Eduardo Frey, para o direitista Sebastian Piñera.

Em Argentina, Venezuela, Equador e Uruguay, candidatos de esquerda têm conseguido manter-se no poder. As conseqüências nefastas das políticas de cunho neoliberal aplicadas anteriormente foram tão fortes que os governos de esquerda têm conseguido manter sua popularidade bastante alta em função das medidas que tiveram de adotar para contrarrestar os efeitos negativos dessas políticas.

Além disto, a conjuntura mundial favorável à exportação de produtos primários tem favorecido a manutenção de relativo equilíbrio nas contas externas e contribuído para assegurar taxas satisfatórias de crescimento da produção e do emprego.

No Brasil, as drásticas mudanças introduzidas na economia desde o início de 1990, na linha do pensamento neoliberal, impactaram seriamente sobre a economia e prolongaram a estagnação econômica que já vinha da década passada. Nos governos de Fernando Henrique (1995-2002) agravou-se o quadro de desemprego, piorou sensivelmente o desequilíbrio nas contas externas e nas finanças públicas. Entretanto, a política de estabilização, do “Plano Real”, a partir de 1994, possibilitou deter o longo processo inflacionário que afetava o país.

Combinaram-se, assim, o fato positivo do controle do processo inflacionário e os aspectos negativos vinculados ao aumento da dívida pública e do endividamento externo, com repercussões desfavoráveis nas condições de vida da população, gerando o ambiente político favorável a ascensão ao poder do governo de um esquerda, liderado por Lula, em 2003.

A melhora das condições do comércio internacional de produtos primários, com o surgimento da China como grande demandante desses produtos, ao lado de mudanças na política econômica, introduzidas pelo governo Lula, levaram ao aumento dos investimentos públicos e privados e dos gastos sociais do governo. O país conseguiu equilibrar suas contas externas e acumular reservas internacionais, assim como intensificar o ritmo de crescimento econômico e de geração de empregos.

Para fazer face à crise financeira mundial, iniciada em 2008, o governo mobilizou os bancos oficiais, as empresas estatais e os gastos sociais, conseguindo mitigar os impactos negativos sobre a atividade econômica e o emprego.  Já no de 2010 foi possível compensar a perda de crescimento de 2009, com o PIB expandindo-se cerca de 7,9%. Estavam, assim, criadas as condições para a eleição da candidata esquerdista do Partido dos Trabalhadores, Dilma Rousseff, no final de 2010.

Estamos, agora, no início do segundo governo de esquerda no país e cabem perfeitamente a duas indagações:

Primeira. A esquerda brasileira fez até agora, e tem expectativa de realizar no futuro, mudanças na sociedade brasileira que justifiquem do ponto de vista dos interesses da população sua ascensão ao poder?

Segunda. Vamos reproduzir a experiência das democracias européias, em que os governos de esquerda mostraram-se acomodados, assistindo à deterioração do Estado do bem-estar social, o aumento das injustiças sociais e a falta de medidas para impedir a deterioração das condições ambientais?

Proponho a seguir três tópicos sobre os quais a esquerda precisa refletir e buscar inspiração para agir, de modo a justificar sua presença no poder:

Primeiro: ao contrário do que já se pensou, erroneamente, no passado, a história não reserva nenhum futuro maravilhoso para as democracias liberais. O mais provável é que se mantenham as tendências atuais de crises econômicas recorrentes, de destruição da natureza, de aumento das desigualdades sociais, de fortalecimento de formas autoritárias de governo etc. Impedir a materialização dessas tendências destrutivas requer a mobilização das esquerdas, em função da construção de um novo tipo de sociedade que venha a substituir o capitalismo.

Segundo: as esquerdas não devem ocupar o poder achando que sua função é apenas melhorar as formas de gestão da sociedade. Seu papel, antes de tudo, é lutar pela realização de transformações profundas nas instituições, certamente correndo o risco de desagradar à classe dominante. Não se trata aqui de negociação, mas sim de confrontação de forças. Por exemplo, fazer uma reforma tributária que torne os sistemas tributários menos regressivos não vai contar, em nenhuma hipótese, com o apoio das classes proprietárias.

Terceiro: as esquerdas vão ter que distinguir os interesses convergentes entre trabalhadores e capitalistas e os interesses divergentes. É fundamental fazer alianças com os setores capitalistas com os quais haja interesses convergentes, como é o caso do combate ao processo de desindustrialização que ameaça os países da América do Sul. Porém, as esquerdas precisam também estar prontas para lutar pelos interesses dos trabalhadores, quando esses são conflitantes com os interesses dos capitalistas como é o caso, por exemplo, da universalização das políticas sociais.

No exame detido desses três tópicos, as esquerdas encontrarão a inspiração para definição das ações concretas que devam orientar sua atividade política, de modo a poderem convencer a seus eleitores que são diferentes da direita e que, portanto, justificam sua escolha para ocupar o poder.