Diálogos desenvolvimentistas n° 35: Dividir para multiplicar?

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O Tocantins pode estar com o seu posto de “estado caçula” do Brasil ameaçado. No Congresso, estão em tramitação alguns Projetos de Decreto Legislativo que propõem a criação de 11 novos Estados e mais quatro territórios federais. Os que defendem a idéia, como o economista Gustavo Santos, argumentam que a medida iria beneficiar a população local. “Os estados do Norte são grandes demais. Alguém que mora no sul do Amazonas demora quase 30 dias para chegar à capital de barco. Acho muito egoísmo da parte das pessoas do sudeste querer impedir a criação de novos estados onde eles são necessários. Isso não é criação de novas despesas, é principalmente a criação de novos serviços públicos e espaços de atividade política”, diz.

Já Rodrigo Medeiros discorda de que a divisão dos estados seja benéfica. Para ele, a medida só iria aumentar os gastos públicos. “Alguns alegam que esses desdobramentos federativos seriam favoráveis à cidadania, como se a criação de tribunais de justiça e contas, assembléias legislativas, mais três senadores e deputados federais, além de outras aristocracias do serviço público estadual, contribuíssem efetivamente para o desenvolvimento do País. Quem vai pagar essa conta?”, comenta.

Miguel Angelo Gaspar Pinto, mestre em Processamento de Sinais e Controle, concorda. “Não existe nada que comprove que dividir um Estado cause maior desenvolvimento. Os políticos a favor dessas teorias apontam o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul, que já foram um só e foi dividido. Dizem que esses Estados cresceram pela divisão, mas eu acredito que cresceram pela expansão do agro negócio. Se for ver o crescimento dos dois, provavelmente será igual ao crescimento dos outros Estados produtores de alimentos beneficiados pelo atual ciclo de preços altos das commodities”, diz.

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