País inicia ações para enfrentar ataques virtuais

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Moacir Drska e Gustavo Brigatto

Do Valor


O governo brasileiro começou a colocar em prática medidas para proteger o país no ciberespaço. As ações, que já vinham sendo planejadas há mais de um ano, ganharam corpo em meio à recente escalada dos ataques de hackers a redes públicas, empresas privadas e organismos internacionais, como o FMI.

Na prática, o tema assume contornos de segurança nacional. As medidas de proteção serão coordenadas pelo Centro de Defesa Cibernética (CDciber), uma unidade subordinada ao Exército cuja função é integrar as ações defensivas e de contra-ataque das Forças Armadas. Concebido em 2010, o CDCiber tem previsão de entrar em funcionamento efetivo no próximo semestre.

A preocupação com o ciberespaço tornou-se uma das prioridades do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República. Em dezembro, o GSI lançou o “Livro Verde”, no qual estabelece parâmetros de proteção das redes governamentais. O objetivo é minimizar uma das principais vulnerabilidades no mundo cibernético: o comportamento desatento de parte significativa dos usuários de computadores.

O GSI gerencia 320 redes públicas, envolvendo 1 milhão de usuários de 37 ministérios e 6 mil órgãos governamentais. Segundo Raphael Mandarino Jr., diretor-geral do GSI, os ataques que visam o roubo de informações estratégicas são o principal ponto de atenção, apesar de representar apenas 1% das ameaças. “Registramos 2,1 mil tentativas de invasão por hora. Quanto mais se destaca no cenário internacional, mais o Brasil desperta o interesse dos hackers”, afirma Mandarino.

Muitas instituições estão atrasadas na adoção de medidas preventivas. Uma pesquisa recente do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que 64% dos órgãos federais não possuem política de segurança da informação.

É a ascensão de um novo tipo de hacker – diferente das gangues em busca de lucro com fraudes – que está preocupando os governos. Trata-se do chamado hacker ativista, que tem supostas aspirações ideológicas. Cresce também o risco de invasões patrocinadas por outros Estados e grupos terroristas. Há duas semanas, o governo dos Estados Unidos equiparou as ameaças digitais aos ataques com armas convencionais, abrindo a possibilidade de uma resposta militar.

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