China: concorrente ou parceira?

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Por Daniel Cardoso, de Joinville (SC)  – Revista Amanhã

Na ExpoGestão, encerrada na última sexta-feira, debatedores propõem uma nova forma de encarar as relações que o Brasil mantém com a China

 

Chegou a hora de parar de reclamar da China. Em vez de inimiga mortal, ela precisa ser encarada como uma aliada estratégica. Essa foi a ideia central de um dos momentos mais importantes da ExpoGestão 2011, evento encerrado na última sexta-feira, em Joinville, Santa Catarina. Para falar sobre o assunto, a organização levou três nomes de peso, com ampla experiência e vivência na Ásia: o embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, que atuou na China de 2004 a 2008, o empresário Roberto Milani, que negocia com os chineses desde o início da década de 1980, e o ex-presidente do BNDES Antonio Barros de Castro. Mediados pela jornalista Miriam Leitão, eles comprovaram que os empresários brasileiros precisam mudar a forma como encaram a China.

Segundo Milani, apesar da chiadeira contra a importação dos produtos chineses, mais da metade das mercadorias que vem para cá são enviadas para a indústria. “Ou seja, os bons preços da China ajudam a deixar a nossa economia moderna e competitiva na disputa global”, afirmou. Para os debatedores, os empresários brasileiros demoraram a entender o fenômeno da globalização e achavam que estariam protegidos para sempre por barreiras alfandegárias. “A grande demora foi entender quais eram as oportunidades do Brasil com a China e como os gestores deveriam reposicionar suas empresas frente às mudanças globais”, avaliou Castro Neves.

Apesar das críticas, o debate transcorreu em tom foi de otimismo. Ao ser questionado sobre a desindustrialização brasileira, o ex-presidente do BNDES Antônio Barros de Castro afirmou de que isso é uma realidade em alguns setores da economia, mas haverá uma compensação. “Sempre ocorre uma desindustrialização em alguns setores e industrialização em outros. O Brasil é um país que tem um bom horizonte econômico. Temos indústrias fortes e capacidade de nos adaptar. Vão surgir novas oportunidades, novas maneiras de manter a indústria viva”, enfatiza.

Outra ideia contestada foi de que os custos na China são muito mais baixos do que no Brasil. “Claro que lá a mão de obra é abundante e custa menos. Só que isso está mudando. Os salários estão aumentando e as indústrias começam a buscar outras províncias para tentar manter os custos baixos”, conta Barros de Castro. Os três debatedores citaram como exemplo o planejamento de longo prazo da China. Há 30 anos os chineses já sabiam para aonde queriam chegar – o que facilitou muito a ascensão econômica da China.

O ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, realizou uma palestra no dia seguinte e seguiu na mesma linha. Segundo ele, nos anos de 1980, a Ásia tinha um horizonte de planejamento de 10 anos. E o Brasil? “Certa vez, essa pergunta foi feita a um gestor público brasileiro. A reposta foi: ‘um mês’”, lembrou Meirelles.

A ExpoGestão 2011 recebeu mais de 2.600 participantes no congresso, que contou com palestrantes como o chef Alex Atala, a pesquisadora americana Sherry Turkle, do MIT, Marc Alexander, gestor Global de Inovação da Intel Capital, e o professor da Universidade de Columbia, Nova Iorque, Albert Fishlow. Um dos destaques foi o presidente da Vivo, Roberto Lima, que realizou uma palestra sobre a importância das relações de confiança na busca do crescimento sustentável pelas empresas. Para Lima, conquistar a confiança do consumidor é um passo essencial para se construir uma marca forte, capaz de maximizar resultados. O evento foi promovido pela Associação Empresarial de Joinville (ACIJ), pelo núcleo de jovens empresários da ACIJ e pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc).

Daniel Cardoso viajou a Joinville a convite da organização da ExpoGestão
http://www.amanha.com.br/home-2/1995-china-concorrente-ou-parceira

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