MATARAM BIN LADEN, ACABOU A VIOLÊNCIA!

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Brasília, 02 de Abril de 2011. Flavio Lyra

A frase que serve de título a este artigo é verdadeira e falsa ao mesmo tempo. Verdadeira por que afirma a morte de Bin Laden e falsa por que afirma que a violência acabou. Na realidade, pode até ser que o efeito do ocorrido seja mais violência. Depois do triste episódio da destruição das torres gêmeas em Setembro de 2001, dificilmente alguma pessoa sensata do mundo Ocidental deixou de repudiar a maligna ação de Bin Lader e seus liderados, tornando-o um ser odiado.

Mas será que o crime que ele cometeu, altamente condenável, justifica a montagem de um espetáculo macabro transmitido pela televisão para a Casa Branca, no qual são trucidados Bin Lader e seus familiares e no qual aparecem as camas de dormir destroçadas e manchadas de sangue? Essa cultura de faroeste que transforma as relações humanas numa disputa entre mocinhos e bandidos, em que a morte do bandido é motivo de palmas e contentamento e o mocinho que o assassina transformado em herói, em nada contribui para diminuir a violência no mundo.

O bombardeio do Iraque há alguns atrás, também foi um espetáculo transmitido pelas televisões. Parecia uma comemoração de Ano Novo pelo esplendor luminoso dos mísseis cruzando os céus naquela noite escura. Certamente que, para os milhares de iraquianos que tinham seus corpos estilhaçados pelas bombas não havia mais que o horror de sentir na própria carne e na dos semelhantes o peso da agressão iníqua da maior potência do mundo, cujo governo forjou os argumentos para justificar sua conduta agressiva e voltada para outros interesses. Quem sabe o petróleo?

Mais uma vez reproduz-se o erro metodológico de confundir as causas com as conseqüências. Bin Lader e sua terrível Al Qaeda, não seriam muito mais uma conseqüência da violência com que as grandes potências ocidentais têm secularmente impingido aos povos árabes modalidades nefandas de exploração econômica e mesmo de sofrimento físico?

O caldo de cultura para o terrorismo desde há muito está em seus recipientes e pronto para dar origem a outros iguais a Bin Lader. Sem atacar as causas, tudo faz crer que os problemas atuais que geram o terrorismo podem fomentá-lo mais ainda no futuro. O terrorismo não seria um ato de desespero extremo dos que se sentem injustiçados e não conseguem vislumbrar uma saída pacífica?

Se da ótica do observador ocidental as guerras que os Estados Unidos vêm promovendo no Afeganistão, no Iraque e agora na Líbia, têm alguma justificação humanitária, é de todo improvável que os povos que estão sendo invadidos e bombardeados pensem do mesmo modo.  Os crimes cometidos pela Al Qaeda, sob a liderança de Bin Laden, serão maiores e mais terríveis do que as centenas de milhares de vidas sacrificadas nos países invadidos pelas tropas norte-americanas e da OTAN?   George Bush e as forças armadas dos Estados Unidos, provavelmente fizeram mais mal à Humanidade em seu conjunto do que Bin Laden e a Al Qaeda.

O que estamos assistindo é apenas mais um episódio da violência que está instalada no mundo e que somente servirá para estimular os comportamentos destrutivos em relação aos semelhantes, a indiferença frente à morte de adversários e o desejo de vingança dos que se sentiram derrotados.

Há outro aspecto de extrema relevância que o episódio trás às relações internacionais: o desprezo pela soberania das nações. Vi no noticiário que os Estados Unidos não deram conhecimento ao governo de Paquistão da operação militar que levaram a cabo em seu território.

Repete-se, assim, uma conduta agressiva e desrespeitosa para com os direitos das outras nações. É um precedente perigoso, na medida em que o país mais poderoso mundo atribui-se o direito de invadir o território de outros países para fazer o que considera justo em relação a seus inimigos, especialmente sabendo-se que fica a critério de seus dirigentes escolherem quem são os inimigos.

 

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