Arquivo mensais:abril 2011

Mantega aplaude rating da Fitch e invasão de dólares

do Hora do Povo

“Reconhecimento” da “agência de risco” significa saque e depredação do Brasil e da nossa economia

Dizia Machado, “antes cair das nuvens que de um terceiro andar”.

O ministro da Fazenda, desde sua adesão ao neo alguma coisa, prefere ficar nas nuvens e cair do terceiro andar. Se fosse uma preferência pessoal, até que tudo bem. Infelizmente, há o país.

Disse ele, sobre a “elevação” do Brasil no rating da “agência de risco” Fitch Ratings, que “é um reconhecimento de que a economia do país está cada vez mais sólida e confiável”.

Desde quando nós precisamos do “reconhecimento” de um antro de vigaristas, processado em vários países, inclusive em vários estados dos EUA, por fraude e outros crimes financeiros? Desde quando são eles a nos dizer que a nossa economia está assim ou assado, ou que o nosso “PIB potencial” não passa de 4,5%, como fizeram em seu relatório? Desde quando não é um insulto que eles digam, nesse relatório, que “as razões para esta mudança incluem o pagamento e o amadurecimento das reformas estruturais empreendidas na década de 1990, como a privatização de serviços públicos (telecomunicações e energia), que aumentou a eficiência, e a liberalização do comércio”?

DÓLARES

Ou seja, desde quando o ministro da Fazenda de um governo democrático pode saudar as piores catástrofes que já aconteceram no Brasil – e durante o governo tucano – combatidas pela atual presidente durante a sua campanha – e, aliás, durante a sua vida?

Pois foi exatamente isso o que fez a Fitch, e o ministro achou que isso foi um “reconhecimento”. De quê? Da esbórnia tucana?

Que o sr. Tombini diga uma estupidez semelhante, não é algo que espante algum ser vivente. Faz parte da sua natureza.

Porém, Mantega sabe – porque mencionou a questão – que essa “elevação” é uma desgraça para o país, um chamado a uma redobrada invasão dolarizada de bárbaros. O Brasil não ganha nada com isso. Pelo contrário, perde mais ainda do que já está perdendo.

Na segunda-feira, o dólar foi a R$ 1,609 (posteriormente, o Banco Central emitiu uma nota retificando esse número para R$ 1,611, mas faz pouca diferença). O que significa isso? Que a avalanche de dólares que entra no Brasil está hipervalorizando artificialmente o real, tornando mais baratas as mercadorias importadas do que aquelas fabricadas internamente. Portanto, a indústria (e também a agricultura) está sendo espremida por uma tromba de importações.

Em novembro do ano passado, o ex-ministro Delfim Netto afirmou, num evento da Federação de Comércio de São Paulo que “uma coisa é certa: se a demanda interna nos EUA não se recuperou, só lhe resta a saída das exportações e a substituição do petróleo importado por biocombustíveis. Ele vai persegui-la com a desvalorização do dólar. Devemos ‘amarrar os cintos’ e aguentar a competição que vem por aí!”, e, fazendo blague, bem ao seu estilo, o ex-ministro atalhou: “parece que com a taxa de câmbio de R$ 1,60 já podemos importar o etanol de milho dos EUA…” (cf. HP, 23/11/2010).

Hoje, a blague transformou-se em vaticínio: nós já estamos importando etanol de milho dos EUA – e o dólar está exatamente na faixa predita por Delfim.

O ministro Mantega está comemorando, precisamente, mais dólares – e mais desvalorizados – que vão entrar no país, pois não é outra coisa o anúncio da Fitch Ratings. Muito bom para os EUA. Se depender do ministro, brevemente estaremos importando café dos EUA. Produzido no Vietnã ou na Colômbia, com esse câmbio, vamos importá-lo de Nova Iorque ou Nova Orleans.

Enquanto isso, as nossas contas externas estão em perigo: segundo o último boletim da Funcex, em janeiro as exportações aumentaram (em relação ao mesmo mês de 2010) 20,9% em valor, mas apenas 7,7% na quantidade física. Enquanto isso, as importações aumentaram 10,1% em valor, mas 17,1% na quantidade física(cf. Funcex, “Boletim de Comércio Exterior”, ano XV, nº 2).

O que isso quer dizer? Simplesmente que nossa balança comercial está se sustentando devido ao aumento de preço dos produtos primários (+40,1%), isto é, devido a uma bolha especulativa.

A “elevação” no rating da Fitch equivale a colocar no país um cartaz de “carne fresca” e sacudi-lo na frente de uma matilha de predadores, num momento onde boa parte deles já está mordendo a presa. Significa, além da invasão de importações subsidiadas pelo câmbio, ter bilhões achacando ainda mais o Tesouro, ganhando com os juros da dívida pública, e ter bilhões comprando mais e mais empresas e o que der na telha de quem tiver esses dólares.

Mas a única coisa que o sr. Mantega tem a dizer é que “é melhor ter esse problema do que como era no passado, quando faltavam dólares”.

É mesmo? E quando foi isso? Quando é que nós morremos por falta de dólares, e não porque a entrada de dólares cobrou o seu preço na saída? Como se os dólares que entram não fossem para voltar, multiplicados por 10, 100, 1000 ou sabe-se lá quanto…

E nem vamos perguntar por que o ministro acha que temos de ficar pendurados eternamente no dinheiro estrangeiro, e exatamente quando ele é tão somente uma enxurrada de papel com objetivo apenas espoliativo. Mas, por que será que Mantega acha que seu papel como ministro é aceitar uma desgraça só porque acha que existiu no passado outra maior? E nós aqui pensando que o papel de um ministro da Fazenda é fazer o melhor para o país…

OPINIÕES

Não temos o ministro por imbecil, mas, como sabe qualquer um – mesmo que apenas com um grau mediano de informação – se há algo completamente desmoralizado no mundo são as notórias “agências de risco”, aquelas que davam notas excelentes aos papéis que no dia seguinte deixaram os norte-americanos quase de tanga (alguns até sem ela).

No documentário “Inside Job”, os diretores dessas “agências” aparecem no Congresso dos EUA dizendo que suas classificações são apenas “uma opinião” – quando os parlamentares apontam, muito justamente, que a única função dessas classificações é tapear otários e/ou incautos.

Pois o ministro Mantega, que desde 2006 fez uma campanha perfeitamente ridícula pelo “investment grade” dessas agências, acha que merecem pulos de alegria as prebendas da Fitch Ratings (ou de suas duas congêneres, a Moody’s e a Standard & Poor’s).

Na guerra cambial dos EUA contra os demais países, o que não falta a eles é “papel pintado” para virem aqui saquear a nossa economia. Somente em duas superemissões, o Fed (o banco central norte-americano) lançou 2 trilhões e 350 milhões de dólares – não se sabe o total das emissões desde que a crise começou nos EUA, exceto essas duas, que tiveram anúncio oficial.

O que as “agências de risco” fazem é marcar as vítimas para o ataque das piranhas vorazes.

Para o país, não há vantagem alguma, exceto ser descarnado em vida.

CARLOS LOPES


O que mais é necessário para conter a crise na Europa?

The Economist7 de abril de 2011 às 17:20h

Nos  últimos meses, políticos comprometeram-se a fazer “o que for preciso para garantir a estabilidade do euro como um todo”. Contudo, e como era esperado, as reformas acordadas na última cúpula da União Européia nos dias 24 e 25 de março como parte da “grande barganha” não alcançaram o acordo compreensivo que os investidores estavam esperando. Mais do que isso, fizeram pouco para efetivar alguma das medidas para bancos e de solvência que estão no coração da crise da dívida da zona do euro.

O consenso principal da cúpula foi um compromisso, no  princípio, de expandir a capacidade de empréstimo do fundo corrente de resgate – a garantia estatal do Fundo Europeu de Estabilidade e Faclidade (EFSF) – para sua configuração original de 440 bilhões de Euros (ou 610 bilhões de dólares). Até o momento, essa capacidade é restringida em 250 bilhões de euros porque ela precisa segurar as reservas de dinheiro para manter a sua avaliação triplo- A de créditos e países recebendo assistência não são requisitados para exigir garantias.  O crescimento do escopo de empréstimos do  EFSF para 440 bilhões significa que ele pode emprestar dinheiro para uma quantidade maior de países da zona do Euro, se necessário.

De qualquer forma, isso foi só um acordo inicial. Um modo de expandir o EFSF dever ser acordado em junho, quando ocorrerá uma nova cúpula. Nesse meio tempo, líderes não tem conseguido concordar em como deverá ser usado o fundo adicional, entendendo as garantias dos países classificados com crédito triplo-A na zona do euro ou pedindo contribuições de capital de todos os países.

Para complicar o processo ainda mais, a Finlândia – um país que não costuma ir contra consensos da UE – não dará o seu voto de confiança no crescimento de garantias até depois de suas eleições parlamentares em 17 de abril. Seu governo encara uma eleição em que os dois principais partidos de governo, o Partido de Centro e os Conservadores, estão sendo desafiados pelo rápido crescimento do apoio aos populistas “Finlandeses de verdade”. Os “Finlandeses de verdade” se opõem até mesmo à existência do comprometimento finlandês para resgatar os estados vulneráveis da zona do euro.

Não resolvido
A cúpula também não cumpriu uma série de outras contas. Ela significou um passo para trás em termos de planos para o Mecanismo de Estabilidade Europeu, que é previsto para se sobrepor aos acordos sequentes a 2013 da EFSF sobre mudanças menores, porém cruciais, dos tratados europeus.   Em parte, isso aconteceu porque a Alemanha deixou transparecer um compromisso precoce de fundar um fundo compartilhado da ESM. O mecanismo de estabilidade era para ter, supostamente, 500 bilhões de euros ao seu dispor desde o começo, mas na prática isso não deve acontecer. Além disso, um acordo para baixar a taxa de interesse  de empréstimo da EFSF da Irlanda não foi atingido.

Ainda mais importante, nenhum esforço foi feito para resolver alguma das questões bancárias e de solvência que estão no coração da crise da dívida da zona do euro. A cúpula também falhou em elaborar uma estratégia de crédito para o setor bancário, que continua com problemas na maior parte dos países da União Européia, incluindo a Alemanha. Testes de stress bancário comumente realizados não serão feitos para grandes faltas de débito mesmo se eles forem vistos como muito benéficos nos casos da Irlanda e Grécia. Como resultado, investidores ficarão na mesma posição que eles estavam antes da cúpula da UE, com a pequena confiança de que os políticos tenham controle da crise.

O primeiro-ministro português, José Sócrates, anunciou nesta quarta-feira 6 que pedirá uma ajuda financeira à União Europeia para tentar salvar a economia local. Após negar por vários dias que já estivesse negociando um resgate com Bruxelas, o premiê anunciou aos jornalistas, ao fim de uma reunião extraordinária com seus ministros, que negociará com os partidos de oposição um entendimento para assegurar o empréstimo.

 

Governo garante que 70% das obras da Copa começam este ano

Agência Brasil7 de abril de 2011 às 16:05h

Jorge Wamburg, da Agência Brasil

O Ministério do Esporte garantiu hoje (7) que 70% das obras para a Copa do Mundo de 2014 serão iniciadas ainda este ano, o que representa 85% do valor dos investimentos previstos para a competição em 54 projetos envolvendo mobilidade urbana, aeroportos, portos e estádios. O balanço foi apresentado hoje (7) pelo ministério aos participantes da Câmara Temática Nacional de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Copa, em Brasília.

Para debater e analisar o andamento das ações previstas no cronograma da Copa, o Comitê Gestor vai se reunir em Brasília, no dia 28, com os responsáveis pela organização do Mundial nas 12 cidades-sedes. Depois, a presidenta Dilma Rousseff se reunirá com os governadores de estado e os prefeitos dessas cidades para discutir o andamento dos trabalhos.

O balanço da situação das obras foi apresentado pelo assessor especial do Ministério do Esporte Joel Benin. Ele disse que a organização da Copa entra agora no segundo ciclo do processo. “Nós tivemos um primeiro ciclo, já em andamento, que trata dos investimentos em mobilidade urbana, estádios, portos e aeroportos. Iniciaremos agora o segundo ciclo, que vai definir os projetos de segurança, desenvolvimento turístico, meio ambiente e sustentabilidade, além de outras áreas. E já estamos na fase de elaboração do terceiro ciclo, para começar ainda este ano ou no início do ano que vem, que é o da conclusão das obras”.

No primeiro ciclo, entre 2009 e 2010, foram definidos os projetos de infraestrutura da Matriz de Responsabilidades assinada pelo governo federal com estados e municípios: 12 estádios; 50 projetos de mobilidade urbana, 25 para construção, reforma, ampliação e modernização de 13 aeroportos e sete para portos. O segundo ciclo (2010/11) engloba os projetos de infraestrutura, de suporte e de serviços: segurança pública, infraestrutura turística, energia, saúde, sustentabilidade ambiental e promoção e comunicação do país. O terceiro ciclo (2011/2013) será de operação e ações específicas, envolvendo malha aérea, operação aeroportuária e portuária, transporte e mobilidade urbana, fornecimento de energia, saúde, prevenção e pronto-socorro e estruturas temporárias para a Copa.

Conforme o relatório do Comitê de Monitoramento da Copa de 2014, os investimentos programados no primeiro ciclo de planejamento somam R$ 23,8 bilhões, distribuídos por 94 projetos (50 de mobilidade urbana, 12 de estádios e entorno, sete de portos e 25 de aeroportos). Desse total, o Orçamento Federal arcará com R$ 11,1 bilhões, basicamente para investimento em mobilidade urbana, ficando o restante por conta dos financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de recursos locais. Os investimentos federais serão em segurança, hotelaria, desenvolvimento turístico, sustentabilidade ambiental, telecomunicações e tecnologia da informação, energia e saúde.

Em relação aos 12 estádios que receberão os jogos da Copa, o balanço mostra que foram iniciadas as obras exigidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) em dez, com um custo estimado de R$ 5,3 bilhões do total de R$ 5,7 bilhões previstos para as 12 praças esportivas. Quanto à situação dos financiamentos do BNDES, até agora foram solicitados seis empréstimos, quatro foram contratados e dois já estão aprovados. O cronograma estabelece que 80% das obras devem estar concluídas até dezembro de 2012 e os 20% restantes até o primeiro semestre de 2013.

Em relação aos 50 projetos de mobilidade urbana, o cronograma das obras mostra que 32 (53% ou R$ 6,3 bilhões) tiveram o investimento reprogramado, apenas 17 (35% ou R$ 4,2 bilhões) foram considerados adequados, enquanto um (12% ou R$ 1,4 bilhão) está “em atenção”. Quanto aos financiamentos do BNDES, 15 projetos (31%, ou R$ 3,7 bilhões) ainda não estão contratados, 33 (62% ou R$ 7,4 bilhões) tiveram os contratos aprovados e dois (7% ou R$ 800 milhões) já receberam recursos.

No caso dos aeroportos, estão previstos investimentos de R$ 5, 561 bilhões e, de acordo com o Comitê de Monitoramento da Copa de 2014, foram iniciadas obras em quatro dos 13 terminais aéreos que serão reformados para o Mundial (Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Guarulhos e Campinas).

Nos portos, o governo federal vai gastar 740,7 milhões. Por enquanto, apenas uma obra foi iniciada e as demais deverão começar em maio nos portos de Manaus, Salvador, Fortaleza (Mucuripe), Recife, Natal, Rio de Janeiro e Santos.

No além das fronteiras da insegurança pública

Fórum Brasileiro


Por Jésus Trindade Barreto Júnior*

Os últimos anos marcaram um período de espontânea organização do vasto repertório de debates e pesquisas sobre as complexas questões que orbitam o tema da segurança pública no Brasil. Alguma elevação de qualidade da administração pública e a ascendente competência de organizações da sociedade civil, sobretudo no espaço acadêmico, deram lastro a esta conjuntura. Violência, criminalidade, políticas públicas, sistemas policial e penal são alguns dos principais vetores de uma discussão que em certa medida superou o viés ideologizado de representação do problema como um conflito maniqueísta entre bandidos e mocinhos.

É possível constatar que o presente já abriga noções do imaginário coletivo e práticas de governo um pouco mais sustentadas na razão e na ciência, ao contrário do que tínhamos fortemente legado do último período autoritário atravessado pelo país. Parece razoável admitir que vivemos o tempo de gradativa superação do direito penal/direito processual penal como núcleo do “ataque” ao fenômeno da violência, tradicionalmente referenciado em tipificações jurídicas de índole dogmática.

Há boas evidências de que este mundo começa a se localizar também nas dimensões da criminologia e da gestão pública, o que amplia a nossa capacidade de transcender orientações estritamente focadas na punição, abrindo espaços para novos caminhos de prevenção, intervenção e mediação extrajudicial do conflito violento, particularmente no cotidiano das comunidades de maior risco, geralmente situadas nos ambientes degradados das grandes cidades. Segurança Pública, enfim, se insere numa conjunção de fatores que navegam entre o urbanismo e o direito, constituindo um desafio ético e político que aponta para as pulsões do crescimento econômico.

Esta impressão, contudo, não nos autoriza um otimismo exacerbado, senão instala o imperativo de uma ação promissora para o futuro, ainda que sob cautelas e muita ponderação. De fato, o campo segue caracterizado por nervosas disputas corporativas das profissões públicas que atuam no setor, como também certa indecisão nos termos do debate sobre a dualidade direitos humanos e controle social. A 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, tardiamente ocorrida no ano de 2009, foi consumada com um extenso documento contendo rol de princípios e diretrizes cujos conteúdos revelam, em boa medida, que há visões antagônicas e contraditórias, muitas vezes fundadas na busca de espaços para afirmação de interesses políticos partidaristas.

Na voz da sociedade civil, ainda ecoam sons de estigmatização das profissões policiais e pouca sincronia existe, tecnicamente falando, na articulação entre os poderes e as esferas de governo, perturbando todas as claras exigências de sincronia entre órgãos dessas instâncias de ação política. Nada disso, entretanto, minimiza o efeito virtuoso de uma série de práticas verificadas nos diversos municípios, estados e na própria união, cujo Ministério da Justiça, a partir dos anos 2000, reverteu o clássico imobilismo dos governos na missão de coordenar, dentro do pacto federativo, uma eficiente política nacional de segurança pública.

É preciso reconhecer que este papel vem sendo desempenhado com algum sucesso e respostas criativas também aparecem nas demais esferas. De alguma forma podemos sentir que a rede entre atores governamentais e não-governamentais vai sendo tecida, em que pesem essas dificuldades estruturais.

O FBSP – Fórum Brasileiro de Segurança Pública, organização não-governamental surgida em 2006, tornou-se um espaço de grande capacidade articuladora, nascido que foi de uma energia democrática fortemente inspirada pela idéia de construção e aperfeiçoamento permanente de agendas e consensos, sempre numa perspectiva de sustentação pelo capital científico acumulado. Neste horizonte, tem contribuído com o ajuste desses recortes polifônicos que dialeticamente vão caminhando para o além das fronteiras da insegurança pública.

*Presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Delegado de Polícia.

Ildo Sauer: a energia nuclear no Brasil pós-Fukushima

Após duas décadas de hibernação dos planos nucleares, no final do governo anterior foram anunciadas a conclusão de Angra 3 e mais quatro usinas, possivelmente às margens do rio São Francisco. A previsão de investimento é da ordem de R$ 8 bilhões por unidade, atingindo R$ 40 bilhões para a instalação de 6.800 MW.

Por Ildo Sauer*, na Folha de S.Paulo

O país dispõe de capacidade tecnológica, de recursos humanos e de conjunto de recursos naturais para expandir a oferta de energia elétrica, em dados aproximados: 150 mil MW de potencial hidráulico remanescente, em adição aos 100 mil MW já desenvolvidos e em desenvolvimento; 143 mil MW eólicos; 15 mil MW de biomassa, mormente bagaço de cana; 17 mil MW em pequenas centrais hidrelétricas; 10 mil MW em cogeração e geração descentralizada por gás natural.

Isso tudo sem as possibilidades decorrentes da repotenciação e da modernização de usinas antigas e dos programas de racionalização do uso de energia. A energia eólica vem apresentando uma curva de aprendizado tecnológico notável, no mundo e no Brasil, conforme demonstrado pelas contratações recentes, com custos declinantes, já competitivos com a opção nuclear.

A própria opção fotovoltaica, conectada à rede de distribuição, tende a repetir o sucesso da eólica. Várias combinações entre esses recursos são possíveis para suprir a energia disponibilizada pela alternativa nuclear proposta, todas elas com custos de cerca da metade da opção nuclear, economizando mais de R$ 20 bilhões em investimentos para o mesmo benefício energético.

O desenvolvimento de 70% da capacidade hidráulica e de 50% do potencial eólico permitiria gerar anualmente cerca de 1,4 bilhão de MWh de fontes inteiramente renováveis, produção superior ao 1,1 bilhão de MWh requerido para atender a demanda brasileira prevista para a década de 2040, considerando uma duplicação do consumo per capita anual, para 5 MWh (semelhante ao padrão atual de Itália e Espanha), quando, segundo o IBGE, a população se estabilizará em torno de 220 milhões.

Há uma tendência natural de complementaridade das disponibilidades energéticas entre os ciclos hídrico e eólico. Além disso, eventual complementação com usinas térmicas, com suprimento flexível de combustível para operação em períodos hidroeólicos críticos, permitiria aumentar a confiabilidade e reduzir os custos.

É natural que países destituídos de recursos energéticos, como Japão, Coreia, França, ou mesmo Índia e China, lancem mão da opção nuclear como principal alternativa. Mas a dotação de recursos do Brasil permite outra estratégia.

A construção de usinas nucleares, por si só, não garante avanços significativos no domínio da tecnologia nuclear. A consolidação de nossa capacidade nuclear, inclusive para geração elétrica, depende de planejamento, projeto, desenvolvimento e construção de reatores, especialmente de pesquisa, no país. Há dois projetos para tanto.

O primeiro é o reator experimental de 50 MW, de iniciativa da Marinha, projetado e cujos equipamentos foram construídos e estão estocados há 20 anos. Ele deveria, finalmente, ser montado e operado, podendo testar tecnologia de convecção natural, base da segurança passiva, capaz de garantir o resfriamento do núcleo mesmo na ausência de energia elétrica.

Outro é o reator de alto fluxo de nêutrons, para teste de materiais, apoio a pesquisa em agricultura, biologia e medicina e produção de radioisótopos, caros e em falta.

O investimento estimado para os dois projetos é de cerca de R$ 1 bilhão, 5% dos custos economizados com o cancelamento do plano atual de geração nuclear e sua substituição por outras fontes, renováveis, sustentáveis e sem deixar como herança carga radioativa a exigir cuidados das gerações futuras.

* Ildo Sauer, doutor em engenharia nuclear pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology, nos EUA), é coordenador do Programa de Pós-Graduação em Energia da USP

 

Iveco abre unidade de defesa no Brasil para atender o Exército

Companhia do grupo Fiat vai investir R$ 75 milhões em fábrica que produzirá 2.044 blindados até 2029

Ana Paula Machado

A Iveco Latin America entra com toda força no mercado de defesa. A companhia do grupo Fiat vai investir R$ 75 milhões em uma nova unidade de blindados no complexo da empresa em Sete Lagoas, em Minas Gerais. A Iveco Defense será responsável pela produção de veículos de transporte de tropas para o Exército Brasileiro, chamado de Guarani. O presidente da Iveco Latin America, Marco Mazzu, disse que além dos recursos anunciados, serão aplicados outros R$ 40 milhões em pesquisa e desenvolvimento e R$ 20milhões que serão aportados pela Fiat Powertrain (FPT), para os estudos do motor que equipará o blindado.

A unidade entra em operação em 2012, quando serão produzidos os primeiros 16 veículos que serão entregues ao Exército. “Depois disso, ao final de 2012 começamos a produção em série. A fábrica está dimensionada para uma capacidade de 10 blindados por mês”, disse Mazzu. O contrato com o Exército prevê a produção de 2.044 unidades do Guarani com entregas até 2029. “Para a produção dos protótipos, já definimos os fornecedores. Agora, com o início da fabricação em série dos blindados, vamos iniciar as conversas para a formação de um pólo de fornecedores para atender a nova unidade da Iveco”, afirmou Mazzu.

Boa parte dos componentes do protótipo e do lote piloto de 16 veículos será importada, mas o projeto tem como diretiva elevar o conteúdo nacional acima dos 60%, com o objetivo de reduzir custos de produção e de manutenção. Segundo a Iveco, a cadeia produtiva deve envolver cerca de 110 fornecedores diretos e até 600 indiretos. A Iveco Veículos de Defesa será instalada em uma área de 18 mil metros quadrados. A plena carga, a nova unidade vai empregar 350 pessoas, muitas das quais treinadas para tarefas especializadas e raras no mercado, como solda de aço balístico. “Coma Iveco Veículos de Defesa poderemos não só melhor atender ao nosso parceiro e cliente, o Exército, como também desenvolver novos produtos para o segmento militar, seja para o Brasil, seja para a exportação”, disse o executivo.

Projeto brasileiro

O Guarani é fruto de uma licitação de 2007 promovida pelo Exército Brasileiro e vencida pela Iveco. O primeiro protótipo do veículo blindado para transporte de tropa foi desenvolvido no Brasil por uma equipe conjunta do Exército brasileiro e da Iveco, além de especialistas da Comau, empresa de engenharia automotiva do Grupo Fiat, num total de 30 pessoas. O Guarani terá capacidade de transportar 11 pessoas e é um veículo blindado anfíbio de 18 toneladas e tração 6×6. Ele mede 6,91 metros de comprimento, 2,7 metros de largura e 2,34metros de altura.

O blindado pode ser equipado com torre de canhão automático ou de metralhadora, operada por controle remoto. Além disso, poderá ser aerotransportado por um avião tipo Hercules C-130. O Guarani servirá, ainda, como plataforma base de uma família de blindados médios de rodas que poderá ter até mais dez versões diferentes, incluindo veículos de reconhecimento, carro de combate, socorro, posto de comando, comunicações, morteiro leve, morteiro pesado, central diretora de tiro, oficina e ambulância.

Reforço na estratégia

Mazzu ressaltou que a criação da unidade de defesa só vem reforçar a estratégia da empresa no país. “Estamos na fase 2 de nosso projeto para o mercado brasileiro. Queremos expandir nossa atuação, tanto em veículos comerciais como em outros segmentos e o segmento de defesa é um dos nossos focos de negócios’, diz o executivo. ■

BRASIL ECONOMICO

 

Dia de queda de braço para derrubar Mantega

blog do Brizola Neto

Escrevo este post logo na abertura do mercado de câmbio. E é evidente que o dólar abriu caindo mais, porque “o mercado quis assim”, como já indicava, já bem cedo, a coluna de Merval Pereira, uma espécie de dublê econômico daquele médium famoso, o Zé Arigó. Só que o Dr. Fritz de Merval é “a mão invisível do mercado”, que se comunicou com ele ontem à noite e disse que o dólar ia cair.

E é evidente que é essa a aposta do mercado. Não porque ache que o dólar deva cair por estar “caro”. Negativo. Até as pedras da calçada, como se dizia antigamente, sabem que o real está sobrevalorizado.Deve subir, e não cair.

Quem o mercado quer que caia, porém, é o Ministro Guido Mantega e, com ele, Alexandre Tombini, presidente do Banco Central.

Sabem que, com eles, não é só rosnar um pouco que os juros aumentam.

Como disse num post anterior, o jogo será pesado. Há um volume monstruoso de dinheiro “apostado” no dólar baixo, coisa de dezenas de bilhões. Vão forçar a mão e contar com a mídia divulgando, como fez Merval, que as medidas “falharam”.

De outro lado, vai seguir o “terrorismo da inflação”, como justificativa para o aumento da Selic.

vamos ver quem vai piscar nas próximas horas e dias.